Dino Buzzati

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Dino Buzzati
Nascimento 16 de outubro de 1906
San Pellegrino, Itália
Morte 28 de janeiro de 1972 (65 anos)
Milão, Itália
Nacionalidade Itália Italiano
Influências
Gênero literário Romancista
Magnum opus O Deserto dos Tártaros

Dino Buzzati Traverso (San Pellegrino di Belluno, 16 de outubro, 1906Milão, 28 de janeiro, 1972) foi um escritor italiano, bem como jornalista do Corriere della Sera. Sua fama mundial é principalmente devido ao seu romance Il deserto dei Tartari, traduzido para português como O Deserto dos Tártaros, de 1940. Dino Buzzati detém um estilo inconfundível, que não obedece a modas e etiquetas, explorando sempre uma visão fantástica e absurda do real. A sua obra está traduzida em inglês, francês, alemão e espanhol e difundida largamente em todo o mundo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Dino Buzzati nasceu perto de Belluno em uma pequena propriedade rural de sua família. Sua mãe, veterinária, era veneziana e seu pai, professor universitário, era de uma antiga família de Belluno. Buzzati foi o segundo dos quatro filhos do casal. Desde muito jovem manifestou as que iam ser as aficções de toda sua vida: escrevia, desenhava, estudava violino e piano, além da paixão pela montanha à que dedicou sua primeira novela, Bárnabo das montanhas (Bàrnabo delle montagne) (1933).

Em 1924 ele entrou para a faculdade de direito da Universidade de Milão, onde seu pai já ensinara. Quando já estava para terminar seu curso de direito, aos 22 anos, tornou-se jornalista do importante diário milanês Corriere della Sera, onde permaneceria até a sua morte. Não começou como repórter, onde só depois trabalharia como correspondente especial, ensaísta, editor e crítico de arte. É comum dizer que sua profissão como jornalista teve forte influência sobre seus escritos, emprestando mesmo para seus contos mais fantásticos uma aura de realismo. Frequentou o Liceo Classico Parini de Milão e laureou-se em jurisprudência com a Tese "La natura giuridica del Concordato".

O sucesso obtido com sua primeira novela, a já citada Bárnabo das montanhas, não se repetiu com a seguinte O segredo do Bosque Velho (Il segreto do Bosco Vecchio) (1935), que foi acolhida com indiferença.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Buzzati serviu na África, como jornalista da Marinha italiana. Após a guerra, publicou sua obra-prima, O Deserto dos Tártaros, alcançando fama mundial e tendo grande sucesso de crítica.

Desde 1936 escreveu numerosos relatos para o Corriere della Sera e outros jornais, posteriormente recopilados em Os sete mensageiros e outros relatos (I sette messaggeri) (1942), Paura alla Scala (1949), Il crollo della Baliverna (1954), Sessanta racconti (1958, prêmio Strega), Esperimento dei magia (1958), Il colombre (1966), As noites difíceis e outros relatos (Lhe notti difficili) (1971).

Em 1960 saiu O grande retrato (Il grande ritratto), quase um experimento de novela de ficção científica, onde entra em cena o universo feminino, que até então tinha explorado muito pouco. Três anos depois, em Um amor (Un amore) relatou a história de Antonio Dorigo, um homem que encontra o amor aos cinquenta anos: apresenta prováveis rasgos autobiográficos, já que aos sessenta Buzzati casou-se com Almerina Antoniazzi.

Também elaborou roteiros de cinema, como o de Il viaggio de G. Mastorna, colaborando com Federico Fellini além de libretos de ópera. Entre vários outros, venceu o prêmio jornalístico Mario Massai (1970) pelo artigo publicado no Corriere della Sera nell'estate (1969), sobre a descida do homem à Lua.

Em 1972 morre em decorrência do câncer, após uma prolongada luta contra a doença, na clínica La Madonnina de Milão.

Obra[editar | editar código-fonte]

Buzzati começou a escrever ficções em 1933. Em sua obra há romances, peças de teatro, peças para rádio, libretos, poesia e contos.

Escreve um livro infantil intitulado La famosa invasione degli orsi in Sicilia. Escreve um livro de comédia baseado no mito de Orfeu, Poema a fumetti.

Sua obra ocasionalmente é classificada como Realismo Mágico e alienação social. Também escreveu diversos contos com animais fantásticos tais como o bogeyman e, de sua própria criação, il colombre.

Literatura[editar | editar código-fonte]

A obra literária de Dino Buzzati remete — como se tinha antecipado — por uma parte à influência de Kafka pelo escárnio e a expressão da impotência humana enfrentada ao labirinto de um mundo incompreensível. Mas também remete ao Surrealismo, como acaece em seus contos em onde a conotação onírica está sempre muito presente. Talvez a mais convincente das tentativas de estabelecer relações tenha que ser procurada no seu parentesco com as correntes existencialistas dos anos 1940–1950. Ou na proximidade ao espírito de A náusea (1938) de Jean-Paul Sartre; ou na de Albert Camus com O estrangeiro (1942). Por outro lado devemos voltar a remarcar que O deserto dos tártaros contribuiu para a total notoriedade do autor, que conheceu com esta novela o sucesso mundial; obra não desprovida em suas descrições de uma verdadeira relação com um «presente perpétuo e interminável», que vinculam este tópico com outros dois grandes clássicos: Georges Perec e As coisas, e Thomas Mann com sua Montanha mágica.

Atraentemente, Buzzati não aceitou jamais ser considerado um escritor. Definia-se, melhor, como um simples jornalista que escrevia de tanto em tanto ficções ou novelas, às quais não atribuía grande valor. O julgamento da posteridade e o de seus contemporâneos tem contradito muito profundamente o ponto de vista do próprio Buzzati.

O Deserto dos Tártaros

Il deserto dei Tartari, obra máxima de Dino Buzzati, foi publicada em 1940. A experiência de quando servira no exército, antes da Segunda Guerra Mundial, serviu como base para o romance. Segundo o próprio o autor, a história veio numa madrugada quando voltava ao jornal onde trabalhava, o Corriere della Sera, de uma só vez:

"Caracterizado por um clima de profunda indagação filosófica, comparado desde o seu aparecimento a Kafka, trata-se de uma aguda reflexão sobre a inutilidade do poder. Mas enquanto o mundo do genial tcheco é fechado e maldito, a atmosfera idealizada por Buzzati não abstrai a possilibilidade da esperança - ainda que inútil. Ele sabe, como ninguém, fazer de sua alegoria uma verdade poética desconcertante. O livro conta a desventura do oficial Giovanni Drogo, o qual, aos vinte anos, é nomeado, em seu primeiro posto, para o forte Bastiani, que se ergue imponente e solitário às margens abandonadas do 'deserto tártaro'. Drogo, que espera ficar ali poucos meses, aguardando uma transferência, vê a vida transcorrer sem que sua razão de ser se realize: transformar-se num soldado verdadeiro, conhecer a glória de participar de uma guerra que, tudo indica, não vai acontecer...."[1]

O romance se passa em torno da figura do recém oficial Giovanni Drogo que passa quase toda sua vida no Forte Bastini à espera do exército de tártaros que podem chegar a qualquer momento. O Deserto dos Tártaros, talvez um dos maiores romances italianos do século passado, constitui assim, uma meditação sobre a solidão e sobre a inexorável passagem do tempo.

Abaixo, o comentário de Ugo Giorgetti acerca do livro: Um homem encerrado numa fortaleza espera por uma batalha decisiva, quando os tártaros chegarem. Em meio à monotonia da vida de quartel, a pequenos incidentes inócuos, a um lento escorrer do tempo, a vida vai passando. E os tártaros nunca chegam. Os olhos agora velhos ainda espreitam através do binóculo o lugar ao longe onde um dia os tártaros deveriam surgir. A vida finalmente passa e o homem morre. Esse romance que é, na síntese de um ensaísta italiano, “o tema da vida como espera, renúncia e derrota” é uma das obras mais inquietantes do século XX.[2]

Em 1976 o director Valerio Zurlini estreou uma ambiciosa versão cinematográfica da novela.

Pintura[editar | editar código-fonte]

Fica por recordar o interesse deste autor pela pintura, que se traduziu em obras nascidas da mistura entre texto e ilustrações (Poema a fumetti, 1969; I miracoli dei Val Morel, 1971). As atmosferas mágicas, surrealistas, góticas de sua prosa estão impregnadas de um sentido de angústia (pense-se no justamente celebrado conto «Sette piani», onde o itinerario ao longo da doença está impregnado de um presságio de morte), desalento em frente ao inevitável de um destino paradójico e irónico; o prazer do leitor está garantido por uma escritura rápida, que cativa, como nota jornalística.

Influências[editar | editar código-fonte]

Pode-se observar na obra de Dino Buzzati uma forte influência de toda a literatura fantástica do Século XIX. Já no século XX, a influência de Jean-Paul Sartre, Albert Camus e, princiapalmente, Franz Kafka.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Prosa e poesia[editar | editar código-fonte]

  • Bàrnabo delle montagne, 1933
  • Il segreto del bosco vecchio (O Segredo do Bosque Velho), 1935;
  • Il deserto dei Tartari (O Deserto dos Tártaros), 1940.
  • I sette messaggeri (Os Sete Mensageiros), 1942.
  • La famosa invasione degli orsi in Sicilia (A Famosa Invasão dos Ursos Na Sicília), 1945.
  • Il libro delle pipe, 1945.
  • Paura alla Scala, 1949.
  • In quel preciso momento (Naquele Exato Momento), 1950.
  • Il crollo della Baliverna (A Queda da Baliverna), 1957.
  • Sessanta racconti, 1958.
  • Le storie dipinte, 1958.
  • Esperimento di magia, 1958.
  • Il grande ritratto, 1960.
  • Egregio signore, siamo spiacenti di..., 1975.
  • Un amore (Um Amor), 1963.
  • Il capitano Pic e altre poesie, 1965.
  • Scusi da che parte per Piazza Duomo?, 1965.
  • Tre colpi alla porta, 1965.
  • Il colombre, 1966.
  • Presentazione a L'opera di Bosch, 1966.
  • Due poemetti, 1967.
  • Prefazione a R.James, 1967.
  • Prefazione a W:Disney, Vita e dollari di Paperon de' Paperoni, 1968.
  • La boutique del mistero, 1968.
  • Poema a fumetti, 1969.
  • Le notti difficili (As Noites Difíceis), 1971.
  • I miracoli di Val Morel, 1971.
  • Prefazione a Tarzan delle scimmie, 1971.
  • Cronache terrestri, servizi giornalistici, a cura di Domenico Porzio, 1972.
  • Congedo a ciglio asciutto di Buzzati, 1974.
  • Romanzi e racconti, 1975.
  • I misteri d'Italia, 1978.
  • Teatro, 1980.
  • Dino Buzzati al Giro d'Italia, 1981.
  • Le poesie, 1982.
  • 180 racconti, 1984.
  • Il reggimento parte all'alba, 1985.
  • Lettere a Brambilla, 1985.
  • Il meglio dei racconti, 1990.
  • Le montagne di vetro, 1990.
  • Lo strano Natale di Mr. Scrooge e altre storie, 1990.
  • Bestiario, 1991.
  • Il buttafuoco, 1992.
  • La mia Belluno, 1992
  • Il borghese stregato ed altri racconti, 1994.

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • Piccola passeggiata, 1942.
  • La rivolta contro i poveri, 1946.
  • Un caso clinico, 1953.
  • Drammatica fine di un musicista, 1955.
  • Sola in casa, 1958.
  • Una ragazza arrivò, 1958.
  • Le finestre, 1959.
  • L'orologio, 1959.
  • Un verme al ministero, 1960
  • I suggeritori, 1960.
  • Il mantello, 1960.
  • L'uomo che andrà in America, 1962
  • L'aumento (O aumento), 1962
  • La colonna infame, 1962.
  • Spogliarello, 1962.
  • La telefonista, 1964
  • La famosa invasione degli orsi in Sicilia (representado em Milão em 1965).
  • La fine del borghese, 1968.

Libreto para Música[editar | editar código-fonte]

  • Procedura penale, Ricordi, 1959.
  • Ferrovia sopraelevata, 1960.
  • Il mantello, Ricordi, 1960.
  • Battono alla porta, 1963.
  • Era proibito, 1963.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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