Denilson Baniwa

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Denilson Baniwa
Revista Gol Denilson Baniwa 03 Final.jpg

Denilson Baniwa 2019

Foto de Adrian Ikematsu

Nascimento 1984 (38 anos)
Aldeia Darí, Barcelos, Amazonas
Residência Rio de Janeiro, Niterói
Nacionalidade Brasileiro
Etnia Baniwa
Ocupação Multiartista e curador
Movimento estético Arte Indígena Contemporânea, ReAntropofagia, Jaguar-Arte, Arte Pussanga

Denilson Baniwa (Barcelos,18 de março de 1984) é um artista brasileiro, curador, designer, ilustrador, comunicador e ativista dos direitos indígenas. Conhecido como um dos artistas contemporâneos mais importantes da atualidade[1] por romper paradigmas e abrir caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional.

É indígena do povo Baniwa. Atualmente, vive e trabalha em Niterói, no Rio de Janeiro. Como ativista pelo direito dos povos indígenas, realiza palestras, oficinas e cursos, atuando fortemente no Movimento Indígena Brasilieiro.

Denilson é um artista antropófago, pois apropria-se de linguagens ocidentais para descolonizá-las em sua obra. O artista em sua trajetória contemporânea consolida-se como referência, rompendo paradigmas e abrindo caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional.[2]

Em 2019, foi indicado ao Prêmio Pipa, o maior premio de arte contemporânea do Brasil, e venceu a categoria online do Prêmio.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em 1984, na aldeia Darí, conhecida como Barreira, em Barcelos (AM), à beira do Rio Negro,[4] Denilson inicia sua trajetória como artista a partir das referências culturais de seu povo ainda na infância, observando as mulheres indígenas a construir artefatos e utensílios que seriam usados em seu cotidiano. Sua primeira impressão de pintura foi a corporal extraídas do crajirú. Entre rituais e tradições formou sua identidade através da arte e cultura indígena de seu povo.

Denilson morou até o final de sua adolescência no Rio Negro, interior do Amazonas que iniciou seus estudos e teve contato com modelos formais de arte, se destacando e ganhando prêmios na região como desenhista. O comprometimento com a questão indígena foi e é ate hoje sua ferramenta de trabalho e laboratório de estudos.

Estilo[editar | editar código-fonte]

Denilson Baniwa é um artista indígena; é indígena e é artista, e seu ser indígena lhe leva a inventar um outro jeito de fazer arte, onde processos de imaginar e fazer são por força intervenções em uma dinâmica histórica (a história da colonização dos territórios indígenas que hoje conhecemos como Brasil) e interpelações a aqueles que o encontram a abraçar suas responsabilidades.[5]

Sendo artista por determinação cultural, seu trabalho possui características únicas e cheias de simbologia e significados sejam elas de caráter pessoal ou sagrado. A valorização da cultura indígena é umas das características mais marcantes de suas obras. Sua arte possuí tradição, e lhe foi ensinado e passado de geração em geração. Para o artista, sua arte é uma forma de resistência e luta sendo sua maior motivação a de mostrar a sociedade, novas formas de significado para a arte, que é construída na ancestralidade indígena e que dão significados ao mundo através da beleza. Suas obras enunciam conceitos que foram estereotipados por uma sociedade que buscou compreender o indígena, mas nunca o deixou falar por si próprio. Ao mesmo tempo a necessidade de uma antropofagia própria da cultura em que vive agora na cidade buscando uma deglutição do pop e urbano que o rodeia.

Suas linguagens e discursos artísticos vão desde retratos de sua vivência enquanto ser indígena até ao metafórico onde se apropria de ícones ocidentais para comunicar a luta indígena. Seus discursos sempre são ácidos, provocativos e desejam estimular mais indígenas a integrarem uma luta contra a colonização e a indigenização de todo sistema brasileiro desde do educacional ao cultural. Seus suportes de trabalho são desde físicos como canvas, instalações, pinturas em murais e performances até meios não palpáveis como a tecnologia e meios digitais.[6]

Principais Obras[editar | editar código-fonte]

"Não me articulo ou me defino como criador de “arte indígena” ou artes “exclusivas à temática indígena”, mas o meu processo de criação tem sempre uma influência do universo em que nasci. Não sou um artista indígena, sou um artista de múltiplas perspectivas que nasceu indígena."[7]

Curumim Guardador de Memórias, 2018
Performance Pajé Yawareté, 2018. Fotografia Sallisa Rosa
  • ReAntropofagia
  • Gioconda Kunhã
  • Frida Kunhã
  • Tupi or not Tupi
  • Tupã Salve a Cacique
  • Lord
  • Lambe-Lambe Yawareté
  • Natureza Morta
  • Relacionamentos Agrotóxicos
  • Cobra Canoa da Transformação
  • Azougue 80
  • Nhandecy Eté
  • Cobra do Tempo
  • Ekúkwe - A terra envenenada com odor de morte
  • Ekúkwe 2 - A terra envenenada com odor de morte
  • O Minotauro
  • O Agro Mata
  • Petróglifos na Selva de Pedra
  • Pajé-Onça Hackeando a 33ª Bienal de Artes de São Paulo
  • Pajé-Onça Caçando na Avenida Paulista
  • A-Gente Laranja
  • Decolonize
  • Nheengaitá - Protagonismo e a nossa voz precisa ser escutada
  • “Curumim”, Guardador de Memórias
  • “Cunhatain”, Antropofagia Musical
  • “Awá uyuká kisé, tá uyuká kurí aé kisé irü” (quem com ferro fere, com ferro será ferido)
  • A Última Missa
  • Karajás
  • Etnografia
  • A Última Maloca da Queda do Céu
  • Acidente Geográfico
  • Menu
  • Voyeurs
  • Retifique-se!
  • Fede In Dio
  • Poema Ukara
  • Poema do Fogo
  • Poema da Chuva
  • Terra Indígena
  • Yawareté Payé Soprando o Universo
  • Yakaré
  • Nativity
  • Seja Marginal Alado Seja Herói
  • Pussanga
  • Metrô- Pamuri-Mahsã: Cobra Metrô
  • Forget-Me Please!
  • A Noite
  • Diabetes
  • Alvos Vivos
  • Arqueiro Digital
  • Na Floresta não tem Supermercado
  • Mártires da Terra
  • Manto Tupinambá
  • Marupiaras ou Chasse au Jaguar
  • Máscara para Rituais Modernos
  • Euphemismós
  • A Morte do Dono das Antas
  • Aquela Gente que se Transforma em Catitu
  • Antropofagia Musical
  • Oração Poema
  • Dabukury
  • Cocar-Cortar


Atualidade[editar | editar código-fonte]

Mural de 42 metros no Climax Festival, na França

Além de oito exposições individuais, participou de mais de 30 coletivas e cinco internacionais.

Em 2017 esteve na “Dja Guata Porã" | Rio de Janeiro indígena concebida a partir da colaboração de povos, aldeias, movimentos e indígenas que residem no estado e na capital carioca, no Museu de Arte do Rio (MAR).[8]

Em 2018 realizou a mostra “Terra Brasilis: o agro não é pop!”, na Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, como parte do projeto “Brasil: A Margem”, promovido pela universidade.[9] No mesmo ano, participou da residência artística da quarta edição do Festival Corpus Urbis, realizada no Oiapoque, no Amapá.[10]

Em 2019 participou da expo “Vaivém”, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.[11]

Nos últimos anos, Denilson tem ocupado espaços que vão de exposições a residências artísticas em vários lugares do mundo. Em setembro de 2019, por exemplo, ao lado de artistas indígenas como Jaider Esbell (do povo Macuxi), participou em Toronto, no Canadá, do Arctic Amazon Symposium 2019,[12] reunindo nativos do Ártico e da Amazônia que dialogaram sobre estratégias comuns para o enfrentamento das questões ambientais da atualidade,[13] esteve no mesmo ano em um Workshop na Universidade de PrincentonAmazonian Poetics – The Poetics of a Amazonian World e realizou a pintura de um mural de 42 metros em Bourdeaux na França como parte do Climax Festival – Global Warning.[14]

Participou de algumas bienais ao longo de sua carreira e em 2020 está com obras expostas na Bienal de Sydney "NIRIN", na Austrália.[15]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Resultado Ref.
2014 Prêmio Festival Festas de Lisboa Ilustração Venceu [16]
2019 Premio Pipa de Arte Contemporânea Online Venceu [17]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências