Dia Internacional da Mulher

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Dia Internacional da Mulher
Poster alemão de 1914 em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, conclama o direito ao voto feminino.
Outro(s) nome(s) Dia da Mulher
Tipo Internacional
Seguido por África do Sul, Albânia Angola, Argélia, Argentina, Arménia, Azerbaijão, Bangladesh, Bélgica, Bielorrússia, Butão, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Bulgária, Burkina Faso, Camboja, Camarões, Chile, China, Colômbia, Croácia, Cuba, Chipre, Equador, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Dinamarca, Finlândia, Geórgia, Grécia, Holanda, Hungria, Ilha de Formosa, Índia, Itália, Islândia, Israel, Laos, Letónia, Lituânia, Cazaquistão, Kosovo, Quirguistão, Macedónia, Malta, México, Moldávia, Mongólia, Montenegro, Nepal, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, Sérvia, Suécia, Síria, Tadjiquistão, Turquia, Turquemenistão, Ucrânia, Uzbequistão, Vietname, Zâmbia
Data 8 de Março
Observações Relembra as lutas sociais, políticas e econômicas das mulheres.

O Dia Internacional da Mulher é celebrado em [ 08 de março]].

A ideia de criar o Dia da Mulher surgiu no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos[1] e na Europa, no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito de voto. Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas por direitos das mulheres trabalhadoras.[2][3]

As celebrações do Dia Internacional da Mulher ocorreram a partir de 1909 em diferentes dias de fevereiro e março, a depender do país.[4] A primeira celebração se deu em 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, seguida de manifestações e marchas em outros países europeus nos anos seguintes, usualmente durante a semana de comemorações da Comuna de Paris, ao final de março. As manifestações uniam o movimento socialista, que lutava por igualdade de direitos econômicos, sociais e trabalhistas, ao movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos.

No início de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, precipitando o início da Revolução de 1917.[5][1] A data da principal manifestação, 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), foi instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista.

Na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.[6]

História[editar | editar código-fonte]

A criação do Dia Internacional da Mulher dá-se no início do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, ao operariado.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América, em memória de uma greve, realizada no ano anterior, que mobilizou as operárias na indústria do vestuário de Nova York contra as más condições de trabalho.[6]

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada a proposta, apresentada pela socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um Dia Internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.[7][6][8] No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.[7]

Copenhague, 1910. VIII Congresso da Internacional Socialista: na frente, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.

Poucos dias depois, a 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores - a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001.

Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle tenha sido incorporada ao imaginário coletivo, de modo que esse episódio tem sido, desde a década de 1950, erroneamente considerado como a origem do Dia Internacional da Mulher.[4][9] Segundo Liliane Kandel e Françoise Picq, em 1955, num artigo do jornal L'Humanité, surgiu o mito de que a data teria como origem a celebração da luta e da greve de mulheres trabalhadoras do setor têxtil de Nova York, em 1857 - as quais teriam sido duramente reprimidas pela polícia ou mortas em um incêndio criminoso na fábrica, conforme as diferentes versões do mito. Não há indícios de que isso tenha ocorrido e, segundo as autoras, tais versões parecem ter sido criadas pela Union des Femmes Françaises, que pretendia tornar a comemoração uma espécie de dia das mães, totalmente desprovida de qualquer sentido de luta feminina, tal qual se tornara na URSS e nos países do bloco comunista.[10][4][11]

Em 1915, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Christiania (atual Oslo), contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher.

Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução Russa de 1917: em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trótski assim registrou o evento:

“Em 23 de fevereiro [8 de março no calendário gregoriano] estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.[11]
Berlim Oriental, Unter den Linden, (1951). Retratos de líderes da Internationalen Demokratischen Frauen-Föderation (IDFF), na 41ª edição do Dia Internacional da Mulher.

Após a Revolução de Outubro, Alexandra Kollontai persuadiu Lenin a torná-lo um dia oficial. Durante o período soviético, a data permaneceria como de celebração da "heroica mulher trabalhadora".

Após 1945, nos países do chamado bloco comunista, a data continuou a ser um feriado comemorado. Na antiga União Soviética, durante o stalinismo, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda partidária. Também era amplamente celebrado nos países do bloco socialista na Europa Ocidental. No entanto, o feriado rapidamente perdeu sua vertente política, tornando-se uma ocasião em que os homens manifestavam simpatia ou amor pelas mulheres - um equivalente das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores, pelos homens às mulheres.

Na Tchecoslováquia, por exemplo, a celebração era apoiada pelo Partido Comunista. O MDŽ (Mezinárodní den žen, "Dia Internacional da Mulher" em checo) era então usado como instrumento de propaganda, visando convencer as mulheres de que o partido realmente levava em consideração as necessidades femininas ao formular políticas sociais. A celebração ritualística no Dia Internacional da Mulher tornou-se estereotipada. Assim, a cada dia 8 de março, as mulheres recebiam uma flor ou um pequeno presente do chefe. A data foi gradualmente ganhando um caráter de paródia e acabou sendo ridicularizada até mesmo no cinema e na televisão, e o propósito original da celebração perdeu-se completamente. Após o colapso da União Soviética, o MDŽ foi rapidamente abandonado como mais um símbolo do antigo regime. O dia permanece como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldávia e Ucrânia.

Protesto do grupo feminista FEMEN contra a exploração sexual das mulheres ucranianas, em
8 de março de 2010.

No resto do Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960. Desde a década de 1970, a data tem sido destacada na mídia internacional e a ONU continuou a dinamizá-la, como em 2008, com o lançamento da campanha “As Mulheres Fazem a Notícia”, destinada a estimular a igualdade de gênero na comunicação social mundial.[12] Na atualidade, porém, considera-se que a celebração do Dia Internacional da Mulher tem seu sentido original parcialmente diluído, adquirindo frequentemente um caráter festivo e comercial, como o hábito de empregadores de distribuir rosas vermelhas ou pequenos mimos entre suas empregadas, ação esta que não evoca o espírito das operárias grevistas do 8 de março de 1917.[11]


Referências

  1. a b International Womens Day, 8th March. The University of Queensland, Australia.
  2. Vásquez Díaz, René (29 de abril de 2007). «Copenhague, contracultura e repressão». Biblioteca Diplô. Consultado em 11 de março de 2017. Em 26 de agosto de 1910, uma conferência internacional de mulheres socialistas tilintou no local, na ocasião em que Clara Zetkin lançou a idéia de criar um Dia Internacional da Mulher. 
  3. Kollontai, Alexandra (1920). «A Militant Celebration» [Uma Celebração Militante] (em inglês). Moscou: Marxists Internet Archive. Consultado em 11 de março de 2017. In 1910, at the Second International Conference of Working Women, Clara Zetkin brought forward the question of organizing an International Working Women’s Day. 
  4. a b c Kaplan, Temma (1985). «On the Socialist Origins of International Women's Day» [Das Origens Socialistas do Dia Internacional da Mulher]. Feminist Studies (em inglês). Vol. 11 (nº 1): 163–171. doi:10.2307/3180144. Consultado em 11 de março de 2017 
  5. «International Women's Day timeline journey». International Women's Day. Consultado em 11 de março de 2017. On the last Sunday of February, Russian women began a strike for "bread and peace" in response to the death of over 2 million Russian soldiers in World War 1. Opposed by political leaders, the women continued to strike until four days later the Czar was forced to abdicate and the provisional Government granted women the right to vote. 
  6. a b c «History of International Women's Day - History of the Day» (em inglês). United Nations. Consultado em 9 de março de 2017 
  7. a b Alterman Blay, Eva (8 de março de 2010). «8 de março: As mulheres faziam parte das "classes perigosas"». Carta Maior. Consultado em 11 de março de 2017 
  8. Schulte, Elizabeth (8 de março de 2011). «A woman's place is in the revolution» [O lugar da mulher é na revolução] (em inglês). Socialist Worker. Consultado em 11 de março de 2017. Inspired by these brave struggles in the U.S., Clara Zetkin called on attendees at the International Conference of Working Women in 1910 to support an International Women's Day celebration and a platform for socialists that put forward both political and economic demands for women workers. 
  9. M. F. Caldeira, Cinderela (Março de 2001). «Dia Internacional da Mulher». Universidade de São Paulo. Revista Espaço Aberto (nº 6). Consultado em 11 de março de 2017. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da comemoração do Dia Internacional da Mulher. 
  10. Ferrarini, Hélène (6 de março de 2014). «8 mars: Quand la journée des femmes était une fête des mères communiste et antiféministe» [8 de março: quando o dia das mulheres se tornou um dia das mães comunista e anti-feminista]. Slate (em francês). Consultado em 11 de março de 2017. Françoise Picq conclut finalement à une tension interne au mouvement communiste, entre la CGT et l'UFF, l'Union des Femmes Françaises. Il semblerait que «Madeleine Colin voulait réancrer le 8 mars dans l'histoire des luttes ouvrières. Alors que l'UFF en avait fait une espèce de fête des mères, comme en URSS». A l'Est, la journée n'est plus vraiment ce que l'on pourrait appeler une journée de lutte. 
  11. a b c Kubík Mano, Maria. «Conquistas na luta e no luto». História Viva. Consultado em 9 de março de 2017 
  12. Koichïro Matsuura (2002). «As Mulheres e o Quarto Poder». De Mãos Dadas com a Mulher: A UNESCO como agente promotor da igualdade entre gêneros (PDF) (Relatório). Brasília: UNESCO. p. 18. 57 páginas. Consultado em 9 de março de 2017. Recentemente, o Diretor Geral da UNESCO, Sr. Koichiro Matsuura, lançou um apelo internacional intitulado 'As Mulheres Fazem a Notícia', através do qual demonstra o desejo da UNESCO de que, no Dia Internacional da Mulher, as jornalistas assumam os cargos de chefia nos jornais, revistas e emissoras de rádio e de televisão. 


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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