Dias da semana

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Os nomes dos dias da semana na maioria dos idiomas derivam dos nomes dos planetas clássicos na astrologia helenística. Na antiguidade clássica, as Sete Luminárias sagradas são os sete objetos não fixos visíveis no céu: a Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. A palavra planeta vem da palavra grega πλανήτης, planētēs "planeta" (abreviação de asteres planetai "estrelas errantes"), expressando o fato de que esses objetos se movem através da esfera celestial em relação às estrelas fixas. Esse sistema de nominata de planetas foi introduzido no Império Romano durante a Antiguidade tardia, associado a alguns deuses olímpicos. Em algumas outras línguas, os dias da semana são nomeados conforme as divindades correspondentes da cultura regional.

A língua portuguesa e a língua galega são as únicas línguas românicas em que foi substituído o nome dos planetas pelos numerais. Em 563 d.C, dom Martinho de Dume, bispo católico romano de Braga, entendeu que na Semana Santa, a época do ano mais sagrada para os católicos, devido a Paixão de Cristo, seria uma blasfêmia chamar os dias pelos seus nomes pagãos.[1] Escreveu ele:

Pois os infiéis irritaram Deus e não acreditam de todo o coração na fé de Cristo, mas são incrédulos que colocam os próprios nomes dos demônios em cada dia da semana e assim eles falam do dia de Marte, de Mercúrio, de Júpiter, de Vênus e de Saturno, [demônios] que nunca criaram um dia sequer, mas como eram homens malvados e perversos entre a raça dos gregos [nominaram os dias assim].[2]

Considerando isso, Dom Martinho propôs que durante a Semana Santa, que à época da Idade Média era inteiramente consagrada ao descanso, ao culto católico e às orações, os dias fossem chamados feria (literalmente: dia livre) e ordenados numericamente, conforme a liturgia católica.[3] Conforme o Missal Romano, assim passaram a serem os dias:

Latim I Latim II Significado Latim litúrgico I Latim litúrgico II Tradução
dies solis solis dies dia do Sol [dies] Dominicus Dies Domini Dia do Senhor
dies lunae lunae dies dia da Lua secunda feria feria secunda Segundo dia de descanso
dies martis martis dies dia de Marte tertia feria feria tertia Terceiro dia de descanso
dies mercurii mercurii dies dia de Mercúrio quarta feria feria quarta Quarto dia de descanso
dies iovis iovis dies dia de Júpiter quinta feria feria quinta Quinto dia de descanso
dies veneris veneris dies dia de Vênus sexta feria feria sexta Sexto dia de descanso
dies saturni saturni dies dia de Saturno Sabbath Sabatum Descanso

O Sabbatum era originado diretamente do hebreu Shabbat, de conotação religiosa, em uma época em que os hebreus formavam um só povo e uma só cultura.

O dia Shabbat era o dia de descanso dos israelitas que por essa razão afluíam com mais frequência à sinagoga, hoje é o sábado, último dia de seu calendário semanal, sendo este o dia de descanso para os judeus. Durante a Reforma do Calendário Romano sob Constantino I - substituiu-se o nome de Dies Saturni que significa "Dia de Saturno" - forma como os pagãos se referiam ao sábado - para Sabatum introduzindo devido à influência cristã o dia de Sábado no calendário ocidental.

A Tradição Apostólica fixa o dia de descanso dos cristãos no domingo, em homenagem à ressurreição de Cristo.[4] Em 325 d.C., as orientações decididas no Primeiro Concílio de Niceia, confirmam a Tradição Apostólica, e durante a Reforma do Calendário Romano substituiu-se o nome de Solis Dies, que significa Dia do Sol - forma como os pagãos se referiam ao domingo - para Dominicus Dies (ou Dies Dominicum, Dies Dominica, Dies Domini), que, em português, significa Dia do Senhor, tendo evoluído para domingo.

O dia de domingo também conhecido como Prima Feria era o dia em que os cristãos se reuniam para fazer sua reunião de culto em memória à Ressurreição de Jesus, dia de descanso para os cristãos.

O português e o galego é a única língua europeia em que os dias da semana não estão associados a astros, embora estivessem antes da modificação do bispo Martinho de Dume.

Nomes antigos[editar | editar código-fonte]

Primeira referência escrita conhecida à Segunda-feira, na Igreja de São Vicente, Braga, datada de 618

Na nomenclatura pagã, cada dia era dedicado a um astro ou a um deus que variava de acordo com a mitologia local de cada cultura e que foram conservados em outros idiomas.

Isto ocorreu durante a expansão do Império Romano. Nesta época, desde o início da era cristã até o período medieval, vigoravam no mundo ocidental as propostas do filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a.C.) e do astrônomo egípcio Cláudio Ptolomeu (100 – 170 d.C.), mescladas com a interpretação dada pela Igreja Católica. Acreditava-se que Deus criara o Universo em movimento circular perfeito e eterno. No centro de tudo encontrava-se a Terra com seus quatro elementos: terra, ar, água e fogo. Haveria então oito esferas concêntricas, feitas de substância imutável, contendo o “éter” e sustentando os astros. Este conjunto, com centro na Terra, comporia o céu.

Uma dessas esferas conteria o Sol. Outra, a Lua. Cinco delas conteriam os planetas conhecidos na época: Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. A oitava esfera conteria as estrelas. A Terra era distinta dos demais astros. A sua matéria se decompõe e morre, enquanto a composição dos outros astros seria perfeita e imutável.

Portugal foi o único país do mundo que adotou os dias da semana derivados quase ipsis literis do latim eclesiástico. Os nomes antigos dos dias da semana, dados por outros povos, não foram seguidos na língua portuguesa.

Até o século XV, no atual território português, era falado um português arcaico, usando-se nomes de origem pagã. Tais nomenclaturas não chegaram a constituir a língua portuguesa de facto. Observa-se a semelhança dessa espécie de "português arcaico" com outras línguas neolatinas e também identificação semântica com algumas línguas germânicas:

Português moderno Galego-português
(Portugal)
Galego-português
(Galiza)
Galego[5] Espanhol Italiano Catalão Francês Inglês Alemão Neerlandês Filipino
Domingo Domingo Domingo Domingo Domingo Domenica Diumenge Dimanche Sunday Sonntag zondag Linggo
Segunda-feira Segunda feira Lũes Luns / Segunda feira Lunes Lunedì Dilluns Lundi Monday Montag maandag Lunes
Terça-feira Terça feira Martes Martes / Terceira feira / Terza feira Martes Martedì Dimarts Mardi Tuesday Dienstag dinsdag Martes
Quarta-feira Quarta feira Mercores Mércores / Cuarta feira / Corta Feira Miércoles Mercoledì Dimecres Mercredi Wednesday Mittwoch * woensdag Miyerkules
Quinta-feira Quinta feira Joves Xoves / Quinta feira Jueves Giovedì Dijous Jeudi Thursday Donnerstag donderdag Huwebes
Sexta-feira Sesta feira Vernes Venres / Sexta feira Viernes Venerdì Divendres Vendredi Friday Freitag vrijdag Biyernes
Sábado Sabado Sabado Sábado Sábado Sabato Dissabte Samedi Saturday Samstag zaterdag Sabado
  • Mittwoch = quarta-feira em alemão é uma exceção, pois significa literalmente "meio da semana", enquanto nas demais línguas é uma referência ao deus Mercúrio.

Em alguns idiomas, como o espanhol, a influência católica conseguiu ainda impor o sábado e o domingo e em muitos outros o domingo passou a ser chamado dia do Senhor.

Latim Deus romano Deus saxão Ideograma chinês
Solis dies Sol Baldur Sol
Lunae dies Lua Fregg Lua
Martis dies Marte Tyr Fogo
Mercuri dies Mercúrio Odin Água
Jovis dies Júpiter Thor Madeira
Veneris dies Vênus Freya Metal
Saturni dies Saturno Nornes Terra

Ordem dos dias da semana[editar | editar código-fonte]

O primeiro dia da semana é determinado hoje como uma consequência da união de dois conceitos, o da principal reunião semanal em fé das diferentes crenças e religiões e o conceito de criação do mundo que está presente e é comum a quase todas elas.

Origem do primeiro dia da semana[editar | editar código-fonte]

No início da era cristã, os cristãos primitivos, por serem judeus, guardavam o sábado, porém reuniam-se aos domingos para celebrarem a Eucaristia (ação de graças) através da fração do pão em honra e memória da ressurreição de Cristo. A partir de 189 d.C., a Igreja Cristã estabeleceu uma data diferente daquela praticada pelos judeus para suas comemoração da Páscoa e dos dias santos a ela associados. Posteriormente, confirmando a Tradição Apostólica, o Primeiro Concílio de Niceia, em 325 d.C., oficializou o domingo (Dominica Dies) como dia sagrado para os cristãos.

A união da cultura judaica com a cultura cristã resultou na reserva de dois dias diferentes (sábado e domingo) para descanso: estes são respectivamente o último dia (sábado) e o primeiro dia da semana (domingo) de acordo com o calendário ocidental.

Representação científica dos dias da semana[editar | editar código-fonte]

A Organização Internacional para Padronização (ISO) estabeleceu pela norma ISO 8601 uma numeração para a representação dos dias da semana. Esta denominação numérica dos dias da semana tem a mesma sequência da representação feita em países da língua portuguesa e que, como era de se esperar, por serem correlatos em representação, atendeu à maioria dos países do mundo.

Padronização internacional de identificação dos dias da semana
Número do dia da semana 1 (um) 2 (dois) 3 (três) 4 (quatro) 5 (cinco) 6 (seis) 7 (sete)
Nome do dia da semana Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo

Outros idiomas[editar | editar código-fonte]

Há três grupos principais de denominação dos dias da semana nas diversas línguas:

1 - Com base na mitologia greco-romana ou nos planetas, geralmente como o domingo com origem em “Dia do Senhor”:

2 - Com base na mitologia nórdica, geralmente com o domingo como dia do Sol e 2ª feira da Lua (a Lua também é a 2ª feira para o grupo da mitologia greco-romana):

3 - Com base em sequência numérica ordinal: a) Primeiro dia da semana – Domingo

b)Primeiro dia da semana – 2ª feira

c)Outras denominações:

  • Suaíli – Sequencial iniciando no sábado
  • Istro Romeno – Mistura de divindades greco-romanas com nórdicas;
  • Basco – Denominação própria

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Kimminich, E. (1991). "The way of vice and virtue: A medieval psychology."Comparative Drama, 25(1), 77-86. Retrieved March 5, 2015.
  2. (Braga, M. & Dumium, P. & Seville, L. & Barlow, C. W.(2010). Iberian Fathers, Volume 1 (The Fathers of the Church, Volume 62). Washington: The Catholic University of America Press. Retrieved March 5, 2015.)
  3. Richard A. Fletcher (1999). The Barbarian Conversion: From Paganism to Christianity. [S.l.]: University of California Press. p. 257. ISBN 978-0-520-21859-8 
  4. Kung, Hans. The Catholic Church: A Short History. New York; The Modern Library, 2003, p.44.
  5. [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]