Antônio Delfim Netto

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Antônio Delfim Netto
Antônio Delfim Netto
Ministro da Fazenda do  Brasil
Período 17 de março de 1967
até 15 de março de 1974
Antecessor(a) Octavio Gouvêa de Bulhões
Sucessor(a) Mário Henrique Simonsen
Embaixador do  Brasil na França
Período fevereiro de 1975
até fevereiro de 1978
Antecessor(a) Aurélio de Lira Tavares
Sucessor(a) Ramiro Saraiva Guerreiro
Ministro da Agricultura do  Brasil
Período 15 de março de 1979
até 15 de agosto de 1979
Antecessor(a) Alysson Paulinelli
Sucessor(a) Ângelo Amaury Stábile
Ministro da Secretaria do Planejamento da Presidência do  Brasil
Período 15 de agosto de 1979
até 15 de março de 1985
Antecessor(a) Mário Henrique Simonsen
Sucessor(a) João Sayad
Deputado federal por São Paulo Bandeira do estado de São Paulo.svg
Período 1 de fevereiro de 1987
até 1 de fevereiro de 2007
(5 mandatos consecutivos)
Vida
Nascimento 1 de maio de 1928 (88 anos)
São Paulo, SP
 Brasil
Dados pessoais
Partido PMDB / PP / PPR / PPB / PDS / ARENA
Profissão Professor e economista

Antônio Delfim Netto GCC (São Paulo, 1 de maio de 1928) mais conhecido por Delfim Netto é um economista, professor universitário e político brasileiro.

Delfim foi membro da Equipe de Planejamento do Governo Paulista de Carlos Alberto de Carvalho Pinto em 1959, Membro do Conselho Consultivo de Planejamento (CONSPLAN), órgão de assessoria à Política Econômica do Governo Castelo Branco em 1965 e do Conselho Nacional de Economia no mesmo ano. Foi secretário de Fazenda do Governo Paulista de Laudo Natel nos anos de 1966 e 1967, nomeado Ministro da Fazenda nos anos de 1967 a 1974 e Embaixador do Brasil na França entre 1974 e 1978, nomeado Ministro da Agricultura em 1979 e do Planejamento de 1979 a 1985. Deputado Constituinte por São Paulo de 1987 a 1988 e Deputado Federal por São Paulo desde 1988.[1]

Em junho de 2016, foi intimado pela Polícia Federal, pela delegada da Operação Lava Jato, para prestar esclarecimentos aos investigadores sobre por que recebeu, segundo seu sobrinho, R$ 240 mil em dinheiro vivo entregues pelo "departamento de propina" da maior empreiteira do país em 22 de outubro de 2014 no escritório do advogado e sobrinho do ex-ministro Luiz Appolonio Neto, na capital paulista.[2][3][4]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

É filho de José e Maria Delfim, nascido no Cambuci, bairro industrial e de classe média de São Paulo, se formou em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1951.[5] Obteve o título de doutor com uma tese sobre o café. Em 1958, tornou-se catedrático da USP, onde permanece como professor aposentado.[6]

Professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, onde fez sua carreira acadêmica, tornou-se professor titular de análise macroeconômica em 1983.

Vida profissional[editar | editar código-fonte]

Seu primeiro emprego foi como auxiliar de Escritório na Indústria Gessy do Brasil. Quando estudante de economia trabalhou no Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo.[7]

Participou do Grupo de Planejamento do governo Carvalho Pinto e do Conselho do Fundo de Expansão da Indústria de Base de São Paulo. Entre 1966 e 1967, Delfim Netto foi secretário de Fazenda em São Paulo[8], no primeiro governo Laudo Natel.[1][7]

Em 1967 Delfim foi convidado por Costa e Silva para ocupar o cargo de Ministro da Fazenda. Em 13 de dezembro de 1968 votou a favor do AI-5, sugerindo inclusive um aprofundamento do poder do presidente de intervir na economia.[5] Durante o regime Militar, entre 1969 e 1974, foi ministro da fazenda.[5]

Neste período, a Caixa Econômica Federal e a Casa da Moeda passaram a ser empresa pública e foi criado o Conselho Interministeríal de Preços introduzindo alterações profundas em toda a sistemática de acompanhamento da evolução dos preços e custos industriais no País. Criação do Banco Multinacional Brasileiro liderado pelo Banco do Brasil e do European Brazilian Bank (EUROBRAZ) com sede em Londres.[7]

Em 12 de julho de 1972 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal.[9]

Em 2005 ingressou no PMDB[10], o que gerou protestos da base peemedebista, em parte pela forte ligação de seu nome com a ditadura militar. Não se reelegeu em 2006 e não se candidatou a cargos eletivos em 2010.

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • "Crônica do Debate Interditado" (Topbooks, 1998)[5]
  • "Conversas com Economistas Brasileiros" (Editora 34, 1996)[5]
  • "Moscou, Freiburg e Brasília" (Topbooks, 1990)[5]

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Delfim Netto

Delfim tem seus artigos constantemente divulgados pela mídia nacional, e assina a coluna "Sextante", publicada regularmente na revista CartaCapital.

Após o fim de seu mandato parlamentar e a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Delfim passou a aconselhar o presidente com bastante frequência, o que gerou, no início do segundo mandato de Lula, especulações de que o ex-deputado estaria sendo sondado para ocupar algum ministério ou a presidência do BNDES, o que posteriormente foi descartado.[11]

Em 2012 elogiou a política de Dilma Rousseff.[12]

Suspeitas de corrupção[editar | editar código-fonte]

Panama Papers[editar | editar código-fonte]

Em 4 de abril de 2016, foi divulgado pelo ICIJ que Delfim Netto tem contas em empresas offshores no exterior abertas pela companhia panamenha Mossack Fonseca, especializada em camuflar ativos usando companhias sediadas em paraísos fiscais.[13]

Operação Lava Jato[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Lava Jato

Em 2016, Delfim Netto teve seu nome citado em delação premiada em poder da força-tarefa da Operação Lava Jato envolvido em um recebimento sob investigação nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Pelo menos quatro delatores apontaram propinas de até 10% nas obras, em consórcio de empreiteiras que envolveu a Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, e outras empreiteiras, todas acusadas de corrupção na Petrobras.[14]

Referências

  1. a b «Delfim Netto I». FGV. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  2. «PF intima Delfim Netto na Operação Lava Jato». UOL. 10 de junho de 2016. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  3. Alyohha Moroni e Bibiana Dionísio (10 de junho de 2016). «Delfim Netto é intimado para prestar esclarecimentos na Lava Jato». G1. Globo. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  4. Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo (10 de junho de 2016). «PF intima Delfim Netto na Lava Jato». Estadão. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  5. a b c d e f «Conheça a biografia de Delfim Netto, pré-candidato à Presidência». Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  6. «Antônio Delfim Netto». UOL. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  7. a b c Ronildo Lessa (24 de abril de 2015). «Antônio Delfim Netto». Minstério da Fazenda. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  8. «Ministros de Estado da Fazenda - Antônio Delfim Netto». Ministério da Fazenda. Consultado em 10 de junho d 2016. 
  9. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Antônio Delfim Netto". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 24 de março de 2016. 
  10. «PMDB filia Delfim, cresce na crise e volta a ser maior partido». UOL. 14 de setembro de 2005. Consultado em 10 de junho de 2016. 
  11. ZIMMERMANN, Patrícia. PMDB pode indicar Delfim para a Agricultura e elevar cota de ministérios. Brasília: Folha Online, 03/01/2007.
  12. «Golpe de timón hacia el sector privado». 24-8-2012. Brecha. 
  13. Fernando Rodrigues (4 de abril de 2016). «PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB têm políticos e parentes com offshores». UOL. Consultado em 4 de abril de 2016. 
  14. «Delação da Lava Jato cita Delfim, ministro do milagre econômico». Estadão. 12 de março de 2016. Consultado em 13 de junho de 2016. 


Precedido por
Otávio Gouveia de Bulhões
Ministro da Fazenda do Brasil
1967 — 1974
Sucedido por
Mário Henrique Simonsen
Precedido por
Alysson Paulinelli
Ministro da Agricultura do Brasil
1979
Sucedido por
Ângelo Amaury Stábile
Precedido por
Golbery do Couto e Silva
Ministro do Planejamento do Brasil
1979 — 1985
Sucedido por
João Sayad