Devarim

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Disambig grey.svg Nota: Se procura a visão tradicional do texto, veja Deuteronômio.
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Devarim Deuteronômio

Devarim (do hebraico דברים Palavras da primeira sentença do texto) é a quinta parte da Torá. Devarim é chamado comumente de Deuteronômio pela tradição ocidental e trata-se praticamente do mesmo livro apesar de algumas diferenças, principalmente no que lida com interpretações religiosas com outras religiões que aceitam o livro de Deuteronômio. Este artigo pretende mostrar as origens do livro e suas implicações dentro principalmente do judaísmo.

Origem do nome do livro[editar | editar código-fonte]

O termo Devarim (Palavras) vem da primeira sentença do livro ( "Elleh ha-devarim" Estas as palavras), e é o costume judaico dividir seus livros e citar como nome do capítulo o nome de sua primeira palavra. O nome Deuteronômio origina-se do nome Deuteronomium dado na Vulgata ,baseado na Septuaginta déuteros nómos (Segunda Lei) baseado em uma interpretação errônea do texto.

Origens do texto[editar | editar código-fonte]

Ainda que a tradição impute a autoria do texto a Moshê, os estudiosos geralmente atribuem a autoria a um período posterior, provavelmente no retorno do Exílio Babilônico onde teria havido uma fusão de diversas lendas mitológicas dos povos do Levante com a cultura judaica.

Os estudiosos crêem que a Torá e subsequentemente Devarim são o resultado de diversas tradições que evoluiram em conjunto através da história do antigo povo de Israel. Alguns estudiosos acreditam que Devarim trata-se do Livro da Lei achado nos tempos do rei Josias.

Texto[editar | editar código-fonte]

Devarim descreve a reunião efetuada por Moshê (Moisés) com o povo judeu após a peregrinação de quarenta anos no ermo. Neste livro Moshê rememora os mandamentos, abençoa o povo, narra os perigos da idolatria e do abandono da Torá. O texto finaliza com a morte de Moshê. O texto é comumente dividido em onze parashot (porções) cuja divisão servem para a leitura semanal do texto nas sinagogas acompanhadas das haftarot.Assim a narrativa de Devarim está dividida em:

Devarim (דברים)[editar | editar código-fonte]

Primeira porção do livro Devarim, a parashá Devarim inicia com os discursos feitos por Moshê nas suas últimas cinco semanas de vida. Esta parashá envolve a recordação dos principais eventos ocorridos com o povo israelita no ermo, assim como suas rebeliões e o encorajamento dado por Moshê ao seu sucessor Yehoshua.

A haftará desta parashá é Isaías 1:1–27.

Wa'ethanan (ואתחנן)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá continua o discurso iniciado por Moshê na parashá anterior ,descrevendo as admoestações dadas por Moshê para que o povo cumpra as palavras da Torá, e que não acrescentem ou retirem nenhum dos mandamentos dela. Moshê prossegue com a descrição dos castigos e penas que o povo de Yisrael sofreria se não guardassem estes mandamentos, mas também descrevendo os benefícios se buscassem teshuvá. A parashá prossegue com mais uma série de mandamentos, incluindo a descrição do primeiro parágrafo do Shemá, que é a profissão de fé até hoje do judaísmo.

A haftará desta parashá é Isaías 40:1–26.

Eqev (עקב)[editar | editar código-fonte]

A parashá Eqev inicia descrevendo o encorajamento dado por Moshê ao povo israelita para que cumpram os mandamentos da Torá e conquistem a terra de Kanaam (Canaã). Moshê recorda os benefícios usufruidos pelo povo no ermo, assim como as transgressões do povo (como no caso do Bezerro de ouro). Moshê mostra como o povo de Yisrael teria a obrigação de ser fiel ao Eterno justamente pelo fato de ter visto todos os benefícios e castigos no ermo. Nesta parashá também é descrita a segunda parte do Shemá.

A haftará desta parashá é Isaías 49:14–51:3.

Re'eh (ראה)[editar | editar código-fonte]

Esta é a maior parashá da Torá, onde Moshê faz uma revisão de grande parte das mitzvot, incluindo os mandamentos relativos a conquista de Kanaam, sobre a idolatria, do cashrute a lei de ma’aser sheni (segundo dízimo), consumido pelos seus ofertantes na cidade de Yirushalayim (Jerusalém). A parashá prossegue com a descrição do mandamento de shemitá e sobre as leis relativas a escravidão entre o povo de Yisrael. A parashá conclui com uma descrição das festas de Pessach, Shavuot e Sucót.

A haftará desta parashá é Isaías 54:11–55:5.

Quando esta parashá coincide com Shabat Machar Chodesh a haftará é 1 Samuel 20:18–42.

Shoftim (שופטים)[editar | editar código-fonte]

A parashá Shoftim inicia com os mandamentos relativos a criação de tribunais e juízes em cada cidade. Prossegue com mandamentos relacionados a reis, assim como oferendas a serem levadas aos cohanim e os mandamentos relativos as profecias. A parashá continua com os mandamentos relativos as cidades-refúgios e os mandamentos relativos aos casos de testemunhas falsas.

A Torá prossegue descrevendo os mandamentos a serem cumpridos quando o povo de Yisrael estiver em guerra. Há a descrição dos mandamentos relativos a algum assassinato em que não se descobre o autor, e a expiação a ser oferecida neste caso.

A haftará desta parashá é Isaías 51:12–52:12.

Ki Teitzei (כי תצא)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá é uma descrição de diversos mandamentos sobre tópicos diversos como sobre mulheres capturadas por Yisrael em batalhas, leis referentes a herança, sobre rebeldia filial, shatnez , difamação de uma mulher casada , a proibição de diversos tipos de casamento, a responsabilidade da fidelidade no pagamento aos empregados, assim como a consideração pelos órfãos e as viúvas.

A haftará desta parashá é Isaías 54:1–10.

Ki Tavo (כי תבוא)[editar | editar código-fonte]

Ki Tavo começa com uma descrição sobre o mandamento a ser cumprido pelos agricultores para que tragam as ofertas anuais dos primeros frutos (bikurim) aos cohanim no Tabernáculo. A parashá prossegue com as contínuas admoestações de Moshê ao povo de Yisrael para que não se apostate, e com o mandamento para que se escreva toda a Torá em doze pedras e se recite as bênçãos e maldições no vale entre os montes Gerizim e Eival que deverão recair sobre aqueles que cumprirem ou descumprirem a Torá respectivamente.

A haftará desta parashá é Isaías 60:1–22.

Nitzavim (ניצבים)[editar | editar código-fonte]

A parashá Nitzavim inicia narrando a última reunião entre Moshê e o povo de Yisrael. Moshê enfatiza a necessidade do afastamento das práticas más das nações idólatras, assim como a simplicidade e acessibilidade da Torá, de modo que esta pode ser praticada por qualquer pessoa. Devido a esta facilidade, a nação de Yisrael não tem como se escusar de cumprir a Torá, tendo de optar entre cumpri-la ou abandoná-la por vontade própria.

A haftará desta parashá é Isaías 61:10–63:9.

Vayelekh (וילך)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá narra a despedida de Moshê do povo israelita . Descreve a lei de hakhel e a instrução dada por Moshê e Yehoshua para que copiem a Torá e a ensinem continuamente ao povo israelita.

A haftará desta parashá é Isaías 55:6–56:8.

Haazinu (האזינו)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá descreve a canção de Moshê que narra os castigos e tragédias que adviriam das rebeliões do povo israelita e de sua redenção com seu retorno ao Eterno. A parashá encerra-se com a ordem de D-us para que Moshê suba ao monte Nebo para visualizar a terra de Kanaam e morrer ali.

A haftará desta parashá é 2 Samuel 22:1–51.

W'Zot HaBerachah (וזאת הברכה)[editar | editar código-fonte]

Esta é a última parashá da Torá e é lida em Simchat Torá. Narra as últimas ações e palavras de Moshê ao povo israelita. Descreve as bênçãos que este dá ao povo israelita, e conclui com a subida do profeta ao monte Nebo onde vem a falecer, nas fronteiras da terra de Kanaam.

A haftará desta parashá é:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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