Dez Mandamentos

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Arte sefardita. Decálogo de Jekuthiel Sofer, 1768, que imita o formato das duas tábuas de pedra. Bibliotheca Rosenthaliana, Amesterdã

Dez Mandamentos ou o Decálogo , que significa "dez palavras", é o nome dado ao conjunto de Leis Divinas que, segundo a Bíblia Sagrada, foram escritos diretamente por Javé Deus, O SENHOR e entregues a Moisés, o libertador e legislador de Israel, no contexto da Antiga Aliança, em duas ocasiões, a primeira, descrita no Livro de Êxodo, capítulo 20, versículos 1 a 17,[1] a segunda, no Livro de Deuteronômio, capítulo 5, versículos 6 a 21, com o mesmo teor, em essência. Essa apresentação das Tábuas da Lei, nas duas ocasiões, deu-se após a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, que durou cerca 430 anos, pel'O Braço Forte de Javé Deus, O SENHOR, por meio de Moisés. Segundo Êxodo, capítulo 32, Moisés recebera "as primeiras Tábuas da Lei", mas avisado por Javé Deus, voltou ao povo, viu a idolatria, e as quebrou.
A entrega original das Tábuas da Lei, em "primeira edição", tudo conformado ao desígnio de Javé Deus, O Deus de Israel, deu-se segundo está relatado no Livro de Êxodo, capítulo 20, versículos 1 a 17:

"(1) E Deus falou todas estas palavras: (2) Eu Sou Javé, o SENHOR, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão! (3) Não terás outros deuses além de mim. (4) Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem esculpida, nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou embaixo na terra, ou mesmo nas águas que estão debaixo da terra. (5) Não te prostrarás diante desses deuses e não os servirás, porquanto Eu, o SENHOR teu Deus, sou um Deus ciumento, que puno a iniquidade dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, (6) mas que também ajo com amor até a milésima geração para aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (7) Não pronunciarás em vão o Nome de Javé, o SENHOR teu Deus, porque Javé não deixará impune qualquer pessoa que pronunciar em vão o seu Nome. (8) Lembra-te do dia do shabbãth, sábado, para santificá-lo. (9) Trabalharás seis dias e neles realizarás todos os teus serviços. (10) Contudo, o sétimo dia da semana é o shabbãth, sábado, consagrado a Javé, teu Deus. Não farás nesse dia nenhum serviço, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o estrangeiro que estiverem morando em tuas cidades. (11) Porquanto em seis dias Eu, o SENHOR, fiz o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles, mas no sétimo dia descansei. Foi por esse motivo que Eu, o SENHOR, abençoei o shabbãth, sábado, e o separei para ser um dia santo. (12) Honra teu pai e tua mãe, a fim de que venhas a ter vida longa na terra que Javé, o teu Deus, te dá. (13) Não matarás. (14) Não adulterarás. (15) Não furtarás. (16) Não darás falso testemunho contra o teu próximo. (17) Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença'.
(18) Todo o povo, vendo os trovões e os relâmpagos, o som do shofar, a trombeta, e a montanha fumegante, sentiu grande pavor e procurou manter-se afastado. (19) Rogaram a Moisés: 'Fala-nos tu, e nós ouviremos; não nos fale diretamente Javé, para que não morramos!' (20) Moisés encorajou o povo, dizendo: 'Não temais. Deus veio para vos provar e para que o seu temor esteja entre vós, e não pequeis'. (21) O povo ficou longe; e Moisés aproximou-se da nuvem escura, onde Deus estava. (22) Javé ordenou a Moisés: 'Assim dirás aos filhos de Israel: Vistes com vossos próprios olhos que dos céus vos falei: (23) não fareis ídolos de prata nem de ouro para tentar representar minha pessoa! (24) Far-me-eis, entretanto, um altar de terra, e sobre ele sacrificareis os vossos holocaustos e os vossos sacrifícios de comunhão, as vossas ovelhas e os vossos bois. Em todo lugar onde Eu fizer celebrar a memória do meu Nome virei a vós e vos abençoarei. (25) Se me edificardes um altar de pedra não o fareis de pedras lavradas, porque se levantardes sobre ele o cinzel, vós o estareis profanando. (26) Nem fazei o meu altar com degraus, para evitar que ao subirdes vossa nudez seja ali exposta."[2](Bíblia King James Atualizada online)


Antes mesmo da primeira apresentação formal da Lei de Javé Deus, em Primeira Aliança Escrita, o povo de Israel, impaciente e talvez duvidoso do retorno de Moisés, transgrediu e cometeu a primeira idolatria:

"(1) Quando o povo de Israel percebeu que Moisés tardava muito a voltar do alto do monte, juntou-se ao redor de Arão e exigiu-lhe: 'Vamos, faze-nos deuses que vão à nossa frente, porque a esse Moisés, a esse homem que nos fez subir da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu!' (2) Arão consentiu e orientou-os: 'Tirai os brincos de ouro das orelhas de vossas mulheres, de vossos filhos e filhas, e trazei-mos!' (3) Então todo o povo tirou das orelhas os brincos e os entregaram a Arão. (4) Este, recebendo-os das suas mãos, os fez fundir em um molde e fabricou com esse ouro derretido uma estátua em forma de bezerro. Então o povo exclamou: 'Esta é a figura dos nossos deuses, ó Israel, que vos tiraram da terra do Egito!' (5) Diante dessa manifestação do povo, Arão construiu um altar diante do bezerro de ouro e fez esta proclamação: 'Amanhã será um dia de festa dedicada ao SENHOR!' (6) No dia seguinte, todo o povo se levantou bem cedo; ofereceram holocaustos e trouxeram sacrifícios de comunhão. Todas as pessoas assentaram-se para comer e beber e, mais tarde, levantaram-se para se divertir. (7) Então Javé avisou Moisés: 'Vai, desce depressa, porque o teu povo, que ajudaste a subir da terra do Egito, perverteu-se! (8) Com muita facilidade e rapidez desviaram-se do Caminho que Eu lhes havia ordenado. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, e o estão adorando e lhe estão oferecendo louvores e sacrifícios e proclamaram em alta voz: 'Este é o teu Deus, ó Israel, que te fez subir do Egito!' (9) E Javé disse mais a Moisés: 'Tenho observado este povo: eis que é um povo de dura cerviz, teimoso. (10) Agora, portanto, deixa-me, para que se inflame contra eles a minha ira e Eu os consuma. Todavia, mais tarde, farei de ti uma grande nação!' (11) Moisés, no entanto, suplicou a Javé, seu Deus, e disse: 'Por que, ó Javé, se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito por meio de teu braço forte e muitos milagres? (12) Por que os egípcios haveriam de blasfemar contra Ti, exclamando: ‘Foi com intenção maligna que Ele os fez sair da terra do Egito, para exterminá-los nos montes e bani-los da face da terra’! Abranda, pois, o furor da tua santa ira e reconsidera o castigo que pretendias impor ao teu povo. (13) Recorda-te dos teus servos Abraão, Isaque e Israel, aos quais juraste por Ti mesmo, dizendo: ‘Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas do céu e, toda a terra que vos prometi, dá-la-ei a vossos filhos para que a possuam para sempre’. (14) E sucedeu que o SENHOR arrependeu-se do castigo que ameaçara impingir àquele povo. (15) Então Moisés desceu do monte, trazendo nas mãos as duas placas de pedra com os mandamentos escritos por Deus nos dois lados de cada pedra. (16) Essas Tábuas da Lei eram obras do dedo de Deus, e a escritura era obra de Deus, gravada sobre placas de pedra. (17) Então Josué, ouvindo o alarido e os gritos que vinham do povo, disse a Moisés: 'Há um barulho de guerra no acampamento!' (18) Ao que lhe respondeu Moisés: 'Não é canto de vitória, nem lamento de derrota; todavia ouço o som de canções!' (19) Quando Moisés aproximou-se do acampamento, no sopé da montanha, e viu aquela estátua em forma de bezerro e as danças, irou-se profundamente e espatifou as tábuas de pedra no chão. (20) Dirigiu-se à figura do bezerro que o povo havia confeccionado e destruiu-a no fogo. Em seguida, triturou-a até reduzi-la a pó miúdo, que espalhou na água, a qual fez todos os filhos de Israel beberem. "[3](Bíblia King James Atualizada online)


Posteriormente, conforme o Livro de Êxodo, capítulo 34, versículos de 1 a 10, O Senhor Javé Deus conclama Moisés a novamente subir o Monte Sinai, e ali lhe dá "as segundas Tabuas da Lei", idênticas às iniciais:

"(1) Então Javé solicita a Moisés: 'Corta duas placas de pedra semelhantes às primeiras, sobe a mim na montanha, e Eu escreverei as mesmas palavras que escrevi nas primeiras Tábuas, que quebraste. (2) Fica preparado de manhã; ao romper da aurora subirás o monte Sinai e lá me aguardarás, no alto do monte. (3) Ninguém poderá te acompanhar nessa jornada nem poderá alguém ficar em lugar algum do monte. Nem mesmo as ovelhas e bois poderão pastar diante da montanha!' (4) Em seguida Moisés cortou duas placas de pedra como as primeiras, levantou-se de madrugada e subiu ao monte Sinai, como Javé lhe havia orientado, e levou nas mãos as duas placas de pedra. (5) Então o SENHOR desceu na nuvem, permaneceu ali com Moisés e proclamou o seu Nome: Javé. (6) E, como prometera, passou diante de Moisés proclamando: (7) que persevera em seu amor dedicado a milhares, e perdoa a malignidade, a rebelião e o pecado. (8) Naquele mesmo instante, Moisés caiu de joelhos e curvou-se com seu rosto rente ao chão e adorou a Deus. (9) Em seguida suplicou: ' Javé! Se agora encontrei graça diante dos teus olhos, eu te rogo que caminhes conosco, ainda que este povo seja teimoso e insubmisso! Perdoa a nossa maldade e o nosso pecado e faze de nós a tua herança!' (10) Então disse Javé, o SENHOR: 'Eis que estabeleço uma aliança contigo! Farei diante de todo o teu povo maravilhas tão extraordinárias como não se fizeram em toda a terra, nem em nação alguma! Todo esse povo, no meio do qual estás, verá a obra de Javé, porque obra tremenda é a que Eu farei contigo.' "[4](Bíblia King James Atualizada online)


Moisés, o legislador

Árvore genealógica

Moisés foi descendente da bíblica linhagem patriarcal, Abraão, Isaque e Jacó. Com efeito, Jacó (filho de Isaque, este, filho de Abraão) teve doze filhos e uma filha, assim os teve:

Ao nascer Levi, sua mãe Lia assim se pronunciou: (34) Concebeu ainda outra vez e deu à luz um filho e declarou: 'Agora, finalmente, meu marido me dará toda a atenção, porquanto já lhe dei três filhos!' Por esse motivo lhe deu o nome de Levi.[6].
Ao nascer Judá, sua mãe Lia assim se pronunciou: (35) Lia ficou grávida ainda mais uma vez e teve outro menino. A este deu o nome de Judá e afirmou: 'Desta vez louvarei o SENHOR!' Depois disso não teve mais filhos.[7].

Moisés, portanto, ainda que legitimamente descendente da bíblica linhagem patriarcal, no entanto era, pela genealogia, da Tribo de Levi (ou "filho de Levi", o terceiro filho de Jacó com sua primeira esposa Lia, de quem ainda gerou Judá, o quarto filho de quem, embora primeira, não era a esposa preferida, já que, segundo o relato bíblico de Gênesis, Jacó amava Raquel[13]). A Levi, o terceiro filho de Jacó, coube, assim, gerar, três gerações após, junto com Miriã e Aarão, seu bisneto Moisés, o "[Primeiro] Libertador de Israel", seu libertador físico da escravidão do Egito, e, ainda, seu legislador e organizador sócio-cultural e político, além de líder espiritual máximo, intercessor de Israel, bem como seu profeta junto a Javé Deus. A Judá, o quarto filho de Jacó, coube, pois, gerar, em sua descendência — de forma e modo divinos, maravilhosos e misteriosos — 37 gerações mais tarde, a' O Senhor Jesus Cristo, Deus conosco (Emanuel), Salvador Universal, reputado pelos cristãos e por alguns judeus, O "Messias" de Javé.

A árvore genealógica levítica de Moisés segundo a Bíblia Sagrada pode ser assim apresentada[14][15][16][17][18]:

Levi
Gérson
Coate
Merari
Joquebede
Anrão
Jizar
Hebrom
Uziel
Miriã
Aarão
Moisés

Breve história

Moisés {[(hebraico moderno: מֹשֶׁה), (transliteração neolatina: Moshe)], [(hebraico tiberiano: Mōšé)], [(grego bíblico: Mωϋσῆς), (transliteração neolatina: Mōüsēs)], [(árabe: موسىٰ), (transliteração neolatina: Mūsa)], originariamente com o significado "tirado das águas"} foi um líder religioso, legislador e profeta, a quem a autoria da Torá é tradicionalmente atribuída. É um dos profetas mais importantes do Judaísmo e do Cristianismo, e igualmente reconhecido pelo Islamismo, assim como em outras religiões[19][20].

Conforme a Bíblia hebraica e, pois, a Bíblia Sagrada cristã, Moisés nasceu num tempo de dura perseguição imperial egípcia contra os recém-nascidos, em virtude da imensa fecundidade com que o povo judeu foi abençoado. De fato, conforme o Livro do Êxodo, Moisés nasceu numa época em que seu povo, os israelitas , uma minoria escravizada, aumentava em número e o faraó egípcio estava preocupado que eles pudessem se aliar aos inimigos do Egito. A mãe hebraica de Moisés, Joquebede, secretamente o escondeu quando o faraó ordenou que todos os meninos hebreus recém-nascidos fossem mortos a fim de reduzir a população dos israelitas. Por meio da filha de faraó (identificada como a rainha Bitia no Midrash), a criança foi adotada como um enjeitado do rio Nilo e cresceu com a família real egípcia. Esse período durou cerca de quarenta anos, os primeiros de Moisés:

"(1) São estes, portanto, os nomes dos filhos de Jacó que foram com ele para o Egito, cada um com sua respectiva família: (2) Rubem, Simeão, Levi e Judá; (3) Issacar, Zebulom e Benjamim; (4) Dã, Naftali, Gade e Aser. (5) Ao todo, o grupo de descendentes de Jacó ultrapassava setenta pessoas; José, no entanto, já estava no Egito. (6) Com o passar do tempo, morreram José, todos os seus irmãos e toda aquela geração. (7) Os filhos de Israel foram fecundos e se multiplicaram; tornaram-se cada vez mais numerosos e poderosos, a tal ponto que o país ficou repleto deles.(8) Levantou-se sobre o Egito um novo rei, que não conhecia nada sobre a vida de José. (9) Então proclamou ele ao seu povo: 'Eis que o povo dos filhos de Israel tornou-se mais numeroso e mais poderoso do que nós. (10) Vinde, tomemos sábias medidas a fim de impedir que ele cresça ainda mais; pois do contrário, em caso de guerra, aumentará o número dos nossos adversários e combaterá contra nós, para depois deixar nosso país assolado!' (11) Sendo assim, impuseram a Israel inspetores de obras para tornar-lhes dura a vida com os trabalhos que exigiam. Foi assim que construíram para o Faraó as cidades armazéns de Pitom e de Ramsés. (12) Contudo, quanto mais os oprimiam, tanto mais geravam filhos e se multiplicavam; e os egípcios preocupavam-se por causa dos muitos descendentes de Israel. (13) Os egípcios obrigavam os filhos de Israel ao trabalho, (14) e tornavam-lhes extenuante e amarga a vida, com duros serviços: a preparação da argila, a fabricação de tijolos, vários trabalhos nos campos, e toda espécie de tarefas que os obrigavam a realizar. (15) O rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, das quais uma se chamava Sifrá e a outra, Pua: (16) 'Quando ajudardes as hebreias a dar à luz, observai o sexo das crianças. Se for menino matai-o. Se for menina deixai-a viver!' (17) As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram o que o rei do Egito lhes havia mandado. Pelo contrário, deixaram que os meninos vivessem. (18) Assim, pois, o rei do Egito chamou as parteiras e interrogou-as: 'Por que agiste desse modo, e deixastes os meninos viverem?' (19) Elas responderam ao Faraó: 'As mulheres dos hebreus não são como as egípcias. São cheias de vida e, antes que as parteiras cheguem, já deram à luz'. (20) As parteiras eram tementes a Deus, e por esse motivo Ele foi benevolente para com elas e o povo ia se tornando cada vez mais numeroso e ainda mais fortalecido. (21) E, porque as parteiras temeram a Deus, Ele as abençoou fazendo que também formassem suas famílias. (22) Certo dia, entretanto, ordenou o Faraó a todo o seu povo: 'A todos os meninos que nascerem aos hebreus, lançareis no Nilo, mas a todas as meninas deixareis viver!' "[21](Bíblia King James Atualizada online)


"(1) Certo homem da tribo de Levi foi tomar por esposa uma descendente também de Levi, (2) a qual concebeu e deu à luz um menino. Vendo que era bonito e saudável, escondeu-o por três meses. (3) E como não pudesse mais ocultá-lo, tomou um cesto de papiro, calafetou-o com betume e piche, colocou dentro seu filho e soltou o cesto entre os juncos, à beira do Rio. (4) De longe, uma das irmãs do menino observava o que lhe ia acontecer. (5) Entrementes, eis que a filha do Faraó desceu para se lavar no Rio, enquanto suas criadas andavam à beira do Rio. Ela percebeu o cesto entre os juncos e mandou uma de suas servas apanhá-lo. (6) Abrindo-o, viu a criança: era um lindo menino e chorava. Enternecida, declarou: 'É filho dos hebreus!' (7) Então a irmã do bebê aproximou-se e sugeriu à filha do Faraó: 'Queres que eu vá e te chame uma mulher dos hebreus que possa criar essa criança?' (8) A filha do Faraó prontamente respondeu: 'Sim, vai!' Partiu, pois, a jovem e chamou a própria mãe da criança. (9) Então a filha do Faraó orientou-a: 'Leva este menino, amamenta-o para mim e eu te darei a tua paga!' A hebreia imediatamente abraçou o bebê e o criou. (10) Quando o menino cresceu, ela o entregou à filha do Faraó, a qual o adotou e lhe pôs o nome de Moisés, justificando: 'Eu o tirei das águas'."[22](Bíblia King James Atualizada online)


Após matar um escravo egípcio (a maltratar um hebreu), Moisés fugiu através do Mar Vermelho para Midiã, onde encontrou Javé Deus, a lhe falar pel'O Se Anjo de dentro de uma sarça ardente[23] no Monte Horebe (ou Monte Sinai), que ele considerava como a Montanha de Deus. Foram os segundos quarenta anos de Moisés.

Javé Deus enviou Moisés de volta ao Egito para exigir a libertação dos israelitas da escravidão. Moisés disse que ele não podia falar com eloquência, pelo que Javé Deus permitiu que Arão, seu irmão, se tornasse seu porta-voz. Depois das Dez Pragas do Egito, Moisés liderou o Êxodo dos israelitas para fora do Egito, e através do Mar Vermelho, após o que eles se estabeleceram no Monte Sinai, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos. Após quarenta anos de peregrinação no deserto (os últimos anos de Moisés), ele morreu à vista da Terra Prometida no Monte Nebo.

O consenso erudito vê Moisés como figura lendária e não como pessoa histórica[24]. O judaísmo rabínico calculou a vida útil de Moisés de 1391–1271 a.C.. Jerônimo dá 1592 a.C.. e Tiago Ussher, 1571 a.C., como ano de nascimento[25][26]. No Livro de Deuteronômio, Moisés foi mencionado como "o homem de Javé Deus".

Moisés, por não ser da Tribo de Judá, mas da Tribo de Levi, não está na linhagem genealógica de Jesus Cristo, como Abraão, "O Pai da Fé". Contudo, Moisés é chamado "libertador de Israel", o primeiro libertador, havendo sido um escolhido de Javé Deus. De fato, ao tirar o povo eleito de Javé Deus da escravidão física no Egito (chamado Êxodo), foi o arquétipo espiritual de Jesus Cristo, O Libertador Espiritual da escravidão do pecado e Redentor e Salvador Universal. Em um chamado, Javé Deus revelou a Moisés que deveria fugir com os hebreus de volta à Terra Prometida (Canaã), tendo obedecido e convocado os hebreus para a fuga, e todos o atenderam, obedecendo a Javé Deus. Após atravessar o Mar Vermelho, Moisés continuou rumo a Canaã, que ele apenas viu de longe, e no Monte Sinai, no deserto, recebeu as tábuas dos Dez Mandamentos. Moisés morreu no caminho, logo após ver Canaã, sem nela ter entrado, em razão do evento "águas de Meribá"[27]:

"(2) Naquele lugar não se encontrava água potável para a comunidade; por esse motivo o povo se reuniu e começou a reclamar contra Moisés e Arão. (3) Discutiram com Moisés e exclamaram: 'Quem dera tivéssemos todos perecido quando nossos irmãos tombaram mortos diante de Javé!' (4) Por que conduziste a assembleia do SENHOR a este deserto, para aqui morrermos, nós e os nossos animais? (5) Por que nos fizeste subir do Egito para nos conduzir a este terrível lugar? É uma terra absolutamente inadequada para semeadura, onde não há cereais, nem figueiras, nem vinhas, nem romãzeiras e até mesmo sem água para beber!' (6) Moisés e Arão deixaram a assembleia e vieram à entrada da Tenda do Encontro. Prostraram-se com seus rostos rente ao chão, e apareceu-lhes a glória de Javé. (7) Então o SENHOR ordenou a Moisés: (8) 'Toma teu cajado e reúne a comunidade toda, tu e teu irmão Arão. Em seguida e sob os olhos deles, dize a este rochedo que faça fluir suas águas. Farás, pois, jorrar água da rocha, e darás de beber ao povo e também aos animais!' (9) Então Moisés pegou seu cajado que estava diante do SENHOR, como este lhe havia instruído. (10) Moisés e Arão reuniram a congregação diante do rochedo, e em seguida Moisés exclamou: 'Ouvi, agora, rebeldes! Será que teremos de fazer jorrar água desta rocha para vos saciar a sede?' (11) Em seguida, Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas vezes com seu cajado. Imediatamente jorrou água potável, e saciou a sede de todo o povo e de seus rebanhos. (12) Contudo, disse Javé a Moisés e Arão: 'Visto que não confiastes suficientemente na minha pessoa, de modo a honrar a minha santidade e Palavra à vista dos filhos de Israel, não fareis entrar esta comunidade na terra que lhe dei!'"[28](Bíblia King James Atualizada online)


"(1) Então, vindo Moisés das planícies de Moabe subiu o monte Nebo, ao topo de Pisga, em frente de Jericó. Dali do alto o SENHOR Deus lhe mostrou toda a terra de Canaã: de Gileade até a cidade de Dã, no Norte; (2) e toda a região de Naftali, o território de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá até o mar do Oeste, o Mediterrâneo; (3) o Neguebe, as terras do sul, e toda a região que vai do vale de Jericó, a cidade das Palmeiras, até Zoar. (4) E falou Javé a Moisés: 'Esta é a terra que prometi sob juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, quando lhes afirmei: à tua descendência darei esta terra. Portanto, eis que te faço vê-la com teus próprios olhos; contudo, não atravessarás o rio, não poderás adentrá-la! (5) Sendo assim, Moisés, o servo do SENHOR, morreu ali, em Moabe, como Javé ordenara. (6) Deus mesmo o sepultou em Moabe, em um vale que fica em frente à cidade de Bete-Peor, mas até estes dias ninguém sabe onde está localizada sua sepultura. (7) Moisés tinha cento e vinte anos de idade quando morreu; no entanto, nem seus olhos nem seu vigor físico haviam desvanecido. (8) Os filhos de Israel prantearam a morte de Moisés ali mesmo, nas planícies de Moabe, durante trinta dias, até passar o período tradicionalmente dedicado ao luto."[29](Bíblia King James Atualizada online)


Dez mandamentos

Texto primário

Os dez mandamentos, apresentados pela primeira vez no contexto de Livro de Êxodo, capítulo 20, versículos 1 a 17,[30] foram divididos em versículos com base no livro , os quais são, segundo a versão Bíblia King James Atualizada online:

  • " (1) E Deus falou todas estas palavras:
  • (2) 'Eu Sou Javé, o SENHOR, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão!
  • (3) Não terás outros deuses além de mim.
  • (4) Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem esculpida, nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou embaixo na terra, ou mesmo nas águas que estão debaixo da terra.
  • (5) Não te prostrarás diante desses deuses e não os servirás, porquanto Eu, o SENHOR teu Deus, sou um Deus ciumento, que puno a iniquidade dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam,
  • (6) mas que também ajo com amor até a milésima geração para aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
  • (7) Não pronunciarás em vão o Nome de Javé, o SENHOR teu Deus, porque Javé não deixará impune qualquer pessoa que pronunciar em vão o seu Nome.
  • (8)Lembra-te do dia do shabbãth, sábado, para santificá-lo.
  • (9) Trabalharás seis dias e neles realizarás todos os teus serviços.
  • (10) Contudo, o sétimo dia da semana é o shabbãth, sábado, consagrado a Javé, teu Deus. Não farás nesse dia nenhum serviço, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o estrangeiro que estiverem morando em tuas cidades.
  • (11) Porquanto em seis dias Eu, o SENHOR, fiz o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles, mas no sétimo dia descansei. Foi por esse motivo que Eu, o SENHOR, abençoei o shabbãth, sábado, e o separei para ser um dia santo.
  • (12) Honra teu pai e tua mãe, a fim de que venhas a ter vida longa na terra que Javé, o teu Deus, te dá.
  • (13) Não matarás.
  • (14) Não adulterarás.
  • (15) Não furtarás.
  • (16) Não darás falso testemunho contra o teu próximo.
  • (17) Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença'. "

Diferentes tradições religiosas, não apenas judaicas ou só cristãs, apreentam os dezessete versículos de Êxodo 20: 1–17[31] e seus correspondentes versículos em Deuteronômio 5: 4–21[32] divididos e organizados em "dez mandamentos" ou "ditos" em modos diferentes, mostrados na tabela abaixo. Alguns sugerem que "o número dez" é uma opção para auxiliar a memorização, em vez de uma questão de teologia,[33] embora essa organização decenal mostre coesão interna, concordância e consistência temática a justificá-la.

Os Dez Mandamentos
LXX FDA SPT TAV AHV CRV LTV PRC Mandamento (artigo principal) Ex 20:1-17[34] Dt 5:6-21[35] Judaísmo Catol-"R" Catol-"O" Prot-"G"
1
1
(1)
Eu Sou Javé, o SENHOR, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão![1]
2[36]
6[36]
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
Não terás outros deuses além de Mim[1]
3[37]
7[37]
2
2
2
1
2
1
1
1
2
Não farás para ti imagem de escultura[1]
4–6[38]
8–10[38]
2
2
3
3
2
3
2
2
2
3
Não pronunciarás em vão o Nome de Javé, o SENHOR teu Deus[1]
7[39]
11[39]
3
2
3
3
4
4
3
4
3
3
3
4
Lembra-te do dia do shabbãth, sábado, para santificá-lo[1]
8–11[40]
12–15[41]
4/sáb 3/dom[2] 4/dom[2] 4/dom[2]
5
5
4
5
4
4
4
5
Honra teu pai e tua mãe
12[42]
16[43]
5
4
5
5
6
7
5
6
5
5
5
6
Não matarás
13[44]
17[44]
6
5
6
6
7
6
6
7
6
6
6
7
Não adulterarás
14[45]
18[46]
7
6
7
7
8
8
7
8
7
7
7
8
Não furtarás[3]
15[47]
19[48]
8
7
8
8
9
9
8
9
8
8
8
9
Não darás falso testemunho contra o teu próximo
16[49]
20[50]
9
8
9
9
10
10
9
10
10
10
9
10
Não cobiçarás (a casa do teu próximo)
17a[51]
21b[52]
10
10
10
10
10
10
9
10
9
9
10
10
Não cobiçarás (a mulher do teu próximo)
17b[53]
21a[54]
9
10
10
9
10
10
10
10
10
Não cobiçarás (seus servos, animais, ou coisa alguma que lhe pertença)
17c[55]
21c[56]
10
10
Edificarás estas pedras, que Eu te ordeno, no Monte Gerizim[57][58]
Adoção exclusiva por parte da Comunidade Samaritana[59]

Tradições:

  • Todas as citações das escrituras acima são da Bíblia King James . Clique nos versos no topo das colunas para outras versões.
  • LXX: versão Septuaginta ("versão dos VXX"), geralmente seguida por cristãos ortodoxos.
  • FDA: versão de Filo de Alexandria, basicamente idêntica à Septuaginta, mas com os mandamentos de "não matar " e de "não adulterar" invertidos.
  • SPT: versão do Pentateuco Samaritano ou Torá Samaritana, com um mandamento adicional sobre o Monte Gerizim como sendo o décimo.
  • TAV: versão do Talmude judaico, faz do "prólogo" o primeiro "ditado" ou "matéria" e combina a proibição de adorar outras divindades além de Javé com a proibição da idolatria.
  • AHV: versão de Agostinho, segue o Talmude, ao combinar os versículos 3–6, mas omite o prólogo como um mandamento e divide a proibição de cobiçar em dois e segue a ordem de palavras de Deuteronômio 5:21 em vez da de Êxodo 20:17.
  • CRV: versão da Igreja Católica Romana, o Catecismo da Igreja Católica, em grande parte — mas, não em tudo — segue Agostinho.
  • LTV: versão da Igreja Luterana, segue o Catecismo Maior de Lutero, que segue Agostinho, mas omite a proibição das imagens e usa a ordem das palavras de Êxodo 20:17, em vez das de Deuteronômio 5:21 para o nono e décimo mandamentos.
  • PRC: visão da Igreja Calvinista, segue os Institutos da Religião Cristã de João Calvino, que segue a Septuaginta; esse sistema também é usado no Livro Anglicano de Oração Comum.[60]
  • A passagem dos mandamentos no Êxodo contém mais de dez declarações, dezenove no total. Enquanto a própria Bíblia assina a contagem de "10", usando a frase hebraica aseret had'varim— traduzida com as 10 palavras, afirmações ou coisas, essa frase não aparece nas passagens usualmente apresentadas como sendo "os Dez Mandamentos". Várias religiões dividem os mandamentos de modo diferente. A tabela exibida aponta essas diferenças.
  • [1] Jesus Cristo, em seu ministério, apresenta uma "releitura universal da Lei Mosaica", desde o Sermão da Montanha (Mt 5, 6 e 7[61]), bem como em várias outras ocasiões, em particular, o ensino sobre "O Maior Mandamento da Lei", ao qual foi arguido por um "juiz judeu, perito na Lei", conforme (Mt 22: 34-40[62]): " (34) Assim que os fariseus ouviram que Jesus havia deixado os saduceus sem palavras, reuniram-se em conselho. (35) E um deles, juiz perito na Lei, formulou uma questão para submeter Jesus à prova: (36) 'Mestre, qual é o Maior Mandamento da Lei?' (37) Asseverou-lhe Jesus: ' Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e com toda a tua inteligência. (38) Este é o primeiro e maior dos mandamentos. (39) O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (40) A estes dois mandamentos estão sujeitos toda a Lei e os Profetas. " (Mt 5, 6 e 7[63]). Alguns estudiosos e intérpretes bíblicos apressam-se a concluir que, com tal declaração, O Senhor Jesus Cristo houvesse abolido a Lei Antiga, o que, em verdade, nunca se deu. O que Ele fez foi uma "releitura unificadora e universalizante da Lei Antiga (também universal)", contudo sob um novo prisma — o prisma soberano do Amor". E, nesse sentido — pode-se dizer que Jesus Cristo "resumiu" a Antiga Lei de dez mandamentos para dois... e os dois tornou-os um só: O Grande e Universal Mandamento do Amor. O Apóstolo João, em seu evangelho remarca essa nota de modo extraordinário, por exemplo, em Jo 3:16-17[64]: " (16) Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (17) Portanto, Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. ". E, ainda mais, em suas Cartas (ou Epístolas), ele faz questão de aprofundar esse tema essencial, indispensável e universal. Por exemplo, em 1 Jo 3:16-17[65]:" (7) Amados, amemos uns aos outros, pois o Amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido e conhece a Deus. (8) Aquele que não ama não conhece a Deus, porquanto Deus é Amor. (9) Foi desse modo que se manifestou o Amor de Deus para conosco: em haver Deus enviado o Seu Filho Unigênito ao mundo, para vivermos por intermédio d'Ele. (10) Assim, nisto consiste o Amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. ". Algumas igrejas cristãs, entre as quais a Igreja Católica Romana, mas não apenas ela, reunem os mandamentos da seguinte forma: os mandamentos do Decálogo de números 1 a 4 são mandamentos de Amor a Deus; os de números 5 a 10 são mandamentos de Amor ao próximo.
  • [2] O Cristianismo, em suas igrejas de modo geral (exceto as de confissão sabatista, como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, entre outras) entende o dia de domingo como O Dia do Senhor na Nova Aliança, pois foi o dia em que Jesus Cristo ressuscitou ("o terceiro dia")[66].
  • [3] O Judaísmo afirma que essa é uma referência ao furto em geral, embora alguns, com base em Lv 19:11,[67] e na hermenêutica talmúdica (דבר הלמד מעניינו, Davar ha-lamed me-inyano ="O que ensina seu interesse",[68][69] sugiram ser apenas furto de propriedade.
  • (4)/sab e (3 ou 4)/dom significam, respectivamente, os dias de sábado ou domingo, considerados de observância devida para o mandamento do shabbãth, por parte da confissão religiosa citada. O número "3" significa que a fé em causa considera-o como terceiro mandamento e o número "4", como o quarto mandamento.

Bíblia Sagrada

Ver artigo principal: Bíblia

Os Dez Mandamentos foram entregues no Monte Sinai ao povo hebreu, por Deus, através de Moisés, separadamente do restante da Torá ("Leis"). De acordo com a Bíblia, os mandamentos escritos nas duas tábuas da Lei, foram escritas pelo dedo do próprio Deus sendo que os demais foram ditados e escritos em pergaminhos por Moisés e ambos falados diretamente ao povo. Em hebraico (língua original dos Mandamentos), o número de letras dos Dez Mandamentos é equivalente a 613, o número total dos Mandamentos da Torá.

Agrupamentos

Os versículos 2 a 17 consistem na divisão natural dos Dez Mandamentos e contêm dezenove declarações. Flávio Josefo agrupa-os assim: versículo 3: Primeiro Mandamento; versículos 4 a 6: Segundo Mandamento; versículo 7: Terceiro Mandamento; versículos 8 a 11: Quarto Mandamento (mais longo); e versículos 12 a 17: Quinto Mandamento ao Décimo Mandamento – um versículo por Mandamento (Antiquitates Judaicae, Vol. 3, Cap. 5 §5). Outros, inclusive Agostinho, Bispo de Hipona, consideravam os versículos 3 a 6 um só mandamento, mas dividiam o versículo 17 em dois mandamentos: contra cobiça da mulher alheia: Nono Mandamento; e contra as demais cobiças: Décimo Mandamento. A Igreja Católica adotou o agrupamento de Agostinho. O agrupamento primordial, em consistência ontológica, é o da ordem original talmúdica.

Judaísmo

Ver artigo principal: Judaísmo
Ver artigo principal: Judaísmo messiânico

O Judaísmo guarda a apresentação mandamental apresentada acima, conforme a coluna que exibe sua particular concepção (TAVversão talmúdica), observando, naturalmente, com inteiro rigor, a prescrição sabática como sendo o quarto mandamento. Judaísmo messiânico, por seu turno, consiste numa vertente do Judaísmo que acolheu e reconheceu Jesus Cristo, alguns guardando o sábado, outros, o domingo. Além disso, segundo o Judaísmo, a transgressão de apenas um dos 613 mandamentos da Lei infringe toda a Lei, porque é um "conjunto orgânico e indissociável", e a pessoa que o infligiu cometeu pecado, como está escrito em Tiago capítulo 2, versículo 10: "Qualquer que guardar toda a Lei mas tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos".[70]

Cristianismo

Ver artigo principal: Cristianismo

Conforme já exposto, a apresentação dos Dez Mandamentos observou uma estrutura bem definida, qual exibida originariamente no Livro de Êxodo e reapresentada no Livro de Deuteronômio, com, basicamente, a mesma forma e o mesmo teor. Seu agrupamento temático (conforme os assuntos ou temas espirituais e morais tratados) tem recebido diferentes apreciações conforme o biblista, estudioso, historiador ou intérprete que os analise, bem como conforme as conveniências de igrejas cristãs variadas, que, inclusive, alteram a formulação originária.

Catolicismo

Ver artigo principal: Catolicismo
Moisés, grande profeta do Antigo Testamento, traz os Dez Mandamentos ao Povo de Deus.[71]

Os Dez Mandamentos (ou Decálogo) sintetizam todas as prescrições do Antigo Testamento. A Nova Lei ou Lei de Cristo exposta no Sermão da Montanha.[72] é a base e o fundamento da Moral Católica. A Igreja Católica exige dos fiéis o cumprimento destas regras.[73] Segundo as próprias palavras de Jesus, quem ouve os seus mandamentos e os coloca em prática "tem a vida eterna" (Mt 19,16-21). Quem ama a Cristo guarda os seus mandamentos e o maior de todos é o Amor. "Amai-vos uns aos outros assim como eu vos Amei; nisto reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros".[74] Os Mandamentos "enunciam deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo e para com a Igreja".[75] A fórmula de catequese dos Dez Mandamentos proposta pelo Compêndio do Catecismo da Igreja Católica é o seguinte:[76]

  • 1.º - Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
  • 2.º - Não usar o Santo Nome de Deus em vão.
  • 3.º - Santificar os Domingos e festas de guarda.
  • 4.º - Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
  • 5.º - Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)
  • 6.º - Guardar castidade nas palavras e nas obras.
  • 7.º - Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
  • 8.º - Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)
  • 9.º - Guardar castidade nos pensamentos e desejos.
  • 10.º- Não cobiçar as coisas alheias.

Protestantismo

Ver artigo principal: Protestantismo

A Igreja Cristã Reformada, sob o nome genérico de Protestantismo — que abrange várias confissões, denominações, igrejas ou ministérios cristãos, concorda, em geral, com a estrutura mandamental original talmúdica, divergindo, contudo, apenas no que se refere à composição do "Primeiro Mandamento" (o qual, para o Talmude, corresponde unicamente à primeira declaração de Javé Deus em Êxodo 20:2[77] e para as igrejas cristãs reformadas em maioria, corresponde à reunião das duas primeiras declarações de Javé Deus em Êxodo 20:2,3[78]), e, em consequência, à composição do "Segundo Mandamento" (o qual, para o Talmude, corresponde à reunião da segunda com a terceira declarações de Javé Deus em Êxodo 20:3,4[79] e para as igrejas cristãs reformadas em maioria, corresponde apenas à terceira declaração de Javé Deus em Êxodo 20:4[80]). A partir do "Terceiro Mandamento", entretanto, as concepções talmúdica e a protestante reformada sobre a estrutura mandamental do Decálogo coincidem, assim prosseguindo a continuação ou seguimento comum e concordante de sua estrutura e sua organização mandamental.

Jesus e a Nova Lei

Ao anunciar o Evangelho e o Reino de Deus, Jesus Cristo levou à sua "perfeição e cumprimento" a Lei de Deus e, portanto, também os Dez Mandamentos[81] Isso quer dizer que ele interpretou plenamente e deu o sentido último às verdades reveladas por Deus ao longo do Antigo Testamento e renovou a aliança entre Deus e os homens, instaurando assim o Novo Testamento (ou a Nova Aliança).[82] Para Jesus, toda a Lei de Deus cumpre-se e resume-se no duplo e único mandamento do amor a Deus e ao próximo: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro dos mandamentos. E o segundo é semelhante ao primeiro: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas".[83][84][85]

Notas e referências

Notas

Referências

  1. Êxodo 20:1-17
  2. Êxodo 20:1-26
  3. Deuteronômio 5:6-21
  4. Êxodo 34:1-10
  5. Gênesis 29:31-35
  6. Gênesis 29:34
  7. Gênesis 29:35
  8. Gênesis 30:4-8
  9. Gênesis 30:9-13
  10. Gênesis 30:17-21
  11. Gênesis 30:22-24
  12. Gênesis 35:16-19
  13. Gênesis 29:30
  14. Êxodo, 6:16, Levi pai de Gérsom, Coate e Merari
  15. Êxodo, 6:18, Coate pai de Anrão, Izar, Hebrom e Uziel
  16. Êxodo 6:20, Joquebede tia de Anrão, Anrão e Joquebede pais de Aarão e Moisés
  17. Êxodo 15:20, Míriam irmã de Aarão
  18. Êxodo 2:18 e 21, Reuel pai de Zípora
  19. Deuteronômio 34:10
  20. Maimônides. The 13 principles of faith
  21. Êxodo 1:1-13
  22. Êxodo 2:1-10
  23. STUART, Douglas K.. Exodus: An Exegetical and Theological Exposition of Holy Scripture. B&H Publishing Group: 2006
  24. Seder Olam Rabbah
  25. The 17th-century Ussher chronology calculates 1571 BC (Annals of the World, 1658 paragraph 164)
  26. Agostinho de Hipona lembra os nomes dos reis na época do nascimento de Moisés, no livro "Cidade de Deus"
  27. Números 20:2-12
  28. Números 20:2-12
  29. Deuteronômio 34:1-8
  30. Êxodo 20:1-17
  31. Êxodo 20:1-17
  32. Deuteronômio 5:4-21
  33. CHAN, Yiu Sing Lúcás. The Ten Commandments and the Beatitudes. Lantham, MA: Rowman & Littlefield, 2012 (pgs. 38, 241)
  34. Êxodo 20:1-17
  35. Deuteronômio 5:6-21
  36. a b Eu Sou Javé, o SENHOR, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão!
  37. a b Não terás outros deuses além de Mim
  38. a b "Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem esculpida, nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou embaixo na terra, ou mesmo nas águas que estão debaixo da terra. Não te prostrarás diante desses deuses e não os servirás, porquanto Eu, o SENHOR teu Deus, sou um Deus ciumento, que puno a iniquidade dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, mas que também ajo com amor até a milésima geração para aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
  39. a b Não pronunciarás em vão o Nome de Javé, o SENHOR teu Deus, porque Javé não deixará impune qualquer pessoa que pronunciar em vão o Seu Nome.
  40. Lembra-te do dia do shabbãth, sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles realizarás todos os teus serviços. Contudo, o sétimo dia da semana é o shabbãth, sábado, consagrado a Javé, teu Deus. Não farás nesse dia nenhum serviço, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o estrangeiro que estiverem morando em tuas cidades. Porquanto em seis dias Eu, o SENHOR, fiz o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles, mas no sétimo dia descansei. Foi por esse motivo que Eu, o SENHOR, abençoei o shabbãth, sábado, e o separei para ser um dia santo.
  41. Guardarás o dia do Shabbãth, sábado, a fim de santificá-lo, conforme o SENHOR, o teu Deus, te ordenou. Trabalharás seis dias e neles cumprirás todos os teus afazeres; o sétimo dia, porém, é um Shabbãth, sábado, de Javé, teu Deus. Nesse dia não farás obra ou trabalho algum, nem tu nem teu filho ou filha, nem o teu servo ou serva, nem o teu boi, teu jumento ou qualquer dos teus animais, nem o estrangeiro que estiver vivendo em tua propriedade, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu. Recorda que foste escravo na terra do Egito, e que Javé, teu Deus, te libertou e tirou de lá com mão poderosa e com braço forte. Por isso o Eterno, o teu Deus, te ordenou guardar o dia de Shabbãth, sábado.
  42. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que venhas a ter vida longa na terra que Javé, o teu Deus, te dá.
  43. Honra teu pai e tua mãe, conforme te ordenou o SENHOR, o teu Deus, a fim de que tenhas longa vida e tudo te vá bem na terra que Javé teu Deus te concede.
  44. a b Não matarás
  45. Não adulterarás
  46. Não adulterarás
  47. Não furtarás
  48. Não furtarás
  49. Não darás falso testemunho contra o teu próximo
  50. Não darás falso testemunho contra o teu próximo
  51. Não cobiçarás a casa do teu próximo
  52. Não cobiçarás a casa do teu próximo, suas terras
  53. Não cobiçarás a mulher do teu próximo
  54. Não cobiçarás a mulher do teu próximo
  55. nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença
  56. nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença
  57. [https://biblehub.com/commentaries/deuteronomy/27-4.htm herefore it shall be when you be gone over Jordan, that you shall set up these stones, which I command you this day, in mount Ebal, and you shall plaster them with plaster.
  58. Deuteronômio 27:4
  59. Deuteronômio 27:4
  60. Fincham, Kenneth; Lake, Peter (editors) (2006). Religious Politics in Post-reformation England. Woodbridge, Suffolk: The Boydell Press. p. 42. ISBN 1-84383-253-4 
  61. Mateus 5:1-48,Mateus 6:1-34,Mateus 7:1-29
  62. Mateus 22:34-40
  63. Mateus 22:34-40
  64. João 3:16-17
  65. 1 João 7:7-10
  66. ROBERTS, Alexander, D.D. & DONALDSON, James Donaldson, LL.D. The Apostolic Fathers with Justin Martyr and Irenaeus. (Chapter LXVII - Weekly worship of the Christians). Edições Loyola, 10.ª edição, julho de 2000, p. 570
  67. Levítico 19:11
  68. Commentary of Rashi)
  69. Êxodo 20:13
  70. Ibidem, n. 439
  71. «Moisés». Enciclopédia Católica Popular. Consultado em 8 de Junho de 2009. 
  72. «Não matarás e o Sermão da Montanha». estudosbiblicos.org. Consultado em 9 de Junho de 2016. 
  73. IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 438 e 440. ISBN 972-603-349-7 
  74. Ibidem; n. 434 e 437
  75. CCIC; n. 438 e 440
  76. DEZ MANDAMENTOS Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Segunda Seção - Os Dez Mandamentos
  77. Êxodo 20:2
  78. Êxodo 20:2-3
  79. Êxodo 20:3-4
  80. Êxodo 20:4
  81. IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 420. ISBN 972-603-349-7 
  82. IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 8, 9 e 120. ISBN 972-603-349-7 
  83. Mateus 22:37-40
  84. IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 434 e 437. ISBN 972-603-349-7 
  85. IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 435. ISBN 972-603-349-7 

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