David Lean

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David Lean
David Lean
Nascimento 25 de março de 1908
Nacionalidade Reino Unido britânico[1]
Ocupação Cineasta
Festival de Berlim
Urso de Ouro
1954
IMDb: (inglês)

David Lean, CBE (Croydon, Surrey, 25 de março de 1908Londres, 16 de abril de 1991) foi um cineasta britânico. É mais lembrado por épicos como A Ponte do Rio Kwai (1957), Lawrence da Arábia (1962) e Doutor Jivago (1965). Elogiado por diretores como Steven Spielberg [2]e Stanley Kubrick, [3]David Lean foi eleito o nono maior diretor de cinema de todos os tempos pela British Film Institute e a revista Sight And Sound. [4]Indicado sete vezes ao Oscar de Melhor Diretor, pelo qual ganhou duas vezes por A Ponte do Rio Kwai e Lawrence da Arábia, ele tem três filmes entre os cinco primeiros na lista dos 100 melhores filmes britânicos feita pela British Film Institute [5][6] e foi premiado com o AFI Lifetime Achievement Award em 1990.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

David Lean nasceu em Croydon, Surrey, Inglaterra a 25 de março de 1908, filho de Francis Williams Le Blount Lean e Helena Annie Tangye e foi educado numa rígida disciplina na Leighton Park School, perto de Reading. Após um currículo escolar sem grandes méritos, abandonou os estudos, indo trabalhar com aprendiz do pai, contador juramentado; mas achou o ofício insuportável. Sempre que podia, refugiava-se no cinema local, onde se entusiasmava com os filmes silenciosos americanos, impressionando-se fortemente com Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (1921) e Mare Nostrum (1926), ambos de Rex Ingram, diretor que admirava. [7]

Em 1927, aos 19 anos, candidatou-se a um emprego nos estúdios Gainsborough, sendo contratado  por um período de experiência, sem receber salário. Um de seus primeiros encargos foi o de segurar a claquete (primeira intervenção em Quinneys de Maurice Elvey), passando sucessivamente a assistente de câmera e 3º assistente de direção. Lean queria aprender tudo e começou a assistir ao trabalho na sala de montagem. Ele aprendeu muito com o chefe do departamento de montagem, o americano Merrill White, que havia sido montador de Ernst Lubitsch em Hollywood. Sua reputação subiu ainda mais em 1938, quando funcionou em Pigmalião do húngaro Gabriel Pascal, baseado na peça de Bernard Shaw e co-dirigido por Anthony Asquith e Leslie Howard. Um ano depois, esteve de novo com Asquith em Caçador de Corações/French Without Tears, adaptação da comédia de Terence Rattigan, e, subsequentemente, montou importantes filmes britânicos dos anos 40 como Major Barbara (1941), 49th Parallel (1942) e One of Our Aircraft Is Missing (1942). No começo da guerra, fez amizade com Ronald Neame, o fotógrafo de Major Barbara, em quem encontrou grande afinidade. [7]

Lean recebeu várias propostas para dirigir filmes, todo eles “quota quickies”. Este foi o caminho que Michael Powell havia seguido e ele chegou ao topo rapidamente. Porém Lean rejeitou-os, temendo que a participação em filmes inferiores prejudicasse a sua carreira. A oportunidade de dirigir surgiu, quando o produtor criativo, Filippe Del Giudice persuadiu o consagrado teatrólogo das comédias sofisticadas e revistas musicais borbulhantes, Noel Coward, a realizar um filme para a sua companhia, Two Cities. [7]

Começo de carreira e consagração[editar | editar código-fonte]

Seu passo inicial como cineasta foi por meio da co-direção de Nosso Barco, Nossa Alma (1942), ao lado do escritor Noel Coward. Lean prosseguiu adaptando três peças de Coward: o inédito, This Happy Breed (1942), Uma Mulher do Outro Mundo (1945) e o delicado Desencanto (1945), com Trevor Howard e Celia Johnson, com quem havia trabalhado anteriormente em seus dois primeiros filmes. O grande autor inglês, Charles Dickens, foi a próxima fonte de inspiração para o diretor, que realizou Grandes Esperanças (1946) e Oliver Twist (1948). Em 1949, casou-se com a atriz inglesa Ann Todd – uma das seis esposas que teve em vida -, dirigindo-a em três filmes. [8]

David Lean e a estrela Omar Sharif na floresta de pinheiros de San Leonardo de Yagüe, durante as filmagens de Doutor Jivago.

A consagração de Lean veio a partir do final dos anos 50, em que deu início à direção de suas mais bem sucedidas superproduções: A Ponte do Rio Kwai (1957), que lhe valeu o primeiro Oscar de direção, Lawrence da Arábia (1962), o segundo Oscar da categoria, e Doutor Jivago (1965), pelo qual foi novamente indicado ao prêmio. [9]

Filmado em condições extremamente difíceis no Sri Lanka, de outubro de 1956 a maio de 1957A Ponte do Rio Kwai foi produzido por Sam Spiegel (Uma Aventura na ÁfricaSindicato de Ladrões) e adaptado do famoso romance de Pierre Boulle. O filme recebeu 7 prêmios Oscar, incluindo melhor filme, direção e ator (Alec Guinness); mesmo número de estatuetas recebido pelo ainda mais ambicioso Lawrence da Arábia. [10]

Últimos anos e morte[editar | editar código-fonte]

Sem dirigir desde o fracasso de público e crítica de A Filha de Ryan (1970), ele dedicou-se a mais uma adaptação do romance Mutiny on the Bounty (de James Norman Hall), levado às telas antes em O Grande Motim (1935) e Rebelião em Alto Mar (1984), este com Mel Gibson e Anthony Hopkins nos papéis que foram de Clark Gable e Charles Laughton na versão de 35. [11]

Somente em novembro de 1983, começaria as filmagens daquele que seria seu último trabalho: Passagem para a índia, baseado no romance homônimo de E. M. Forster, autor recorrente no cinema, principalmente nas adaptações dirigidas por James Ivory (MauriceUma Janela para o AmorRetorno a Howards End) .[12]

Placa azul comemorativa em homenagem a David Lean.

David Lean recebeu, em 1984, o título de Cavaleiro do Império Britânico e faleceu no dia 16 de Abril de 1991, em Londres, pouco tempo antes de começar as filmagens de “Nostromo”, filme que seria baseado na obra homônima de Joseph Conrad. [13]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

David Lean era um residente de longa duração de Limehouse, leste de Londres. Sua casa na Narrow Street ainda é propriedade da sua família. Seu co-roteirista e produtor Norman Spencer disse que o Lean foi um "enorme mulherengo" e "a meu conhecimento, ele tinha quase 1.000 mulheres".[14]Ele foi casado seis vezes, teve um filho, e pelo menos dois netos de quem ele estava completamente distante e era divorciado cinco vezes. Ele foi socorrido por sua última esposa, a negociante de arte Sandra Cooke, a co-autora (com Barry Chattington) de David Lean: An Intimate Portrait. [15]

Suas seis esposas foram:

Reputação e influência[editar | editar código-fonte]

Lean é o diretor mais representado na lista da BFI dos 100 maiores filmes britânicos, tendo um total de sete filmes na lista. Como o próprio David Lean destacou, seus filmes são muitas vezes admirado por colegas e diretores como uma vitrine da arte do cineasta. Steven Spielberg e Martin Scorsese, em particular, são fãs dos filmes épicos de Lean, e já o citaram como uma de suas principais influências. Spielberg e Scorsese também ajudaram na restauração de 1989 de Lawrence da Arábia, que, após a libertação, muito reviveu a reputação de Lean.

John Woo uma vez nomeou Lawrence da Arábia entre os seus três filmes preferidos. [18]Mais recentemente, Joe Wright (Orgulho e Preconceito, Atonement) citou as obras de Lean, particularmente Doutor Jivago, como uma influência importante sobre seu trabalho. [19]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Premiações[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.imdb.com/name/nm0000180/bio
  2. Indiana Jones' Influences: Inspirations. TheRaider.net. Retrieved on 6 de Dezembro de 2015.
  3. The Kubrick Site FAQ. Visual-memory.co.uk. Retrieved on 6 de Dezembro de 2015.
  4. The directors’ top ten directors. Bfi.org.uk (5 September 2006). Retrieved on 6 de Dezembro de 2015.
  5. The BFI 100: 1–10. Bfi.org.uk (6 September 2006). Retrieved on 6 de Dezembro de 2015.
  6. The BFI 100: 11–20. Bfi.org.uk (6 September 2006). Retrieved on 6 de Dezembro de 2015.
  7. a b c >«Histórias de Cinema » O CINEMA DE DAVID LEAN». 6 de dezembro de 2015. Consultado em 6 de dezembro de 2015. 
  8. . 6 de dezembro de 2015 http://2001video.empresarial.ws/blog/20-anos-sem-david-lean/. Consultado em 6 de dezembro de 2015.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  9. . 6 de dezembro de 2015 http://2001video.empresarial.ws/blog/20-anos-sem-david-lean/. Consultado em 6 de dezembro de 2015.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  10. . 6 de dezembro de 2015 http://2001video.empresarial.ws/blog/20-anos-sem-david-lean/. Consultado em 6 de dezembro de 2015.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  11. . 6 de dezembro de 2015 http://2001video.empresarial.ws/blog/20-anos-sem-david-lean/. Consultado em 6 de dezembro de 2015.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  12. . 6 de dezembro de 2015 http://2001video.empresarial.ws/blog/20-anos-sem-david-lean/. Consultado em 6 de dezembro de 2015.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  13. «Os Cem Anos de David Lean». 6 de dezembro de 2015. Consultado em 6 de dezembro de 2015.  Texto " :: Cinéfila por Natureza ::" ignorado (Ajuda)
  14. «How we made Hobson's Choice». Guardian. Consultado em 6 de dezembro de 2015. 
  15. Smith, Julia Llewelyn. «Sandra Cooke: 'I always liked asking about his other women'» (London: The Independent). Consultado em 17 de Dezembro de 2015. 
  16. «The Hyderabad connection». The Hindu (Chennai, India [s.n.]). 6 de Dezembro de 2015. 
  17. «Brief encounters: How David Lean's sex life shaped his films» (London: The Independent). 6 de Dezembro de 2015. 
  18. Perce Nev, BBC. Retrieved 6 de Dezembro de 2015
  19. Times Online report Arquivado em 28-09-2012 no Wayback Machine

Ligações externas[editar | editar código-fonte]