Dinâmica de grupo

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Dinâmica de grupo é uma ferramenta de estudo de grupos e também um termo geral para processos de grupo. Em psicologia e sociologia, um grupo são duas ou mais pessoas que estão mutuamente conectadas por relacionamentos sociais.[1] Por interagir e influenciarem-se mutuamente, grupos desenvolvem vários processos dinâmicos que os separam de um conjunto aleatório de indivíduos. Estes processos incluem normas, papéis sociais, relações, desenvolvimento, necessidade de pertencer, influência social e efeitos sobre o comportamento. O campo da dinâmica de grupo preocupa-se fundamentalmente com o comportamento de pequenos grupos. Grupos podem ser classificados como agregados, primários, secundários e grupos de categoria.

Exercícios de dinâmica de grupo são muitas vezes usados para melhorar o entrosamento dos diversos elementos do mesmo grupo e promover autenticidade nas pessoas, além de colocar os indivíduos a lidarem com opiniões e atitudes distintas, promovendo crescimento pessoal. Alguns exemplos de dinâmicas que têm esse objetivo são a dinâmica do espelho e a do presente. São usados em vários tipos de atividades, pode ser aplicada em seleção de candidatos, treinamento, avaliação de profissionais, integração de colaboradores e entre a própria empresa, autoavaliação, descontração em ambientes mais rígidos.

Hoje em dia, muitas entrevistas de emprego contêm uma vertente de dinâmica de grupo, onde a capacidade de interação de um indivíduo com o grupo é avaliada. Essa área é cada vez mais valorizada, porque pessoas que são boas em dinâmicas de grupo normalmente trabalham bem em equipe, uma característica muito procurada no contexto de trabalho nos dias de hoje.[2]

Para a empresa a dinâmica de grupo é benéfica pois reduz custos, uma vez que a atividades são realizadas em conjunto reduzindo tempo do gestor. Por outro lado a dinâmica de grupo pode esconder dados importantes a respeito do candidato já que o gestor não tem um contato tão efetivo com o candidato como seria no caso da entrevista individual.

Convivência em grupo[editar | editar código-fonte]

Desde que nascemos ao longo de nossas vidas, convivemos em grupo. Seja o nosso grupo familiar, de amigos, companheiros de trabalho, enfim estamos sempre compartilhando nossas experiências do dia a dia com alguém. Segundo Trotter (1919 – 1953) um dos instintos básicos do ser humano é o instinto gregário aquele que nos faz procurar sempre estar em grupos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupo (2006, p. 1), “dynamis é uma palavra de origem grega que significa força, energia, ação”. E Segundo Tatiana Wernikoff, (Instituto de Psicologia Organizacional)“Qualquer situação em que você reúne pessoas para uma atividade conjunta, com um objetivo específico, caracteriza uma dinâmica e a situação mais comum é a dos processos seletivos”.  Em um artigo publicado em 1944 por Kurt Lewin, dinâmica de grupo é o “estudo das forças que agem no seio dos grupos, suas origens, consequências e condições modificadoras do comportamento do grupo". Lewin ressalta que apesar de um grupo ser um conjunto de pessoas, mudanças que venha a ocorrer em um indivíduo pode influenciar no grupo como um todo. Dessa forma, o aprendizado ocorre de uma forma coletiva, em que o encontro de pessoas melhora a produtividade do grupo, sendo possível assim estimular e melhorar as relações interpessoais entre elas e obter assim uma maior troca de experiências.

Em um processo grupal os fatores que mais atuam sobre as pessoas individualmente em um grupo são a coesão – o quão adaptável foi o indivíduo ao grupo em que foi inserido – quanto maior for a coesão fica evidenciado que o grupo está conseguindo obter resultados e os objetivos sendo cumpridos; os padrões grupais que são os comportamentos esperados pelos membros do grupo e as motivações individuais de cada membro do grupo e são de extrema importância para garantir a coesão do grupo (uma das técnicas utilizadas para aumentar a interação entre os membros e garantir a adesão deles é a dinâmica em grupo).

Para a Psicologia, o estudo dos grupos é tão essencial que foi criado um ramo especifico para tais estudos: A Psicologia Social. Dentro deste ramo muitos pesquisadores estudaram sobre a temática dos grupos e várias teorias foram lançadas. As principais abordagens foram:

  • Teoria de campo (Kurt Lewin) – Essa teoria diz que o comportamento dos indivíduos é resultado de um campo de determinantes interdependentes.A Teoria de Campo defende que para compreender o comportamento dos membros dos grupos é necessário considerar os fatores externos e internos à pessoa
  • Teoria de Interação (Bales, Homens e Whyte) – diz que o grupo funciona como um sistema de indivíduos que se interagem entre si.
  • Teoria do Sistema (Newcomb, Miller e Stogdill) – o grupo é um sistema de interação movido por entrada (inputs) e saídas (outputs) de comunicações e experiências
  • Teoria Sociométrica (Moreno) – estuda o que leva cada indivíduo a permanecer ligado a um determinado grupo.
  • Teoria Psicanalítica (Freud) – estuda as motivações e os processos defensores de cada membro na vida em grupo.
  • Teoria da influência social (Hebert Kelman) – Em cada interação em grupo, são identificados três processos influenciadores nas ações do indivíduo que busca aceitação em um novo grupo: complacência (adoção de uma atitude ou opinião de outra pessoa para conseguir a aprovação); identificação (adoção de uma atitude ou opinião para se identificar com o grupo); e a internalização (adoção de uma atitude ou opinião para se adequar a determinada situação).
  • Teoria Cognitiva (Piaget,Festinger, Heidar, Krech e Crutchfield) – Essa teoria é responsável por avaliar o comportamento do indivíduo ao receber e interiorizar as informações que recebe sobre o contexto em que está inserido a fim de analisar seu desempenho e comportamento.

Recrutamento e seleção de candidatos para trabalho[editar | editar código-fonte]

Analisando o histórico do Brasil sobre processos seletivos, chega-se a conclusão que este não são práticas muito antigas. A partir da década de 30 é que as leis trabalhistas foram colocadas em práticas no País, surgindo então uma série de fatores que levaram a necessidade de criação dos departamentos pessoais nas empresas, como férias remuneradas, carteira de trabalho, entre outros.

Na Era Vargas (1938) foi criado um Departamento do Serviço Público, que instituiu o concurso como um processo de seleção no Brasil e em 1944 teve início o Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), que fazia a ligação entre as empresas e os candidatos.

Hoje em dia o setor de Gestão de Pessoas nas empresas já é bem mais amplo e é dividido em: recrutamento, seleção, treinamento, análise de cargos e salários, avaliação de desempenho, entre outras atividades.

A dinâmica de grupo se enquadra em um dos recursos disponíveis de seleção de candidatos, onde é analisado suas competências, escolhendo então o melhor candidato para o cargo em questão. São várias as técnicas de dinâmica em grupo aplicadas atualmente, entretanto em geral todas elas tentam desenvolver nas pessoas habilidades/qualidades como empatia, controle emocional, capacidade de ouvir o outro e aceitar suas opiniões, liderança, autoconfiança, habilidade em trabalhar em equipe, ilustrando situações do dia a dia. 

Dinâmica em grupo aplicada a seleção de candidatos[editar | editar código-fonte]

Para que o processo seja eficiente, alguns cuidados devem ser tomados, os aplicadores devem estar com materiais de anotação para redigir suas observações e detalhes que foram identificados durante a aplicação, deve haver um número máximo de candidatos para cada observador, para que não haja perda de informações, e uma duração razoável para conseguirem avaliar cada candidato sem colocá-los à tarefas exaustivas. Isso também, após um contato prévio individual para conhecimento mais específico de cada pessoa. [3]

Vantagens do tipo de processo seletivo:[editar | editar código-fonte]

  • acelera o processo;
  • mais de um selecionador tirando conclusões de cada indivíduo;
  • maior espontaneidade, variação de situações e contato com pessoas, seja da empresa ou os próprios candidatos.
  • aproximação com a área de recursos humanos (RH) da empresa;
  • fornece outros tipos de informações para os gestores confirmarem ou não suas impressões; [3]

Vantagens[editar | editar código-fonte]

- Oportunidade de demonstrar seu comportamento e como se relaciona em grupo.

- Em entrevistas individuais, os candidatos não têm tantas chances de emitir opiniões e exteriorizar aspectos de comportamento como liderança, empreendedorismo, criatividade, capacidade de atuar em situações-limite.

- A dinâmica pode ser aproveitada para candidatos conhecerem outras pessoas, trocarem ideias, fazerem networking.

- A cada dinâmica, o candidato consegue aprimorar sua capacidade de se incluir e de trabalhar em grupo.

- Por ser um processo de várias horas, a dinâmica não permite que o candidato se porte de uma maneira “treinada” por muito tempo. A real essência de cada um sempre vem à tona.

Desvantagens[editar | editar código-fonte]

- Algumas empresas dão explicações superficiais sobre o processo e não dão feedback quando a seleção termina, o que não agrega ao processo de aprendizado do candidato que procura emprego.

- Muitas pessoas na mesma dinâmica e apenas um selecionador para observar o comportamento de todos pode ser ruim. O ideal é trabalhar com números menores de pessoas, de forma que o observador consiga avaliar e dar atenção a todos.

- Candidatos muito tímidos, que têm dificuldade de se expor em público e dizer opiniões podem perder lugar para um profissional que pode ser até menos competente, porém mais desinibido. Caberá sempre ao selecionador saber identificar as reais qualificações e atitudes dos candidatos presentes. [4]

Aplicação[editar | editar código-fonte]

A dinâmica de grupo forma a base da terapia de grupo, frequentemente com abordagem terapêutica, como na terapia familiar e na terapia expressiva. Políticos e vendedores podem lançar mão do conhecimento de princípios de dinâmica de grupo para seu próprio benefício. É muito utilizada pelos setores de Recursos Humanos na seleção de candidatos a emprego. Além disso, tem despertado interesse crescente por conta da interação social online viabilizada pela internet.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • ANDRADE, Suely Gregori. Teoria E Pratica de Dinamica de Grupo: Jogos E. Casa do Psicólogo, 1999.
  • AFONSO, MARIA LUCIA MIRANDA. Oficinas Em Dinamica de Grupo: Um Metodo de intervenção psicossocial. Casa do Psicólogo, 2007.
  • BOWDITCH, James L. Elementos de comportamento organizacional. Cengage Learning Editores, 1992.
  • CASADO, Tânia. O indivíduo e o grupo: a chave do desenvolvimento. As pessoas na organização. São Paulo: Gente, p. 235-246, 2002.
  • RUAS, Roberto; ANTONELLO, Claudia Simone; BOFF, Luiz Henrique. Os novos horizontes de gestão: aprendizagem organizacional e competências. Bookman Editora, 2005.
  • BION, Wilfred R.; KLEIN, M. Dinâmica de grupo: uma revisão. Temas de psicanálise aplicada, 1969.
  • PEREIRA, William Cesar Castilho. Dinâmica de grupos populares. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. ISBN 8532602444
  • MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de grupo em seleção de pessoal. São Paulo: Vetor, 1987.
  • MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de Grupo – teorias e sistemas. São Paulo:Atlas, 2002.
  • Dinâmica em grupo, Acervo – SINPROFAR.
  • BOCK, A. M. B. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. São Paulo: Saraiva, 1999
  • LEWIN, K. Problemas de dinâmica de grupo. São Paulo: Cultrix, 1978
  • Amaral, Vera Lúcia. Psicologia da educação x- Natal, RN: EDUFRN, 2007. 208 p.: il
  • JANINI, Clarissa – As dinâmicas de grupos mais populares. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Forsyth, D.R. Group Dynamics, 2006
  2. «Significado de Dinâmica». significados.com.br. Consultado em 17/04/2015. 
  3. a b Teoria E Pratica de Dinamica de Grupo: Jogos E. Casa do Psicólogo [S.l.: s.n.] 
  4. http://www.canalrh.com.br - Por: Lucas Toyama

Referências[editar | editar código-fonte]

  • FORSYTH, D.R. Group Dynamics (4a. edição). Belmont, CA: Thomson Wadsworth, 2006. ISBN 0-534-36822-0
  • MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de grupo em seleção de pessoal. São Paulo: Vetor, 1987.
  • PEREIRA, William Cesar Castilho. Dinâmica de grupos populares. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. ISBN 8532602444

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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