Dicotomia clássica

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Em macroeconomia, a expressão dicotomia clássica se refere a um conceito atribuído aos economistas clássicos de que variáveis reais e nominais podem ser analisadas separadamente. Para ser preciso, uma economia exibe a dicotomia clássica se variáveis reais, como o produto e taxas de juros reais, puderem ser completamente analisadas sem qualquer consideração a respeito de suas contrapartes nominais. Em particular, isso significa que o PIB real e outras variáveis reais podem ser determinadas sem se conhecer os valores da oferta nominal de moeda ou a taxa de inflação. Uma economia exibe a dicotomia clássica se a moeda for neutra, isto é, se afeta apenas o nível de preços e não as variáveis reais.

A dicotomia clássica era parte integral do pensamento de alguns economistas pré-keynesianos (a moeda como um véu) como uma proposição válida no longo-prazo encontrada hoje na teoria macroeconômica novo-clássica. Keynesianos e monetaristas rejeitam a dicotomia clássica com o argumento de os preços são rígidos. Isto é, que os preços não se ajustam perfeitamente no curto-prazo, de forma que um aumento na oferta de moeda aumenta a demanda agregada e assim altera variáveis macroeconômicas reais. Pós-keynesianos também rejeitam a dicotomia clássica por diferentes razões, enfatizando o papel dos bancos de criar meios de pagamento, como na teoria monetária circular.

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Don Patinkin (1954) desafiou a dicotomia clássica afirmando ser ela inconsistente, com a introdução do efeito Pigou de mudanças a oferta nominal de moeda. Os primeiros autores clássicos postularam que o dinheiro é inerentemente equivalente em valor à quantidade de bens que ele pode comprar. Portanto, em termos walrasianos, a expansão monetária aumentaria os preços proporcionalmente, anulando o efeito da expansão sobre o emprego ou o PIB. Patinkin argumentou que essa inflação não viria sem um distúrbio correspondente no mercado de bens. Conforme a oferta de moeda é aumentada, o estoque real de moeda excede o nível de equilíbrio (que equilibra a oferta e demanda de moeda), e assim o gasto no mercado de bens deve crescer para restabelecer o equilíbrio no mercado monetário. Isso aconteceria através do aumento do nível de preços no mercado de bens até que o excesso de oferta seja anulado em um novo ponto equilíbrio. Ele argumentou que a dicotomia clássica era inconsistente no sentido de que ela não permitia explicitamente esse ajuste no mercado de bens. Autores posteriores (Archibald & Lipsey, 1958) argumentaram que a dicotomia era perfeitamente consistente,vez que ela não tentava lidar com o processo dinâmico de ajuste, mas simplesmente expressaria uma fotografia estática dos equilíbrios inicial e final.

Representação matemática[editar | editar código-fonte]

Se uma economia exibe a dicotomia clássica, então uma análise de estática comparativa pode ser feita usando uma matriz jacobiana em forma triangular. Isto é, suponha que

onde representa algum choque exógeno (alterações no nível de produtividade, demanda agregada, oferta monetária, etc., ordenado de forma que todos os choques reais apareçam primeiro), representa a mudança nas variáveis endógenas (produto, emprego, preços, etc., novamente listando as variáveis reais primeiro). Então, a matriz J pode ser particionada em sub-matrizes como segue:

Em outras palavras, quando a dicotomia clássica vale, é possível calcular como as variáveis reais se alteram invertendo apenas a sub-matriz , assim excluindo todas as variáveis nominais da análise.

Referências[editar | editar código-fonte]