Dino Kraspedon

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Dino Kraspedon era um dos pseudônimos do brasileiro Aladino Félix (1920 - 1985), que alegou ter sido contactado por um alienígena, e que escreveu diversos livros sobre o assunto. Em 1968, foi preso por comandar ataques terroristas, uma sucessão de bombas que tinham por objetivo endurecer o regime militar, levando de fato ao AI-5[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aladino Félix (1920-1985), paulista da cidade de Lorena, escreveu livros curiosos sob os pseudônimos de Dunatos Menorá, Dino Kraspedon e Sábado Dinotos. Em seu sonho de tornar-se o Grande Rei predito por Nostradamus, organizou um movimento paramilitar para tomar o poder no auge da ditadura militar no Brasil. Nesse projeto, alegava contar com a ajuda de extraterrestres para governar o mundo e iniciar uma Nova Era a partir do solo paulista.

Sábado Dinotos é o pseudônimo mais conhecido de Aladino Félix, mas o livro de sua autoria que alcançou maior repercussão, tornando-se um clássico da literatura ufológica foi "Contatos com os Discos Voadores", assinado com o pseudônimo de Dino Kraspedon.

Obras e linha de pensamento[editar | editar código-fonte]

Muito mais radical que o coronel Rolim, mas posicionando-se ao lado do sionismo, mas não aceite pela comunidade judaica local, ele também acreditava ser Jeová um extraterreno. Falava explicitamente que os anjos e querubins bíblicos eram alienígenas, antes que isso se tornasse moda. Autor de uma tradução das Centúrias de Nostradamus, Sábado Dinotos concluiu que o Grande Rei do Terror, o Anticristo predito por ele, teria a ajuda de Jeová (o chefe supremo dos extraterrestres provenientes do planeta Júpiter) na batalha final contra a Besta, ou as forças do mal, cujos maiores representantes seriam a Igreja Católica e o Cristianismo. Depois disso, seria restaurada a justiça e uma nova Era de Ouro começaria na Terra, com as nações unificadas sob um único governo.

No seu livro "Mensagem aos Judeus" escrito como Dunotas Menorá ele descreve como, em sonhos, ele foi escolhido por Jeová para unificar as doze tribos de Israel Se ele cumprir estas determinações seria considerado como um segundo Elias. Posteriormente ele informa ter descoberto um código insertado na Bíblia judaica, na realidade escrita em aramaico pois os judeus não mais sabiam hebraico, pelo profeta Ezra, que ele chama de código massorético e que permitiria ler a Bíblia como realmente foi escrita, em hebraico sinaítico. Em 1962 ele publicou um Dicionário Hebraico-Português onde, no prólogo, ele explica o código massorético e fornece outras explicações sobre a língua hebraica sinaítica. Neste sentido ele fez a tradução do Pentateuco que é a parte mais sagrada para os judeus. Realmente esta tradução é mais lógica do que a corrente usada pelas igrejas. Em verdade ele não sabia hebraico, como foi comprovado pela esposa israelense deste escritor que fez as traduções para o Inglês e o Espanhol. Entretanto Sábado Dinotos demonstrava conhecimentos científicos impressionantes. Publicou um extenso ensaio sobre a rotação e órbita da Terra e, quase no final da sua vida, publicou, usando o nome de um amigo, um estudo técnico da construção de um motor magnético. Este estudo apresenta uma pequena e proposital falha que impediu a sua fabricação ate hoje.

Como as instruções de Jeová eram para reunir as tribos de Israel, sendo que dez delas estão desaparecidas, na sua tradução do Pentateuco nos fornece onde estariam exiladas estas tribos e quais os nomes que as identificariam. Outras informações também nos dizem de como se formaram as populações mundiais atuais. Posteriormente ele foi sutilmente induzido a participar de grupos extremistas. Devido a esta posição muitos amigos se afastaram dele.

Finalmente ele se considerou como a reincarnação do rei David, que seria o Messias prometido, e registrou os filhos e filhas com nomes supostamente bíblicos, segundo a sua tradução. O filho primogênito registrou como Mansueto que seria o nome correto do rei Salomão, e o seu herdeiro. A morte de Mansueto em acidente de transito abalou muito os seus pensamentos.. O estado trágico mental quanto ao seu destino e compromisso o levou a entregar-se pessoalmente no DEIC paulista declarando-se chefe e autor dos atentados terroristas, com a finalidade de ser torturado e assim ver cumpridas em si mesmo as profecias que, parece, determinam que o "Messias" seria torturado, como Jesus também proposital e igualmente fez.

Nos anos 1950 e 1960 todos os pensamentos de Dino, como era chamado pelos amigos, eram direcionados para a desejada reunião das tribos de Israel.

No livro Antiguidade dos Discos Voadores, publicado em 1967, Sábado valeu-se de admirável conhecimento de textos bíblicos e prodigiosa imaginação para fundamentar sua revelação de que há uma antiga batalha cósmica entre seres alienígenas, disputando a supremacia sobre o nosso planeta e a humanidade. Tentou demonstrar que "os discos voadores constituem a espinha dorsal que suporta todo o peso do imenso e maravilhoso livro que é a Bíblia". De acordo com sua interpretação, o Gênesis fala da "remodelação da Terra por homens que vieram do espaço em suas naves sob as ordens diretas de Deus". Daí em diante, tudo o que apareceu por aqui teve a participação deles; trouxeram sementes para reflorestar o planeta, bem como animais e peixes para repovoar rios e mares. Também mantiveram contato sexual com terráqueas e deixaram descendentes por aqui. Segundo ele, Zeus, Júpiter e Jeová seriam a mesma pessoa; a estrela de seis pontas da bandeira israelita é na verdade o símbolo do planeta Júpiter. Entretanto, outro poder extraterrestre tentou arrebatar do homem o domínio sobre o planeta: são os venusianos que, aliados a outros seres interplanetários, recusaram-se a cooperar com o plano de Jeová-Júpiter para a humanidade. Nesta "guerra nas estrelas", freqüentemente a Terra é palco de batalhas. Sábado nem pestanejou em dizer que inúmeros discos voadores são abatidos em nossos céus, caindo nas mais diversas regiões do planeta. Previu que esta guerra se intensificaria, tornando essas quedas cada vez mais freqüentes...

A relação Vênus e Lúcifer é já conhecida: na tradição cristã representa o opositor de Deus, o anjo decaído, as forças do mal. Sábado, entretanto, subverteu essa simbologia tentando nos convencer que este papel cabe a Jesus, à Igreja e ao Cristianismo. Buda e Maomé também estavam comprometidos com o opositor de Deus, e Cristo teria sido um extraterrestre produzido por inseminação artificial, para servir de instrumento para os alienígenas rebeldes. Segundo ele, o nome Jesus – Jeshua – tem origem no termo hebraico Heshu, com H bem gutural quase uma K, significando serpente. Este ser, Keshu, teria vindo da Constelação da Serpente, cujos seres também vieram a Terra quando da descida dos "filhos dos Elohim". Os seus descendentes seriam os atuais Quechuas do Peru.Na fuga do Egito, Maria foi levada com ele a bordo de uma nave espacial, a mesma que foi vista nos céus de Roma à época de César Augusto e que a História registra como sendo um cometa..Uma nave estelar similar acompanhou o povo israelita durante o Éxodo. O maná que alimentou o povo israelita no deserto durante 40 anos teria sido fabricado no laboratório da imensa nave. No livro Crônicas, traduzido mas não publicado, podemos verificar a intervenção de seres extraterrestres durante a conquista de Canaã pelos israelitas.

As idéias de Sábado Dinotos seduziram muita gente e arrebanharam seguidores que se propuseram a lutar pela sua “causa”, na luta contra a Igreja e o cristianismo, chamado por ele de "misticismo colonizador". Propunha em contraposição o "antimisticismo libertador", o cumprimento da vontade de Jeová-Júpiter e um alinhamento em torno do Grande Rei previsto por Nostradamus, para restaurar a justiça, a verdade e o reino de Deus na Terra. Mas, quem seria o Grande Rei? Sábado não hesitou em colocar-se, ele mesmo, como o próprio. Deixou de usar seu nome real, Aladino Félix, e adotou o pseudônimo que se enquadrava nos textos bíblicos e nas profecias de Nostradamus. Assim, ele explica na sua tradução das Centúrias: "Júpiter era David, cuja pronúncia hebraica era Sabid (...) Sabid, em hebraico antigo, significava sete, porque ele era o sétimo filho; também era Júpiter e condutor." (Antigüidade dos Discos Voadores, pág. 35). Quanto a Dinotos, viria de Dinoch, em hebraico "o último". Os termos foram aportuguesados para atender a razões numerológicas. Com este artifício, adequava-se a ser identificado como o Profeta cujo nome Nostradamus fornece na quadra 2:28, e que apareceria no final dos tempos para fazer cumprir a lei de Moisés. O texto grego e latino do Novo Testamento, seguido pelos cristãos, é chamado por ele de "lei de Vênus". Como nem judeus ou cristãos chegaram a entender a Bíblia, a verdade seria restaurada "pelo Messias que os judeus esperam que venha unir Israel." Acreditando-se este Messias, Sábado arregaçou as mangas e tentou forçar a barra para que as profecias se cumprissem. Chefiou uma célula terrorista no final dos anos sessenta e tornou-se o único guerrilheiro de extrema-direita deste conturbado período de nossa História. Acabou preso, torturado, conseguiu fugir, foi recapturado e fugiu novamente. Depois de cumprir pena, desapareceu no ostracismo, sem que suas profecias se tornassem realidade. Sábado associava a imagem da cruz com o símbolo das forças do mal, chefiadas pelos alienígenas de Vênus. Dizia também que a constelação do Cruzeiro do Sul era a região do espaço onde se aglutinavam estas forças. Por ironia do destino, depois da segunda fuga, foi preso na cidade paulista de Cruzeiro, quando tentava fugir para Minas...

Sábado Dinotos se antecipou por décadas ao hoje famoso investigador escritor Zecharia Sitchin.

Na sua interpretação das Centúrias, Sábado tomou muitas liberdades com o texto de Nostradamus, chegando ao extremo de afirmar de que o Grande Rei anunciado por ele não deveria nascer em Lorraine na região de Alsácia, na França, mas na cidade paulista de... Lorena, onde Aladino nasceu! A base desta afirmativa é de que, segundo Sábado Dinotos, as Centurias foram escritas em Francês Provençal, e Nostradamus, que era judeu converso, teria aproveitado para predizer o futuro copiando o profeta Daniel e sem chamar a atenção da Inquisição. Marta, a segunda esposa de Aladino Felix, foi definitivamente contraria a publicação das Centúrias.,

Morte e história[editar | editar código-fonte]

Esta figura controvertida, cujo verdadeiro papel nos anos negros da repressão militar ainda está para ser devidamente avaliado, morreu em 1985. Mas a sua história não termina por aqui: nos anos 90 surgiu nos meios ufológicos um cidadão (Oswaldo Oliveira Pedrosa, 1905-2004), apresentando-se como Dino Kraspedon e autor da obra "Contatos com os Discos Voadores", utilizando inclusive a mesma capa da edição original. Ora, é pública e notória a verdadeira autoria deste livro, pois Dino Kraspedon foi um dos vários pseudônimos de Aladino Félix. Causa estranheza que alguém se faça passar por ele e ainda tenha a ousadia de se apresentar em congressos e simpósios de ufologia, como um dos "primeiros contatados" pelos extraterrestres!

Publicação[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Atentados de direita fomentaram AI-5». Agência Pública. 1 de outubro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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