Dialeto da serra amazônica
1 - Caipira
2 - Costa norte
3 - Baiano
4 - Fluminense
5 - Gaúcho
6 - Mineiro
7 - Nordestino
8 - Nortista
9 - Paulistano
10 - Sertanejo
11 - Sulista
12 - Florianopolitano
13 - Carioca
14 - Brasiliense
15 - Serra amazônica
16 - Recifense
O dialeto da serra amazônica[1], ou como as vezes é chamado, dialeto do arco do desflorestamento, é um dialeto do português brasileiro. É erroneamente considerado com o parte da amazofonia (dialeto nortista).[2][3]
Conhecido na sua região geográfica como "sotaque dos migrantes",[4] não é um dialeto coeso, justamente por sua peculiaridade de formação. Sua característica marcante é a forte pronúncia do "s", de forma semelhante ao paulista, e outras peculiaridades.[5] Diferencia-se do dialeto tradicional amazônida e nordestino, por ter uma pronuncia e vocalização mais próxima do caipira e do sertanejo.[2]
Esse dialeto existe no sudeste do Pará,[6] sudoeste do Maranhão, norte do Mato Grosso, em Rondônia e no atual Tocantins desde meados da década de 1970, quando houve uma imigração desordenada de nordestinos, goianos, sudestinos e sulistas para a região, atraídos pelas ofertas de terras baratas e acessíveis em abundância.[7]
Léxico[editar | editar código-fonte]
Segue algumas palavras e expressões e o significado delas:[8]
| Dialeto da serra amazônica | Significado |
|---|---|
| Broco | Sem equilíbrio |
| Cê | Você |
| Pão de sal | Pão francês |
| Lapada, panada | Pancada ou batida muito forte |
| Grafite | Lapiseira |
| Ponta de grafite | Grafite |
| Catiroba | Pessoa mal-cuidada consigo mesma |
| Inãn! | Expressão de negação, usado no lugar "ah não!" |
| Mérmã, mermão | Redução e junção de "minha irmã/meu irmão" |
| Estribado, buiado |
Que tem muito dinheiro |
| Azeite | Óleo de coco |
| Ó | Expressão para afirmar ou chamar atenção para algo |
| Beijú | Tapioca |
| Geladinha | Sacolé, chope, din-din |
| Gongo, matipó | Diplópode, Bicho-do-coco |
| Apelar | Perder a paciência rapidamente |
| Prego | Indivíduo inconveniente, indivíduo que aprende com muita dificuldade |
| Milho da pipoca, bicho da pipoca, mí-dibuiado (milho debulhado) |
Algo muito bom, legal |
| Patinha | Regador de plantas |
| Fólio | Folia, alegria |
| Muringa, moringa | Recipiente de armazenar água, Cantil |
| Rabeta | Pequena embarcação motorizada |
| Enfastiado | Sem fome, cansado |
| Pila | Ladrão, assaltante |
| Melado, mé | Cachaça |
| Cobrão | Alguém que dorme muito |
Referências
- ↑ 10º Encontro Norte-Nordeste de estudantes de Pedagogia. Paper sobre as características do Pará e da cidade de Cametá. Fevereiro de 2012
- ↑ a b SILVA, Idelma Santiago da (2006). Fronteiras Culturais: alteridades de migrantes nordestinos e sulistas na região de Marabá (Marechal Cândido Rondon: Revista Espaço Plural - Unioeste).
- ↑ SAGHIE, Najla Fouad (org.) (2010). Variedades da Língua Portuguesa no Brasil (Brasília: Centro Universitário Unieuro).
- ↑ «Cultura Amazônica». XPG-UOL.
- ↑ «Fala NORTE». Fala UNASP - Centro Universitário Adventista de São Paulo.
- ↑ BATISTA, Marcos dos Reis. «Considerações acerca do intercultural no ensino do Português Brasileiro para falantes de outras línguas: Por Que e Para Quê?» (PDF). Faculdade Pan Americana.
- ↑ «O que é Amazônia?». Associação de Defesa do Meio Ambiente Araucária (AMAR). Consultado em 27 de dezembro de 2011.
- ↑ ATZINGEN, Noé von (2004). Vocabulário regional de Marabá Fundação Casa da Cultura de Marabá [S.l.] p. 127.