Dia das bruxas

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Dia das bruxas
Jack-o'-Lantern 2003-10-31.jpg
Coca iluminada.
Nome oficial Halloween
Outro(s) nome(s) Halloween
Tipo Secular
Seguido por Mundial
Data 31 de Outubro
Início Amanhecer do dia 31 de Outubro
Término Meia-noite do dia 31 de Outubro

Dia das Bruxas (Halloween é o nome original na língua inglesa e pronuncia-se: Reino Unido /hæləʊˈiːn/ ; Estados Unidos/hæloʊˈiːn/[1] ) é uma celebração observada em vários países, principalmente no mundo anglófono, em 31 de outubro, véspera da festa cristã ocidental do Dia de Todos os Santos. Ela começa com a vigília de três dias do Allhallowtide,[2] o tempo do ano litúrgico dedicado a lembrar os mortos, incluindo santos (hallows), mártires e todos os fiéis falecidos.[3][4][5]

Acredita-se que muitas das tradições do Halloween originaram-se do antigo festival celta da colheita, o Samhain, e que esta festividade gaélica foi cristianizada pela Igreja primitiva.[5] O Samhain e outras festas também podem ter tido raízes pagãs.[6][7] Alguns, no entanto, apoiam a visão de que o Halloween começou independentemente do Samhain e tem raízes cristãs.[5][8][9]

Entre as atividades de Halloween mais comuns, estão festas a fantasia, praticar "doce ou travessura", decorar a casa, fazer lanternas de abóbora, fogueiras, jogos de adivinhação, ir em atrações "assombradas", contar histórias assustadoras e assistir filmes de terror. Em muitas partes do mundo, as vigílias religiosas cristãs de Halloween, como frequentar os cultos da igreja e acender velas nos túmulos dos mortos, permanecem populares,[10][11] embora em outros lugares é seja uma celebração mais comercial e secular.[12] Alguns cristãos historicamente se abstém de carne no Dia das Bruxas.[13]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O primeiro registro do termo "Halloween" é de cerca de 1745.[14] É uma contracção do termo escocês All Hallows' Eve, que significa véspera [do Dia de] Todos os Santos, data comemorativa do calendário cristão.[15] Embora existam várias teorias sobre a origem, a mais difundida aponta para o festival celta Samhain, celebrado na Irlanda, Escócia e Ilha de Man.[16][17].

História[editar | editar código-fonte]

Um cartão comemorativo do Halloween.

A origem do Halloween traz às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcas das diferenças em relação às atuais abóboras ou da muita famosa frase "doces ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o Halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão").

A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:

Origem pagã[editar | editar código-fonte]

A origem pagã do "dia das bruxas" tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos e à deusa YuuByeol (símbolo antigo da perfeição celta). A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou unindo a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo.

Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhan eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de outono e o solstício de inverno, no hemisfério norte). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam ao ano novo celta.

A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. As festas eram presididas pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem católica[editar | editar código-fonte]

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos", a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1 de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente.

Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra atual "Halloween".

Atualmente[editar | editar código-fonte]

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Decoração típica do Dia das bruxas.
Crianças com fantasias no dia das bruxas na Suécia.

Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um carácter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.

Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos "disfarces", muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra e a peste bubônica dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte.

Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém). Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar.

Na Idade Média, um costume do Dia de Finados era o souling (de "soul", alma), em que crianças iam pedindo pelas portas um bolo, o "bolo das almas", em troca do qual fazia uma oração pelos familiares falecidos de quem lhes dava o bolo[18]. Essa tradição poderá ter evoluído para a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, "doce ou travessura"), que teve possivelmente origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500-1700).

Nesse período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público. Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados. Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I. O plano, conhecido como Gunpowder Plot ("Conspiração da pólvora"), era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. A trama foi descoberta em 5 de novembro de 1605, quando um católico converso chamado Guy Fawkes foi apanhado guardando pólvora na sua casa, tendo sido enforcado logo em seguida.

Em pouco tempo a data converteu se numa grande festa na Inglaterra (que perdura até hoje): muitos protestantes a celebravam usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo-lhes: trick or treat (doce ou travessuras). Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses.

Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa, onde hoje, por colonização cultural dos Estados Unidos, aparece o Halloween enquanto desaparecem as tradições locais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Oxford Advanced Learner's Dictionary
  2. «Tudor Hallowtide». National Trust for Places of Historic Interest or Natural Beauty. 2012. «Hallowtide covers the three days – 31 October (All-Hallows Eve or Hallowe'en), 1 November (All Saints) and 2 November (All Souls).» 
  3. Hughes, Rebekkah (29 October 2014). «Happy Hallowe'en Surrey!» (PDF). The Stag University of Surrey [S.l.] p. 1. Consultado em 31 de outubro de 2015. 
  4. Don't Know Much About Mythology: Everything You Need to Know About the Greatest Stories in Human History but Never Learned (Davis), HarperCollins, page 231
  5. a b c «BBC – Religions – Christianity: All Hallows' Eve». British Broadcasting Corporation (BBC). 2010. Consultado em 1 de novembro de 2011. 
  6. Smith, Bonnie G. (2004). Women's History in Global Perspective University of Illinois Press [S.l.] p. 66. ISBN 9780252029318. 
  7. Roberts, Brian K. (1987). The Making of the English Village: A Study in Historical Geography Longman Scientific & Technical [S.l.] ISBN 9780582301436. 
  8. Mosteller, Angie (11 Outubro 2012). «Is Halloween Pagan in Origin?» Crosswalk [S.l.] 
  9. Bolinius, Erich (31 Outubro 2006). «Halloween» (em German) FDP Emden [S.l.] 
  10. Skog, Jason (2008). Teens in Finland Capstone [S.l.] p. 31. ISBN 9780756534059. 
  11. «All Hallows Eve Service» (PDF). Duke University. 31 Outubro 2012. Consultado em 31 Maio 2014. 
  12. Hynes, Mary Ellen (1993). Companion to the Calendar Liturgy Training Publications [S.l.] p. 160. ISBN 9781568540115. «In most of Europe, Halloween is strictly a religious event. Sometimes in North America the church's traditions are lost or confused.» 
  13. All Hallows' Eve (Diana Swift), Anglican Journal
  14. «Online Etymology Dictionary: Halloween». Etymonline.com. Consultado em 13 October 2013. 
  15. Online etymology dictionary
  16. A Pocket Guide To Superstitions Of The British Isles (Publisher: Penguin Books Ltd; Reprint edition: 4 November 2004) ISBN 0-14-051549-6
  17. All Hallows' Eve BBC. Retrieved 31 October 2011.
  18. Como Tudo Funciona

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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