Dennis Rader

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Dennis Rader
Nome Dennis Lynn Rader
Data de nascimento 09 de março de 1945 (74 anos)
Nacionalidade(s) Estados Unidos norte-americana
Crime(s) Assassinatos
Pena Prisão perpétua sem liberdade condicional por 175 anos (10 penas consecutivas de prisão perpétua).
Situação Preso desde 25 de fevereiro de 2005

Dennis Rader (Dennis Lynn Rader, Pittsburg, 9 de março de 1945 é um assassino em série norte-americano que matou 10 pessoas no Condado de Sedgwick (e em torno de Wichita, Kansas) entre 1974 e 1991. Foi preso em 2005 e cumpre dez sentenças de prisão perpétua no Kansas. [1]

Ele é conhecido como O Assassino BTK ou O Estrangulador BTK - "BTK" significa "Bind, Torture, Kill" (em português "Amarrar-Torturar-Matar"), iniciais que eram sua assinatura. [1]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Era o filho mais velho de William Elvin Rader e Dorothea Mae Cook. "O garoto teve uma infância relativamente normal, se comparada com a de outros assassinos em série, como Jeffrey Dahmer ou Ted Bundy", escreveu a Revista Galileu.

Na Universidade Wesleyan, depois de um ano de notas ruins, Rader partiu para uma série de atividades, tendo ingressado na Força Aérea dos EUA e viajado para missões na Coreia do Sul, Turquia, Grécia e Japão. Ele também trabalhou em supermercados e montadoras e foi, até, escoteiro. Em 1957 foi confirmado como membro e líder da Igreja Lutherana local. [2] [3] [1]

Casou-se com Paula Dietz e teve dois filhos. Se graduou como Bacharel em Administração e trabalhou para a companhia “Coleman”. [4]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Quando criança, costumava torturar e enforcar pequenos animais (uma das três características da Tríade MacDonald, ligada, segundo alguns especialistas, aos assassinos em série [5] [6]).

Além disso, ele alimentava fantasias sexuais envolvendo escravidão e tortura, e se masturbava com cordas ou outras amarras nos braços e pescoço. Ele também roubava peças de roupas íntimas das vizinhas, o que foi considerado "comum" na época. [1] [7]

História dos crimes[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1974, na pequena cidade de Wichita, no interior do estado do Kansas, nos EUA, Dennis Rader, um aparentemente tranquilo e pacato funcionário público municipal e chefe-escoteiro, começou com uma série de assassinatos. Auto-intitulado BTK (Bind-Torture-Kill - que quer dizer "Amarrar-Torturar-Matar"), o assassino ridicularizou as autoridades policiais com pistas e cartas endereçadas à mídia, reivindicando a autoria de crimes. Nestas cartas ele relatava como praticava os crimes, descrevendo-os friamente e criando uma atmosfera de terror e medo na pequena Wichita. [1]

Depois de 1991 ele ficou em "hiatos", sem se saber o porquê de ter parado de matar a partir desta data. No entanto, na mesma época ele começou a trabalhar como “Homem da Carrocinha”, usando até armas com tranquilizantes para pegar os cachorros das ruas e inclusive se envolvendo em alguns problemas com os donos de alguns animais que sumiram de certas residências.[8]

Em 2004 ele voltou a enviar cartas para a mídia local, o que acabou levando à sua prisão. Dennis Rader foi preso em 26 de fevereiro de 2005 pelo Chefe de Polícia de Wichita, Norman Willians, quando, friamente e sem demonstrar arrependimento, assumiu ser o temido assassino BTK. Ele foi acusado de 10 homicídios. [1]

Linha do tempo[editar | editar código-fonte]

  • 15/01/1974 - Joseph Oter, 38 anos; Julie Otero – 34 anos e mulher de Joseph; Joseph Otero II, 9 anos, filho; e Josephine Otero , 11 anos, filha: Foram estrangulados em sua própria casa. Julie foi espancada e estrangulada no quarto, seu corpo foi encontrado junto ao do seu marido. Josephine foi estrangulada, e com o corpo parcialmente vestido, foi encontrada com uma corda no pescoço e pendurada no encanamento do porão. Joseph também foi enforcado e asfixiado com três sacos na cabeça enquanto ele o observava morrer. Os outros três filhos do casal não sofreram lesões, pois se encontravam na escola na hora do crime. Ele roubou um relógio e um rádio da casa, e seu sêmen foi encontrado no local, o que indicava que ele sentia prazer ao matar.
  • 4/04/1974 - Kathryn Bright, 21 anos: Esfaqueada até a morte em casa, amarrada e parcialmente vestida, com vestígios de sufocamento. Seu irmão levou um tiro, mas sobreviveu.[9]
  • ?/10/1974 - Uma carta é enviada para o Jornal Wichota Eagle-Beacon, reclamando sobre a autoria do assassinato da família Otero. Em um trecho da carta ele dizia assim: “Eu não consigo me controlar, vocês provavelmente me chamarão de psicopata, estuprador, mas isso é mais forte que eu, há um monstro dentro de mim”.
  • 17/03/1977 - Shirley Vian, 26 anos: Encontrada amarrada e enforcada em sua cama, com um plástico sobre a cabeça. Ele amarrara uma corda em volta de seu pescoço, mãos e pés. Vivian tinha três filhos, mas os mesmos não sofreram nenhuma lesão, pois foram trancados no banheiro. Numa carta que BTK enviou a policia, ele contou que o filho mais novo (5 anos) de Vivian foi quem tinha o deixado entrar, e enquanto matava a moça, foi interrompido por um telefonema.[9]
  • 8/12/1977 - Nancy Fox: Foi amarrada e estrangulada com meias de nylon em sua casa. A fiação do telefone havia sido cortada e ela estava parcialmente vestida. A voz de BTK ficou gravada quando ele ligou a policia pra informar mais um homicídio de sua autoria.[9]
  • 10/02/1978: Ele mandara uma carta a estação de televisão do Kansas, mais uma vez reclamando a autoria dos assassinatos de Nancy Fox e Shirley Vian. Nesta carta havia um poema com o titulo “OH! Death To Nancy” (Oh! Morte para Nancy)
  • 14/06/1979 - Anna WIlliam: Recebeu uma carta com um poema de nome “Oh Anna! Why didn't you appear?” (Oh Anna! Porque você não apareceu?), e isso indicava que ele havia entrado em duas casas com a intenção de matá-la, mas desistiu quando ela não apareceu. [10]
  • 27/04/1985 - Marine Hedge, 53 anos: Foi sequestrada de sua casa, em Park City, no Kansas, tendo seu corpo sido encontrado oito dias depois, estrangulado. Uma meia calça foi encontrada no local e ela morava na mesma rua que Rader. Só em 2005 este caso foi relacionado aos crimes de BTK.
  • 16/09/1986 - Vicki Wegerle, 28 anos: Encontrada estrangulada em sua casa.[11]
  • 19/01/1991 - Dolores Davis: Foi sequestrada de sua casa, por Park City, Kansas. Foi encontrada estrangulada 13 dias depois, embaixo de uma ponte. Ela tinha seus braços, mãos e pés amarrados por uma meia calça. Esse crime só foi relacionado com o BTK em 2005.[12]
  • 19/02/2004: O jornal The Wichita Eagle recebeu uma carta reclamando a responsabilidade pelo assassinato de Wegerle em setembro de 1986. Dentro do envelope havia fotografias do local do crime e uma cópia da carteira de motorista da vítima. Foi a primeira comunicação do BTK desde 1979.
  • 15/12/2004: Foi encontrado um pacote em um parque, por um transeunte, contendo a carteira de motorista de uma vítima ainda não conhecida. O pacote foi enviado ao FBI.
  • 25/01/2005: A rede de TV KAKE recebeu um cartão postal que os levou a uma caixa de cereais com as letras BTK escritas sobre ela. O endereço do remetente no cartão postal era de uma das vítimas do BTK. ·
  • 16/02/2005: A rede de TV KSAS recebeu um pacote contendo uma carta, uma joia e outro objeto. Tudo foi enviado aos laboratórios do FBI.
  • 26/02/2005: O chefe de polícia de Wichita, Norman Williams, anuncia a prisão de Dennis Rader.[13]

Perfil das vítimas[editar | editar código-fonte]

Fez mais vítimas do sexo feminino do que homens e numa de suas confissões disse que sua satisfação sexual ocorria enquanto estrangulava as mulheres. [4]

Modus operandi[editar | editar código-fonte]

Segundo confissões do próprio Rader, ele espionava as vítimas, depois, usando uma máscara, invadia suas casas enquanto estavam fora e as amarrava enquanto estavam dormindo. Após torturar e assassinar, ele também coletava souvenirs e deixava os corpos, ainda amarrados, para serem encontrados por outras pessoas. A Revista Galileu escreveu o seguinte sobre o assassinato dos Otero em 1974: " O serial killer entrou na casa durante o dia, onde amarrou e estrangulou os pais e os dois filhos mais novos do casal — o mais velho teve a infeliz surpresa de descobrir os familiares mortos quando voltou da escola." (...) "De acordo com seus relatos, em diversos momentos as vítimas “despertaram” após serem estranguladas, fazendo com que o assassino colocasse sacos plásticos em suas cabeças para que sufocassem". [4]

A polícia chegou a prender outros três suspeitos por este crime, mas segundo a Galileu, "Rader não pôde lidar com isso, porque precisava de publicidade". Foi por isto que ele enviou sua primeira carta para imprensa, com a assinatura BTK.

No caso de Marine Hedge, morta em abril de 1985, a Revista Aventuras na História escreveu: "ele levou o cadáver à sua igreja e o fotografou em várias posições de escravidão. Depois o jogou em uma vala remota e denominou o plano como Projeto Cookie". (...) "Josephine Otero, de 11 anos, teve o corpo amarrado e encharcado com esperma do criminoso, que ele teve o 'cuidado' de limpar após cometer as atrocidades". [1]

Numa carta escrita em 1978, o assassino detalhou seu procedimento padrão como "amarrar, torturar e matar" e ainda escreveu: "como serial killers não mudam de modus operandi, não mudarei o meu”. [4]

Perfil psicológico[editar | editar código-fonte]

Frio, calculista e dono de uma mente doentia, fazia de seus crimes verdadeiras alegorias de crueldade e loucura, como por exemplo, amarrar bonecas nos corpos das vítimas ou fazer desenhos dos corpos. Ele, também, "costumava fotografar a si mesmo vestido de mulher, mascarado e amarrado", escreveu a Galileu. [4] [14]

Segundo o psiquiatra forense Dr. Michael Stone, da Universidade de Columbia e criador do Índice da Maldade, Dennis Rader tem todos os quesitos para ser qualificado como nível 22, o nível máximo do ranking, como torturador e assassino que sente prazer em torturar.

Prisão e pena[editar | editar código-fonte]

Depois de ter parado de matar em 1991 e da polícia ainda não ter conseguido resolver o Caso dos Otero após 30 anos, uma série de cartas escritas para a imprensa em 2004 levou à prisão do assassino, e, tudo porque, Rader cometeu um "erro crucial": perguntou se poderia se comunicar através de um disquete e se não poderia, assim, ser rastreado. A polícia disse que disquetes não podiam ser rastreados. "Dias depois dessa comunicação, um envelope chegaria à estação de TV KSAS, em Wichita, contendo um disquete roxo de 1,44 megabytes. O FBI, então, descobriu que o item fora utilizado em um computador da Igreja Luterana de Cristo e, mais que isso, que o criador das pastas de arquivo era um homem chamado “Dennis”. A polícia, então, obteve uma amostra de tecido celular da filha de Rader, Kerri, e a submeteu a um teste de DNA. A amostra permitiu que o material genético da jovem fosse conectado com o do pai, coletado em uma das cenas de crime de BTK. Foi assim que, em 25 de fevereiro de 2005, Rader foi parado e preso pelas autoridades enquanto estava no caminho para sua casa". [1]

"Vocês me pegaram", teria dito.

Dennis Rader pegou 10 sentenças de prisão perpétua - na época de seus crimes o estado de Kansas ainda não tinha a pena de morte.

Os parentes de suas vítimas foram todos a seu julgamento, incluindo o filho de Shirley Vian, que escutou sua mãe sendo morta. Eles lamentaram não vê-lo condenado à pena de morte.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Em 2005, após a sua prisão e confissão, Dennis Rader teve seus crimes retratados no cinema, através do filme Hunt for the BTK Killer, dirigido por Stephen T. Kay e estrelado por Robert Forster e Gregg Henry. Também aparece em recortes secundários nas duas temporadas da série Mindhunter (2017), produzida por David Fincher e Charlize Theron. [15]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. a b c d e f g h Pereira, Joseane. «Aventuras na História · Dennis Rader: o serial killer que mandava cartas à polícia». Aventuras na História. Consultado em 13 de outubro de 2019 
  2. «"Criminal Profile: Dennis Lynn Rader"» 
  3. «"Ancestry of Dennis Rader".» 
  4. a b c d e «Quem é Dennis Rader, serial killer que se autodenominava "Assassino BTK"». Revista Galileu. Consultado em 13 de outubro de 2019 
  5. «Serial killers: os sinais que eles dão na infância». Alto Astral. 25 de outubro de 2016. Consultado em 13 de outubro de 2019 
  6. «Quem são os serial killers e o que os diferencia dos outros assassinos?». MegaCurioso - As curiosidades mais interessantes estão aqui. 14 de outubro de 2016. Consultado em 13 de outubro de 2019 
  7. «Quem é Dennis Rader, serial killer que se autodenominava "Assassino BTK"». Revista Galileu. Consultado em 13 de outubro de 2019 
  8. Interview with Misty King; A&E Documentary Special—The BTK Killer Speaks
  9. a b c «. Erotophonophilia: Investigating Lust Murder» 
  10. «More Clues Revealed".» 
  11. «BTK Strangler resurfaces after 25 years"» 
  12. Davis, Jeffrey M. The Shadow of Evil: Where Is God in a Violent World?. Kendall/Hunt Publishing Company, 1996. ISBN 0-7872-1981-9
  13. «True Stories of Censorship Battles in America's Libraries.» 
  14. «Saiba quem foi o serial killer BTK e entenda seu codinome». Dupla Identidade. Consultado em 13 de outubro de 2019 
  15. Alexandre Guglielmelli. «O que é real e o que é ficção na 2ª temporada de Mindhunter». Observatório do Cinema. Consultado em 13 de outubro de 2019