Demografia do Maranhão

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Ficha técnica
Área 331 983,293 km²[1]
População 7.114.598 hab. (est. 2020)[2]
Densidade 19,81 hab/km² (est. 2020)[2]
Crescimento demográfico 1,52% ao ano (2000-2010)[3]
População urbana 63,08% (2010)[4]
Domicílios 1.653.969 (2010)[5]
Carência habitacional 329.495 unidades[6]
Acesso à água 70,6% (2018)[4]
Acesso à rede de esgoto 22,6% (2018)[4]
IDH 0,687 (2017)[4]
Número de Municípios 217.[1]

A demografia do Maranhão é o domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas do território maranhense.

O Maranhão possui 217 municípios distribuídos em uma área de 331 983,293 km². Segundo estimativas IBGE, em 2020, o estado possui 7.114.598 habitantes e uma densidade populacional de 19,81 hab./km². Esse montante populacional representa 3,4% da população brasileira, sendo o 11º estado em população. [7]

Distribuição da população[editar | editar código-fonte]

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Urbanização[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Censo de 2010, 63,08% dos habitantes do estado vive em cidades, enquanto 36,92% da população vive no campo. A composição da população maranhense por sexo mostra que 50,4% são mulheres, enquanto que 49,6% são homens.[9]

Eleitorado[editar | editar código-fonte]

O Maranhão também possui o 11º maior colégio eleitoral brasileiro, com 4.758.629 eleitores (2020) em todo o estado. [10]

Composição étnica[editar | editar código-fonte]




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Composição étnica do Maranhão (2010)[11]

  Brancos (21.9%)
  Negros (9.6%)
  Pardos (66.9%)
  Indígenas (0.5%)

O Maranhão é um dos estados mais miscigenados do Brasil, o que pode ser demonstrado pelo número de 66,9%[12] de pardos autodeclarados ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, resultado da grande concentração de escravizados indígenas e africanos nas lavouras de cana-de-açúcar, arroz e algodão.

Povos indígenas[editar | editar código-fonte]

Os grupos indígenas remanescentes e predominantes são dos grupos linguísticos macro-jê e macro-tupi.

No tronco macro-Jê, destaca-se a família jê, com povos falantes da língua Timbira (Mehim)ː Kanela (Apanyekra e Ramkokamekra), Krikati, Gavião Pukobyê, Krepumkateyê e Krenyê.

No Tronco macro-tupi, a família tupi-guarani, com os povos falantes da língua tenetehara (Guajajara e Tembé),Urubu-Kaapor, além dos Awá-Guajá, concentrados principalmente no bioma da Amazônia, no Alto Mearim e na região de Barra do Corda e Grajaú.

Povos como os Akroá-Gamela e Tremembés ainda lutam por reconhecimento étnico e demarcação de terras.[13]

De acordo com John Hemming,[14] havia por volta de 1 milhão de indígenas no Maranhão em 1500.

Africanos[editar | editar código-fonte]

Houve forte tráfico negreiro entre os séculos XVIII e XIX, que trouxe milhares de negros da Costa da Mina e da Guiné, mais precisamente do Benim, antigo Daomé, Gana e Togo, mas também em levas não menos importantes de africanos do Congo, Cabinda e Angola.[15] Muitas tradições maranhenses têm a forte marca das culturas africanas: culinária (Arroz de Cuxá), religião (Tambor de Mina e Terecô), festas (Bumba-Meu-Boi e Tambor de Crioula) e músicas (Reggae no Maranhão). Atualmente, o Maranhão conta muitas comunidades quilombolas em toda a região da Baixada, rio Itapecuru e Mearim.

Portugueses[editar | editar código-fonte]

A população branca, 21,9 por cento, é quase exclusivamente composta de descendentes de portugueses, dada a pequena migração de outros europeus para a região. Ainda no início do século XX a maior parte dos imigrantes portugueses era oriunda dos Açores e da região de Trás-os-Montes. [16]

A região do Maranhão é considerada a primeira a receber colonos ilhéus (açorianos) de forma organizada. Em 1619, cerca de 300 casais chegaram ao Maranhão, sendo que o número total de pessoas girava em torno de mil pessoas, número significativo para a época. Além dos casais iniciais, vindos com Estácio da Silveira em 1619, outros se seguiram: em 1621 chegaram 40 casais com Antonio Ferreira de Bettencourt e Jorge de Lemos Bettencourt; em 1625 chegaram outros casais com Francisco Coelho de Carvalho; nos navios N. S. da Palma e São Rafael, tendo como capitão Manoel do Vale, chegaram 50 casais em 1676; e nos navios N. S. da Penha de França e São Francisco Xavier vieram mais colonos.[17]

Também no século XX, vieram contingentes significativos de sírios e libaneses, refugiados do desmonte do Império Otomano e que hoje têm grande e tradicional presença no estado.

Religião[editar | editar código-fonte]

Segundo o Censo do IBGE de 2010, a população do estado é assim dividida de acordo com a religião[18]:

Religião Proporção
Católicos 78,4%
Evangélicos/ protestantes 17,2%
Espíritas 0,2%
Afro-brasileira 0,0%
Outras 1,5%
Sem religião 6,3%
Religiões asiáticas 0,3

Indicadores sociais[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua do IBGE em 2017, no Maranhão o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é de 0,687, ocupando a penúltima posição entre os estados.[9]

De acordo com o Índice de Gini, que avalia a distribuição das riquezas de um determinado lugar, o Maranhão ocupava a 23ª posição no país, com índice de 0,545 no ano de 2013.[9]

Moradia[editar | editar código-fonte]

De acordo com um estudo realizado pela Fundação João Pinheiro, Maranhão e Roraima eram os estados com o maior déficit habitacional relativo do país em 2019. O Maranhão apresenta um déficit de 15,2 por cento (em relação ao total de domicílios particulares permanentes e improvisados). Em termos absolutos, o déficit no estado chega a 329.495 unidades, o sexto maior do país. O déficit maranhense representa 5,6 por cento do déficit absoluto total brasileiro, estimado em 5.876.699. A média maranhense é quase duas vezes maior do que a nacional, de 8,0 por cento[19].

Há um déficit de 164.486 moradias urbanas e 165.008 moradias rurais (2019).[19]

Entre os componentes apontados na composição do déficit de moradia do Maranhão (2019), estavam: habitação precária (64,0%), coabitação (24,4%) e õnus excessivo com aluguel (11,5).[19]

Educação[editar | editar código-fonte]

A taxa de analfabetismo, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Educação 2019, era de 15,6% da população do estado com 25 anos ou mais de idade, a 4ª maior taxa de analfabetismo dentre as Unidades da Federação, associado principalmente com a idade. [20]

O Maranhão também tinha o maior percentual de pessoas sem instrução em 2019: 16,6% da população do estado com 25 anos ou mais de idade. [20]

De acordo com a mesma pesquisa, a média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade, em 2019, era de 7,6 anos. [20]

A proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que terminaram a educação básica obrigatória (ensino médio completo) foi de 36,8%. O percentual de pessoas com o ensino superior completo foi de 9,1%, em 2019, o menor do país.[20]

Dentre os que não completaram a educação básica, além dos 16,6% sem instrução, 34,3% tinham o ensino fundamental incompleto, 7,4% tinham o ensino fundamental completo e 4,9%, o ensino médio incompleto. [20]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Saneamento básico[editar | editar código-fonte]

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), o índice de domicílios atendidos por esgotamento sanitário ligados à rede coletora era de 22,6% em 2018. Com relação ao percentual de domicílios que possuem abastecimento de água por rede geral, a cobertura era de 70,6%, em 2018. [9]

Saúde suplementar[editar | editar código-fonte]

Em 2018, o Maranhão tinha 471.770 beneficiários de planos privados de saúde, de acordo com dados da Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que representa uma taxa de cobertura de 7,03%.[9]

Estabelecimentos de saúde e leitos[editar | editar código-fonte]

Em 2019, o Maranhão tinha 5.791 estabelecimentos de saúde, sendo 65,5% públicos e 34,5% privados. 1.356 dos estabelecimentos de saúde disponíveis estavam localizados na Região de Saúde de São Luís.[9]

Em 2019, havia 14.938 leitos existentes nas redes de saúde pública e privada, dos quais 1.232 são leitos complementares.[9]

Em 2019, o Maranhão possuía 81 médicos por 100 mil habitantes, o menor índice do país.[9]

Mortalidade infantil[editar | editar código-fonte]

A taxa de mortalidade infantil no Maranhão era de 20,3, a segunda maior do país.[21]

Esperança de vida[editar | editar código-fonte]

Em 2017, a expectativa de vida do maranhense era 70,9 anos, a mais baixa do país, segundo estimativas do IBGE.[9]

Renda[editar | editar código-fonte]

Com relação ao rendimento domiciliar per capita, o maranhense apresentava rendimento médio de R$ 637,00 em 2019, o menor entre os estados brasileiros. [22]

O Maranhão tinha o maior percentual de pessoas em situação de pobreza no país, em 2018. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 54,1% dos maranhenses viviam com menos de R$ 406 por mês. [23]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «Título ainda não informado (favor adicionar)». www.ibge.gov.br 
  2. a b «Maranhão | Cidades e Estados | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 29 de junho de 2021 
  3. Banco do Nordeste. «Informações socioeconômicas municipais» (PDF) 
  4. a b c d «Plano Estadual de Saúde 2020-2023» (PDF) 
  5. «Censo: Amostra-Domicílios». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 29 de junho de 2021 
  6. Fundação João Pinheiro (2021). «DEFICIT HABITACIONAL NO BRASIL – 2016-2019» (PDF). Consultado em 29 de junho de 2021 
  7. «Maranhão | Cidades e Estados | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 15 de maio de 2021 
  8. «Panorama do estado do Maranhão». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 4 de outubro de 2021 
  9. a b c d e f g h i «Plano Estadual de Saúde 2020-2023» (PDF) 
  10. «Eleições 2020: Maranhão tem mais de 4 milhões e meio de eleitores aptos a votar» 
  11. «ibge.gov.br» (PDF). www.ibge.gov.br  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
  12. «Tabela 2094: População residente por cor ou raça e religião». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 15 de maio de 2021 
  13. Elizabeth Maria Beserra Coelho; Mônica Ribeiro Moraes de Almeida. «31ª REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA GT 56. Povos indígenas, afrodescendentes e outros povos tradicionais, conflitos territoriais, e o não reconhecimento pelo Estado nacional.». DINAMICAS DAS LUTAS POR RECONHECIMENTO ÉTNICO NO MARANHÃO 
  14. Ouro Vermelho, 2007, Editora da Universidade de São Paulo, página 732
  15. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). labhstc.paginas.ufsc.br 
  16. Estado, Thiago Bastos / O. (15 de agosto de 2020). «Libaneses: chegada maciça e influências no Maranhão». Jornal O Estado do Maranhão. Consultado em 15 de maio de 2021 
  17. Açorianos no Brasil, Vera Lúcia Maciel Barroso
  18. «Análise dos Resultados/IBGE Censo Demográfico 2010: Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência» (PDF) 
  19. a b c Fundação João Pinheiro (2021). «DEFICIT HABITACIONAL NO BRASIL – 2016-2019» (PDF). Consultado em 29 de junho de 2021 
  20. a b c d e «Maranhão é o estado do Brasil com maior percentual de pessoas sem instrução». G1. Consultado em 15 de maio de 2021 
  21. «Unidades da Federação - Probabilidade de um recém-nascido não completar o primeiro ano de vida - Total - 2017». IBGE. p. 12. Consultado em 29 de novembro de 2018 
  22. IBGE, Com informa��es (12 de novembro de 2020). «Maranhão tem o menor rendimento médio do país». Jornal O Estado do Maranhão. Consultado em 15 de maio de 2021  replacement character character in |primeiro= at position 12 (ajuda)
  23. «Maranhão possui o maior percentual de pessoas em situação de pobreza, diz IBGE». G1. Consultado em 15 de maio de 2021