Diocese de São Tomé e Príncipe

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Diocese de São Tomé e Príncipe
Diœcesis Sancti Thomæ in Insula
Localização
País  São Tomé e Príncipe
Arquidiocese Metropolitana Santa Sé
Estatísticas
População 155 000
Área 1 001 km²
Informação
Rito Romano
Criação da Diocese 3 de novembro de 1534 (483 anos)
Padroeiro(a) Santo Tomé Apóstolo
Governo da Diocese
Bispo Manuel António Mendes dos Santos
Jurisdição Diocese
Página Oficial http://www.ceastangola.org/dioceses/sao-tome/sao-tome_0_127.html

A diocese de São Tomé e Príncipe (em latim Dioecesis Sancti Thomae in Insula), é uma diocese são-tomense, do rito latino, directamente subordinada à Santa Sé, constituída sui iure a 31 de Janeiro de 1533 pelo Papa Clemente VII por desmembramento da Arquidiocese do Funchal. Foi de facto constituída em diocese em 1534, pelo Papa Paulo III, abrangendo então Angola e Moçambique, sendo seu primeiro bispo Diogo Ortiz de Vilhegas, mais tarde bispo de Ceuta.[1] Até 1842 o seu território abrangia também toda a costa do Golfo da Guiné.

História[editar | editar código-fonte]

A ilha de São Tomé foi descoberta por João de Santarém e Pero de Escobar no dia do Apóstolo São Tomé (21 de Dezembro no calendário litúrgico antigo) em 1470. Não tinham passado poucos dias depois do dia 1 de Janeiro de 1471 que os mesmos descobridores encontravam a ilha mais pequena. A esta deram o nome de Ano Bom. No dia 17 de Janeiro do mesmo ano deram com Santo Antão ou Santo António Abade, hoje denominada de Ilha do Príncipe por pertencer ao príncipe Dom João, que veio a ser o rei Dom João II.[2] Todas as ilhas eram desabitadas, portanto, o povoamento e colonização não foram imediatos e com certa dificuldade começaram o povoamento das mesmas quando já reinava Dom João II.

A ilha principal, a de S. Tomé, foi finalmente constituída em capitania e doada a João de Paiva, fidalgo da Casa do Rei, por carta de 24 de Setembro de 1485. A doação veio a ser transferida mais tarde parta Álvaro de Caminha que em 1493 iniciou vários povoamentos. Água-Ambó foi a primeira povoação estabelecida pelos colonos junto à Ponta Figo. Daí se transportaram para o lugar onde hoje assenta a cidade de São Tomé. Em 1500 a capitania da ilha passou a Fernando de Melo, sendo a jurisdição civil e criminal ligada à capitania-mor. Este incentiva a criação de estruturas eclesiásticas. Quatro anos depois já estava erecta a primeira freguesia em território santomense com o título de Nossa Senhora da Graça.[1] O culto e pastoreio foi entregue aos missionários Eremitas de Santo Agostinho ou Cónegos de Santo Elói. As ilhas ficavam desde então sob a jurisdição do vigário de Tomar nullius dioecesis. Com a criação da diocese do Funchal, João III concede aos habitantes das ilhas várias isenções e privilégios desde 12 de Junho de 1514. Nessa altura o bispado funchalense incorporava todas as ilhas e terras dos descobrimentos, sendo por algum tempo a mais extensa do mundo. Com data de 19 de Maio de 1524, Dom João III concede foral aos habitantes de São Tomé.

A instâncias de Dom João III, vendo a expansão dos descobrimentos, o papa Clemente VII decidiu erigir as dioceses de São Miguel dos Açores (a atual Angra do Heroísmo), Santiago de Cabo Verde (hoje diocese da Praia), São Tomé e Príncipe e Goa. Não Chegou a expedir as respectivas bulas por ter falecido. Com a eleição do papa Paulo III, o rei conseguiu a ereção de uma diocese em São Tomé. A mesma é criada pela bula Aequum reputamus, de 3 de Novembro de 1534,[3] e abrangia a ilha do mesmo nome, a do Príncipe (então denominada Santo Antão), Fernão Pó, Ano Bom e Santa Helena, e a costa de África, desde o Cabo das Palmas, até ao Cabo das Agulhas, passando pelo Cabo da Boa Esperança. A nova diocese ficava sufragânea da Arquidiocese do Funchal, Ilha da Madeira, o que se manteve até 1551, ano em que passou para sufragânea de Lisboa, metropolita na capital real. Para seu primeiro bispo foi nomeado Diogo Ortiz de Vilhegas,[1] que era sobrinho do célebre bispo de Ceuta e Viseu do mesmo nome. No entanto não chegou a tomar posse, nomeando um vigário para o governo da mesma.

Criação da Diocese[editar | editar código-fonte]

Por bula de 20 de Maio de 1596, o Papa Clemente VIII desmembrou os territórios do Congo, erigindo assim o bispado de São Salvador de Angola e Congo (atual Arquidiocese de Luanda). O segundo bispo de São Tomé foi o célebre Dom Frei Bernardo da Cruz, nomeado em 1540. Infelizmente este também não foi ao bispado, apesar da insistência do papa Paulo III. O terceiro, Dom Frei Gaspar Cão, nomeado em 6 de Julho de 1554 pelo bispo de Roma Papa Júlio III, quis seguir o mesmo caminho dos dois primeiros. Em 1562, não obstante um breve enérgico do Papa Pio IV, que o ameaçou de excomunhão, ainda se encontrava em Lisboa.[4] Finalmente partindo rumo às ilhas São-tomenses, quando lá chegou não foi muito feliz no seu governo. O prelado escandalizou os fiéis e o clero da sua diocese com o seu procedimento. O cardeal Dom Henrique, Arcebispo de Évora, instaurou um processo contra ele mas a história ignora o seu resultado.

Em 1540 tinha ocorrido um acontecimento que, posteriormente, teria sérias consequências, e fosse essa a razão que levasse a muitos dos nomeados a tardarem na tomada de posse. Trata-se no naufrágio dos chamados Angolares. No dia 25 de Janeiro de 1578 o abade cisterciense Dom Martinho de Ulhoa é eleito para a sé são-tomense. Embora fosse verdadeiramente um pastor do rebanho, teve gravíssimos conflitos com Miguel Teles de Moura. O prelado retirou-se para o metrópole e o governador morreu em 1591. Um ano depois Dom Martinho resignou de seu cargo, vindo a falecer no dia 8 de Agosto de 1606. Entre 1594 e 1595 alastrou-se nova revolta na ilha, em resultado de um conflito entre o novo bispo franciscano e o governador Fernando de Meneses. Dom Francisco de Vilanova havia sido eleito em 17 de Fevereiro de 1590, e chegara à ilha em 1592, assumindo interinamente o governo da ilha, por ter falecido o governador Duarte Peixoto. Quando em 1594 veio de Lisboa o sucessor do governador, Dom Fernando de Meneses, acendeu-se uma luta entre os dois, que chegou ao extremo do bispo excomungar o governador. Este acto, que caiu mal na população, deu lugar a uma revolta chefiada por um africano nativo de nome Amador. Nessa altura, Amador sente que o governador está diminuído no seu poder e prestígio. Em de 9 de Julho de 1595 se proclama rei de São Tomé.[5] A revolta foi dominada e Amador é preso e condenado por traição em 1596. Por causa destes acontecimentos o bispo é chamado ao Reino e talvez se tenha justificado, pois regressou a São Tomé, onde morreu no dia de Natal de 1602.

Sucedeu-lhe o dominicano Dom Frei António Valente, natural de Lisboa, e o qual o papa Clemente VIII elegeu para bispo no dia 30 de Agosto de 1604. Este tentou introduzir reformas na diocese, mas teve graves desavenças com o cabido quanto à forma das implementar. Parece ter morrido em 1608, não havendo dados certos. No entanto, a revolta de Amador sobressaltara os habitantes da ilha e muitos deles, temendo novas revoltas, fizeram-se transportar para o Brasil. Esta circunstância, e não só, marcou o início de decadência nas ilhas. Depois de um breve período de lutas graves entre as autoridades civis e eclesiásticas, o bispo Dom Frei Jerónimo de Quintanilha assume o governo eclesiástico e civil. Em 21 de Fevereiro de 1611 o abade da Ordem de Cister é confirmado pelo mesmo papa bispo das ilhas de São Tomé. Veio a morrer em 1614. Ao cargo do governo civil sucedendo-lhe o ouvidor Luís de Abreu, que antes fora excomungado. No dia 26 de Outubro de 1615 Pedro de São Agostinho Figueira da Cunha Lobo, desta vez um augustiniano é eleito bispo da diocese. Estamos no ano de 1616, sendo governador um tal Miguel Correia Baharem. Este teve um governo agitadíssimo, indispondo-se com toda a gente.[6] No mesmo ano é ordenado bispo o Dom Pedro da Cunha Lobo. Recém-chegado do Reino, vê-se obrigado a assumir também o governo civil das ilhas. No entanto, querendo dedicar-se inteiramente à sua querida diocese, este entrega o governo civil a um fidalgo chamado Félix Pereira. Em 16 de Maio de 1620 morre o bispo protector de Félix Pereira. Este vê o seu cargo transferido para Jerónimo de Melo Fernando como governador. Entretanto é eleito administrador diocesano o prior Francisco Pinheiro de Abreu, que entrou em conflito com os cónegos. O administrador vê-se impedido de exercer seu cargo. Entretanto o papa Urbano VIII nomeia outro agostiniano, Francisco de Soveral, cuja nomeação apostólica tem a data de 5 de Outubro de 1623. No entanto, só vem a tomar posse da diocese no ano seguinte. Entretanto o caso de Francisco Abreu continuou, e como o governador teimou em apoiar os cónegos, o padre é assassinado em 1627.[4]

Actualmente a diocese abrange o território nacional de São Tomé e Príncipe, numa área total de 1001 km², num total de 155.000 habitantes, com 112 931 católicos, ou seja, 81,2% da população distribuída por 12 paróquias. Embora o patrono da diocese seja São Tomé Apóstolo, cuja festividade é celebrada no dia 21 de Dezembro, o titular da Sé Catedral é Nossa Senhora da Graça, com comemoração obrigatória no dia 25 de Março. Dom Manuel António Mendes dos Santos é seu bispo diocesano desde 1 de Dezembro de 2006, fazendo parte da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe.

Lista de bispos de São Tomé e Príncipe[editar | editar código-fonte]

  1. Diogo Ortiz de Vilhegas (1533-1540)
  2. Bernardo da Cruz, O.P. (1540-1553)
  3. Gaspar Cão, O.S.A. (1554-1572)
  4. Martinho de Ulhoa, O. Cist. (1578-1592)
  5. Francisco de Vilanova, O.F.M. (1592) -1602)
  6. António Valente, O.P. (1604-1608)
  7. Jerónimo de Quintanilha, O. Cist. (1611-1614)
  8. Pedro de São Agostinho Figueira de Cunha Lobo, O.S.A. (1615-1620)
  9. Francisco de Soveral, O.S.A. (1623-1627)
  10. Domingos da Assunção, O.P. (1627-1632)
  11. Manoel a Nativitate do Nascimento, O.S.H. (1674-1677)
  12. Bernardo de Santa Maria Zuzarte de Andrade, C.R.S.A. (1677-1680)
  13. Sebastião de São Paulo, O.F.M. (1687-1690)
  14. Timóteo do Sacramento, O.S.P. (1693-1696)
  15. António da Penha de França, O.A.D. (1699-1702)
  16. João de Sahagún, O.A.D. (1709-1730)
  17. Lendra a Pietate, O.A.D. (1739-1740)
  18. Tomas Luíz da Conceição, O.A.D. (1742-1744)
  19. Ludovico das Chagas, O.S.A. (1745-1747)
  20. António Nogueira (1753-1758)
  21. Vicente do Espírito Santo, O.A.D. (1779-1782)
  22. Domingo Rosario, O.P. (1782-1788)
  23. Rafael de Castello de Vide, O.F.M. (1794-1800)
  24. Caetano Velozo, O.F.M. (1802-1803)
  25. Custódio de Santa Ana de Almeida, O.A.D. (1805-1812)
  26. Bartolomeu dos Mártires de Maia, O.C.D. (1816-1819)
  27. Sé Vaga e governada por Vigários Gerais (1819-1941)
  28. Moisés Alves de Pinho, C.S.Sp. (1941-1966)
  29. Abílio Rodas de Sousa Ribas, C.S.Sp. (1984-2006)
  30. Manuel António dos Santos, C.M.F. (2006)

Referências

  1. a b c São Tomé e Príncipe: Administração Eclesiástica, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol XXVII, Editorial Enciclopédia,Ltd, Lisboa, 1945, pg. 648
  2. Viana de Almeida, Povoamento e Colonização da ilha de S. Tomé, Cadernos Coloniais, n.º 67, Lisboa, s.d.; 1884
  3. Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, Imprensa Académica, 1909
  4. a b São Tomé e Príncipe: Administração Eclesiástica, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol XXVII, Editorial Enciclopédia,Ltd, Lisboa, 1945, pg 649
  5. Negreiros, Ile de San Thomé, Paris, 1901)
  6. Viana de Almeida, Povoamento e Colonização da ilha de S. Tomé, Cadernos Coloniais, n.º 67, Lisboa, s.d.; 1884

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]