Death/doom metal

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Death/doom metal
Origens estilísticas Death metal, Doom metal
Contexto cultural Final da década de 1980 e início da década de 1990 na Europa, especialmente no Reino Unido e na Escandinava e durante a década de 2000 com o ressurgimento e renovação na Europa e nos EUA
Instrumentos típicos Bateria, Baixo, Guitarra, Teclado e Vocal
Popularidade Underground, mas com alguma popularidade em alguns lugares da Europa e dos EUA
Formas derivadas Funeral doom, Gothic metal

Death/doom metal, também conhecido como death/doom, é um sub-gênero do heavy metal, sendo mais precisamente do death metal, que, em princípio, misturava o doom metal de bandas como o Candlemass com o death metal de bandas como o Death e o Morbid Angel. Essa mistura incorporava os tempos lentos, os riffs inspirados no Black Sabbath e o clima melancólico do doom metal, juntando-os à agressividade, os vocais guturais e os riffs atonais do death metal. Os temas líricos recorrentes são melancolia, escuridão e miséria da condição humana, criando uma atmosfera mórbida e sombria, lembrando um fantasma a lamentar-se. O Gênero teve auge de registros no início da década de 90. E durante a década de 2000 teve um ressurgimento com bandas que apresentaram uma nova caracterização sonora ao mesmo, como a adição de uma sonoridade ambiente.

História[editar | editar código-fonte]

Primeiras manifestações[editar | editar código-fonte]

No final da década de 80 houve as primeiras manifestações do que seria o sub-gênero do Metal conhecido por Death Metal, com bandas como o Possessed, o Death, o Morbid Angel, o Obituary, entre mais, ao passo que praticamente que ao mesmo tempo houve o surgimento de bandas como o Sempiternal Deathreign, o Autopsy, o Asphyx, o Delirium, o Winter, o Paradise Lost e o Sentenced, que executavam uma forma de Death Metal mais lenta e sombria, assim, lançando mão para as fundações do que viria a ser o Death/Doom Metal.

É importante atentar para o fato de até então não haver a noção do Death/Doom Metal tal como veio a se ter pouco à frente, por isso, inicialmente, na prática essas bandas praticavam o Death Metal, embora um pouco diferente do executado por bandas como as da Florida.

Consolidação[editar | editar código-fonte]

O Paradise Lost em 1991, nos primórdios do Death/Doom Metal.

Foi somente com o desenvolvimento de uma sonoridade advinda dos entornos da cidade de Liverpool, na Inglaterra, com bandas como o Paradise Lost, com suas músicas agora bem mais elaboradas, assim como o My Dying Bride e o Anathema, as chamadas bandas do Northern Doom, que houve a consolidação do que veio a ser conhecido por Death/Doom Metal.

Essa sonoridade, do Northern Doom, foi além dos já praticados tempos lentos, escalas atonais e aspectos sombrios, apresentando arranjos musicais bem mais elaborados, assim como buscando fortes influências em estilos como o Doom Metal e o Gothic Rock.

O Northern Doom, então, buscou influência, melhor dizendo, agora de fato uma influência no Doom Metal, através de bandas como o Trouble, o Candlemass, o Solitude Aeturnus, entre mais, bem como influência da banda Celtic Frost, que resultaram em tempos ainda mais lentos, aspectos ainda mais sombrios, além dos arranjos fúnebres. Assim como buscou influência no Doom Metal, buscou também influência no Gothic Rock, através de bandas como o Joy Division, o Bauhaus, o The Sisters of Mercy, o The Cure, o The Cult, entre mais, na qual adquire as frases e os dedilhados em tonalidades menores, bem como incorporou a estética gótica.

Dessa forma, o Death/Doom Metal estabeleceu-se e iniciou-se quanto sub-gênero musical, ou seja, quanto um sub-gênero do Death Metal e do Doom Metal.

Também algumas outras bandas estão entre as pioneiras para desenvolvimento do Death/Doom Metal, como a banda sueca Tiamat, a banda inglesa Cathedral, a banda neerlandesa The Gathering a banda finlandesa Amorphis, entre mais.

Expansão[editar | editar código-fonte]

O Amorphis em 1992, durante o auge do Death/Doom Metal.

No começo da década de 90, a partir dessa consolidação, e com o lançamento de álbuns como o Lost Paradise de 1990 e o Gothic de 1991, ambos do Paradise Lost, do EP Symphonaire Infernus et Spera Empyrium de 1992 e do álbum As the Flower Withers, também de 1992, ambos do My Dying Bride, e do EP The Crestfallen de 1992 do Anathema, essas bandas do Northern Doom, bem como o Tiamat com o lançamento dos seus álbuns The Astral Sleep de 1991 e o Clouds de 1992, o Cathedral com o lançamento do seu álbum Forest of Equilibrium de 1991, o The Gathering com o lançamento do seu álbum Always... de 1992 e do Amorphis com o lançamento do seu álbum The Karelian Isthmus de 1992, começa a aparecer, principalmente no norte da Europa, uma grande quantidade de bandas executando e lançando álbuns do agora sub-gênero Death/Doom Metal.

Entre as bandas do então emergente, no underground, Death/Doom Metal que começaram a surgirem e a laçarem seus álbuns temos bandas como a neerlandesa Celestial Season com o lançamento Forever Scarlet Passion (1993), a banda alemã Crematory com o lançamento Transmigration (1993), a banda australiana Disembowelment com o lançamento Transcendence into the Peripheral (1993), a banda sueca Katatonia com o lançamento do Dance of December Souls (1993), embora esse álbum seja de fato no estilo Black/Doom Metal, no entanto é associado ao contexto do Death/Doom Metal, o Katatonia só iria lançar um álbum no estilo Death/Doom Metal em 1996, com o Brave Murder Day, a banda australiana de temática cristã Paramaecium com o Exhumed of Earth (1993), a banda finlandesa Unholy com o From the Shadows (1993), a banda israelense Orphaned Land com o Saharao (1994), a banda israelense Salem com o Kaddisha (1994), a banda grega Septicflesh com o Mystic Places Of Dawn (1994) e a banda americana Novembers Doom com o Amid Its Hallowed Mirth (1995).

Capa do álbum Gothic de 1991 da banda Paradise Lost, principal responsável pelo desenvolvimento do Gothic Metal, gênero que atraiu muitas das bandas do Death/Doom Metal.

Mudanças e declínio[editar | editar código-fonte]

A banda Katatonia, que mudou significativamente o seu estilo musical, rompendo as barreiras do Death/Doom Metal.
A banda Amorphis, que explorou novos horizontes musicais, indo para além do Death/Doom Metal.

Entre o começo e a metade da década de 90, mais precisamente entre os anos de 1993 e de 1994, embora estivesse havendo uma enorme quantidade de lançamentos de álbuns e mesmo de surgimento de bandas, o Death/Doom Metal começava a demonstrar o seu enfraquecimento, com muitas de suas bandas parando e mesmo passando para outros estilos musicais, como o então criado Gothic Metal, gênero esse derivado do próprio Death/Doom Metal, a partir de bandas como o Paradise Lost, sua principal precursora, em que desde o seu segundo laçamento, o álbum Gothic de 1991, já havia ido além de uma simples influência do Gothic Rock, indo de fato de encontro com o que começava a desenvolver-se, o já citado Gothic Metal. Além do Paradise Lost, outras bandas que tenderam ao gótico foram as também do Northern Doom My Dying Bride e Anathema, embora tenham seguido caminhos diferentes, tendo o My Dying Bride seguido no estilo Gothic/Doom Metal, enquanto que o Anathema embora tenha inicialmente tendido para o gótico, pouco depois, cada vez mais foi incorporando elementos do rock progressivo, até que definitivamente estabeleceu-se no rock progressivo.

A banda Tiamat também foi tendendo ao gótico, até que com o lançamento do álbum A Deeper Kind of Slumber de 1997, definitivamente passou para o gothic metal.

A banda The Gatheringdesde o seu primeiro álbum Always... de 1992 vinha tal como o Paradise Lost em forte encontro com o gótico, e tendo sido ao lado do Paradise Lost uma grande percursora do sub-gênero também derivado do Death/Doom Metal conhecido como A Bela e a Fera. Com o passar do tempo passaram a executar um Doom Metal mais atmosférico, e que com o tempo cada vez mais foram incorporando elementos do Rock Progressivo e do Shoegaze, até que definitivamente romperem não só com o Doom Metal, mas com o Metal.

Algumas bandas foram ainda mais longe, rompendo de fato com as barreiras do Death/Doom Metal e do Gothic Metal, indo em direção a estilos próprios, ainda que com influências dos mesmos. Foi o caso de bandas como o Amorphis, que acrescentou a sua sonoridade características progressivas e folclóricas, e da banda Katatonia, que acrescentou a sua sonoridade características alternativas. Após as mudanças, as duas bandas figuraram-se entre as mais bem sucedidas comercialmente vindas do Death/Doom Metal.

Também foi notório o caso da banda Orphaned Land, que de uma vez por todas assumiu uma sonoridade associada a música do Oriente Médio, ou seja, passaram para uma forma do Folk Metal, tendo inclusive sido precursora do mesmo.

Muitas outras bandas do Death/Doom Metal mudaram para os mais variados estilos musicais, sejam eles estilos que ajudaram a desenvolver, sejam eles estilos que assumiram, tanto estilos de Metal, quanto estilos de fora do Metal.

O death/doom metal durante o seu declínio[editar | editar código-fonte]

Entre o meio e pouco após do meio da década de 90, o Death/Doom Metal que estava em intenso declínio, em consequência do término de muitas de suas bandas, assim como pela mudança musical de muitas outras, como já citado mais acima, como o Paradise Lost, o My Dying Bride, o Anathema e o Tiamat, que agora desbravavam, de alguma forma, os primórdios do gênero Gothic Metal, além de outras como o Amorphis e o Katatonia, que poliam seus próprios estilos musicais, et cetera, ainda assim, surgiram bandas, bem como lançaram álbuns, como o Dissolving of Prodigy com o lançamento do álbum Lamentations Of Innocents em 1995, o Maleficium com o lançamento do álbum This Illusion of Humanity em 1995, o Cryptal Darkness com o lançamento do álbum Endless Tears em 1996, o Estatic Fear com o lançamento do álbum Somnium Obmutum em 1996, o Flowing Tears & Withered Flowers com o lançamento do álbum Swansongs em 1996, o Saturnus, a que obteve maior significância e alcance entre essas aqui citadas, com o lançamento do álbum Paradise Belongs to You em 1996, o Morgion com o lançamento do álbum Among Majestic Ruin em 1997 e o October Tide, formada por integrantes do Katatonia, daí terem tido maior repercussão e serem tão parecidas, com o lançamento do álbum Rain Without End em 1997.

Ainda assim, muitas dessas bandas que surgiram e lançaram álbum no sub-gênero Death/Doom Metal mudaram o seu estilo musical e ou acabaram, tendo desdas tido maior prosperidade dentro do Death/Doom Metal a banda dinamarquesa Saturnus e a banda sueca October Tide.

Ressurgimento[editar | editar código-fonte]

A banda finlandesa Swallow the Sun, umas das mais populares bandas do Melodic Death/Doom Metal.

Pouco após o começo da década de 2000 houve a ascensão de uma nova onda de Death/Doom Metal, com bandas na qual apresentaram uma sonoridade bem mais melódica em relação as anteriores, assim como muitas adicionaram uma sonoridade ambiente as suas músicas, que em muitas vezes assemelham-se a trilhas sonoras de filmes de suspense, e sendo por tudo isso, rotuladas por bandas de Melodic Death/Doom Metal.

Essa sonoridade, melódica, teve como precursoras algumas bandas nascidas em torno da metade da década de 90, como o Dissolving of Prodigy, o Saturnus e o October Tide, além do próprio Katatonia, assim como a banda finlandesa Rapture, que assim como as demais citadas por qui, já no fim da década de 90 vinham desenvolvendo tal sonoridade.

Entre as principais bandas do conhecido Melodic Death/Doom Metal estão o Before The Dawn, o Before the Rain, o Dark The Suns, o Daylight Dies, o Rapture, o Slumber, o Swallow the Sun, o Wine from Tears, et cetera.

A maior parte das bandas do Melodic Death/Doom Metal são oriundas da Finlândia, tal como a precursora Rapture.

É ainda notável destacar que dessa onda melódica muitas bandas praticamente fazem a sonoridade do Katatonia do fim da década de 90, no entanto com o vocal gutural, sendo essas então menos melódicas e menos complexas em termos musicais quando comparadas as demais que exploram de fato a sonoridade ambiente.

O death/doom metal no brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o sub-gênero Death/Doom Metal ficou restrito ao underground, e ainda assim, nunca tendo tido popularização entre os fãs da música pesada.

No país houve poucas bandas que tiveram alguma repercussão, destas, estando entre as mais notórias a paulista Adagio, a piauiense Anno Zero, a paranaense Eternal Sorrow, a paulista Genocídio, a Paraibana Medicine Death, a piauiense Monasterium, a paulista Mythological Cold Towers e a paulista Pentacrostic.

Na década de 2000 surgiram bandas explorando uma sonoridade mais melódica.

Bandas notáveis do estilo[editar | editar código-fonte]

A banda inglesa Paradise Lost, uma das precursoras do Death Doom Metal.
A banda inglesa My Dying Bride, uma das precursoras do Death Doom Metal.
A banda inglesa Anathema, uma das precursoras do Death Doom Metal.

Algumas das bandas abaixo contribuíram com apenas um álbum para o estilo

Banda País Formação Notas
Amorphis Finlândia 1990 [1][2]
Anathema (no início) Reino Unido 1990 [1][3]
Asphyx Holanda 1987 [4]
Autopsy EUA 1987 [5]
Cathedral (no início) Reino Unido 1989
Celestial Season Holanda 1991 [5]
Crematory Alemanha 1991
Daylight Dies EUA 1996 [6][7]
Disembowelment Austrália 1989 [5][1][8]
Draconian Suécia 1994 [9]
Esoteric Reino Unido 1992 [10]
Evoken EUA 1994 [11]
The Gathering (no início) Holanda 1989 [1][12]
Incantation EUA 1989 [5]
Katatonia Suécia 1991 [13][14]
Morgion EUA 1990 [5][1][15]
My Dying Bride Reino Unido 1990 [5][1][16]
Novembers Doom EUA 1989 [5][17]
Opera IX Itália 1988 [18]
Orphaned Land Israel 1991 [19]
Paradise Lost (no início) Reino Unido 1988 [5][1][20]
Paramaecium Austrália 1990 [21]
Rapture Finlândia 1997 [22]
Runemagick Suécia 1990 [23]
Saturnus Dinamarca 1991 [5]
Sentenced Finlência 1989
Septicflesh Grécia 1990
Skepticism Finlândia 1991 [5][8]
Swallow the Sun Finlândia 2000 [24]
Thergothon Finlândia 1990 [5][8]
The Third and the Mortal Noruega 1992 [25]
Thorr's Hammer EUA 1994 [26]
Tiamat Suécia 1988
Unholy Finlândia 1990 [5][8]
Winter EUA 1988 [5][1][27]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Links externos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h Purcell, Nathalie J. (2003). Death Metal Music: The Passion and Politics of a Subculture McFarland & Company [S.l.] p. 23. ISBN 0-7864-1585-1. Consultado em April 2008. 
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  4. Nief, Todd. «The Rack review». Allmusic. Consultado em 2011-05-22. 
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  6. Rivadavia, Eduardo. «Daylight Dies». Allmusic. Consultado em 2009-08-05. 
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  9. Rivadavia, Eduardo. «The Burning Halo review». Allmusic. Consultado em 2009-08-05. 
  10. Rivadavia, Eduardo. «Esoteric». Allmusic. Consultado em 2009-08-05. 
  11. Borges, Mario Mesquita. «Evoken». Allmusic. Consultado em 2009-08-05. 
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