Desencantos

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Desencantos é uma peça teatral breve escrita por Machado de Assis em 1861. O texto é dedicado a Quintino Bocaiúva. Este mesmo, ao ter sua opinião solicitada pelo escritor, disse sobre esta peça e O Caminho da Porta (editadas em conjunto) : "As tuas duas comédias, modeladas ao gosto dos provérbios franceses, não revelam nada mais do que a maravilhosa aptidão do teu espírito, a profusa riqueza do teu estilo"[1]. Mário de Alencar situa a produção teatral de Machado num esforço coletivo de criar um teatro genuinamente nacional que inspirou uma grande produção nas décadas de sessenta e setenta no século XIX[2].

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Clara de Sousa: é uma jovem viúva de um coronel, a quem as duas outras personagens fazem corte. Encontra-se indecisa entra qual seria o melhor dos dois pretendentes . ("Clara – Eu não tomo partido nenhum."[3].)
  • Luís de Melo: jovem apaixonado e idealista, vizinho de Clara, que lhe faz a corte. ("Pedro Alves – Já sei ; pertence à esfera dos sonhadores e dos visionários"[4].)
  • Pedro Alves: homem de meia idade, elegante, mas presunçoso, também vizinho de Clara, também é pretendente da viúva e opõe-se abertamente a Luís ("Luís – Menos isso. Quando dois adversários se medem, as mais das vezes o vencedor é sempre aquele, que à elevada qualidade de tolo reúne uma sofrível dose de presunção.")[5].)

Enredo[editar | editar código-fonte]

Na primeira parte da peça, ambos os vizinhos da viúva Clara fazem-lhe a corte : Luís e Pedro Alves. Pedro Alves, mais experiente que o outro, adianta-se e consegue a mão da mulher. Luís, desiludido, viaja para longe. Retorna na segunda parte, após cinco anos, e presta uma visita ao casal. Após gabar-se de suas viagens pelo Oriente, pede bruscamente a mão da filha do primeiro casamento de Clara, que tem o mesmo nome da mãe. É a sua vingança contra a mulher que amara anteriormente[6].

Influência[editar | editar código-fonte]

Para alguns críticos, o assunto desta peça foi definido por um texto que Machado traduziu e publicou à mesma época, Queda que as mulheres têm para os tolos, do belga Victor Hénaux[7].Neste texto, argumenta-se que os homens inteligentes, ditos homens de espírito, teriam dificuldades de abordar a mulher amada devido à sua timidez natural, enquanto os tolos presunçosos levariam vantagem por causa de sua indiferença e superficialidade naturais. Na peça, Luís faria o papel do homem de espírito, e Pedro Alves, o do tolo.

Referências

  1. Apud ASSIS, Machado de. Teatro Completo. São Paulo : Editora Mério SA, 1961. Pg. 18.
  2. ’’Op. Cit.’’, pg 8
  3. Op. Cit., pg. 42
  4. Op. Cit., pg. 38
  5. Op. Cit., pg. 41
  6. Notícia da peça no site da Academia Brasileira de Letras.
  7. SILVA, Ana C. Suriani da. Texto original, tradução, adaptação ou imitação?. Disponível online no Jornal da Unicamp. Consultado em 24/01/2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Peças de teatro de Machado de Assis

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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