Desastre aéreo do Fokker S11 prefixo 0742

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Desastre aéreo de Ramos
Acidente aéreo
VASP Vickers Viscount 827 Volpati-1.jpg

Fokker S11 (PH-GRY).jpg
Acima, Vickers Viscount da VASP, similar ao avião destruído. Abaixo Fokker S-11 da Real Marinha da Holanda, similar ao avião destruído.

Sumário
Data 22 de dezembro de 1959
Causa erro do piloto
Local Brasil Ramos, Rio de Janeiro
Mortos 32+10 em terra
Feridos 0
Primeira aeronave
Origem Aeroporto de Brasília, Distrito Federal
Escala Aeroporto de Congonhas,São Paulo,Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, Salvador, Recife
Destino Natal
Passageiros 26
Sobreviventes 0
Segunda aeronave
Modelo Países Baixos/Brasil Fokker S11 (T-21)
Operador Roundel of Brazil.svg Força Aérea Brasileira
Prefixo 0742
Origem Base Aérea dos Afonsos, Rio de Janeiro
Destino Base Aérea dos Afonsos, Rio de Janeiro
Sobreviventes 1
Primeiro voo 1959

O desastre aéreo de Ramos foi um acidente aéreo ocorrido em 22 de dezembro de 1959. Nesta data, uma aeronave de treinamento Fokker T-21 da Força Aérea Brasileira chocou-se em pleno ar com um Vickers Viscount da VASP. O choque provocou a queda das aeronaves, causando a morte dos 31 ocupantes do Viscount além de 10 pessoas no solo, atingidas pelos destroços da aeronave. O piloto da FAB saltaria de paraquedas, sendo o único sobrevivente.[1][2]

Aeronaves[editar | editar código-fonte]

Vickers Viscount 827[editar | editar código-fonte]

Nos anos 1960, a VASP iniciaria um grande plano de modernização da empresa efetuado nos anos 1960, para fazer frente a Panair do Brasil, REAL, Cruzeiro do Sul e VARIG. Enquanto que as demais companhias aéreas se modernizavam com modernos aviões Convair 240/340/440 e Lockheed Electra II, a VASP contava apenas com os obsoletos Douglas DC-3 e SAAB Scandia.

Em 1958, a VASP iria encomendar 5 Vickers Viscount V-827, que seriam as primeiras aeronaves turboélice a operarem no Brasil. Com o sucesso da operação dessas aeronaves, a empresa paulista iria adquirir mais 10 Viscount (da versão V-701) usados , oriundos da empresa britânica British European Airways. Por conta do envelhecimento das aeronaves, os V-701 iriam operar por poucos anos, sendo substituídos pelos NAMC YS-11. Os V-827 iriam operar entre 1958 e 1974, quando seriam substituídos pelos Boeing 737.[3]

A aeronave destruída foi fabricada no final de 1958, tendo recebido o número de construção 401. A VASP receberia a aeronave em 29 de janeiro de 1958[4], tendo a mesma obtido o prefixo PP-SRG para sua operação. Até o momento do acidente era a aeronave mais nova da frota da VASP.[5][6]

Fokker S11[editar | editar código-fonte]

O Fokker S11 seria adquirido pela FAB para servir como aeronave de treinamento dos Cadetes do curso de formação de Oficiais Aviadores da Academia da Força Aérea, então sediada no Campo dos Afonsos. Após a assinatura de convênio com a fábrica holandesa Fokker, seriam adquiridas 100 unidades, sendo que as primeiras 5 aeronaves seriam construídas na Holanda enquanto que as demais 95 seriam construídas na Fábrica de Aviões do Galeão. Problemas financeiros e políticos norteariam o contrato, de forma que a entrega das aeronaves seria atrasada por diversas vezes.[7][8]

Ao entrar em serviço, em 1959, o Fokker S11 seria nomeado T-21 pela FAB. As aeronaves receberiam os números 700 a 799. Com a entrada dos T-21 em serviço, os Fairchild PT-19 seriam retirados de serviço. O T-21 seria largamente utilizado pela FAB até meados dos anos 1970 quando seria substituído pelo T-23 Uirapuru.[7][8]

A aeronave destruída foi fabricada em 1959, tendo recebido o registro 0742.[6]

Acidente[editar | editar código-fonte]

O Vickers Viscount prefixo PP-SRG decolara do aeroporto de Brasília na manhã de 22 de dezembro de 1959, iniciando o Voo VASP 233 entre Brasília e o Rio de Janeiro.[9]

No campo dos Afonsos, o Fokker T-21 da FAB decolara para um exercício de treinamento. A Base aérea do Campo dos Afonsos era situada a nordeste do aeroporto do Galeão, sendo que a área de treinamento dos cadetes era muito próxima das aerovias da aviação comercial, utilizadas para pousos e decolagens do Galeão.[9]

Quando o Viscount estava prestes a pousar no aeroporto do Galeão por volta das 13h40min, sua asa esquerda seria atingida e parcialmente arrancada pela aeronave de treinamento Fokker T-21, que acabara de efetuar um parafuso. Enquanto o Viscount realizaria uma curva brusca para a direita, buscando o aeroporto, o Fokker voaria na direção do Morro do Alemão, tendo o piloto saltado de pára-quedas. Sem rumo, O Fokker cairia sobre uma casa provocando ferimentos leves em uma mulher.[1]

Enquanto isso, a tripulação do Viscount tentava realizar um pouso de emergência. Antes de alcançar o aeroporto, a aeronave cairia sobre várias casas no bairro de Ramos, explodindo em seguida. O choque com o solo causaria a morte dos 32 ocupantes do Viscount. Dez moradores também morreriam no solo e centenas seriam feridos pelos destroços da aeronave. Entre os passageiros mortos estavam os escritores Otávio Tarquínio de Sousa e sua esposa Lúcia Miguel Pereira, o economista Benjamin Cabello e o repórter de O Cruzeiro Luciano Coutinho.[1]

Investigações[editar | editar código-fonte]

As investigações seriam iniciadas pela FAB que decretaria sigilo total. Durante as investigações, seria constatado que o acidente teria ocorrido por uma série de fatores:[9]

  • Falta de rádio no Fokker T-21, o que impedia uma comunicação com a torre de controle do aeroporto do Galeão;
  • Inexperiência do piloto do Fokker, que tinha apenas 19 horas de voo;
  • Invasão de aerovia destinada a aviação comercial pelo piloto do Fokker;
  • Localização inadequada da área de treinamento da FAB, que era muito próxima a área de aproximação e decolagem de aeronaves do aeroporto do Galeão, causando confusão aos pilotos comerciais e aos cadetes da FAB que acabariam invadindo as áreas indevidamente;

No entanto, a investigação concluiria que a causa principal do acidente era a falha de ambos os pilotos em manter adequada vigilância sobre outras aeronaves.[9] Cerca de um ano após o acidente, o cadete Eduardo da Silva Pereira, que pilotava o Fokker, seria excluído da Escola da Aeronáutica.[9]

Consequências[editar | editar código-fonte]

O desastre causaria uma grande comoção na sociedade da época. A revista O Cruzeiro (que perdera o repórter Luciano Coutinho no desastre) iniciaria uma campanha contra a presença da escola da aeronáutica nas proximidades do Galeão, exortando a FAB a mandar seus cadetes para Pirassununga.[9]

Coutinho retornava de Brasília após realizar uma reportagem sobre o primeiro baile de debutantes da recém inaugurada capital Federal e transportava uma maleta cujo interior guardava sua câmera e negativos. Apesar da violência do acidente, os negativos seriam levemente danificados, tendo sido publicados por O Cruzeiro como homenagem póstuma.[10]

O Campo dos Afonsos seria engolido pela expansão da cidade, tendo sido estudada a transferência da Academia da Força Aérea para Pirassununga desde 1949. O desastre de 1959 acabaria por tirar do papel o projeto da base de Pirassununga. Durante os anos 1960, a escola do campo dos Afonsos funcionaria com restrições operacionais até ser desativada em 1971, quando seria transferida para Pirassununga.[11]

Menos de 3 meses após o desastre ocorrido em Ramos, outro choque de aeronaves ocorreria sobre os céus do Rio de Janeiro, colocando em xeque o sistema de controle aéreo da cidade.[12].

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SILVA, Carlos Ari Cesar Germano da; O rastro da bruxa: história da aviação comercial brasileira no século XX através dos seus acidentes; Porto Alegre Editora EDIPUCRS, 2008, pp 177-181.

Referências

  1. a b c «Trinta e cinco mortos no desastre do Viscount». Jornal do Brasil, Ano LXIX, número 20, páginas 1 e 10. 23 de dezembro de 1959. Consultado em 14 de fevereiro de 2013 
  2. «Choque de aviões no Rio:42 mortos». Diário de Notícias (RJ), Ano XXX, Edição 13383, página 1. 23 de dezembro de 1959. Consultado em 18 de fevereiro de 2013 
  3. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Avia.C3.A7.C3.A3o_Comercial
  4. culturaaeronautica.blogspot.com.br/2011/02/os-viscount-da-vasp-pioneiros.html
  5. culturaaeronautica.blogspot.com.br/2011/02/os-viscount-da-vasp-pioneiros.html
  6. a b «Accident description». Aviation Safety Network. Consultado em 14 de fevereiro de 2013 
  7. a b Inês Coutinho. «Acervo da Fundação Santos Dumont». Consultado em 14 de fevereiro de 2013 
  8. a b «Vencendo o Azul-A história da indústria e tecnologia aeronáuticas». Fundação Museu de tecnologia de São Paulo. 2002 
  9. a b c d e f SILVA, Carlos Ari Cesar Germano da (2008). O rastro da bruxa: história da aviação comercial brasileira no século XX através dos seus acidentes. [S.l.]: Editora EDIPUCRS, Porto Alegre. pp. 177–181. ISBN 978-85-7430-760-2 
  10. Luciano Coutinho (15 de janeiro de 1960). «As debutantes de Brasília». O Cruzeiro- Republicado por Memória Viva. Consultado em 18 de fevereiro de 2013 
  11. Bruno de Melo Oliveira (17 a 19 de julho de 2012). «O Campo dos Afonsos e seu entorno urbano: breve reflexão sobre a interferência da urbanização nas organizações militares (1912-1971)». I Seminário Nacional de História da Aviação Brasileira- Universidade da Força Aérea (UNIFA). Consultado em 18 de fevereiro de 2013  Verifique data em: |data= (ajuda)
  12. «Choque de aviões sobre o Rio mata 66 pessoas». Jornal do Brasil, Ano LXIX, nº 48, página 1. 26 de fevereiro de 1960. Consultado em 18 de fevereiro de 2013 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]