Desastre aéreo de Linate

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Desastre aéreo de Linate
Acidente aéreo
Sumário
Data 8 de outubro de 2001
Causa Colisão na pista
Local Aeroporto de Milão-Linate, Itália
Mortos 118 (+4)
Feridos 4 (todos em terra)
Aeronave
Modelo McDonnell-Douglas MD-87
Operador SAS
Prefixo SE-DMA
Origem Aeroporto de Milão-Linate, Itália
Destino Aeroporto de Copenhague, Dinamarca
Passageiros 104
Tripulantes 6
Sobreviventes Nenhum
Segunda aeronave
Modelo Cessna Citation II
Operador Particular
Prefixo D-IEVX
Origem Aeroporto de Milão-Linate, Itália
Destino Aeroporto de Paris-Le Bourget, França
Passageiros 2
Tripulantes 2
Sobreviventes Nenhum

O desastre aéreo de Linate ocorreu em 8 de outubro de 2001 no Aeroporto de Linate em Milão, Itália, quando o voo 686 da Scandinavian Airlines, um avião de linha McDonnell Douglas MD-87 com 110 pessoas a bordo, com destino a Copenhague, Dinamarca, colidiu durante a decolagem com um reator executivo Cessna Citation II com quatro pessoas para Paris, França. As 114 pessoas que viajavam a bordo de ambos os aviões morreram, bem como mais quatro pessoas em terra e outras quatro ficaram feridas em terra. É o pior acidente aéreo da história da Itália.

Acidente[editar | editar código-fonte]

Reconstituição do desastre.
Um MD-87 da SAS similar ao SE-DMA Lago Viking

O acidente teve lugar num espesso nevoeiro, que reduziu a visibilidade a menos de 200 m (656 ft).

O Cessna Citation foi autorizado a rodar desde a platafarma oeste pela pista de taxiamento norte (rua R5), e a seguir desde a plataforma norte à pista de taxiamento principal que corre paralelamente à pista principal, uma rota que manteria o avião afastado da pista. Em vez disto, o piloto circulou pela pista de taxiamento sul (pista de taxiamento R6), cruzou a pista e rodou pela pista de taxiamento principal até deixá-la atrás de si (ver diagrama).

Às 08:09:28, o MD-87 da SAS recebeu autorização de um controlador distinto para decolar da pista 36R. 53 segundos mais tarde, o avião da SAS, a uma velocidade de 270 km/h (146 kn), colidiu com o Cessna. As quatro pessoas que viajavam a bordo do Cessna morreram no impacto. O MD-87 perdeu o motor direito; o piloto Joakim Gustafsson, tentou decolar, atingindo uma altitude de aproximadamente 12 m (39,4 ft). O motor restante perdeu algo de potência devido à ingestão de restos do acidente, e o avião, depois de perder o trem de pouso principal, caiu. Gustafsson aplicou reversos e freios, e tentou levar o avião pelas superfícies controladas. A manobra foi tão precisa que agora faz parte do manual técnico da SAS. Tudo isto foi, no entanto, insuficiente para manter o impulso do reator, e se chocou contra um hangar de bagagem localizada no final da pista, com uma velocidade de aproximadamente 251 km/h (135 kn). No impacto, todos os passageiros e tripulantes do MD-87 morreram.

O acidente e posterior incêndio mataram quatro trabalhadores italianos que estavam no hangar, e feriu mais quatro.[1]

Dos ocupantes do avião da SAS, 54 pessoas (46%), principalmente na parte posterior do avião, sofreram queimaduras graves; tendo de ser identificados seus corpos utilizando o reconhecimento dental ou os dados de DNA. Aqueles que se encontravam na parte anterior do avião sofreram traumatismos severos.[1]

Causas[editar | editar código-fonte]

O acidente ocorreu menos de um mês após os ataques de 11 de setembro de 2001 e menos de um dia após a invasão do Afeganistão, mas a SAS descartou cedo um ataque terrorista como a causa.[2][3][4] Isto foi posteriormente confirmado pelos investigadores do acidente.

O acidente foi investigado pela Agenzia Nazionale per la Sicurezza del Volo (ANSV). Seu relatório final foi publicado em 20 de janeiro de 2004, e concluiu que a "causa imediata" do acidente foi a incursão do avião Cessna na pista ativa. No entanto, a ANSV desculpou de toda a responsabilidade os pilotos do avião Cessna, dado seu relatório de que tinham identificado um grande número de deficiências na configuração e procedimentos do aeroporto.[5][6]

O aeroporto de Linate está operando sem um radar de superfície operacional naquele momento, apesar de que lhes tinha sido entregue um sistema anos atrás que não tinham terminado de instalar. O novo sistema finalmente entrou em funcionamento meses mais tarde. Mais tarde descobriu-se que os sinais de guia ao longo das pistas de taxiamento não cumpriam o regulamento; iluminando por engano a pista de taxiamento R6 que levava à pista, não havia sinais que permitissem aos pilotos da Cessna saber aonde se dirigiam. Quando pararam no ponto de espera e reportaram corretamente seu identificador (S4), o controlador de voo ao não ter mapas atualizados, desconhecia onde estavam. Também, nenhum piloto do D-IEVX estava certificado para aterrissar com uma visibilidade inferior a 550 metros, mas apesar disso tinham aterrissado uns minutos dantes do desastre no aeroporto.

Em 16 de abril de 2004, um juiz de Milão encontrou culpados do desastre a quatro pessoas. O diretor do aeroporto Vincenzo Fusco e o controlador de tráfego aéreo Paolo Zacchetti foram sentenciados a oito anos de prisão; e com penas de seis anos e meio ao antigo diretor de controladores do tráfego aéreo Sandro Gualano, e a Francesco Federico, antigo diretor do aeroporto.[7] No recurso de apelação (7 de julho de 2006), Fusco e Federico foram inocentados. Outras quatro pessoas foram acusadas. A lei do perdão aprovada pelo Parlamento da Itália em 29 de julho de 2006 reduziu todas as penas a três anos. Em 20 de fevereiro de 2007 a Corte de Casación apoiou a decisão da corte de apelação.

Vítimas[editar | editar código-fonte]

Nacionalidade SAS 686 Cessna Terra Total
Passageiros Tripulantes Passageiros Tripulantes
  Dinamarca 16 3 19
  Finlândia 6 6
  Alemanha 2 2
  Itália 58 2 4 64
  Noruega 3 3
 Roménia 1 1
África do Sul 1 1
 Suécia 17 3 20
  Reino Unido 2 2
Total 104 6 2 2 4 118

Entre as vítimas contam-se pessoas de nove nacionalidades diferentes.[8][9][10] A maioria das vítimas era italiana e escandinava. Um passageiro determinado pela SAS como bretão tinha nacionalidades britânica e estadunidense.[10]

Quatro memoriais foram construídos em honra das vítimas da SAS. Em 12 de outubro de 2001 celebraram-se três cerimônias separadamente, uma em Dinamarca, uma em Noruega, e uma em Suécia. Em 13 de outubro de 2001 efetuou-se uma quarta cerimônia na Itália.[11]

Em março de 2002 um bosque que continha 118 faias chamado Bosco dei Faggi foi inaugurado como um memorial às vítimas no parque Forlanini próximo ao aeroporto. Uma escultura do artista sueco Christer Bording doado pela SAS, chamado Infinity Pain, foi localizada no centro do bosque.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Schmitt; Aurore; Cunha, Eugenia; Pinheiro, João. Forensic Anthropology And Medicine. [S.l.]: Humana Press. p. 440 
  2. «Jets collide on Milan runway; 118 killed». USA Today. 8 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 
  3. «Scores die in runway blaze». BBC. 8 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 
  4. «Broken radar was factor in Italian crash». BBC. 9 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 
  5. «Relatório final do acidente». Agenzia Nazionale per la Sicurezza del Volo. 8 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 
  6. «Italian Report on the disaster» (PDF) (em italiano). Consultado em 5 de março de 2017 
  7. «MOTIVI DELLA DECISIONE». Consultado em 5 de março de 2017 
  8. «Passenger and Crew List Scandinavian Airlines Flight SK 686» (PDF). Scandinavian Airlines. 8 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 
  9. «SK686 Update: Nationality Distribution» (PDF). Scandinavian Airlines. 10 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 
  10. a b «British plane crash victims named». BBC. 10 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 
  11. «Memorial Service for the casualties in Milan» (PDF). Scandinavian Airlines. 11 de outubro de 2001. Consultado em 5 de março de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Scandinavian Airlines[editar | editar código-fonte]

Outros[editar | editar código-fonte]