Demografia do Brasil

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Demografia do Brasil é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas do território brasileiro. O Brasil possui cerca de 190 755 799 habitantes, segundo censo demográfico do Brasil de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destacando-se como a quinta nação mais populosa do planeta.[1] Os indicadores demográficos e as características da população no Brasil são verificadas diretamente por meio de operações censitárias realizadas a cada dez anos pelo IBGE, desde sua criação em 1936. No censo demográfico brasileiro, a população é contada em todo o território do Brasil e os resultados são usados pelo governo no desenvolvimento de políticas públicas.[2][3]

O sobrenome mais popular do Brasil é Souza (ou Sousa), seguido de Silva, este último com um milhão de nomes nas listas telefônicas da Brasil Telecom, Telemar e Telesp.[4]

Índices demográficos[editar | editar código-fonte]

Distribuição e densidade demográficas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Povoamento brasileiro
Distribuição populacional do Brasil.

A distribuição populacional no Brasil é bastante desigual, havendo concentração da população nas zonas litorâneas, especialmente do Sudeste e da Zona da Mata nordestina. Outro núcleo importante é a região Sul. As áreas menos povoadas situam-se no Centro-Oeste e no Norte.

O Brasil apresenta uma baixa densidade demográfica — apenas 22,43 habitantes por quilômetro quadrado —,[5] inferior à média do planeta e bem menor que a de países intensamente povoados, como a Bélgica (342 habitantes por quilômetro quadrado) e o Japão (337 habitantes por quilômetro quadrado).

O estudo da população apoia-se em alguns fatores demográficos fundamentais, que influenciam o crescimento populacional.

Densidade demográfica no Brasil
Região Estados Municípios População %
Região Norte  Acre
 Amapá
 Amazonas
Pará Pará
 Rondônia
 Roraima
 Tocantins
450 17.231.027 (2014) 8% &0000000000000008.0000008%
Região Nordeste  Alagoas
Bahia Bahia
 Ceará
 Maranhão
 Paraíba
 Pernambuco
 Piauí
 Rio Grande do Norte
 Sergipe
1793 56.560.081 (2015)[6] 28% &0000000000000028.00000028%
Região
Centro-Oeste
 Distrito Federal
 Goiás
 Mato Grosso
 Mato Grosso do Sul
467[7] 15.219.608 (2014)[8] 7% &0000000000000007.0000007%
Região Sudeste  Espírito Santo
 Minas Gerais
 Rio de Janeiro
 São Paulo
1668[9] 85.115.623 (2014) 42% &0000000000000042.00000042%
Região Sul  Paraná
 Santa Catarina
 Rio Grande do Sul
1191 29.016.114 (2014)[10] 14% &0000000000000014.00000014%
Brasil 26 e um Distrito Federal 5570 204.450.649 (2015)[11]

Crescimento vegetativo[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
1872 9 930 478
1890 14 333 915 44,3%
1900 17 438 434 21,7%
1920 30 635 605 75,7%
1940 41 236 315 34,6%
1950 51 944 397 26,0%
1960 70 992 343 36,7%
1970 94 508 583 33,1%
1980 121 150 573 28,2%
1991 146 917 459 21,3%
2000 169 590 693 15,4%
2010 190 755 799 12,5%
Est. 2016 206 756 201 21,9%
Fonte:[12]
Crescimento das capitais brasileiras.

A população de uma localidade qualquer aumenta em função das migrações e do crescimento vegetativo. No caso brasileiro, é pequena a contribuição das migrações para o aumento populacional. Assim, como esse aumento é alto, conclui-se que o Brasil apresenta alto crescimento vegetativo, a despeito das altas taxas de mortalidade, sobretudo infantil. A estimativa da Fundação IBGE para 2010 é de uma taxa bruta de natalidade de 18,67‰ — ou seja, 18,67 nascidos para cada grupo de mil pessoas ao ano — e uma taxa bruta de mortalidade de 6,25‰ — ou seja 6,25 mortes por mil nascidos ao ano. Esses revelam um crescimento vegetativo anual médio de 1,24%.

Ao longo dos últimos anos, o crescimento demográfico do país tem diminuído o ritmo, que era muito alto até a década de 1960. Em 1940, o recenseamento indicava 41 236 315 habitantes; em 1950, 51 944 397 habitantes; em 1960, 70 070 457 habitantes; em 1970, 93 139 037 habitantes; em 1980, 119 002 706 habitantes; e finalmente em 1991, 146 825 475 habitantes. Em 34 anos, a população brasileira praticamente dobrou em relação aos 90 milhões de habitantes da década de 1970 e, somente entre 2000 e 2004, aumentou em 10 milhões de pessoas. Para 2050, a estimativa é de 259,8/260 milhões de habitantes e a expectativa de vida, ao nascer, será de 81,3 anos. Mas o envelhecimento da população está se acentuando: em 2000, o grupo de 0 a 14 anos representava 30% da população brasileira, enquanto os maiores de 65 anos eram apenas 5%; em 2050, os dois grupos se igualarão em 18%. Segundo a Revisão 2008 da Projeção de População do IBGE, a partir de 2039, o número de brasileiros vai começar a declinar.[13]

As razões para uma diminuição do crescimento demográfico relacionam-se com a urbanização e industrialização e com incentivos à redução da natalidade (como a disseminação de anticoncepcionais). Embora a taxa de mortalidade no país tenha caído bastante desde a década de 1940, a queda na taxa de natalidade foi ainda maior.

Evolução demográfica do Brasil entre os anos de 1550 e 2005.

Taxa de natalidade[editar | editar código-fonte]

Até recentemente, as taxas de natalidade no Brasil foram elevadas, em patamar similar a de outros países subdesenvolvidos. Contudo, houve sensível diminuição nos últimos anos, que pode ser explicada pelo aumento da população urbana — já que a natalidade é bem menor nas cidades, em consequência da progressiva integração da mulher no mercado de trabalho — e da difusão do controle de natalidade. Além disso, o custo social da manutenção e educação dos filhos é bastante elevado, sobretudo no entorno urbano.

Taxa de mortalidade[editar | editar código-fonte]

O Brasil apresenta uma elevada taxa de mortalidade, também comum em países subdesenvolvidos, enquadrando-se entre as nações mais vitimadas por moléstias infecciosas e parasitárias, praticamente inexistentes no mundo desenvolvido.

Desde 1940, a taxa de mortalidade brasileira também vem caindo, como reflexo de uma progressiva popularização de medidas de higiene, principalmente após a Segunda Guerra Mundial; da ampliação das condições de atendimento médico e abertura de postos de saúde em áreas mais distantes; das campanhas de vacinação; e do aumento quantitativo da assistência médica e do atendimento hospitalar.

Taxa de mortalidade infantil[editar | editar código-fonte]

O Brasil apresenta uma taxa de mortalidade infantil de 21,17 mortes em cada mil nascimentos[14] (estimativa para 2010). No entanto, há variações nessa taxa segundo as regiões e as camadas populacionais. O Norte e o Nordeste têm os maiores índices de mortalidade infantil, que diminuem na região Sul. Com relação às condições de vida, pode-se dizer que a mortalidade infantil é menor entre a população de maiores rendimentos, sendo provocada sobretudo por fatores endógenos. Já a população brasileira de menor renda apresenta as características típicas da mortalidade infantil tardia.

Taxa de fecundidade[editar | editar código-fonte]

Mapa das unidades federativas brasileiras por taxa de fecundidade.
  até 2,10 filhos por mulher
  + 2,10 filhos por mulher (taxa de reposição populacional)
  + 2,55 filhos por mulher (média mundial)

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de fecundidade no Brasil era de 1,94 filho por mulher em 2009, semelhante à dos países desenvolvidos e abaixo da taxa de reposição populacional, que é de 2,1 filhos por mulher – duas crianças substituem os pais e a fração 0,1 é necessária para compensar os indivíduos que morrem antes de atingir a idade reprodutiva.[15][16][17] Esse índice sofre variações, caindo entre as mulheres de etnia branca e elevando-se entre as pardas. Tal variação está relacionada ao nível socioeconômico desses segmentos populacionais; em geral, a população parda concentra-se nas camadas menos favorecidas social e economicamente, levando-se em conta a renda, a ocupação e o nível educacional, entre outros fatores.

Há também variações regionais: as taxas são menores no Sudeste (1,75 filho por mulher), no Sul (1,92 filho por mulher) e no Centro-Oeste (1,93 filho por mulher). No Nordeste a taxa de fecundidade é de 2,04 filhos por mulher, ainda abaixo da taxa de reposição populacional e semelhante à de alguns países desenvolvidos. A maior taxa de fecundidade do país é a da Região Norte (2,51 filhos por mulher), ainda assim abaixo da média mundial.[15]

Expectativa de vida[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a expectativa de vida está em torno de 76 anos para os homens e 78 para as mulheres,[18] conforme estimativas para 2010. Dessa forma, esse país se distância das nações paupérrimas, em que essa expectativa não alcança 50 anos (Mauritânia, Guiné, Níger e outras), mas ainda não alcança o patamar das nações desenvolvidas, onde a expectativa de vida ultrapassa os 80 anos (Noruega, Suécia e outras).

A expectativa de vida varia na razão inversa da taxa de mortalidade, ou seja, são índices inversamente proporcionais. Assim no Brasil, paralelamente ao decréscimo da mortalidade, ocorre uma elevação da expectativa de vida.

Composição da população[editar | editar código-fonte]

Composição por sexo[editar | editar código-fonte]

Pirâmide etária (2010)[19]
% Homens Idade Mulheres %
0,3
 
85+
 
0,4
0,4
 
80-84
 
0,5
0,6
 
75-79
 
0,8
0,9
 
70-74
 
1,1
1,2
 
65-69
 
1,4
1,6
 
60-64
 
1,8
2,0
 
55-59
 
2,3
2,5
 
50-54
 
2,8
3,0
 
45-49
 
3,2
3,3
 
40-44
 
3,5
3,5
 
35-39
 
3,7
4,0
 
30-34
 
4,2
4,4
 
25-29
 
4,5
4,5
 
20-24
 
4,5
4,5
 
15-19
 
4,4
4,6
 
10-14
 
4,4
4,0
 
5-9
 
3,9
3,7
 
0-4
 
3,6

O Brasil não foge à regra mundial. A razão de sexo no país é de 96 homens para cada grupo de 100 mulheres,[18] conforme estimativas de 2008.

Até os 60 anos de idade, há um equilíbrio quantitativo entre homens e mulheres, acentuando-se a partir desta faixa etária o predomínio feminino. Esse fato pode ser explicado por uma longevidade maior da mulher, devido por outras razões, ao fato de ela ser menos atingida por moléstias cardiovasculares, causa frequente de morte após os 40 anos.

O número de mulheres, na população rural brasileira, pode-se dizer que no Nordeste, por ser uma região de repulsão populacional, há o predomínio da população feminina. Já nas regiões Norte e Centro-Oeste predomina a população masculina, atraída pelas atividades econômicas primárias, como o extrativismo vegetal, a pecuária e, sobretudo, a mineração.

O número de mulheres, na população rural brasileira, também tende a ser menor, já que as cidades oferecem melhores condições sociais e de trabalho à população feminina.

Um relativo equilíbrio entre os sexos, entretanto, só se estabeleceu a partir dos anos 1940 — pois até a década de 1930 o país apresentava nítido predomínio da população masculina, devido principalmente à influência da imigração — e, ainda que nascessem mais meninos que meninas, a maior mortalidade infantil masculinas (até a faixa de 5 anos de idade) fez com que se estabelecesse o equilíbrio.

Composição por faixa etária[editar | editar código-fonte]

Considerando os dados de 1995, observa-se que o número de jovens é proporcionalmente pequeno nos países desenvolvidos, mas alcança quase a metade da população total como o Brasil, o Peru e outros do Terceiro Mundo. Nos países desenvolvidos, o nível sócio-econômico é muito elevado e, em consequência, a natalidade é baixa e a expectativa de vida bastante alta, o que explica o grande número de idosos na população total. No Brasil, apesar da progressiva redução das taxas de natalidade e mortalidade verificada nas últimas décadas, o país continua exibindo elevado número de jovens na população.

País Crianças (de 0 a 15 anos) Jovens (de 15 a 29 anos) Adultos (de 30 a 59 anos) Idosos (acima de 60 anos)
 Reino Unido
19,5%
20,1%
39,9%
20,5%
 Suécia
18,8%
19,3%
39,8%
22,1%
 Brasil
31,8%
28,5%
32,6%
7,1%
 Peru
35,9%
29%
28,4%
6,7%

Fonte: Nova Enciclopédia Barsa de 1998: Datapédia.

Composição por religião professada[editar | editar código-fonte]




Circle frame.svg

Religiões no Brasil(Censo de 2010)[20]

  Catolicismo romano (64.6%)
  Protestantismo (22.2%)
  Sem religião (8%)
  Espiritismo (2%)
  Outro (3.2%)

O Brasil é um país religiosamente diverso, com a tendência de mobilidade entre as religiões. A população brasileira é majoritariamente cristã (89%), sendo sua maior parte católica (70%).[21] Herança da colonização portuguesa, o catolicismo foi a religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado laico. No entanto, existem muitas outras denominações religiosas no Brasil. Algumas dessas igrejas são protestantes: pentecostais, episcopais, metodistas, luteranas e batistas. Há mais de um milhão e meio de espíritas ou kardecistas que seguem a doutrina de Allan Kardec. Existem também seguidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma minoria de judeus, muçulmanos, budistas, neopagãos e seguidores do Candomblé e da Umbanda.[22] Cerca de 7,4% da população (cerca de 12,5 milhões de pessoas) declarou-se sem religião no último censo, podendo ser agnósticos, ateus ou deístas.[21]

A Constituição prevê a liberdade de religião e a Igreja e o Estado estão oficialmente separados, sendo o Brasil um Estado oficialmente laico,[23] embora muitos grupos tenham reivindicados direitos sociais no Brasil alegando que eles ainda não existem por questões religiosas.[24] A legislação brasileira proíbe qualquer tipo de intolerância religiosa, no entanto, a Igreja Católica goza de um estatuto privilegiado[25] e, ocasionalmente, recebe tratamento preferencial.[26]

Nas últimas décadas, tem havido um grande aumento de igrejas neopentecostais, o que diminuiu o número de membros tanto da Igreja Católica quanto das religiões afro-brasileiras.[27] Cerca de noventa por cento dos brasileiros declararam algum tipo de afiliação religiosa no último censo realizado.[28]

Composição por idioma falado[editar | editar código-fonte]

Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, o primeiro museu do mundo dedicado a um idioma.

O português é a língua oficial e é falado pela população. O inglês é parte do currículo das escolas públicas e particulares, e o espanhol passou a fazer parte do currículo escolar nos últimos anos; o inglês é entendido e usado por poucas pessoas, especialmente nos centros comerciais e financeiros.

Cerca de 180 idiomas e dialetos dos povos indígenas são falados nas tribos, embora esse número esteja em declínio.

O português é a língua materna de 98% dos brasileiros, embora haja um expressivo número de falantes de línguas imigrantes, principalmente o alemão, falado em zonas rurais do Brasil meridional, sendo o dialeto hunsrückisch o mais usado por cerca de 1,5 milhão de pessoas. O italiano é bem difundido por alguns descendentes de imigrantes que ainda não adotaram o português como língua materna em zonas vinícolas do Rio Grande do Sul, sendo o dialeto talian o mais usado. Outra língua falada por minorias é o japonês, entre outros idiomas imigrantes.

Composição étnico-racial[editar | editar código-fonte]

Ver também: Racismo no Brasil



Circle frame.svg

Grupos étnicos no Brasil (Censo de 2010)[29]

  Brancos (47.51%)
  Pardos (43.42%)
  Pretos (7.52%)
  Amarelos (1.1%)
  Indígenas (0.42%)

A população atual do Brasil é muito diversa, tendo participado de sua formação diversos povos e etnias. Atualmente, o IBGE utiliza para fins censitários 5 categorias no Brasil, baseado na raça e cor da pele: branco, indígenas, preto, pardo e amarelo. De forma geral, a população brasileira foi formada por cinco grandes ondas migratórias:

  • Os diversos povos indígenas, autóctones do Brasil, descendentes de grupos humanos que migraram da Sibéria, atravessando o Estreito de Bering, aproximadamente 9.000 a.C.
  • Os colonos portugueses, que chegaram para explorar a colônia desde a sua descoberta, em 1500, até a sua independência, em 1822.
  • Os africanos trazidos na forma de escravos para servirem de mão-de-obra, em um período de tempo que durou de 1530 a 1850.
  • Os diversos grupos de imigrantes vindos principalmente da Europa, os quais chegaram ao Brasil entre o final do século XIX e início do século XX.
  • Imigrações recentes de diversas partes do mundo, sobretudo Ásia e Oriente Médio.

Acredita-se que o Continente Americano foi povoado por três ondas migratórias vindas do Norte da Ásia. Os indígenas brasileiros são, provavelmente, descendentes da primeira leva de migrantes, que chegou à região por volta de 9.000 a.C. Os principais grupos indígenas, de acordo com sua origem linguística, eram os de línguas macro-tupis, macro-jês, aruaques (ou maipurés) e caraíbas (ou caribes). A população indígena original do Brasil (entre 3-5 milhões) foi em grande parte exterminada ou assimilada pela população portuguesa. Os mamelucos (ou caboclos, mestiços de branco com índio) se multiplicavam às centenas pela colônia.

Um outro elemento formador do povo brasileiro chegou na forma de escravo. Os africanos começaram a ser trazidos para a colônia na década de 1530, para suprir a falta de mão-de-obra. Inicialmente, chegaram escravos de Guiné. A partir do século XVIII, a maior parte dos cativos era trazida de Angola e, em menor medida, de Moçambique. Na Bahia, os escravos eram majoritariamente oriundos do Golfo de Benim (atual Nigéria). Até o fim do tráfico negreiro, em 1850, entre 3-5 milhões de africanos foram trazidos ao Brasil[30]-37% de todo o tráfico negreiro efetuado entre a África e a América.

A imigração europeia no Brasil iniciou-se no século XVI, sendo dominada pelos portugueses. Neerlandeses (a partir das invasões holandesas do Brasil) e franceses (a partir da França Antártica) também tentaram colonizar o Brasil no século XVII, mas sua presença durou apenas algumas décadas. Nos primeiros dois séculos de colonização vieram para o Brasil cerca de 100 mil portugueses, uma média anual de 500 imigrantes. No século seguinte vieram 600 mil, em uma média anual de dez mil colonos. A primeira região a ser colonizada pelos portugueses foi o Nordeste. Pouco mais tarde, os colonos passaram a colonizar o litoral do Sudeste. O interior do Brasil só foi colonizado no século XVIII. Os portugueses foram o único grupo étnico a se espalhar por todo o Brasil, principalmente graças à ação dos bandeirantes ao desbravarem o interior do país no século XVIII.

Geografia urbana[editar | editar código-fonte]

A população urbana brasileira é maior que a rural desde 1950.[31] Pelo censo de 2010, a distribuição conforme o local do domicílio era 160 contra 30 milhões de habitantes, aproximadamente.[31] Proporcionalmente também a predominância urbana tem aumentado, bastando contrapor os 84,36 % de habitantes com domicílio na zona urbana em 2010 e os 67,70 % em 1980.[31] O processo da urbanização foi acompanhado da industrialização, mecanização agrícola e concentração fundiária, ao substituir o modelo agrário-exportador pelo urbano-industrial.[32][33] Ocorrido essencialmente pela via do êxodo rural, o processo é avaliado como rápido e desordenado e acarretou os problemas urbanos da favelização, da violência urbana, da poluição e das inundações.[33] A despeito da predominância urbana obtida no século XX, 90% dos municípios brasileiros possuem menos de cinco mil habitantes, o que leva a considerações sociológicas sobre a ruralidade das relações sociais dessa parte da população.[34]

Espacialmente as cidades se concentram no litoral como resultado da colonização de exploração.[35] A fundação de Brasília como capital contribuiu para a interiorização da população, como também outras capitais planejadas como Teresina e Belo Horizonte.[35] Assim, destacam-se eixos de intensa concentração urbana como o vale do Paraíba do Sul,[35] simbolizando a conexão entre os dois principais núcleos de uma megalópole Rio–São Paulo; mas também a Zona da Mata, onde estão seis das nove capitais nordestinas,[36][37][38] e o recente Eixo Goiânia–Anápolis–Brasília, longe da costa atlântica.[39][40][41]

Hierarquia e rede urbanas[editar | editar código-fonte]

Mapa de localização das grandes concentrações urbanas do Brasil, com destaque para as nucleadas por metrópoles em verde e por capitais regionais em azul.

A hierarquia urbana trata das influências que as cidades exercem sobre uma determinada região, território ou país(es). São inúmeras as atividades desenvolvidas nas cidades, tanto no setor secundário (indústria) como no terciário (comércio e serviços), e até mesmo no primário (agropecuária). Essas atividades, dependendo de sua qualidade e diversificação, podem atender não só à população urbana, mas a todo o município, incluindo a zona rural e a população de vários municípios ou de outros estados. Assim, uma cidade pequena pode não ter um comércio ou serviço de saúde suficiente para sua população, que é atendida em outra cidade maior, mais bem equipada, que lhe ofereça serviços de melhor qualidade.

Os equipamentos de uma cidade (escolas, universidades, postos de saúde, hospitais, sistema de transporte, cinemas, teatros, entre outros), o parque industrial, os serviços, o setor financeiro determinam a sua área de influência, ou seja, a região por esta polarizada. Assim, é possível construir um sistema hierarquizado, no qual as cidades menores encontram-se subordinadas às maiores.

Sistema de hierarquização urbana, no qual várias cidades se submetem a uma maior, que comanda esse espaço. Em cada nível, as maiores polarizam as menores. O IBGE classifica a rede urbana brasileira de acordo com o tamanho e importância das cidades. As categorias de cidades são:[42][43]

Regiões metropolitanas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Regiões metropolitanas do Brasil

As regiões metropolitanas foram definidas originalmente em lei federal e, desde a constituição de 1988, por meio de leis estaduais.[44] Das nove originais de 1973, a quantidade se aproxima das quatro dezenas em 2017.[44][45][46] Elas, a princípio, devem agrupar municípios vizinhos com malha urbana conurbada a fim de melhor lidar com os problemas e interesses comuns na realidade metropolitana de interdependência socioeconômica.[45][46] A criação e ampliação pelos estados gerou críticas por falta de correspondência entre as estruturas socioespaciais características de regiões metropolitanas e aquelas criadas por força de lei.[44][46] A situação foi parcialmente contornada com o Estatuto da Metrópole, que regulamentou as criações posteriores à vigência do estatuto.[47][48][49] As cinco regiões metropolitanas mais populosas no censo de 2010 (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife) concentravam mais de 44 milhões de habitantes diante do total registrado de mais de 190 milhões.[50] O quadro abaixo apresenta as vinte mais populosas regiões metropolitanas, incluindo aquelas formações interestaduais criadas por legislação federal e denominadas especificamente regiões integradas de desenvolvimento econômico (RIDE).

Concentrações urbanas[editar | editar código-fonte]

Em estudo chamado Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil, o IBGE tratou das interações entre as cidades brasileiras em termos de conurbação e migração pendular. Nele, introduziu os conceitos de "arranjo populacional" e "concentração urbana". O primeiro corresponde aos conjuntos formados por dois ou mais municípios que se encontram integrados por contiguidade da mancha urbana ou fluxos para trabalho ou estudo. O segundo conceito está dividido em faixas conforme o quanto é populoso. A faixa mais populosa são as "grandes concentrações urbanas", que abrangem arranjos populacionais "acima de 750 mil habitantes e os municípios isolados (que não formam arranjos) de mesma faixa populacional". O IBGE identificou 26 delas no país com base no censo demográfico de 2010. A seguir, há as "médias concentrações urbanas" (municípios isolados e arranjos populacionais entre 100 mil e 750 mil habitantes) e as "pequenas concentrações populacionais" (arranjos com população inferior a 100 mil habitantes). As maiores concentrações urbanas estão identificadas abaixo.[52][53]

Movimentos populacionais[editar | editar código-fonte]

Imigração[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Imigração no Brasil

No Brasil, a política migratória externa pode ser dividida em duas fases : a primeira, de estímulo à imigração, principalmente após a abolição da escravatura, em 1888, visando a substituição da mão-de-obra escrava na lavoura cafeeira;[57] a segunda, de controle à imigração, a partir de 1934, no governo Vargas, devido à crise econômica internacional da década de 1930.[58][59] O afluxo de imigrantes para o Brasil pode ser dividido em três períodos principais.[60]

O primeiro período (de 1808 a 1850[carece de fontes?]) foi marcado pela chegada da família real, em 1808, o que ocasionou a vinda dos primeiros casais de imigrantes açorianos para serem proprietários de terras no país[carece de fontes?]. Devido ao receio do europeu de fixar-se num país de economia colonial e escravocrata, nesse período houve uma imigração muito pequena.[61]

O segundo período (de 1850 a 1930) foi marcado pela proibição do mercado de escravos. Foi a época mais importante para a nossa imigração, devido ao grande crescimento da atividade monocultora (café) e aos incentivos governamentais dados ao imigrante. Em 1888, com a abolição da escravidão, estimulou-se ainda mais o fluxo imigratório, tendo o Brasil recebido, nessa época, praticamente 80% dos imigrantes entrados no país.[62][63]

O terceiro período (de 1930 até os dias de hoje) é caracterizado por uma sensível redução na imigração, devido, inicialmente, à crise econômica de 1929, ocasionada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, com o consequente abalo da cafeicultura brasileira. Além disso, contribuiu também a crise política interna no país, decorrente da Revolução de 1930, e a criação de uma lei sobre imigração, através da Constituição de 1934. Essa lei restringia a entrada de imigrantes, estipulando que, anualmente não poderia entrar no país mais que 2% do total de imigrantes de cada nacionalidade entrados nos últimos 50 anos. Determinava ainda que 80% dos imigrantes deveriam dedicar-se à agricultura, além de estabelecer uma discutível e discriminatória "seleção ideológica", ou seja, conforme as ideias políticas que professava, o imigrante poderia ou não entrar no país.[carece de fontes?]

O envolvimento da Europa na Segunda Guerra Mundial também reduziu a emigração, e a recuperação econômica daquele continente, após a guerra, levou os europeus a emigrarem para outros países do próprio continente. Intensificaram-se, nesse período, as migrações internas. Mineiros[carece de fontes?] e nordestinos, principalmente, dirigiram-se para o centro-sul do país, em virtude de crescimento urbano e industrial.[64]

O grande fluxo imigratório em direção ao Brasil foi efetuado no século XIX e início do século XX. Para se ter uma ideia do impacto imigratório nesse período, entre 1870 e 1930, entraram no Brasil um número superior a cinco milhões de imigrantes. Esses imigrantes foram divididos em dois grupos: uma parte foi enviada para o Sul do Brasil, onde se tornaram colonos trabalhando na agricultura. Todavia, a maior parte foi enviada para as fazendas de café do Sudeste. Os colonos mandados para o Sul do país foram, majoritariamente, alemães (a partir de 1824, sobretudo da Renânia-Palatinado, Pomerânia, Hamburgo, Vestfália, etc) e italianos (a partir de 1875, sobretudo do Vêneto e da Lombardia). Ali foram estabelecidas diversas comunidade (colônias) de imigrantes que, ainda hoje, preservam os costumes do país de origem. Para o Sudeste do país chegaram, majoritariamente, italianos (sobretudo do Vêneto, Campânia, Calábria e Lombardia), portugueses (notadamente oriundos da Beira Alta, do Minho e Alto Trás-os-Montes), espanhóis (sobretudo da Galiza e Andaluzia), japoneses (sobretudo de Honxu e Oquinaua) e árabes (do Líbano e da Síria).[carece de fontes?]

De acordo com o Memorial do Imigrante, entre 1870 e 1953, entraram no Brasil cerca de 5,5 milhões de imigrantes, sendo os italianos (1 550 000), portugueses (1 470 000), espanhóis (650 000), alemães (210 000), japoneses (190 000), poloneses (120 000) e 650 000 de diversas outras nacionalidades.[carece de fontes?][carece de fontes?]

Migração interna[editar | editar código-fonte]

Cerca de um terço dos brasileiros não vive onde nasceu. As migrações internas respondem por boa parte deste terço, e classificam-se basicamente em duas categorias: deslocamento do campo para a cidade, o chamado (êxodo rural) - causado frequentemente pela falta de oportunidades de trabalho e serviços no campo e pela concentração fundiária - e migrações regionais, das quais os exemplos mais importantes foram:[carece de fontes?]

Recentemente as migrações regionais mais importantes ainda são a de nordestinos para as regiões Sudeste e Sul, em busca de trabalho nos setores industrial, comercial e de serviços; ocorre, também, no Centro-Oeste e Norte, um fluxo de famílias ligadas ao meio rural, vindas principalmente da região Sul, graças à expansão da fronteira agrícola.[carece de fontes?]

A partir da década de 1980, os fluxos intrarregionais e até intraestaduais tornaram-se mais significativos, especialmente na região Nordeste, com a consolidação de várias metrópoles ao redor das capitais de cada estado nordestino. Por conta do Brasil já ser um país essencialmente urbano, os fluxos migratórios encontram-se em menor dimensão de décadas passadas, e concentram-se mais na ocupação de espaços com maior dinamismo (em geral cidades médias do interior e algumas capitais, além da fronteira agrícola). Ações sociais como o Fome Zero e o Bolsa Família também reduzem os fluxos migratórios, ao responder mais rapidamente situações de calamidade pública especialmente em função da seca, que intensificavam os fluxos no passado.[carece de fontes?]

Migração externa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Diáspora brasileira

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

Notas

  1. Os municípios que compõem cada uma das Grandes Concentrações Urbanas estão relacionados na lista de concentrações urbanas do Brasil por população.

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]