Deserto de Atacama

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Deserto de Atacama
Imagem de satélite do deserto do Atacama.

Imagem de satélite do deserto do Atacama.
Bioma Deserto
Área 105 000 km²
Países  Argentina
 Bolívia
 Chile
 Peru
Parte da América do Sul
Mapa do Atacama. A área geralmente definida como o Atacama está em amarelo. Em laranja estão as áreas áridas circundantes do deserto de Nazca, Altiplano, Puna de Atacama e Norte Chico.

Mapa do Atacama. A área geralmente definida como o Atacama está em amarelo. Em laranja estão as áreas áridas circundantes do deserto de Nazca, Altiplano, Puna de Atacama e Norte Chico.


Deserto de Atacama está localizado na região norte do Chile até a fronteira com o Peru. Com cerca de 1 000 km de extensão, é considerado o deserto mais alto do mundo. É o deserto não polar mais seco do mundo,[1][2][3][4] pois chove raramente na região, em consequência de as correntes marítimas do Oceano Pacífico não conseguirem passar para o deserto, por causa de sua altitude. Assim, quando se evaporam, as nuvens úmidas descarregam seu conteúdo antes de chegar ao deserto, podendo deixá-lo durante épocas sem chuva.

De acordo com estimativas, o deserto de Atacama ocupa 105 mil quilômetros quadrados,[5] ou 128 mil quilômetros quadrados se as encostas inferiores dos Andes forem incluídas.[6] A maior parte do deserto é composta por terreno pedregoso, lagos de sal (salinas) e areia.

As temperaturas no deserto variam entre 0 °C à noite a 40 °C durante o dia. Em função destas condições existem poucas cidades e vilas no deserto; uma delas, muito conhecida, é São Pedro de Atacama, que tem pouco mais de 3 000 habitantes e está a 2 400 metros de altitude. Por ser bem isolada é considerada um oásis no meio do deserto e o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro, mochileiros, fotógrafos, astrônomos, cientistas, pesquisadores, motociclistas e aventureiros, além de possuir uma vida agitada, mesmo depois da meia noite, com bares e restaurantes lotados e pessoas conversando e planejando o dia seguinte.

História[editar | editar código-fonte]

A região foi primeiramente habitada pelos atacamenhos, povo da região juntamente com a civilização dos nativos aymaras, ambos deixaram um legado inestimável em termos arqueológicos, daí o seu nome deserto de Atacama.

Tal riqueza é guardada em importantes museus, salientando-se o Museu de San Miguel de Azapa localizado no Vale de Azapadadeduer distante 12 km de Arica e o Museu Del Padre Le Paige, em São Pedro de Atacama.

Há importantes manifestações de arte rupestre pré-colombianas na região, que é o berço de uma das maiores esculturas de figura humana feita na pré-história, o Gigante do Atacama.

Nas entranhas do deserto também podem-se descobrir ruínas intactas como as Vivendas Circulares de Tulor, que datam do 800 a.C., e as pukaras, fortalezas de defesa em Quitor e Lasana, além do centro administrativo Inca em Catarpe (província de Arica).

Geografia[editar | editar código-fonte]

Relevo[editar | editar código-fonte]

O terreno da região é bastante diversificado tanto no aspecto de altitude como de formação, variando de altitudes quase ao nível do mar até 6 885 metros, como no caso do vulcão Ojos del Salado. Também encontram-se áreas marcadas por erosão, dunas e montanhas. O solo é diversificado, mas é composto basicamente de sal e areia.

Clima[editar | editar código-fonte]

Vista do Vale da Lua, em San Pedro, Chile.
Laguna Verde, no Chile.

Possui clima quente durante o dia e frio à noite, mas ao longo do ano é seco, apresentando variações de temperatura que vão de 0 °C a 40 °C. A falta de chuva nessa região é devida às correntes marinhas do Pacífico. A corrente marinha de Humboldt, deixa o ar muito frio, que ao se chocar com as correntes quentes do Pacífico geram condensação e consequentemente chuva. Porém, até chegar no deserto, as nuvens se descarregam chegando lá já vazias, fazendo com que não chova lá. Já foi registrado como o menor índice pluviométrico do planeta. A Cordilheira dos Andes impede a chegada de ar úmido da Amazônia, pois funciona como uma barreira para a corrente de ar. O Oceano Pacífico seria então o encarregado de umidificar a região do deserto de Atacama mas, por ser uma corrente marítima fria não ocorre evaporação da água sendo que o ar que vai em direção ao deserto é seco.

Flora[editar | editar código-fonte]

É formada basicamente por árvores de pequeno porte, como a Pimienta e o Algarrobo, arbustos como o Chanhar e plantas como a Anhanhuca e a Brea que crescem na sua maioria ao longo dos vales e na região da precordilheira e cactos que crescem principalmente nas serras próximas à costa mais ao sul. Deve-se ressaltar as plantas que crescem, eventualmente apenas, na região em que ocorre o fenômeno do Inverno Florido entre as cidades de Copiapó e Vallenar. O deserto de Atacama em geral apresenta um terreno rochoso muito seco e pouco propicio a brotar algumas plantas. Em alguns lugares próximos à região de Antofagasta existem grandes áreas de deserto absoluto, onde o solo é completamente desprovido de vegetação.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A região, apesar de ser seca e não apresentar um índice pluviométrico relevante, apresenta alguns lagos com água quase todo o ano, servindo de fonte de vida tanto para os habitantes da região quanto para os animais que lá habitam.

Turismo[editar | editar código-fonte]

O deserto do Atacama é muito visado por turistas, para prática do trekking, montanhismo, montaria, off-road, mountain bike, e arqueólogos, devido ao fato da região possuir interessantes artefatos arqueológicos e históricos, além de salinas, gêiseres, vulcões, lagoas coloridas, vales verdejantes e cânions de água cristalina. Também há múmias com mais de 1 000 anos deixadas pelos Chinchorros (antigos habitantes da área).

Panorama do deserto na região do Very Large Telescope, no Chile.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Vesilind, Priit J. (Agosto de 2003). «The Driest Place on Earth». National Geographic Magazine. Consultado em 2 de abril de 2013  (Excerpt)
  2. «Even the Driest Place on Earth Has Water». Extreme Science. Consultado em 2 de abril de 2013 
  3. Mckay, Christopher P. (Maio–Junho de 2002). «Two dry for life: the Atacama Desert and Mars» (PDF). AdAstra: 30–33 
  4. Jonathan Amos (8 de dezembro de 2005). «Chile desert's super-dry history». BBC News. Consultado em 29 de dezembro de 2009 
  5. Wright, John W., ed. (2006). The New York Times Almanac 2007 ed. New York: Penguin Books. 456 páginas. ISBN 978-0-14-303820-7 
  6. Rundel, P. W.; Villagra, P. E.; et al. (2007). «Arid and Semi-Arid Ecosystems». In: Veblen, Thomas T.; Young, Kenneth R.; Orme, Anthony R. Physical Geography of South America. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 158–183 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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