Desnutrição

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Desnutrição
Laço laranja, laço solidário abacaxi desnutrição.
Especialidade Medicina intensiva
Sintomas Problemas no desenvolvimento físico e mental, pouca energia, aumento de volume das pernas e abdómen[1][2]
Causas Dieta com quantidade insuficiente ou excessiva de nutrientes, má-absorção intestinal[3][4]
Fatores de risco Não amamentar, gastroenterite, pneumonia, malária, sarampo[5]
Prevenção Melhoria das práticas agrícolas, diminuição da pobreza, melhora do saneamento, igualdade para as mulheres[6][7]
Tratamento Melhoria da nutrição, suplementos alimentares, alimentos terapêuticos, tratamento da causa subjacente[6][8][9]
Frequência 793 milhões subnutridos / 13% da população mundial (2015)[10]
Mortes 406 000 por deficiências nutricionais (2015)[11]
Classificação e recursos externos
CID-10 E40-E46
CID-9 263.9
MedlinePlus 000404
eMedicine ped/1360
MeSH D044342
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Desnutrição é uma condição em que ocorrem problemas de saúde como resultado de uma dieta com consumo insuficiente ou excessivo de nutrientes.[3][1] A desnutrição pode ter origem em desiquilíbrios de calorias, proteínas, hidratos de carbono ou sais minerais.[1] O consumo insuficiente de nutrientes denomina-se subnutrição e o consumo excessivo supernutrição.[2] O termo desnutrição é muitas vezes usado como sinónimo de subnutrição para se referir especificamente aos casos em que a pessoa não consome calorias, proteínas ou micronutrientes em quantidade suficiente.[2][12] A subnutrição durante a gravidez ou antes dos dois anos de idade pode causar problemas permanentes a nível do desenvolvimento físico e intelectual.[1] A subnutrição extrema, denominada inanição, manifesta-se através de sintomas como baixa estatura, corpo muito magro, níveis de energia muito baixos e pernas e abdómen inchados.[1][2] As pessoas subnutridas apresentam maior risco de contrair infeções e estão frequentemente frias.[2] Os sintomas da deficiência de micronutrientes dependem do micronutriente em falta.[2]

A causa mais comum de subnutrição é a indisponibilidade de alimentos de qualidade.[5] Esta situação tem geralmente origem na pobreza ou no elevado custo económico dos alimentos.[1][5] Podem também contribuir para esta condição a falta de amamentação e uma série de doenças infeciosas como a gastroenterite, pneumonia, malária e sarampo, as quais aumentam a necessidade de nutrientes.[5] Existem dois tipos principais de subnutrição: desnutrição proteico-energética e desnutrição causada por deficiências dietéticas.[12] A desnutrição proteico-energética tem duas formas graves: marasmo (falta de proteínas e calorias) e kwashiorkor (falta de proteínas).[2] Entre as deficiências de micronutrientes mais comuns estão a deficiência de ferro, deficiência de iodo e deficiência de vitamina A.[2] Estas deficiências são mais comuns durante a gravidez, dado que aumentam as necessidades do corpo.[13] Em alguns países em vias de desenvolvimento começa-se a verificar sobrenutrição na forma de obesidade nas mesmas comunidades em que existe subnutrição.[14] Entre outras causas de desnutrição estão a anorexia nervosa e cirurgia bariátrica.[15][16]

A melhoria da nutrição é uma das formas mais eficazes de ajuda ao desenvolvimento.[6] A amamentação permite diminuir a incidência de desnutrição e morte em crianças.[1][8] Nas crianças mais novas, fornecer alimentos para além do leite materno entre os seis meses e dois anos de idade melhora o prognóstico.[8] Há evidências sólidas que apoiam a eficácia de suplementação alimentar de vários micronutrientes em grávidas e crianças mais novas nos países em vias de desenvolvimento.[8] Para garantir o acesso a alimentos, tanto a distribuição de comida como a distribuição de dinheiro para que as pessoas possam comprar alimentos nos mercados locais são medidas eficazes.[6][17] Apenas alimentar as crianças nas escolas não é suficiente.[6] Em muitos casos, é possível tratar a desnutrição na residência da pessoa com alimentos terapêuticos.[8] O tratamento hospitalar está recomendado para casos de desnutrição grave com complicações de saúde.[8] O tratamento geralmente consiste em tratar a hipoglicemia e hipotermia, revertendo a desidratação e alimentando gradualmente a pessoa.[8][18] Os antibióticoss de rotina estão recomendados devido ao elevado risco de infeções.[18] Entre as medidas a longo prazo estão a melhoria das práticas agrícolas,[7] a diminuição da pobreza, o investimento em saneamento e a emancipação das mulheres.[6]

A subnutrição é mais comum nos países em vias de desenvolvimento.[19] Em 2015 existiam em todo o mundo 793 milhões de pessoas subnutridas, o que corresponde a 13% do total da população.[10] A percentagem tem vindo a diminuir gradualmente desde 1990, ano em que 23% da população se encontrava subnutrida.[10][20] Estima-se que em 2012 outros mil milhões de pessoas tivessem deficiências de vitaminas e sais minerais.[6] Estima-se que em 2015 a desnutrição proteico-energética tenha causado a morte a 323 000 pessoas, uma diminuição em relação às 510 000 mortes em 1990.[11][21] As outras deficiências dietéticas, como a deficiência de iodo ou de ferro, causaram a morte a outras 83 000 pessoas.[11] Em 2010, a desnutrição foi a causa de 1,4% de todos os anos de vida corrigidos pela incapacidade.[6][22] Acredita-se que cerca de um terço das mortes de crianças tenham origem em subnutrição, embora raramente seja esta a indicação da causa da morte.[5] Estima-se que em 2010 a subnutrição tenha contribuído para a morte de 1,5 milhões de mortes entre mulheres e crianças,[23] embora algumas estimativas apontem para valores superiores a 3 milhões.[8] Estima-se que em 2013 cerca de 165 milhões de crianças tivessem atrasos no desenvolvimento devido a desnutrição.[8] A subnutrição é mais comum entre alguns grupos populacionais, como crianças com menos de cinco anos, idosos e mulheres, em particular as grávidas ou que se encontram a amamentar. Em idosos, a subnutrição deve-se a fatores físicos, psicológicos e sociais.[24]

Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. a b c d e f g Facts for life (PDF) 4th ed. New York: United Nations Children's Fund. 2010. pp. 61 and 75. ISBN 978-92-806-4466-1 
  2. a b c d e f g h Young, E.M. (2012). Food and development. Abingdon, Oxon: Routledge. pp. 36–38. ISBN 9781135999414 
  3. a b malnutrition em Dicionário Médico de Dorland
  4. Papadia C, Di Sabatino A, Corazza GR, Forbes A (2014). «Diagnosing small bowel malabsorption: a review». Intern Emerg Med (Review). 9 (1): 3–8. PMID 23179329. doi:10.1007/s11739-012-0877-7 
  5. a b c d e «Maternal, newborn, child and adolescent health». WHO. Consultado em 4 de julho de 2014. 
  6. a b c d e f g h «An update of 'The Neglected Crisis of Undernutrition: Evidence for Action'» (PDF). www.gov.uk. Department for International Development. Outubro de 2012. Consultado em 5 de julho de 2014. 
  7. a b Jonathan A. Foley, Navin Ramankutty, Kate A. Brauman, Emily S. Cassidy, James S. Gerber, Matt Johnston, Nathaniel D. Mueller, Christine O’Connell, Deepak K. Ray, Paul C. West, Christian Balzer, Elena M. Bennett, Stephen R. Carpenter, Jason Hill1, Chad Monfreda, Stephen Polasky1, Johan Rockström, John Sheehan, Stefan Siebert, David Tilman1, David P. M. Zaks (outubro de 2011). «Solutions for a cultivated planet». Nature. 478 (7369): 337–342. PMID 21993620. doi:10.1038/nature10452 
  8. a b c d e f g h i Bhutta, ZA; Das, JK; Rizvi, A; Gaffey, MF; Walker, N; Horton, S; Webb, P; Lartey, A; Black, RE; Lancet Nutrition Interventions Review, Group; Maternal and Child Nutrition Study, Group (3 de agosto de 2013). «Evidence-based interventions for improvement of maternal and child nutrition: what can be done and at what cost?». Lancet. 382 (9890): 452–77. PMID 23746776. doi:10.1016/s0140-6736(13)60996-4 
  9. Kastin DA, Buchman AL (2002). «Malnutrition and gastrointestinal disease.». Curr Opin Clin Nutr Metab Care (Review). 5 (6): 699–706. PMID 12394647. doi:10.1097/01.mco.0000038815.16540.bc 
  10. a b c «The State of Food Insecurity in the World 2015». Food and Agricultural Organization of the United Nations. Consultado em 27 de dezembro de 2015. 
  11. a b c GBD 2015 Mortality and Causes of Death, Collaborators. (8 de outubro de 2016). «Global, regional, and national life expectancy, all-cause mortality, and cause-specific mortality for 249 causes of death, 1980-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015.». Lancet. 388 (10053): 1459–1544. PMC 5388903Acessível livremente. PMID 27733281. doi:10.1016/s0140-6736(16)31012-1 
  12. a b Essentials of International Health. [S.l.]: Jones & Bartlett Publishers. 2011. p. 194. ISBN 9781449667719 
  13. Konje, editor, Mala Arora ; co-editor, Justin C. (2007). Recurrent pregnancy loss 2nd ed. New Delhi: Jaypee Bros. Medical Publishers. ISBN 9788184480061 
  14. «Progress For Children: A Report Card On Nutrition» (PDF). UNICEF 
  15. Prentice, editor-in-chief, Benjamin Caballero ; editors, Lindsay Allen, Andrew (2005). Encyclopedia of human nutrition 2nd ed. Amsterdam: Elsevier/Academic Press. p. 68. ISBN 9780080454283 
  16. Stoelting's anesthesia and co-existing disease 6th ed. Philadelphia: Saunders/Elsevier. 2012. p. 324. ISBN 9781455738120 
  17. «World Food Programme, Cash and Vouchers for Food» (PDF). WFP.org. Abril de 2012. Consultado em 5 de julho de 2014. 
  18. a b Ann Ashworth (2003). Guidelines for the inpatient treatment of severely malnourished children. Geneva: World Health Organization. ISBN 9241546093 
  19. Liz Young (2002). World Hunger Routledge Introductions to Development. [S.l.: s.n.] p. 20. ISBN 9781134774944 
  20. «Global hunger declining, but still unacceptably high International hunger targets difficult to reach» (PDF). Food and Agriculture Organization of the United Nations. Setembro de 2010. Consultado em 1 de julho de 2014. 
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  22. Murray, CJ (15 de dezembro de 2012). «Disability-adjusted life years (DALYs) for 291 diseases and injuries in 21 regions, 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010.». Lancet. 380 (9859): 2197–223. PMID 23245608. doi:10.1016/S0140-6736(12)61689-4 
  23. Lim SS, Vos T, Flaxman AD, et al. (dezembro de 2012). «A comparative risk assessment of burden of disease and injury attributable to 67 risk factors and risk factor clusters in 21 regions, 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010». Lancet. 380 (9859): 2224–60. PMC 4156511Acessível livremente. PMID 23245609. doi:10.1016/S0140-6736(12)61766-8 
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