Diamantina

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Diamantina
  Município do Brasil  
Montagem de fotos da cidade de Diamantina; Do alto, em vista horário: Vista do Centro Histórico de Diamantina; Vista da cidade a partir do Cruzeiro; Catedral Metropolitana de Diamantina; Vista áerea do Residencial Jardim Imperial; Rua Macau do Meio e Antiga Estação Ferroviária de Diamantina.
Montagem de fotos da cidade de Diamantina; Do alto, em vista horário: Vista do Centro Histórico de Diamantina; Vista da cidade a partir do Cruzeiro; Catedral Metropolitana de Diamantina; Vista áerea do Residencial Jardim Imperial; Rua Macau do Meio e Antiga Estação Ferroviária de Diamantina.
Símbolos
Bandeira de Diamantina
Bandeira
Brasão de armas de Diamantina
Brasão de armas
Hino
Gentílico diamantinense[1]
Localização
Localização de Diamantina em Minas Gerais
Localização de Diamantina em Minas Gerais
Diamantina está localizado em: Brasil
Diamantina
Localização de Diamantina no Brasil
Mapa de Diamantina
Coordenadas 18° 14' 56" S 43° 36' O
País Brasil
Unidade federativa Minas Gerais
Municípios limítrofes Bocaiuva, Carbonita, Senador Modestino Gonçalves, Couto de Magalhães de Minas, Serro, Datas, Gouveia, Monjolos, Augusto de Lima, Buenópolis, e Olhos-d'Água[1]
Distância até a capital 292[2] km
História
Fundação 1713 (309 anos)
Emancipação 6 de março de 1831 (191 anos)
Administração
Prefeito(a) Juscelino Brasiliano Roque (DEM, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [4] 3 869,830 km²
População total (estimativa IBGE/2018[5]) 47 617 hab.
Densidade 12,3 hab./km²
Clima Tropical de Altitude ((Cwb))
Altitude 1280 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 39100-000 a 39119-999[3]
Indicadores
IDH (PNUD/2010[6]) 0,716 alto
PIB (IBGE/2008[7]) R$ 276 234,844 mil
PIB per capita (IBGE/2010[7]) R$ 5 977,56
Sítio www.diamantina.mg.gov.br (Prefeitura)
camaradiamantina.cam.mg.gov.br (Câmara)

Diamantina é um município brasileiro do estado de Minas Gerais localizado na Região Geográfica Intermediária de Teófilo Otoni. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2018, era de 47 617 habitantes.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Período pré-colonial[editar | editar código-fonte]

As datações mais recuadas em sítios arqueológicos na região de Diamantina foram obtidas a partir de vegetais carbonizados, encontrados em fogueiras localizadas em grutas próximos a córregos da bacia do rio São Francisco. No sítio Lapa do Caboclo foram obtidas duas datas (10.560 Antes do Presente e 10.380 Antes do Presente), enquanto no sítio Lapa do Peixe Gordo, uma datação de 10.210 AP foi gerada em uma fogueira a cerca de 30 centímetros de profundidade.[8][9][10] Assim, Diamantina apresenta datações praticamente contemporâneas às observadas em sítios arqueológicos da região de Lagoa Santa, onde foram encontrados Luzia e outros remanescentes ósseos humanos, além de diversos materiais arqueológicos relacionados ao povoamento humano das Américas em fins do Pleistoceno.[11][12]

Além dos restos de alimentos e de fogueiras, nos sítios arqueológicos mais antigos também foram encontrados antigos instrumentos feitos em pedra, quase sempre utilizando como matéria-prima o quartzo ou o quartzito. Feitos a partir de lascamento de pedaços dessas rochas, alguns desses instrumentos formavam antigas pontas de projétil, percutores e vários tipos de lâminas.[13] Ferramentas feitas a partir de madeira e ossos de animais, apesar de provavelmente frequentes entre esses grupos humanos, não foram encontrados nos sítios devido aos processos de decomposição desses materiais.

Outro indício da presença humana pré-colonial em Diamantina são as pinturas e grafismos rupestres, identificados em dezenas de grutas e abrigos de caverna ao longo da Serra do Espinhaço. Apesar de conhecidas desde meados do século XIX, quando foram citadas em um romance escrito por Joaquim Felício dos Santos em 1868, jurista natural de Serro, só foram objeto de estudo arqueológico a partir da década de 1970. Muitas das pinturas e gravuras rupestres encontradas foram feitas com pigmentos vermelhos e, em menor medida, amarelos, brancos e pretos, representando cervídeos e peixes. Embora menos frequentes, algumas das grutas também contam com pinturas antropomórficas.[14][15][16]

Entre 1200 e 680 anos Antes do Presente, um outro processo de ocupação ocorreu na região de Diamantina. Também identificados nas grutas e abrigos de caverna, esses sítios contam com diversos instrumentos feitos em pedra, restos de alimentação e sepultamentos humanos de grupos indígenas agricultores. Ao contrário de ocupações contemporâneas identificadas em outras regiões de Minas Gerais, não foram encontrados vasilhas ou fragmentos de cerâmicas nos sítios arqueológicos dessas populações.[16][17] Dos 90 sítios arqueológicos já identificados em Diamantina, 72 correspondem ao período pré-colonial. Além disso, em outros 10 sítios arqueológicos foram identificados testemunhos materiais de ocupações pré-coloniais e históricas, o que indica que as centenas de grutas e abrigos seguiram servindo de acampamentos provisórios para garimpeiros, caçadores e coletores de sempre-vivas em tempos recentes.[17] Em outro sítio arqueológico, batizado de “Lapa da Contagem 1”, antigos vestígios de garimpeiros foram encontrados por arqueólogos em 2017, lembrança do período em que as serras de Diamantina foram exploradas intensamente por brasileiros e portugueses em busca de ouro e diamantes.[18]

Antes da chegada dos colonizadores portugueses, no século XVI, o território que atualmente constitui o estado de Minas Gerais era habitado por grupos indígenas etnicamente diversos. Na região do Vale do Jequitinhonha e áreas próximas, há o registro de etnias como Kaposo (Copoxós), Panyame (Panhames), Malali (Malales) e Monoxó, com fontes indicando sua presença ainda na primeira metade do século XIX.[19][20] Contudo, o processo de colonização portuguesa na região fez com que boa parte dos nomes das populações que habitavam o centro-norte de Minas Gerais não chegasse até os dias atuais, tendo em vista as mortes causadas por doenças e guerras contra os indígenas.[21][22] Populações falantes de idiomas tupi-guarani também foram descritas pelos portugueses como habitantes dos arredores do Jequitinhonha, como os Abaetés e Caetés. Além disso, há registro da presença de grupos relacionados ao tronco linguístico Macro-Jê, como os Kayapós, Kariris e Xakriabás.[23]

Um dos poucos relatos remanescentes do início da colonização foi escrito em 1555 pelo padre jesuíta João de Azpilcuelta Navarro, no qual este menciona a presença de “Tapuzas”, “Tamoyas” e “Cathiguzús” no que viria a ser o nordeste mineiro.[24] Esses nomes se assemelham aos termos genéricos "Tapuias", "Tamoios" e "Cataguases", bastante utilizados em documentos históricos posteriores para se referir às populações indígenas que habitavam o sudeste do Brasil. Partindo de Porto Seguro, Navarro alcançou a cabeceira do Jequitinhonha junto de uma expedição de reconhecimento de território, a qual também tinha por objetivo encontrar jazidas de metais preciosos. Por conseguinte, o relato também descreve conflitos travados contra “índios ferozes” ao longo dos três meses de duração da viagem, assim como algumas rápidas descrições de rituais religiosos.

A fundação do arraial do Tejuco e a exploração dos diamantes[editar | editar código-fonte]

A origem do arraial do Tejuco remonta ao processo de expansão colonial contínuo sobre os sertões do vale do Jequitinhonha.[25] Com a descoberta de ouro na confluência dos rios Pururuca e Grande, no início do século XVIII, a região onde hoje está Diamantina começou a atrair garimpeiros, levando a fundação do arraial em 1713. Nesse primeiro momento do povoado, há registro da construção de uma capela em homenagem ao padroeiro, Santo Antônio, nas encostas da Serra da Lapa.[26] Segundo consta, o nome do arraial viria do tupi tyîuka, "água podre", Tejuco e Ybyty'ro'y (palavra tupi que significa "montanha fria", pela junção de ybytyra ("montanha") e ro'y ("frio").[27] Outra interpretação do nome escolhido para o arraial confirma a origem tupi, significando “barro escuro” ou pântano”.[26]

Durante as buscas por veios de ouro nos morros e vales ao norte da comarca de Serro Frio, alguns garimpeiros encontraram jazidas de diamantes. Inicialmente exploradas de forma clandestina, inclusive por oficiais da Coroa de Portugal, somente em 1729 a existência de minas de diamantes foi oficialmente reconhecida.[28] Assim, alguns documentos do período atribuem ao português Bernardo da Fonseca Lobo a descoberta de diamantes em suas datas de mineração e, a partir de então, o arraial se tornou uma das mais desejadas áreas de garimpo da Capitania de Minas Gerais.[28][29]

O controle administrativo tão intenso sobre a chamada Demarcação Diamantina não se deu logo de início, todavia. Entre 1729 e 1734, a exploração das jazidas de diamantes era permitida à particulares, mediante a cobrança de uma taxa de capitação sobre cada escravo utilizado pelos mineradores.[30] Movidos pelos lucros do comércio diamantífero, a exploração particular colocou diamantes em demasia no mercado internacional, provocando uma queda significativa no seu preço. Esse contexto de instabilidade, além do risco real de prejuízo em virtude do contrabando, contribuiu para que Dom João V ordenasse a proibição total da mineração de diamantes em 1731, situação posteriormente revertida no ano seguinte.[29]

Em 1734, a primeira tentativa lusitana de estabelecer um controle maior e mais efetivo sobre a extração, através da demarcação do Distrito Diamantino (abarcando não só Tejuco, mas também os arraiais de Gouveia, São Gonçalo, Milho Verde, Rio Manso, entre outros) e da criação da Intendência dos Diamantes.[30][31] Como forma de organizar a exploração e o comércio de diamantes, a partir de 1740 tem início o regime de contrato de extração, terceirizando a uma companhia particular a atividade.[30] Apesar de algumas fontes indicarem o início desse sistema já em 1738,[29] a primeira arrematação das minas em licitação teria ocorrido só em 10 de junho de 1739.[30] Com duração de quatro anos, os contratos previam que toda a organização do trabalho ficaria a cargo dos contratantes, cabendo à Intendência dos Diamantes a fiscalização e repressão ao contrabando.[31] O regime de contratos durou até 1771, quando um decreto determinou a criação da Junta da Administração Diamantina do Tejuco.[30] A partir de então, toda a extração de diamantes ficaria por conta da Fazenda Real: a partir de agora, somente a Coroa de Portugal poderia extrair e venda essa mercadoria.[32] Implementado pelo Marquês de Pombal, o decreto também criava uma série de regulamentos rígidos para o Distrito Diamantino, todos reunidos no célebre Livro da Capa Verde.[28]

Como forma de manter o domínio total da Coroa sobre o território da Intendência dos Diamantes, o arraial do Tejuco permaneceu como uma simples capela filial ligada à Vila do Príncipe (atual Serro) até 1819, quando foi elevada à condição de sede paroquial e distrito municipal. Permanecia assim o Intendente como única autoridade local, evitando possíveis rivalidades com autoridades eclesiásticas.[25] Apesar do aparato fiscalizador repressivo estabelecido pela Coroa Portuguesa, o arraial de Tejuco refletia a importância econômica da mineração de diamantes, sendo frequentes as menções em documentações da época a respeito da riqueza e sofisticação das elites locais. Entre os anos de 1750 e 1775, o arraial do Tejuco tinha 884 moradores livres, além de cerca de 500 casas distribuídas por 19 ruas e 7 becos. Algumas décadas depois, já no século XIX, já contava com 800 casas (ou fogos, nos documentos da época) e 6.000 habitantes.[26] Assim, na virada do século XVIII para o XIX, apesar de não ser uma vila ou município independente, o arraial do Tejuco era a terceira maior povoação da Capitania de Minas Gerais, atrás da capital Vila Rica, hoje Ouro Preto, e com população semelhante à da próspera São João del-Rei.

Durante o século XVIII, a cidade ficou famosa por ter abrigado Chica da Silva, escrava alforriada que era esposa de um dos homens mais rico do Brasil Colonial, o contratador dos diamantes João Fernandes de Oliveira.[26] Em consequência da demanda por mão-de-obra nas lavras de diamantes, o arraial do Tejuco se tornou um polo importador de africanos escravizados. Em pesquisa arqueológica recente, motivada pela reforma da Casa de Chica da Silva, foram evidenciadas cerca de 30 mil peças arqueológicas do início do século XIX, dentre as quais diversos fragmentos de cachimbos cerâmicos, tratando-se de um exemplo claro da influência material africana e afro-brasileira no cotidiano da antiga Tejuco.[33] Entretanto, apesar do mito em torno da figura de Chica da Silva ocasionalmente servir como “prova” de uma convivência amistosa e harmônica entre diferentes grupos sociais e raciais, não se deve perder de vista a brutalidade do cotidiano ao qual a população cativa era submetida nas lavras de diamantes.

Consequentemente, assim como em outras regiões do Brasil, muitos africanos e afro-brasileiros que escapavam do cativeiro durante os séculos XVIII e XIX formaram comunidades rurais longe das áreas de mineração, aproveitando os morros e grutas da Serra do Espinhaço para se protegerem.[34] De acordo com os bancos de dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vestígios arqueológicos de antigos quilombos foram encontrados nos sítios “Cemitério da Comunidade Quilombola do Quartel do Indaiá”, “Quilombo da Serra Luanda”, “Lapa do Quilombo do Roçado”, “Quilombo do Roçado”, “Quilombo do Sobradinho”, “Quilombo da Cabaça” e “Quilombo do Guinda”. Por sua vez, segundo a Fundação Cultural Palmares, em Diamantina há três comunidades quilombolas reconhecidas oficialmente (Mata dos Crioulos, Vargem do Inhaí e Quartel do Indaiá), todas formadas durante o período da mineração de diamantes.[34][35]

Emancipação do arraial do Tejuco e crise dos diamantes[editar | editar código-fonte]

Com o declínio da extração diamantífera ao longo da primeira metade do século XIX, ocorreu uma gradual alteração da produção econômica regional, assim como em outras regiões minerárias da agora Província de Minas Gerais. Ao longo dos anos, a produção agropecuária que surgiu no entorno de Tejuco para abastecer sua população eventualmente tornou-se a principal atividade econômica. O famoso viajante francês Auguste de Saint-Hilaire chegou a visitar o arraial do Tejuco em 1816, descrevendo de forma elogiosa a limpeza e tamanho de suas ruas, o bom estado de manutenção das casas, os ornamentos das muitas igrejas existentes na localidade e até a qualidade dos artigos vendidos nas lojas.[26]

Em 1819, o arraial de Tejuco foi elevada à condição de distrito da vila do Príncipe. Para além de simples mudanças nas administrações política e eclesiástica, estas decisões são também reflexo da diminuição do poder dos Intendentes.[26][29] Assim, apesar de contar com uma população maior que a Vila do Príncipe desde meados do século XVIII, a emancipação de Diamantina ocorreu somente em 1831, através de Decreto datado de 13 de outubro daquele ano.[29] Nesse mesmo ano, o antigo arraial passou a se chamar Diamantina, fazendo referência à atividade econômica que fez surgir a localidade.[26] Ainda assim, o desmonte definitivo da tão temida Intendência dos Diamantes só ocorreu em 1832, após muitas reivindicações oficiais da população.[31][29] Em 1838, Diamantina foi elevada à condição de cidade, reflexo da posição de destaque conquistado pelo antigo arraial no norte do estado de Minas Gerais. Na segunda metade do século XIX, Diamantina recebeu o apelido de “Atenas do Norte” de sua própria elite intelectual e econômica, fazendo referência ao papel da imprensa e literatura entre os diamantinenses dos Oitocentos, característica também notada por Auguste de Saint-Hilaire em 1816.[36] A vida em Diamantina no final do século XIX foi retratada por Alice Brant no seu livro Minha Vida de Menina, que se tornou um marco da literatura brasileira após ter sido redescoberto por Elizabeth Bishop.

Em razão do crescimento populacional de seus numerosos distritos, a configuração administrativa do município de Diamantina foi sendo paulatinamente alterada ao longo do século XX.[29] É o caso dos antigos distritos de Monjolos, Datas, Couto de Magalhães de Minas, Senador Modestino Gonçalves, entre outros, todos elevados à condição de municípios na década de 1960. Tal crescimento se deve em parte ao desenvolvimento das malhas ferroviária e rodoviária regionais, contribuindo para a facilitação do escoamento de suas produções agrícola e pecuária.

Em 1938, Diamantina comemorou seus cem anos de elevação à categoria de cidade, recebendo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional o título de "patrimônio histórico nacional". Com a chegada de Juscelino Kubitschek ao governo do estado e posteriormente à Presidência da República são feitas muitas melhorias em Diamantina, como a fundação da Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina, do Hotel Tijuco, da Escola Estadual Júlia Kubitschek e da Praça de Esportes de Diamantina. No ano de 1999, foi elevada à categoria de "patrimônio da humanidade" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.[37]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município localiza-se na Região Geográfica Intermediária de Teófilo Otoni, estando a sede a 285 km de distância por rodovia da capital Belo Horizonte. A cidade está situada a uma altitude média de 1.280 m, emoldurada pela Serra dos Cristais, na região do Alto Jequitinhonha. O município é banhado pelo rio Jequitinhonha e vários de seus afluentes, como o Ribeirão das Pedras e o Ribeirão do Inferno. A porção sudoeste do município é banhada por subafluentes do rio São Francisco, como o Rio Pardo Pequeno.[38] Diamantina é o município mais populoso do Vale do Jequitinhonha.

Clima[editar | editar código-fonte]

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1962, 1972 a 1984, 1987 a 1988 e a partir de 1990, a menor temperatura registrada em Diamantina foi de 2,8 °C em 31 de julho de 1972,[39] e a maior atingiu 35,8 °C em 8 de outubro de 1987.[40] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 186,2 milímetros (mm) em 27 de março de 1995. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram 167,9 mm em 18 de janeiro de 1991, 134,8 mm em 4 de abril de 1987, 133,6 mm em 21 de janeiro de 1993, 132 mm em 28 de janeiro de 2013, 129,6 mm em 13 de janeiro de 1978, 128 mm em 25 de janeiro de 2020, 122,6 mm em 28 de outubro de 1973, 121 mm em 30 de outubro de 2009, 112,6 mm em 24 de outubro de 2003, 107,7 mm em 27 de janeiro de 1977, 103,2 mm em 12 de fevereiro de 2004, 101,1 mm em 21 de janeiro de 2000 e 100,6 mm em 20 de março de 1994.[41] Janeiro de 1991, com 683,7 mm, foi o mês de maior precipitação.[42]

Dados climatológicos para Diamantina
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 32,7 31,6 31 30,2 28,8 29,8 29,2 30,5 33,1 35,8 33,6 31,8 35,8
Temperatura máxima média (°C) 25,8 26 25,6 24,6 23 21,9 21,4 22,9 24,5 25,5 24,5 24,9 24,2
Temperatura média compensada (°C) 20,6 20,6 20,3 19,3 17,4 16,1 15,7 16,8 18,4 19,7 19,6 20 18,7
Temperatura mínima média (°C) 16,8 16,7 16,6 15,6 13,6 11,9 11,3 11,8 13,6 15,3 15,9 16,5 14,6
Temperatura mínima recorde (°C) 11 11,1 11,8 9,4 5,6 4,6 2,8 6,2 6,7 8 9,6 9,9 2,8
Precipitação (mm) 236,7 142,7 185 76,6 22,9 6,3 4,7 13,2 33,1 118,5 232,7 302,9 1 375,3
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 13 11 12 7 3 1 1 2 4 9 15 18 96
Umidade relativa compensada (%) 78,5 76,1 79,5 78,7 77,1 74,8 71,6 68,2 67,9 69,4 79,1 81,6 75,2
Horas de sol 183,7 176,5 182,9 190,5 208,4 190,9 226,3 239,2 195 181,6 147,5 149,8 2 272,3
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[43] recordes de temperatura:
01/01/1961 a 25/10/1962, 16/02/1972 a 02/12/1981, 01/01/1987 a 31/12/1988 e 01/01/1990-presente)[39][40]

Relevo[editar | editar código-fonte]

Localizada no alto da Serra do Espinhaço, a mais antiga formação rochosa do Brasil, Diamantina está cercada por belas formações rochosas.

Apresenta Planalto irregular, com poucas áreas planas, o que favorece o surgimento de belas cachoeiras e o auto teor de minério.

A topografia de Diamantina é predominantemente montanhosa, conforme se caracteriza a seguir.

Índice Topográfico[44]
%
Plano 20%
Ondulado 20%
Montanhoso 60%

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Em razão do terreno irregular, os cursos d´águas formam pequenas e grandes quedas d´águas e piscinas naturais de grande interesse turístico,entre as quais se destacam o Rio Jequitinhonha, o Ribeirão das Pedras e o Ribeirão do Inferno.

Os mais bonitos e cristalinos rios, ficam no Parque Estadual do Biribirí, na qual se destatacam grandes cachoeiras, como a Cachoeira da Sentinela e Cachoeira dos Cristais.

Parque e biodiversidade[editar | editar código-fonte]

Cachoeira da Sentinela, no Parque Estadual do Biribirí.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A Vegetação nativa é a caatinga arbórea ou herbácea. Também existe alguns vestígios de Cerrado na região, representada por árvores de baixo porte e tortuosas. Considerando que na região em algumas áreas há uma grande fixação de água.[45]

Parque Estadual do Biribiri[editar | editar código-fonte]

Cachoeira da Sentinela[editar | editar código-fonte]

Possui as águas mais cristalinas do Parque, formando poços ideais para banho, ao desaguar seu córrego forma pequenas cascatas.[46]

Cachoeira dos Cristais[editar | editar código-fonte]

Formada por três quedas, tem uma história curiosa: no século XIX, sua forma foi modificada. O curso do rio que dá origem à cachoeira, foi desviado por garimpeiros, a fim de facilitarem seus trabalhos de extração.[46]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Os dados do Censo de 2010[47] puderam constatar que Diamantina detinha então uma população total de 45.884, sendo que a população urbana era de 40.062 (87,31% do total) e a rural de 5.822. Homens somavam 22.251 (48,49% do total) e mulheres eram ao todo 23.633 (51,51%). A Densidade demográfica era de 10,8 hab./km² enquanto a mortalidade infantil (por mil) foi de 32,8. A Expectativa de vida girava em torno de 68,7 anos de idade, Taxa de fecundidade (filhos por mulher) era de 2,6 e a Taxa de Alfabetização atingiu 83,4%, estes fatores contribuíram para um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,748 (IDH-M Renda: 0,752, IDH-M Longevidade: 0,765, IDH-M Educação: 0,812) (Fonte: PNUD/2000)

Religião[editar | editar código-fonte]

Distribuíção Religiosa de Diamantina[48]
Religião Adeptos
Igreja Católica 37.831
Igreja Evangélica ou Protestante 5.729
Denominações Espíritas 684

Desenvolvimento Humano - IDH[editar | editar código-fonte]

Sobrado Histótico que desabou, na Rua Padre Bartolomeu Sipólis

Apesar de estar encrustada no Vale do Jequitinhonha, Diamantina é hoje a 3ª cidade com maior custo de vida para se morar em Minas Gerais, tal custo de vida é puxado pelo turismo.[49]

Índice de Desenvolvimento Humano[50]
2000 2010
IDH-M Renda 0,635 0,693
IDH-M Longevidade 0,747 0,839
IDH-M Educação 0,460 0,632

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

O perfil da economia da cidade mudou muito rápido devido à forte expansão da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri no fim da primeira década de 2000, que acabou por se tornar o motor da economia do município, possuindo 26 cursos de graduação, 23 cursos de pós graduação e cerca de 1200 servidores[51] e 12000 alunos. A sociedade diamantinense, até certo ponto tradicional, ainda encontra dificuldades em se adaptar à nova dinâmica imposta pela chegada de uma população jovem e com diminutas “raízes” com as tradições locais.[52]

Entretanto, a economia de Diamantina ainda está muito ligada ao turismo, a maior parte do intenso fluxo turístico focado na arquitetura e importância histórica, o município possui um rico e variado ecossistema em seu entorno, com cachoeiras, trilhas seculares e uma enorme área de mata nativa, que teve a felicidade de ser protegida com a criação de Parques Estaduais.[53] A cidade é um dos destinos da Estrada Real, um dos roteiros culturais e turísticos mais ricos do Brasil, e faz parte do circuito turístico dos Diamantes.[54]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Panorama de Diamantina.

Apesar do grande número de turistas, a infraestrutura para receber visitantes é considerada inferior à de Ouro Preto, a primeira cidade no estado a ser reconhecida pela Unesco, e na capital de Minas, Belo Horizonte. Um grande gargalo é o trânsito, contando com uma frota local crescente e chegada de muitos carros nos fins de semana.[37] Diamantina é também conhecida por suas serestas e pela vesperata, que é um evento em que os músicos se apresentam à noite, ao ar livre, das janelas e sacadas de velhos casarões, enquanto o público assiste das ruas. Um dos grandes impulsos turísticos de Diamantina é o famoso Parque Estadual do Biribiri, com suas águas cristalinas e cachoeiras, entre elas se destaca a Cachoeira das Fadas e a Cachoeira do Telésforo, localizadas no distrito de Conselheiro Mata. Um grande marco histórico e turístico da cidade é o Centro Histórico de Diamantina, que guarda grandes lembranças do tempo colonial, em destaques por seus grandes e belos casarões e igrejas coloniais que retratam um pouco do Século XVIII. A cidade ainda se localiza no Vale da Serra do Espinhaço, propício para turismo de Diamantina. As paisagens exuberantes do vale podem ser observadas pela Trilha Verde da Maria Fumaça, uma trilha ecológica voltada para o ciclismo, oriunda de um antigo leito ferroviário do extinto Ramal de Diamantina da Estrada de Ferro Central do Brasil e que liga o município às cidades de Santo Hipólito e Corinto, passando pelo distrito de Conselheiro Mata e pelas cidades vizinhas de Gouveia e Monjolos.[55][56]

Pix.gif Centro Histórico de Diamantina *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Centro Histórico de Diamantina
País  Brasil
Critérios ii, iv
Referência 890 en fr es
Região** Brasil
Coordenadas 18º14'S 43º36'W
Histórico de inscrição
Inscrição 1997  (21.ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Diamantina tem vários pontos turísticos:

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Aeroporto Juscelino Kubitschek[editar | editar código-fonte]

Sendo um dos aeroportos mais altos do Brasil, sendo superado apenas pelo Aeroporto de Monte Verde em Camanducaia (MG), e pelo Aeroporto de São Joaquim em São Joaquim (SC). Anteriormente a única companhia aérea que operava no Aeroporto era a TRIP Linhas Aéreas, que mais tarde veio a ser comprada pela Azul Linhas Aéreas e pouco tempo depois parou de operar.

O acesso ao Aeroporto se dá pela rodovia BR-367, estando apenas 4 km de Diamantina.[58]

Atualmente o projeto Voe Minas, oferece voos diretos entre Diamantina e Belo Horizonte.

Terminal Rodoviário de Diamantina[editar | editar código-fonte]

Situada em frente ao prédio da Antiga Estação Ferroviária, a Rodoviária de Diamantina oferece viagens estaduais (em sua grande maioria) e interestaduais operadas pelas empresas Pássaro Verde, Gontijo e Transnorte, cujas linhas ligam o município à cidades como Belo Horizonte, Curvelo, Araçuaí, Capelinha, Montes Claros, Serro e São Paulo, em diferentes horários durante o dia.

Está localizada no Largo Dom João, no Centro de Diamantina.[59]

Educação[editar | editar código-fonte]

Índice de Educação[60]
Índice 2000 2010
IDH-M Educação 0,812 0,632

UFVJM[editar | editar código-fonte]

Em Setembro de 1953, visando desenvolver a região, Juscelino Kubitschek funda a Faculdade de Odontologia de Diamantina, desenhada por Oscar Niemeyer, na época uma promessa da Arquitetura, a Faculdade de Odontologia daria origem o que hoje é a UFVJM.

No dia 17 de Dezembro de 1960, foi transformada em Faculdade Federal de Odontologia (Fafeod), e no dia 4 de Outubro de 2002, tornou-se Faculdades Federais Integradas de Diamantina (Fafeid).[61]

Atualmente a Universidade conta com cerca de mais de 80 cursos e mais de 10.00 estudantes dos cursos de graduação presenciais e á distância.

UEMG - Diamantina[editar | editar código-fonte]

A unidade é uma das que compõe a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), abrigando o ensino, a pesquisa e a expansão na área do Direito.[62]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Santa Casa de Caridade de Diamantina[editar | editar código-fonte]

Santa Casa de Diamantina.

A Santa Casa de Caridade de Diamantina foi fundada em 23 de Maio de 1790, pelo Ermitão José Manoel Jesus Fortes, e é uma instituíção de caráter filantrópico e sem fins lucrativos.Localizada no centro da cidade, cumpre seu papel assistencial e se consolida como referência macrorregional de média e alta complexidade.[63]

Hospital Nossa Senhora da Saúde - HNSS[editar | editar código-fonte]

A Irmandade de Nossa Senhora da Saúde foi criada em 9 de Abril de 1901, a pedido de D. Querunbina Augusta Moreira, esposa do Capitão Antônio Moreira da Costa, o Barão de Paraúna. Ao falecer, ela, sem filhos pede seu marido, que parte de sua fortuna ''fosse empregada principalmente em socorrer a pobreza enferma e desamparada''.[64]

Atualmente funciona como hospital, totalmente equipado com médicos e com atendimento público.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Estátua de Juscelino Kubitschek, natural de Diamantina e construtor de Brasília

Diamantinenses ilustres[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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