Descentralização da Web

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A web descentralizada é um conceito abstrato almejado por diversos pesquisadores da atualidade.[1] A ideia propõe a reorganização da internet, de forma a remover serviços centralizados de hospedagem de dados, utilizando em vez disso uma estrutura primariamente par-a-par (ou peer-to-peer). Interesse na web descentralizada surgiu devido à falta de confiança nas organizações de manutenção da rede tendo em vista escândalos de espionagem generalizada e controle de conteúdo.

A internet como ela existe atualmente possui muitos usuários, que acessam informações de pontos específicos de coleta. Estes pontos de coleta hospedam dados(sites, e-mails, arquivos, etc) de seus assinantes e os mantém disponíveis online caso algum usuário da internet tente acessa-los. O problema levantado pelos evangelistas desta ideia é que isto torna a internet(e por consequência, uma grande parte da produção cultural e científica humana) vulnerável a ações e interesses de instituições que tem poder sobre estes pontos de coleta. Os evangelistas sugerem que uma internet descentralizada, onde cada usuário guarda uma parte do conteúdo e o disponibiliza para aqueles que o requerem, é preferencial à forma como a internet é estruturada atualmente.

A criação de uma web descentralizada levanta diversos problemas sociais e de engenharia, muitos dos quais permanecem não resolvidos. Entretanto, muitos pesquisadores de renome decidiram escolher este como seu foco de estudo e ativamente buscam solucionar os problemas que poderão tornar a "internet de todos" possível.

História[editar | editar código-fonte]

A ideia de uma rede descentralizada é tão antiga quanto a própria internet. Em suas primeiras iterações a internet era uma rede descentralizada, permitindo qualquer indivíduo se conectar à rede, acessar e disponibilizar dados anonimamente. Conforme anos passaram, serviços de web hosting começaram a aparecer como uma forma de conveniência. Estes serviços ganharam popularidade rapidamente, por prover hospedagem de dados 24 horas, facilidade de localização e acesso, e capacidade de atender a grande tráfego de dados. Atualmente é de conhecimento publico que a maior parte dos dados online são gerenciados por corporações privadas(muitas delas em solo americano). Tal organização traz uma série de benefícios e desvantagens.

Embora uma internet livre e anônima tenha sido pregada por diversas entidades desde os anos 2000, os esforços diretamente relacionados à descentralização da internet começaram em meados de 2012.

Em Janeiro de 2012, a tentativa do congresso americano de passar dois projetos de lei, PIPA e SOPA, que poderiam severamente afetar os princípios de neutralidade de rede levantaram questões quanto à fragilidade a estrutura atual de controle da internet. Vários provedores de serviço online como Reddit, Wikipédia inglesa, Google e Mozilla desabilitaram ou redirecionaram seus serviços em protesto ao que consideravam uma afronta à liberdade online.

Em Junho de 2013, os arquivos revelados por Edward Snowden levaram á uma série de leaks, trazendo à tona o programa de vigilância PRISM da agencia de inteligencia americano. Os leaks revelaram que a agencia não só vinha coletando dados ilegalmente através de "escutas" na rede, mas também tinha acesso a dados privados de usuários de grandes corporações como Facebook, Microsoft e Google.[2] Tais revelações causaram grande publico interesse em anonimato na rede, assim como uma quebra de confiança com os grandes provedores de serviço do passado.

Em Junho de 2016, o primeiro Descentralized Web Summit, reúne pesquisadores com fins de discutir como trazer uma web descentralizada à realidade.[3]

Tecnologias[editar | editar código-fonte]

Uma série de tecnologias já existentes são capazes de prover anonimato na internet, como Tor, Freenet e mesmo HTTPS. Porém estas tecnologias ainda estão atreladas à rede centralizada. Tentativas de tornar estas redes descentralizadas foram feitas, porém não obtiveram sucesso[4]. Desde 2015, várias tecnologias vem sendo desenvolvidas para criar uma rede descentralizada, ou migrar o conteúdo da rede atual para paradigmas menos centralizados.

Criptomoedas[editar | editar código-fonte]

Criptomoedas foram uma das primeiras tecnologias a serem completamente descentralizadas. Em 2009, a criação da moeda digital Bitcoin marca a primeira moeda digital descentralizada. A moeda é completamente Peer-to-Peer, enquanto que a autenticação de transações é feita por usuários da rede. A rede, infelizmente ainda passava informações sobre transações através de uma rede centralizada. Para solucionar este problema, o primeiro fork da bitcoin, conhecido como Namecoin, passava todas as informações da sua rede, incluindo informações de transações, através da sua blockchain, com intenções de formar um DNS descentralizado, o que a tornaria muito difícil de subjugar. O fato que este foi o primeiro fork feito da bitcoin mostra que desde 2009, já à interesse na criação de uma web descentralizada.

Peer-To-Peer Networks[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2014, o infamo site de torrents The Pirate Bay anuncia seus planos para a criação de uma rede inteiramente P2P. Apesar da grande cobertura da mídia, o projeto aparenta ser abandonado depois das intervenções legais sofridas pelo site em Dezembro de 2014.

Em Dezembro de 2014, a empresa BitTorrent, Inc anuncia o Project Maelstrom, um browser que utiliza sua tecnologia BitTorrent para prover uma navegação na web completamente P2P. Ao usar do browser, páginas populares podem ser disponibilizadas através de torrents, o que significa que uma vez acessadas, todas as paginas podem ser baixadas de outros usuários da rede de forma descentralizada, ignorando serviços de hosting. O browser entra em beta em 10 de Abril de 2016[5].

Em Janeiro de 2015, o código da ZeroNet, uma rede descentralizada é feita disponível através do GitHub[6]. A rede combina as tecnologias de torrent, do BitTorrent, com o conceito de blockchains da bitcoin, criando uma rede completamente descentralizada e desprovida de DNS o hospedeiros de conteúdo. A combinação destas novas tecnologias significa que todo o conteúdo disponível na rede é completamente anônimo, e impossível de censurar, desde que o conteúdo ainda tenha seeders. A rede permanece desconhecida por algum tempo, até que o site de torrents Play é lançado na rede, se entitulando "O site de torrents que é impossível de se tirar do ar"[7]. Após o anúncio, a ZeroNet começou a ganhar popularidade.

Embora o projeto exista desde 2006, em 26 de Fevereiro de 2016, a companhia MaidSafe lança o primeiro teste de sua rede Safe net[8], se propondo a ser uma rede completamente descentralizada, porém não anônima. Para acessar a rede, o usuário precisa apenas criar um nome de usuário, que será usado para identifica-lo por toda a sessão. Está abordagem soluciona alguns problemas de uma rede completamente descentralizada, como o de atribuição de culpa. Através do ano, a companhia continua a incrementar sua rede com novos serviços como e-mail e web-hosting.

Aplicações[editar | editar código-fonte]

Em 30 de Julho de 2015 Etherium foi lançada como uma plataforma para permitir a criação e a distribuição de aplicações completamente distribuídas. A plataforma possui sua própria blockchain chamada Ether, listada como qualquer outra cryptomoeda como ETH. A plataforma provê diversos serviços para a criação de aplicações que fazem uso de sua rede, uma das mais importantes sendo o conceito de Smart Contracts.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «What Is the Decentralized Web? 24 Experts Break it Down - Blog | iSchool@Syracuse». 22 de julho de 2016 
  2. «Secret program gives NSA, FBI backdoor access to Apple, Google, Facebook, Microsoft data». The Verge. 6 de junho de 2013. Consultado em 8 de dezembro de 2016. 
  3. «Decentralized Web Summit: Locking the Web Open». www.decentralizedweb.net. Consultado em 8 de dezembro de 2016. 
  4. Jagerman, Rolf. «The fifteen year struggle of decentralizing privacy-enhancing technology» (PDF). Consultado em 7 de dezembro de 2016. 
  5. «Project Maelstrom Enters Beta». The Official BitTorrent Blog. 10 de abril de 2015. Consultado em 8 de dezembro de 2016. 
  6. «HelloZeroNet/ZeroNet». GitHub. Consultado em 8 de dezembro de 2016. 
  7. «Play: A P2P Distributed Torrent Site That's Impossible to Shut Down - TorrentFreak». TorrentFreak (em inglês). 1 de março de 2016 
  8. «MaidSafe - The New Decentralized Internet». maidsafe.net. Consultado em 8 de dezembro de 2016.