Dinastia Konbaung

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ကုန်းဘောင်ခေတ်
Dinastia Konbaung

Reino

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1752 – 1885 Flag of British Burma (1937-1948).svg

Bandeira de Dinastia Konbaung

Bandeira

Continente Ásia
Região Sudeste Asiático
País Birmânia
Capital Shwebo (1752–1760)
Sagaing (1760–1765)
Ava (1765–1783, 1823–1841)
Amarapura (1783–1823, 1841–1859)
Mandalay (1859–1885)
Língua oficial Birmanês
Religião Teravada
Governo Monarquia
Rei
 • 1752–1760 Alaungpaya (primeiro)
 • 1878–1885 Thibaw (último)
Legislatura Pyidaungsu Hluttaw
História
 • 21 de março de 1752 Fundação da dinastia
 • 1752–1757 Reunificação da Birmânia
 • 1760–1854 Guerras com o Sião
 • 1765–1769 Invasões chinesas
 • 1824–1826, 1852, 1885 Guerras anglo-birmanesas
 • 29 de novembro de 1885 Fim da dinastia
Área
 • 1824 [1] 794 000 km2
 • 1826 584 000 km2
 • 1852 470 000 km2
 • 1875 460 000 km2
População
 • 1824 [1] est. 3 000 000 
     Dens. pop. 3,8/km²
Moeda Kyat

A Dinastia Konbaung (birmanês: ကုန်းဘောင်ခေတ်) foi a última dinastia que governou a Birmânia (Mianmar) de 1752 até 1885. A dinastia criou o segundo maior império da história da Birmânia, e deu continuidade às reformas administrativas iniciadas pela dinastia Taungû, estabelecendo as bases do Estado moderno da Birmânia. As reformas se revelaram insuficientes para conter o avanço dos britânicos, que derrotaram os birmaneses em todas as três guerras anglo-birmanesas ao longo de um período de seis décadas (1824-1885) e deu fim à milenar monarquia birmanesa em 1885.

A dinastia foi fundada por um chefe de aldeia chamado Alaungpaya em 1752 para desafiar o Reino Restaurado de Hanthawaddy, que havia acabado de derrubar a dinastia Taungû. Em 1759, as forças de Alaungpaya haviam reunificado toda a Birmânia (e Manipur), e expulsado os franceses e os britânicos que haviam fornecido armas para Hanthawaddy.[2] Em 1760, a Birmânia deu início a uma série de guerras contra o Sião, que iria durar até meados do século XIX. Em 1770, os herdeiros de Alaungpaya haviam temporariamente derrotado o Sião (1767), subjugado grande parte do Laos (1765) e derrotado as quatro invasões efetuadas pela China Qing (1765-1769).[3] Com a preocupação dos birmaneses por mais duas décadas em deter outra invasão iminente por parte dos chineses,[4] os siameses recuperaram seus territórios em 1770, e seguiram com a captura de Lanna em 1776.[5] A Birmânia e o Sião entraram em guerra novamente em 1785-1787, 1792-1793, 1804, 1808-1811 e 1852-1854, mas tudo resultou em um impasse. Após décadas de guerra, os dois países trocaram Tenasserim (para a Birmânia) e Lanna (para o Sião).

Diante de uma China poderosa e um Sião ressurgente no leste, Bodawpaya adquiriu os reinos no oeste de Arakan (1784), Manipur (1813) e Assam (1817), levando os limites do reino até a uma fronteira mal definida com a Índia britânica.[6] Os britânicos derrotaram decisivamente os birmaneses na Primeira guerra anglo-birmanesa (1824-1826). A Birmânia foi forçada a ceder Arakan, Manipur, Assam e Tenasserim, e pagar uma grande indenização de um milhão de libras. Em 1852, os britânicos facilmente conquistaram a Baixa Birmânia na Segunda guerra anglo-birmanesa. O rei Mindon tentou modernizar o reino, e em 1875 evitou a anexação pela cessão dos Estados Karenni. Os britânicos, alarmados com a consolidação da Indochina francesa, anexaram o restante do país na Terceira Guerra Anglo-Birmanesa em 1885.

Os reis Konbaung estenderam as reformas administrativas iniciadas no período da Dinastia Restaurada Taungû (1599-1752), e alcançaram níveis sem precedentes de controle interno e expansão externa. Eles aumentaram o controle sobre as planícies e reduziram os privilégios hereditários dos líderes shan. Instituíram também reformas comerciais que aumentaram a renda do governo e tornaram-no mais previsível. A economia monetária continuou a adquirir terras. Em 1857, a coroa inaugurou um sistema de pleno direito de impostos e salários em dinheiro, assistido por moedas de prata do país pela primeira vez padronizado.[3] A integração cultural continuou. Pela primeira vez na história, a cultura e a língua birmanesa predominaram por todo o vale do Irauádi, com a língua e a etnia mon completamente eclipsadas em 1830. Os principados shan próximos adotaram mais normas das planícies. A evolução e o crescimento da literatura e do teatro birmaneses continuaram, auxiliados por uma altíssima taxa de alfabetização de adultos do sexo masculino para a época (metade de todos os homens e 5% das mulheres).[7] A partir do século XVIII, principalmente no início do reinado de Bodawpaya, o estado era guiado em seus projetos culturais e literários, bem como a reforma religiosa, pelos reformadores sudhamma, centrados em um núcleo da elite de monges e leigos da região da Baixa Chindwin. O estado depois tentou exercer sua autoridade sobre os vários intelectuais existentes.[8] Porém, a extensão e o ritmo das reformas foram desiguais e, finalmente, revelaram-se insuficientes para conter o avanço do colonialismo britânico.[9]

Ascensão e queda[editar | editar código-fonte]

O Trono do Leão na sala do trono do palácio real de Amarapura (pintura de Colesworthy Grant, 1855.

Uma dinastia expansionista, os reis Konbaung travaram campanhas contra a Manipur, Arakan, Assam, o reino mon de Pegu e o reino siamês de Ayutthaya, estabelecendo assim o Terceiro Império birmanês. Sujeitos mais tarde a guerras e tratados com os britânicos, o Estado moderno da Birmânia pode traçar suas atuais fronteiras a esses eventos.

O segundo filho de Alaungpaya, Hsinbyushin, subiu ao trono depois de um curto reinado de seu irmão mais velho, Naungdawgyi (1760-1763). Ele continuou a política expansionista de seu pai e, finalmente, conquistou Ayutthaya em 1767, após sete anos de luta.

O conceito tradicional de soberania, no sudeste da Ásia, que aspiraram os reis Chakravartin ou "Monarcas Universais" criando seus próprios Mandala ou campo de poder dentro do universo Jambudipa, juntamente com a posse do elefante branco que lhes permitia assumir o título de Hsinbyushin ou Hsinbyumyashin [Senhor do(s) Elefante(s) Branco(s)], desempenhou um papel significativo em seus empreendimentos. Suas históricas ameaças de ataques periódicos e ajudas às rebeliões internas, bem como a invasão e imposição de soberania sobre os reinos vizinhos dos mon, tai shans e manipuris.[10]

Na defesa de seu reino, a dinastia lutou quatro guerras com sucesso contra a Dinastia Qing da China, que sentia a ameaça da expansão do poder birmanês no Oriente. Em 1770, apesar de sua vitória sobre os exércitos chineses, o rei Hsinbyushin firmou a paz com a China e concluiu um tratado a fim de manter o comércio bilateral com o Reino do Meio, que foi muito importante para a dinastia naquele momento. A Dinastia Qing, em seguida, abriu seus mercados e restaurou o comércio com a Birmânia em 1788, após a reconciliação. A partir daí as relações pacíficas e amistosas prevaleceram entre China e Birmânia por um longo tempo.

Porém, enfrentando uma ameaça maior de poderosos países ocidentais, a dinastia Konbaung tentou modernizar o reino. Os europeus começaram a criar postos de comércio na região do delta do Irauádi durante este período. Konbaung tentou manter a sua independência através de um equilíbrio entre os franceses e os britânicos. No final, falhou, e os britânicos romperam as relações diplomáticas em 1811, e a dinastia lutou e perdeu três guerras contra o Império Britânico, culminando com a anexação total da Birmânia pelos britânicos.

Em 1837, o irmão do rei Bagyidaw, Tharrawaddy, tomou o trono e mandou executar a rainha principal Me Nu, e o irmão dela. Tharrawaddy não fez qualquer tentativa de melhorar as relações com a Grã-Bretanha.

O último rei, Thibaw Min (à direita), aqui com a rainha Supayalat e sua irmã a princesa Supayaji, foi violentamente deposto em uma guerra com os colonizadores britânicos em 1885.

Seu filho Pagan, que se tornou rei em 1846, executou milhares - algumas fontes dizem aproximadamente 6000 - de seus súditos mais ricos e influentes com falsas acusações. Durante o seu reinado, as relações com os britânicos tornaram-se cada vez mais tensas. Em 1852 eclodiu a Segunda guerra anglo-birmanesa. Pagan foi sucedido por seu irmão mais novo, o progressista Mindon. Mindon tentou fazer com que a Birmânia tivesse um maior contato com o mundo exterior, e realizou o Quinto Grande Sínodo budista em 1872 em Mandalay, ganhando o respeito dos ingleses e a admiração de seu próprio povo.

Mindon morreu antes que pudesse nomear um sucessor, e Thibaw, um príncipe menor, foi levado ao trono por uma das rainhas de Mindon e sua filha, Supayalat. (Rudyard Kipling a menciona como rainha de Thibaw, e empresta seu nome, em seu poema The Road to Mandalay) O novo rei Thibaw procedeu, sob a direção de Supayalat, a massacrar todos os candidatos prováveis ao trono. Este massacre foi conduzido pela rainha.

A dinastia chegou ao fim em 1885 com a abdicação forçada e o exílio do rei e da família real para a Índia. A anexação foi anunciada no Parlamento britânico como um presente de Ano Novo para a Rainha Vitória em 1 de janeiro de 1886.

Embora a dinastia tivesse conquistado vastas extensões de território, o seu poder direto limitou-se à sua capital e às planícies férteis do vale do Irauádi. Os governantes Konbaung promulgaram pesados impostos e tiveram dificuldades em combater as rebeliões internas. Em vários momentos, os estados dos shan pagaram tributos à dinastia Konbaung, mas ao contrário das terras dos mon, nunca foram controlados diretamente pelos birmaneses.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Um Attawoon, ou Ministro do Interior, e sua esposa (à esquerda). Um Seredogee, ou Secretário de Estado (à direita). Em seus trajes cerimoniais em 1795.

Durante o governo Konbaung, a sociedade era centrada em torno do rei Konbaung. Os governantes da dinastia Konbaung tinham várias esposas e elas detinham, juntamente com as meias-irmãs do rei, as mais altas posições do poder. Os reis Konbaung eram pais de muitos filhos, formando uma enorme família real que era a base do poder da dinastia e competiam entre si para ver quem tinha mais influência na corte real.

Ela também tinha problemas de sucessão, muitas vezes resultando em massacres reais realizados de tal forma que o sangue real não deveria ser derramado.

A sociedade birmanesa era altamente estratificada durante o governo Konbaung. Abaixo da família real, a nobreza administrava o governo, comandava os exércitos, e era responsável pela administração dos grandes centros populacionais. A dinastia Konbaung mantinha uma linhagem detalhada da nobreza birmanesa escrita em manuscritos feitos com folhas de palmeira, os peisa, que mais tarde foram destruídos pelos soldados britânicos. A nível local, a myothugyi, as elites hereditárias locais, administravam os municípios controlados pelo reino.

Prisioneiros militares[editar | editar código-fonte]

Um cavaleiro cassay.

Os prisioneiros das várias campanhas militares às centenas e milhares eram levados ao reino e reinstalados como servos hereditários da realeza e da nobreza ou utilizados nos pagodes e templos; esses cativos agregavam novos conhecimentos e habilidades à sociedade birmanesa e enriqueciam a cultura birmanesa. Eles eram encorajados a se casar com membros da comunidade que os acolhia, e assim também, contribuíam para o enriquecimento do pool de genes.[11] Os cativos de Manipur formavam a cavalaria chamada de Kathè myindat (Cavalo Cassay) e também Kathè a hmyauk tat (Artilharia Cassay) no exército real birmanês. Até mesmo os soldados franceses capturados, liderados por Chevalier Milard, eram forçados a servirem no exército birmanês.[12] As tropas francesas incorporadas com suas armas e mosquetes desempenharam posteriormente um papel fundamental nas batalhas entre os birmaneses e os mons. Tornaram-se um corpo de elite, que e atuaram nas batalhas birmanesas contra os siameses (ataques e captura de Ayutthaya 1760-1765) e os manchus (batalhas contra os exércitos chineses do imperador Qianlong 1766-1769).[12] [13]

Além de cargos hereditários, havia dois caminhos principais para se adquirir certo prestígio na sociedade birmanesa: ingressar na carreira militar (min hmu-daan) e fazer parte da sangha budista nos mosteiros. Uma pequena comunidade de estudiosos estrangeiros, missionários e comerciantes também viviam na sociedade Konbaung. Além de mercenários e aventureiros que ofereciam seus serviços desde a chegada dos portugueses no século XVI, alguns europeus serviam como damas-de-companhia para a última rainha Supayalat em Mandalay, um missionário fundou uma escola para atender aos vários filhos de Mindon incluindo o último rei Thibaw, e um armênio serviu como um ministro do rei em Amarapura.

Reformas[editar | editar código-fonte]

Percebendo a necessidade de modernizar, os governantes Konbaung tentaram aprovar várias reformas com sucesso limitado. O rei Mindon, juntamente com seu irmão, o príncipe herdeiro Kanaung Mintha fundaram fábricas estatais para a produção de modernos armamentos e mercadorias; no final, estas fábricas provaram ser mais dispendiosas do que eficazes na proteção contra a invasão e conquista estrangeira.

Mindon tentou também reduzir os impostos, diminuindo a carga pesada do imposto de renda e criando um imposto sobre a propriedade, bem como taxas de importação para as mercadorias estrangeiras. Ironicamente, essas políticas tiveram o efeito inverso no aumento da carga tributária, uma vez que as elites locais aproveitaram a oportunidade para decretar novos impostos sem diminuir os antigos; fizeram isso porque o controle central era fraco. Além disso, as taxas de importação sobre as mercadorias estrangeiras inibiram o emergente comércio interno.

Capitais[editar | editar código-fonte]

Sob a administração da dinastia Konbaung, a capital mudou várias vezes de cidade por motivos religiosos, políticos e estratégicos. Durante essas mudanças, todo o complexo do palácio foi desmontado e transportado por elefantes para o novo local escolhido. Esses capitais foram:

Governantes[editar | editar código-fonte]

N.º Título Significado literal Linhagem Reino Notas
1 Alaungpaya Futuro Rei-Buda chefe de vilarejo 1752-1760 fundador da dinastia e do Terceiro Império birmanês, invadiu Ayutthaya
2 Naungdawgyi Irmão Primogênito Real filho 1760-1763 invadiu Ayutthaya junto com seu pai
3 Hsinbyushin Senhor do Elefante Branco irmão 1763-1776 invadiu e saqueou Ayutthaya, invadiu Chiang Mai e Laos, invadiu Manipur, rechassou com sucesso quatro invasões chinesas
4 Singu Rei Singu filho 1776-1781 Desistiu da guerra com o Sião e desmobilizou parte do exército.
5 Phaungka Irmão Caçula (Senhor de Phaungka) primo (filho de Naungdawgyi) 1782 o mais curto reinado da história birmanesa de um pouco mais de uma semana
6 Bodawpaya Senhor Avô Real tio (filho de Alaungpaya) 1782-1819 invadiu e anexou Arakan, invadiu Ayutthaya
7 Bagyidaw Tio mais velho Real neto 1819-1837 invadiu Ayutthaya junto com seu avô, invadiu Assam e Manipur, derrotado na Primeira guerra anglo-birmanesa
8 Tharrawaddy Rei Tharrawaddy irmão 1837-1846 lutou na Primeira guerra anglo-birmanesa como príncipe de Tharrawaddy
9 Pagan Rei Pagan filho 1846-1853 deposto por Mindon após sua derrota na Segunda guerra anglo-birmanesa
10 Mindon Rei Mindon irmão 1853-1878 assinou a paz com os britânicos; conseguiu fugir de uma rebelião no palácio iniciada por dois de seus filhos, mas seu irmão Kanaung Mintha foi morto
11 Thibaw Rei Thibaw filho 1878-1885 o último rei da Birmânia, forçado a abdicar e exilado na Índia após sua derrota na Terceira Guerra Anglo-Birmanesa

Nota: Naungdawgyi era o irmão mais velho de Hsinbyushin e Bodawpaya, que era o avô de Bagyidaw, que era o tio mais velho de Mindon. Eles ficaram conhecidos por esses nomes mais tarde, embora os títulos formais por ocasião de suas coroações pelo costume fosse em páli; Mintayagyi paya (Senhor Grande Rei) fosse o equivalente a Seu/Sua Majestade, enquanto Hpondawgyi paya (Senhor da Grande Glória) seria usado pela família real.

Primeiras impressões[editar | editar código-fonte]

Michael Symes demonstrou uma percepção notável da sociedade birmanesa no período da dinastia Konbaung, quando deu sua opinião no prefácio de seu "An Account of an Embassy to the Kingdom of Ava, sent by the Governor-General of India, in the year 1795" (Um Relato de um Embaixador para o Reino de Ava, enviado pelo Governador-Geral da Índia, no ano de 1795):

Os birmaneses, sob o reinado de seu atual monarca (Bodawpaya), são, sem dúvida, uma potência em rápida ascensão entre as nações do Oriente; e, espera-se, que dentro de um longo período sem guerras externas, possa dar-lhes tempo livre para melhorar as suas qualidades naturais. O conhecimento aumenta através do comércio; e como eles não são acorrentados a quaisquer preconceitos de castas, nem restritos às ocupações hereditárias, ou proibidos de participar com estranhos de qualquer contato social, seu progresso será, com toda a probabilidade muito rápido. Atualmente muito longe de estarem em um estado de escuridão intelectual, embora não tenham explorado as profundezas da ciência, ou alcançado a excelência nas artes mais nobres, eles ainda têm um talento inegável para alcançarem o caráter de pessoas civilizadas, e bem educadas. Suas leis são sábias e impregnadas de honestidade moral; sua política é melhor organizada do que em muitos países europeus; a sua disposição natural é amigável e hospitaleira para com os estrangeiros; e seus modos expressam mais uma sinceridade viril, do que uma dissimulação cortês: a hierarquia, e o respeito devido são mantidos com um escrúpulo que nunca relaxa.

O conhecimento das letras é tão amplamente difundido, de que nenhum técnico, poucos camponeses, ou mesmo os barqueiros comuns (geralmente a classe menos letrada) que não saibam ler e escrever na língua vulgar. Poucos, no entanto, são versados em volumes mais eruditos da ciência, que, contendo muitos termos em sânscrito, e muitas vezes escrito em texto páli, estão (como o Hindu Shasters) além da compreensão da multidão; mas o sistema feudal, que preza a ignorância, e torna o homem a propriedade do homem, ainda funciona como um obstáculo para a civilização e o aperfeiçoamento. Esta é uma barreira que gradualmente se enfraquece, à medida que estende seus conhecimentos sobre os usos e costumes de outras nações; e, a menos que a fúria da discórdia civil seja novamente animada, ou alguma potência estrangeira imponha um jugo externo, é grande a chance dos birmaneses serem um povo próspero, rico, e instruído.[11]

Notas

  1. GE Harvey. History of Burma. Londres: Frank Cass & Co. Ltd., 1925. Capítulo: Notes: Numerical Note. , p. 333.
  2. Lt. Gen. Sir Arthur P. Phayre. History of Burma. 2 ed. Londres: Susil Gupta, 1967. p. 153.
  3. a b Victor B Lieberman. Strange Parallels: Southeast Asia in Global Context, c. 800–1830, volume 1, Integration on the Mainland. [S.l.]: Cambridge University Press, 2003. 184–187 p. isbn 978-0-521-80496-7
  4. Yingcong Dai. (2004). "A Disguised Defeat: The Myanmar Campaign of the Qing Dynasty": 145–189. Cambridge University Press.
  5. David K Wyatt. Thailand: A Short History. 2 ed. [S.l.: s.n.], 2003. p. 125. isbn 9780300084757
  6. Thant Myint-U. The River of Lost Footsteps--Histories of Burma. [S.l.]: Farrar, Straus and Giroux, 2006. p. 109. isbn 978-0-374-16342-6, 0-374-16342-1
  7. ibid. pp. 202–206
  8. Charney, Michael W. Powerful Learning: Buddhist Literati and the Throne in Burma's Last Dynasty, 1752-1885.
  9. Thant Myint-U, The Making of Modern Burma.
  10. Pamaree Surakiat (2006). The Changing Nature of Conflict between Burma and Siam as seen from the Growth and Development of Burmese States from the 16th to the 19th Centuries (PDF) pp. 8, 11, 25. Asia Research Institute.
  11. a b Michael Symes. An Account of an Embassy to the Kingdom of Ava, sent by the Governor-General of India, in the year 1795. Edimburgo: Constable & Co., 1800. p. 26.
  12. a b Findlay, p.277
  13. Southeast Asia por Keat Gin Ooi, p.611

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  • Charney, Michael W. Powerful Learning: Buddhist Literati and the Throne in Burma's Last Dynasty, 1752-1885. [1]
  • Findlay, Ronald and O'Rourke, Kevin H. (2007) Power and Plenty: Trade, War, and the World Economy in the Second Millennium [2]
  • Koenig, William J. "The Burmese Polity, 1752-1819: Politics, Administration, and Social Organization in the early Kon-baung Period", Michigan Papers on South and Southest Asia, Number 34, 1990.
  • Lieberman, Victor B. “ Political Consolidation in Burma Under the Early Konbaung Dynasty, 1752-c. 1820.” Journal of Asia History 30.2 (1996): 152-168.
  • Pollak, Oliver B. "Dynasticism and Revolt: Crisis of Kingship in Burma, 1837-1851." Journal of Southeast Asian Studies 7 (1976): 187-196.
  • Thant Myint-U, The Making of Modern Burma, ISBN 0-521-79914-7

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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