Derrame pleural

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Derrame pleural
O derrame pleural causa uma redução da capacidade do pulmão de se expandir (atelectasia) que causa insuficiência ventilatória restritiva.
Classificação e recursos externos
CID-10 J90-J91
CID-9 511.9
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Radiografia de tórax com derrame pleural. A seta A mostra a camada de fluido na cavidade pleural direita. A seta B mostra o comprimento normal do pulmão na cavidade.

Derrame pleural é a acumulação excessiva de fluido entre as membranas que envolvem o pulmão (cavidade pleural). Uma quantidade excessiva deste fluido pode descompensar a ventilação por limitar a expansão dos pulmões (atelectasia).

Normalmente as membranas que envolvem os pulmões (pleuras) possuem apenas uma quantidade mínima de líquido pleural para evitar o atrito entre si. Quando uma dessas pleuras sofre com processo inflamatório causa dor torácica. Em função do comprometimento pleural ser evolutivo, tem-se produção anormal do líquido pleural e/ou redução na reabsorção deste líquido, que passa a acumular-se no espaço pleural e “afasta” uma pleura da outra, evitando o atrito, atenuando e até fazendo desaparecer a dor.

A produção aumentada e/ou a reabsorção reduzida faz com que haja uma grande quantidade de líquido no espaço pleural. Grandes derrames pleurais causam insuficiência ventilatória restritiva que se manifesta por “falta de ar” (dispneia).

Classificação[editar | editar código-fonte]

Os derrames pleurais são classificados em :

  • Líquidos:
    • quanto à etiologia (tuberculose, pneumonia, neoplasia)
    • quanto ao caráter (serofibrinoso, hemorrágico, purulento ou quiliforme)
    • quanto à localização (grande cavidade, interlobar, mediastínico)
  • Gasosos: Pneumotórax
  • Mistos: hidropneumotórax, hemopneumotórax, piopneumotórax.

Classificação de acordo com a composição bioquímica (Critérios de Light)[editar | editar código-fonte]

Os derrames pleurais são classificados de acordo com sua composição bioquímica, como[1]:

  • Transudatos: Proteína pleural / Proteína sérica <0,5; DHL pleural / DHL sérica <0,6; e Teor de DHL < que 2/3 do valor limite superior da concentração sérica normal
  • Exsudatos: Proteína pleural / Proteína sérica >0,5; DHL pleural / DHL sérica >0,6; e Teor de DHL > que 2/3 do valor limite superior da concentração sérica normal. E o gradiente de albumina sérica - albumina do derrame é < que 1,2 g/dL.

Para diagnóstico de exsudato, necessita-se de apenas 1 dos critérios.

Geralmente, por conterem pouca proteína na sua composição, os derrames pleurais do tipo transudato são límpidos, amarelo-claros e não se coagulam espontaneamente.

Classificação pelo carácter do fluído[editar | editar código-fonte]

Causas[editar | editar código-fonte]

Derrame pleural tipo transudato
Derrame pleural hemorrágico

Doenças associadas a derrame pleural do tipo exusudato:

Análise laboratorial do líquido pleural[editar | editar código-fonte]

Análise de elementos não protéicos:

  • Coloração
  • pH
  • Glicose

Análise de elementos protéicos:

Análise de elementos celulares:

  • Citograma
  • Citologia oncótica
  • Cultura e antibiograma
  • Cultura para BAAR = positiva em menos de 30 % dos pacientes e pode demorar 2 meses ou mais.

Biópsia pleural[editar | editar código-fonte]

agulha de biópsia pleural[2]

Além da análise do derrame pleural, nos casos de liquido pleural do tipo exsudato, devemos cogitar a biópsia pleural na tentativa de obtenção do diagnóstico anatomopatológico.

A biópsia pleural pode ser obtida com:

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Parar evitar novos derrames é necessário tratar a causa. Derrames pequenos geralmente não causam sintomas nem precisam de tratamento específico. Derrames grandes podem exigir a inserção de uma agulha com tubo para drenagem entre as costelas (toracocentese). Durante a toracocentese é importante certificar-se de que os tubos torácicos não fiquem obstruídos nem cheios.[3]

Em casos de derrames recorrentes, pode-se manter um tubo torácico de drenagem constante por vários dias até a causa ser tratada. A drenagem pleural pode ser feita a largo prazo por um cateter inserido na cavidade pleural mesmo em casa. Se existe uma substância pró-inflamatória na cavidade pleural ela pode ser removida com uma cirurgia (toracotomia).[3]

Em casos mais duradouros pode-se injetar uma substância irritante (como talco ou doxiciclina) através do tubo torácico para o espaço pleural (plerodese). A substância induz cicatrização das pleuras para que ambas pleuras se unam firmemente.[3]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://www.famema.br/uec/DerramePleural.pdf
  2. A modified outer cannula can help thoracentesis after pleural biopsy. de Menezes Lyra R. Chest. 1997 Jul;112(1):296.[1]
  3. a b c WebMD. What Is a Pleural Effusion? Treatment. http://www.webmd.com/lung/pleural-effusion-symptoms-causes-treatments#2