Desnutrição proteico-calórica

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Desnutrição proteico-calórica
A desnutrição está frequentemente associada a guerras, epidemias, desastres climáticos e crises econômicas.
Classificação e recursos externos
CID-10 E40-E44
CID-9 260-263
eMedicine derm/797
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Desnutrição proteico-calórica ou Desnutrição proteico-energética é uma forma de desnutrição caracterizada pelo consumo insuficiente de calorias ou proteínas. Entre os tipos desta doença inclui-se o kwashiorkor (onde é predominante a desnutrição proteica), o marasmo (insuficiência no consumo de calorias) e o kwashiorkor marasmático (insuficiência tanto de proteínas como de calorias).[1] A desnutrição proteico-calórica é relativamente comum à escala mundial, principalmente em crianças, pacientes hospitalizados e idosos, e anualmente é responsável por seis milhões de mortes.[2]

Causas[editar | editar código-fonte]

Além de alimentação insuficiente ou inadequada, a desnutrição pode ser secundária a outras condições como[3]:

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Em maiores de 5 anos os sintomas são[3]:

  • Perda de massa muscular,
  • Perda de gordura subcutânea,
  • Batimento cardíaco lento (bradicardia),
  • Respiração alterada (dispneia),
  • Dificuldade para manter a temperatura corporal,
  • Cicatrização lenta,
  • Anemias,
  • Cansaço constante,
  • Cabelo seco, frágil e esparso,
  • Pele seca, fria e áspera,
  • Vulnerabilidade a infecções,
  • Irritabilidade ou apatia.

Em crianças se somam outros signos:

  • Menor desenvolvimento cognitivo;
  • Menor crescimento;
  • Alteração do metabolismo da gordura (dislipidemia).

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Mortes por desnutrição proteico-calórica por milhão de habitantes em 2012
  0-0
  1-3
  4-6
  7-13
  14-22
  23-38
  39-65
  66-182
  183-313
  314-923

A desnutrição proteico-calórica afeta principalmente crianças, doentes crônicos e idosos em países subdesenvolvidos. A maioria dos casos de desnutrição ocorrem no Sudeste asiático e África subsahariana.

Em países industrializados pode ser resultado de dietas da moda para perda rápida de peso, da ignorância sobre as necessidades dietéticas das crianças, grávidas e lactantes ou por alergia a alimentos, especialmente intolerância a lactose ou doença celíaca.[6]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Dieta líquida ou pastosa é melhor tolerada que sólidos. Crianças podem necessitar de hidratação intravenosa durante 24 horas antes de iniciar a alimentação para evitar o agravamento da diarreia. Em casos graves, pode ser necessário o uso de um tubo de alimentação ou a administração parenteral total administrada por via intravenosa. A re-hidratação deve ser lenta e constante, para evitar colocar demasiada carga sobre o coração e evitar anormalidades hidro-eletrolíticas que causam a irregularidades na frequência cardíacas, edema e fraqueza muscular.[3]

Referências

  1. Franco, V.; Hotta, JK; Jorge, SM; Dos Santos, JE (1999). «Plasma fatty acids in children with grade III protein–energy malnutrition in its different clinical forms: Marasmus, marasmic kwashiorkor, and kwashiorkor». Journal of Tropical Pediatrics. 45 (2): 71–5. PMID 10341499. doi:10.1093/tropej/45.2.71 
  2. "Dietary Reference Intake: The Essential Guide to Nutrient Requirements" published by the Institute of Medicine and available online at http://fnic.nal.usda.gov/dietary-guidance/dietary-reference-intakes/dri-reports
  3. a b c SHARON PERKINS. What Is Protein-Calorie Malnutrition? Set 03, 2015. http://www.livestrong.com/article/388801-what-is-protein-calorie-malnutrition/
  4. Muscaritoli, Maurizio; Molfino, Alessio; Bollea, Maria Rosa; Fanelli, Filippo Rossi (2009). «Malnutrition and wasting in renal disease». Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care. 12 (4): 378–83. PMID 19474712. doi:10.1097/MCO.0b013e32832c7ae1 
  5. Bosaeus, Ingvar (2008). "Nutritional support in multimodal therapy for cancer cachexia". Supportive Care in Cancer. 16 (5): 447–51. doi:10.1007/s00520-007-0388-7. PMID 18196284.
  6. Liu, T; Howard, RM; Mancini, AJ; Weston, WL; Paller, AS; Drolet, BA; Esterly, NB; Levy, ML; et al. (2001). «Kwashiorkor in the United States: Fad diets, perceived and true milk allergy, and nutritional ignorance». Archives of dermatology. 137 (5): 630–6. PMID 11346341