Dinastia argéada

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, comprometendo a sua verificabilidade(desde Dezembro de 2012). Por favor, adicione mais referências inserindo-as no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

A Dinastia argéada foi a dinastia mais importante dos reis da antiga Macedônia, que eventualmente dominaram a Grécia e fundaram o Império Macedônico (ou Império Helênico). Segundo Plutarco, esta dinastia descendia de Argeas, um general macedônio. Os membros mais famosos da casa real foram Felipe II da Macedônia, que unificou os gregos, e Alexandre, o Grande, que derrotou o Império Aquemênida e criou seu próprio império.

Origens[editar | editar código-fonte]

Uma tradição diz que descendem de Têmeno, suposto tetraneto de Hércules e originário da cidade de Argos; daí o nombre da dinastia: argéadas.[1][2]

Foi Alexandre I da Macedônia (498-454 a.C.) quem promoveu o mito de que seus antepassados eram temênidas e, por consequência, descendentes do herói mitológico Hércules. Heródoto deve ter se informado sobre a pretendida ascendência grega da casa real dos argéadas durante sua estadia na Macedônia e fala dela em sua História.[3]

«Helânico viveu em companhia de Heródoto na corte de Amintas [deve ser um erro por Alexandre I], rei da Macedônia».[4]

Ao afirmar o caráter grego dos reis macedônios, o historiador de Halicarnasso tomava parte da simpatia que Atenas sentia pela Macedônia na época.

No entanto, é preciso destacar que os reis macedônios se consideravam reis gregos de um povo bárbaro, com o que se diferenciavam etnicamente de seus súditos.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Segundo Tucídides, os temênidas conquistaram a Macedônia após derrotar os pieres, habitantes da Piéria, expulsaram os bótios, habitantes da Bótia, e conquistaram o território da Peônia compreendido entre o rio Áxio e a cidade de Pela, até o mar. Ocuparam a região de Migdônia após desalojar os trácios edões, e fizeram o mesmo com os eórdios, que praticamente exterminaram, e que viviam na região chamada de Eórdia.[6] Também expulsaram os almópias de suas terras na região da Almópia.[7] Apoderaram-se de mais aldeias e cidades, como Antemunte,[8] Crestônia, Bisálcia e de uma grande parte dos territórios que, junto destas regiões, no conjunto, seriam batizadas como Macedônia.[9]

A linhagem dos argéadas se extinguiu nas Guerras dos Diádocos, durante as quais Alexandre IV da Macedônia e sua mãe, Roxana, foram assassinados.

Conflitos[editar | editar código-fonte]

No século V a.C., os soberanos argéadas ficaram sob tutela persa. O soberano devia prestar juramento de fidelidade aos aquemênidas para conservar seu reino. Alexandre I perseguiu o exército de Xerxes I. Xenofonte diz que, em Plateias, Alexandre teria confiado nos planos de Xerxes aos gregos.

A Macedônia ampliou seu território em direção ao leste, perseguindo os persas em sua derrota. À medida que se estendiam, se encontraram ao leste com as populações trácias, ao norte, e ao oeste com os ilírios.

Sempre estavam em guerra. Durante o século V a.C., o problema se complicou com a chegada dos atenienses, que queriam toda a costa da Calcídica e se chocaram com os macedônios, que também tinham em vista as cidades litorâneas. A madeira da Macedônia era apreciada para a construção dos trirremes.

Os reis macedônios aproveitaram a Guerra do Peloponeso para eliminar a Atenas da cidade de Anfípolis e recorreram a Esparta para lutar contra Atenas. Ao final, os soberanos macedônios se libraram da Guerra de Peloponeso e se desfizeram da presença ateniense. Em 413 a.C., com a chegada de Arquelau I o confronto com Atenas chega ao fim, e o rei concluiu um tratado comercial com os atenienses. Buscou modernizar seu reino, com o fortalecimento a organização política e militar. Interveio nos assuntos da Tessália e subjugou os príncipes da Alta Macedônia. Eurípides se refugiou na corte de Arquelau. Um complô acabou com a vida de este rei.

Entre 399 e {{AC|393, sucedeu-se um período de instabilidade.

Amintas III da Macedônia (393 370 a.C.) esteve em constante luta contra as povoações bárbaras vizinhas de seu reino, e venceu os invasores ilírios. Atacou as cidades gregas de Calcídica, confederadas em torno de Olinto. Os olínticos, após negociar com o soberano macedônio, tentaram apoderar-se de uma boa parte do Reino da Macedônia. Amintas III deveu a salvação à intervenção de Esparta contra Olinto e pediu a dissolução da confederação calcídica.

Amintas III tentou aproximar-se aos atenienses e aos tebanos a finais de sua reinado. A sua morte em 370 a.C. havia conseguido conservar seu reino são e salvo, levando em conta que não efetuou inovações militares.

Um novo período de instabilidade se abriu com os soberanos efêmeros. Em 359 a.C., uma nova invasão foi orquestrada pelos ilírios. Em este anho, o reino estava à beira do desastre quando Filipe II ascendeu ao trono.

Lista de reis argéadas[editar | editar código-fonte]

Genealogia dos argéadas[editar | editar código-fonte]

                         Pérdicas I
                        (700–678 a.C.)
                             |
                         Argeu I 
                        (678–640 a.C.)  
                             |
                        Felipe I 
                        (640-602 a.C.)
                             | 
                        Aéropo I 
                        (602–576 a.C.) 
                             |
                        Alcetas I 
                        (576–547 a.C.)
                             |
                        Amintas I 
                        (547–498 a.C.) 
                             |
                        Alexandre I   
                        (498–454 a.C.)  
                             |
      ———————————————————————————————————————
     |                                       |
Pérdicas II                       Felipe I de Macedônia
(485-447 a.C.)                           (? - 430 a.C.)  
     |                                                    
Arquelau I
(413-399 a.C.)
     |                                            
Período de anarquia após o assassinato de Arquelau                    
     |
Amintas III - Eurídice a Lincéstida
(389-369 a.C.)
          | 
    —————————————————————————————————————————————————————————————————————————————  
   |                            |                                                |
 Alexandre II 
(370-368 a.C.)             Pérdicas III                                       Felipe II 
                                                                            (356–336 a.C.)          
                          (365-359 a.C.)

Referências

  1. Plutarco, Moralia, 331.
  2. Têmeno seria filho de Aristômaco, que por sua vez era neto de Hilo, um dos filhos de Hércules.
  3. Heródoto,v,22; viii,137-139.
  4. Suda, s. v. Hellanikos
  5. Arnaldo Momigliano, Re e popolo in Macedônia prima di Alessandro Magno, em «Athenaeum» 13 (1935), p.3-21.
  6. Região situada a leste do território dos lincestas e ao norte dos elimiotas
  7. Região da Macedônia setentrional, ao oeste do rio Áxio e ao norte de Eórdia.
  8. na Calcídica ocidental, nas margens do rio de mesmo nome, e ao sul de Terme.
  9. Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, ii,99,3-6.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Heródoto,vii,137-138.
  • P. Cloché, Histoire da Macédonie jusqu'à l'avènement d'Alexandre le Grand, París, 1960.

Ver também[editar | editar código-fonte]