Diário de Notícias (Portugal)

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Diário de Notícias (Portugal)
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MHB
Periodicidade Diário
Formato Berlinense
Proprietário Global Notícias Publicações, SA
Fundador(es) Eduardo Coelho e Tomás Quintino Antunes
Diretor João Marcelino
Editor Pedro Tadeu
Fundação 1864 (150 anos)
Sede Avenida da Liberdade, 266, 1250-149, Lisboa
Página oficial www.dn.pt/inicio

O Diário de Notícias (DN) é um jornal português de grande tiragem.

Tiragem e proprietário[editar | editar código-fonte]

É um dos jornais matutinos e de referência em Portugal. Tem uma tiragem média de 30 mil exemplares em 2013,[1] o que o coloca em 4.º lugar entre os jornais diários generalistas[2] . Tem a sua sede na Avenida da Liberdade, em Lisboa e é propriedade da Global Notícias, uma empresa do Grupo Controlinveste Media.

Um século e meio de História[editar | editar código-fonte]

Do fundador Eduardo Coelho a Alfredo da Cunha[editar | editar código-fonte]

Fundado em 1864, pelo jornalista e escritor Eduardo Coelho e pelo industrial tipográfico Tomás Quintino Antunes, 1.º Conde S. Marçal, as primeiras três décadas de vida do DN foram marcadas pela direcção do primeiro, que seguiu uma estratégia de implementação e consolidação do jornal praticando um jornalismo moderno, informativo e independente. Eduardo Coelho introduziu dois novos géneros jornalísticos: o editorial e a grande reportagem. Após a morte de Eduardo Coelho, a direcção do jornal e da empresa viria a ser assumida pelo seu genro, o advogado e jornalista Alfredo da Cunha, que passou a encabeçar o grupo dos proprietários - a família Coelho, herdeira também do sócio capitalista Tomás Quintino Antunes, que não deixou descendentes. Alfredo da Cunha procurou impulsionar o jornal, renovando o seu aspecto gráfico e captando colaboradores de qualidade, como os escritores Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e Pinheiro Chagas. Em 1907, durante o governo de João Franco, foi criado um gabinete de exame censório, sendo Alfredo da Cunha alvo de um processo por alegadas ofensas aos poderes públicos.

A primeira direcção de Augusto de Castro[editar | editar código-fonte]

Após o escândalo familiar que envolveu, em fins de 1918, Alfredo da Cunha e a sua mulher Maria Adelaide Coelho da Cunha, primogénita do fundador Eduardo Coelho, o Diário de Notícias foi vendido pela família em 1919 à empresa moageira Companhia Industrial de Portugal e Colónias, passando a constituir uma sociedade anónima (Empresa do Diário de Notícias). Assumiu então a direcção do jornal o advogado, jornalista e ex-político da Monarquia Augusto de Castro, que fora intermediário do negócio e era amigo pessoal de Alfredo da Cunha. Sob a direcção de Augusto de Castro, o Diário de Notícias passou a defender abertamente os interesses da companhia proprietária e abriu-se aos sectores políticos, económicos e militares que sete anos depois, em 1926, iriam instaurar a Ditadura Nacional.

A direcção de Eduardo Schwalbach[editar | editar código-fonte]

Em 22 de Junho de 1924, sendo Teixeira Gomes Presidente da República e Álvaro de Castro Presidente do Ministério, Eduardo Schwalbach substituiu Augusto de Castro, que foi como embaixador para Londres. Em 1928 a Empresa do Diário de Notícias foi convertida na Empresa Nacional de Publicidade - ENP, controlada pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias e pela Caixa Geral de Depósitos. No mesmo ano tinha sido lançado, sob a direcção de José Leitão de Barros, o semanário O Notícias Ilustrado (subtitulado "Edição semanal do Diário de Notícias"), o primeiro periódico a ser impresso em rotogravura em Portugal, que se publicaria até 1935. Nesse período ficaram também célebres as grandes entrevistas de António Ferro com Gabriele d'Annunzio, Mussolini, Primo de Rivera, Salazar e outros estadistas e personalidades europeias. As entrevistas com Salazar, publicadas em sete capítulos pelo Diário de Notícias entre 18 e 24 de Dezembro de 1932, ficaram célebres, contribuindo eficazmente para que o austero "Mago das Finanças" consolidasse uma nova imagem junto do público. As entrevistas foram de imediato reunidas num volume prefaciado por Salazar e editado pela ENP[3] , que depois foi traduzido para francês, inglês, espanhol e italiano.

A longa era Augusto de Castro[editar | editar código-fonte]

Augusto de Castro, que tinha saído da direcção do jornal em 1924, reassumiu-a em 1939 - lugar em que se manteve até 1971 (com excepção do período de 1945-1947, em que foi embaixador de Portugal em Paris), abarcando assim os períodos da Segunda Guerra Mundial e do pós-guerra até à morte de Salazar e primeiros anos do marcelismo. Em 1940, Augusto de Castro, perfeitamente sintonizado com o regime de Salazar, foi o comissário-geral da Exposição do Mundo Português, apoteose propagandística do Estado Novo. No mesmo ano foram inauguradas as novas instalações do jornal, que saiu da Rua do Diário de Notícias, no Bairro Alto, para a actual sede, na Avenida da Liberdade, um edifício de linhas modernas do Arquitecto Pardal Monteiro e decorado com painéis de Almada Negreiros. Foi a primeira obra arquitectónica a ser projectada de raiz para um jornal em Portugal e ganhou o Prémio Valmor (1940). Esta prosperidade tinha contudo um preço em matéria de independência jornalística e política: sob a dupla influência da direcção de Augusto de Castro e do regime de censura prévia imposto a toda a imprensa a partir de 1926, o Diário de Notícias seguiu sempre uma linha de subserviência ao regime, sendo mesmo considerado, entre os diários portugueses de maior tiragem, o que mais fielmente reflectia as orientações governamentais. A 12 de Janeiro de 1965 foi feito membro-honorário da Ordem de Benemerência.[4] A chegada de Marcelo Caetano ao poder, em 1968, não alterou significativamente nem a orientação política do jornal, dirigido por Fernando Fragoso (1971-1974), nem o rigor da censura, a qual só seria desmantelada após o 25 de Abril de 1974.

Os anos quentes[editar | editar código-fonte]

Na sequência da revolução, em Junho de 1974, José Ribeiro dos Santos, próximo do Partido Socialista, assumiria a direcção do Diário de Notícias. Suceder-lhe-ia, na Primavera de 1975, na sequência de agitados plenários de trabalhadores do jornal, a dupla composta por Luís de Barros, como director, e o futuro Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, como director-adjunto. Segundo o testemunho do jornalista Mário Zambujal, "a verdade é que apesar de ser o Luís de Barros o director, era o Saramago que mandava". O nome de Saramago ficou ligado à suspensão de 24 jornalistas por motivos políticos, na sequência de um Conselho Geral de Trabalhadores convocado pelo director-adjunto para deliberar sobre um protesto assinado por 30 jornalistas que discordavam da orientação do jornal.[5] A orientação ideológica do jornal era então definida nestes termos por Saramago: "Este jornal não se pode, de futuro, limitar a ser uma folha de registos de ocorrências mas há-de tornar-se no veículo das informações que o povo precisa". Os acontecimentos político-militares de 25 de Novembro de 1975 puseram um termo a esta orientação, próxima do Partido Comunista Português. O Diário de Notícias foi suspenso e a sua direcção afastada, reabrindo um mês depois, com os jornalistas Vítor Cunha Rego como director e Mário Mesquita como adjunto.

Empresa pública[editar | editar código-fonte]

O jornal, que tinha sido nacionalizado após a revolução, só regressaria à posse de privados em 1991. Propriedade do Estado, o jornal afirmou nesses anos a sua filosofia de serviço público, garantindo o pluralismo das opiniões e uma relativa independência face aos poderes políticos. Em 1976, a Empresa Nacional de Publicidade aliou-se à Sociedade Gráfica de A Capital, dando origem à Empresa Pública Notícias Capital - EPNC. O socialista João Gomes substituiu então Cunha Rego na direcção do jornal. Em 1978, Mário Mesquita assumiu a direcção do Diário de Notícias. Profissionais experientes e jovens jornalistas integraram a redacção do jornal, entre os quais Dinis de Abreu, Mário Bettencourt Resendes, Helena Marques e Antónia de Sousa. Ideias e métodos novos refrescaram um jornal envelhecido e protocolar.

Reprivatização[editar | editar código-fonte]

Em 1991, sob o governo de Cavaco Silva e no quadro da sua política de liberalização da comunicação social, deu-se a reprivatização da EPNC, a empresa pública a que pertencia o Diário de Notícias. Os títulos do grupo foram adquiridos por cerca de 42 milhões de euros pelo consórcio da Lusomundo, liderado pelo tenente-coronel Luís Silva, que também adquiriu na mesma altura o Jornal de Notícias do Porto. Em 2005, enfim, o Grupo Controlinveste adquiriu a Lusomundo Serviços, que entretanto havia sido comprada pela PT Multimédia do grupo Portugal Telecom em 2000.

Uma longa história[editar | editar código-fonte]

Na sua já longa história, iniciada no período da Regeneração, o Diário de Notícias noticiou a queda da Monarquia e a implantação da República, a Grande Guerra, o golpe militar de 28 de Maio de 1926 e o advento do Estado Novo, a Segunda Guerra Mundial, o 25 de Abril de 1974 e a conturbada transição democrática, a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia e á União Europeia. Tendo conhecido já três séculos diferentes, o jornal seguiu, nas suas diversas fases, políticas editoriais e gestões muito diversificadas e conheceu vários proprietários, incluindo empresas públicas e privadas. Actualmente, pertence à Global Notícias, uma empresa do Grupo Controlinveste Media, sendo o seu director João Marcelino[6] .

Personalidades ligadas ao Diário de Notícias[editar | editar código-fonte]

Foram muitos e importantes os intelectuais que contribuíram para a história do Diário de Notícias. Escritores de renome colaboraram no DN no século XIX, como os acima referidos Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e Pinheiro Chagas, além do poeta Cesário Verde, que se estreou com poesias publicadas neste jornal em 1873. Também Joaquim de Seabra Pessoa, pai de Fernando Pessoa, foi colaborador do jornal, destacando-se as suas críticas musicais.

Nomes relevantes nas letras e também na história do DN foram os directores Alfredo da Cunha, Augusto de Castro e Eduardo Schwalbach, bem como o repórter internacional António Ferro, celebrizado pelas suas entrevistas com numerosas celebridades europeias dos anos 20 e 30. Mais tarde, José Saramago foi director-adjunto durante o Verão Quente de 1975.

Alfredo de Mesquita, Eduardo de Noronha, Rocha Martins, João Ameal, os artistas Stuart Carvalhais e Alfredo Roque Gameiro, Fernanda de Castro, o crítico João Gaspar Simões, Herberto Helder, Luís Pacheco, José António Saraiva, Maria Teresa Horta, Maria Alberta Menéres, Alice Vieira, Vasco Pulido Valente, Mário de Carvalho foram outros colaboradores, em diferentes épocas.

Galeria do Diário de Notícias[editar | editar código-fonte]

Em 1957 o Diário de Notícias abriu, em articulação com a sua livraria, uma sala de exposições no Chiado, Lisboa. Até 1964 sob a direção de Faria de Carvalho, a Galeria do Diário de Notícias ajudou ao longo desses anos a mitigar a escassez de espaços expositivos na cidade de Lisboa realizando exposições de relevo. Segundo José Augusto França, este foi o "período de mais acertada atividade" da galeria, que seria depois reorientada.[7]

Entre muitos outros, expuseram na Galeria do Diário de Notícias: Eurico Gonçalves (1958); Carlos Botelho (1958); João Vieira (1959); Francisco Relógio (1960); Manuel Baptista (1961); Júlio Pomar (1962 e 1963); Alice Jorge (1963); Rocha de Sousa (1967); etc.

Secções, cadernos e suplementos[editar | editar código-fonte]

  • Secções:
    • Actual
    • DN Tema
    • País
    • Política
    • Opinião
    • Globo
    • Segurança
    • Sport
    • Cidades
    • Vida
    • Media
    • Especial
    • Ciência
    • Iniciativas
  • Cadernos:
    • Caderno 1.º Caderno (ou simplesmente Diário de Notícias ou DN);
    • Caderno DN Classificados (ou Classificados DN);
  • Suplementos periódicos:
    • Suplemento Dinheiro Vivo (semanal, ao Sábado);
    • Suplemento QI (semanal, ao Sábado);
    • Suplemento Notícias TV ou NTV (semanal, à Sexta-Feira);
    • Suplemento Notícias Magazine ou NM (semanal, ao Domingo);
    • Suplemento DN Verão (diário, no período de Verão)
  • Cadernos e Suplementos que já não existem (actualmente):
    • Caderno DN Negócios (que mudou de nome para DN Bolsa e tornou-se suplemento);
    • Suplemento DNA;
    • Suplemento ;
    • Suplemento DN Televisão (semanal, à Sexta-Feira).
    • Suplemento Notícias Sábado ou NS (semanal, ao Sábado);
    • Suplemento DN Bolsa (semanal, à Sexta-Feira);
    • Suplemento DN Gente (semanal, ao Sábado);
    • Suplemento DN Jovem (semanal, à Terça-Feira);

Online[editar | editar código-fonte]

O Diário de Notícias, nas suas versões digitais, é um projecto reconhecido e premiado.

A «Favourite Website Awards» (FWA), um dos mais importantes galardões na Internet atribuído a projectos tecnológicos state of the art inspiradores e capazes de abrir novas perspectivas a gerações futuras, conferiu, a 18 de Junho de 2011, o prémio de «FWA Mobile Of The Day (MOTD) Award» ao DN Mobile e o DN para iPhone/iPod e iPad.[8]

O jornal Meios e Publicidade atribuiu, a 20 de Abril de 2010, à edição online do Diário de Notícias - DN.pt - o prémio de melhor site de informação em projecto de design, levado a cabo pela "This is Pacifica", pela qualidade estética aliada ao interface que deixa transparecer novas funcionalidades e meios que potenciam a noticia e a sua percepção.

O DN.pt dispunha, em Setembro de 2011, das seguintes secções de conteúdos, de consulta aberta e gratuita a todos os utilizadores:

Na Internet, o Diário de Notícias tem a edição impressa totalmente disponível para subscrição paga em E-Paper, incluindo suplementos. O Diário de Notícias está igualmente presente nas redes sociais Facebook e Twitter, assim como nos dispositivos móveis, nomeadamente para:

Referências

  1. APCT Analise, recuperado 31 de Março de 2014
  2. APCT 2013, clicar: Informações gerais
  3. António Ferro, Salazar - O Homem e a sua Obra, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1933
  4. http://www.ordens.presidencia.pt/
  5. Carla Aguiar, "O director que marcou o Verão Quente de 1975", Diário de Notícias, 19 de Junho de 2010.
  6. "O Diário Mais Antigo: Diário de Notícias tem 140 anos de história" texto de Jorge Martins e Joana Pinheiro.
  7. França, José AugustoA Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 481, 596.
  8. The FWA -Diário de Noticias (inglês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]