Diagrama de Nolan

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O Diagrama de Nolan, com o espectro linear tradicional na diagonal pontilhada

O Diagrama de Nolan ou Gráfico de Nolan é um diagrama político criado pelo psicólogo Bob Altemeyer, sob influência das ideias do sociólogo Theodor W. Adorno e popularizado e modificado pelo austro-libertário norte-americano David Nolan, em 1969.[1] O diagrama divide as orientações políticas humanas em dois vetores - liberdades econômicas e liberdades individuais - para produzir um plano cartesiano. Ele o criou para ilustrar a alegação de que o libertarianismo defende tanto as liberdades econômicas quanto as liberdades individuais, num contraste visual tanto com a esquerda quanto com a direita. De acordo com Nolan, a esquerda defende apenas as liberdades individuais, enquanto a direita conservadora defende apenas as liberdades econômicas.[2]

Diferentemente da separação tradicional esquerda-direita e outras taxonomias políticas, o Diagrama de Nolan na sua forma original tem duas dimensões, com um eixo X horizontal chamado de "liberdade econômica" e um eixo Y vertical chamado "liberdade individual".[3] Ele lembra um quadrado dividido em quatro quadrantes, com cada amostra da população atribuída a um dos quadrantes. Algumas versões apresentam um quinto quadrante central, em forma de losango, para indicar uma posição centrista.[4]

Muitas variações do Diagrama de Nolan foram criadas, com algumas girando o gráfico 45 graus no sentido anti-horário para fazer com que a representação tradicional de esquerda-direita fique numa linha horizontal, conforme o espectro político tradicional.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

David Nolan publicou a versão atual do diagrama num artigo chamado "The Case for a Libertarian Political Party" na edição de agosto de 1971 da revista The Individualist, publicação mensal da Sociedade Internacional para a Liberdade Individual International Society for Individual Liberty (ISIL). Em dezembro de 1971, Nolan participou da fundação do grupo que se tornaria o Partido Libertário dos EUA.[5]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Fora da comunidade libertária, tal diagrama é desconsiderado e não aceito. Brian Patrick Mitchell cita ao menos três razões para isso:[6]

  • A estrita separação da política social e econômica na qual o diagrama se baseou não se sustenta. Na política de imigração, por exemplo, tanto questões socioculturais quanto econômicas estão em jogo.[7]
  • A visão de que a direita pode ser definida por sua aceitação da intervenção do Estado na esfera doméstica ("pouca liberdade pessoal") e a esquerda por sua rejeição é falsa. Nos EUA, e também em outros países, a direita explicitamente se opõe ao controle de armas, enquanto a esquerda defende.
  • A definição libertarianista de liberdade como liberdade negativa não é aceita no geral, tornando o gráfico tendencioso. Especialmente a esquerda tende a enfatizar noções de liberdade positiva (por exemplo, a liberdade de querer) como fundamentais para a complexa definição de liberdade.

Críticas semelhantes, e feitas por uma perspectiva libertarianista, são feitas por Jacob Huebert, que acrescenta que a separação entre liberdade pessoal e econômica é insustentável quando se considera os direitos de prostituição e de comércio ilegal de drogas: adotar qualquer profissão é uma decisão pessoal e também econômica.[8] Além disso, Huebert observa que não está claro onde se encontra, no gráfico de Nolan, a oposição libertarianista à guerra.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Altemeyer, Bob (1981). Right-Wing Authoritarianism. Winnipeg: University of Manitoba Press. ISBN 0-88755-124-6 
  2. Claborn, David; Tobias, Lindsey. «If You Can't Join 'Em, Don't : Untangling Attitudes on Social, Economic and Foreign Issues by Graphing Them». Olivet Nazarene University 
  3. Christie, Stuart; Meltzer, Albert (1970). The Floodgates of Anarchy (em inglês). Londres: Kahn & Averill. p. 73 
  4. «Nolan Chart». The Libertarian Alternative Public Access TV Show (em inglês). 25 de outubro de 2021. Consultado em 27 de outubro de 2021 
  5. «David Nolan – Libertarian Celebrity». Advocates for Self Government. Cópia arquivada em 16 de junho de 2008 
  6. Brian Patrick Mitchell (2007). Eight Ways to Run the Country: A New and Revealing Look at Left and Right. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. p. 7. ISBN 978-0-275-99358-0 
  7. Friedersdorf, Conor (4 de março de 2014). «How Immigration Can Restrict and Enhance Liberty». The Atlantic (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2021 
  8. Dufton, Emily (28 de março de 2012). «The War on Drugs: Should It Be Your Right to Use Narcotics?». The Atlantic (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2021 
  9. H., Huebert, Jacob (2010). Libertarianism today. Santa Barbara, Calif.: Praeger. pp. 22–24. ISBN 9780313377556. OCLC 655885097 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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