Diogo Alves
| Diogo Alves | |
|---|---|
Gravura da época, 1840 | |
| Nascimento | 1810 |
| Pseudônimo(s) | O (alegado) assassino do Aqueduto das Águas Livres |
| Morte | Cais do Tojo (Lisboa) |
| Nacionalidade(s) | |
| Crime(s) | homicídio e furto |
| Pena | enforcamento |
| Situação | morto |
Diogo Alves (Santa Gertrude, Samos, Galiza, c. 1810 – Cais do Tojo, Lisboa, 19 de fevereiro de 1841) foi um criminoso galego radicado em Portugal, cuja fama como o “assassino do Aqueduto das Águas Livres” foi amplamente divulgada na cultura popular portuguesa, mas carece de fundamento documental.[1]
Biografia
[editar | editar código]Diogo Alves nasceu no ano de 1810, na paróquia e freguesia de Santa Gertrude de Samos, província de Lugo, na Galiza. Filho de uma família de agricultores, filho de Rosa Alves e Anselmo Alves. Durante a infância, ajudava os pais nos trabalhos agrícolas e, quando era jovem, caiu de um cavalo da família , o que lhe valeu a alcunha de "Pancada". Aos 13 anos, os pais enviaram-no para Lisboa para tentar a sua sorte, onde trabalhou, entre outras coisas, como mensageiro.[2]
Durante algum tempo, ele se correspondeu com seus pais, mas chegou a hora em que Alves cortou a comunicação com sua família na Galiza.[2]
Estabelecido em Lisboa ainda jovem, Diogo Alves ficou posteriormente ligado, através da tradição oral e ficção popular, a uma alegada vaga de assassinatos ocorrida no Aqueduto das Águas Livres entre 1836 e 1841, embora nunca tenha sido julgado ou sequer formalmente acusado de tais crimes.[3] As acusações concretas contra ele incidiram sobre os assassinatos da família acolhida pelo médico Pedro de Andrade, bem como o subsequente homicídio do criado Manuel Alves.[4] Foi condenado e executado por esses crimes, juntamente com outros cúmplices.[5]
O seu caso foi extensivamente revisto e analisado na obra de investigação histórica Os Segredos de Diogo Alves (2025), onde se conclui, com base no processo judicial arquivado na Torre do Tombo e outros documentos históricos e literários, que Diogo Alves nunca foi julgado por quaisquer “crimes do aqueduto”[6]. Segundo o autor, a associação de Alves a esses crimes resultou de rumores e reconstruções ficcionais surgidas somente após a sua execução,[7] consolidando-se através de relatos literários, jornais sensacionalistas e até produções cinematográficas posteriores.
Após a sua execução por enforcamento a 19 de fevereiro de 1841, no Cais do Tojo, o seu corpo foi levado para o Cemitério do Alto de São João, onde décadas mais tarde o seu crânio terá sido obtido por Francisco Ferraz de Macedo, para fins de estudo anatómico.[8]
A ideia de que é sua a cabeça actualmente preservada e exposta no teatro anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa é rejeitada por Miguel Carvalho Abrantes, com base em incongruências físicas, cronológicas e museológicas.[9]
Apesar da sua notoriedade, não há qualquer prova documental contemporânea que associe Diogo Alves a uma série de homicídios no Aqueduto das Águas Livres. O seu mito como “primeiro assassino em série português” assenta numa construção posterior, dissociada dos factos judiciais verificados.[10]
Representações culturais
[editar | editar código]A figura de Diogo Alves inspirou peças literárias, filmes e crónicas ao longo do século XX e XXI. Entre as mais conhecidas, encontra-se o filme mudo Os Crimes de Diogo Alves (1911), frequentemente citado como o primeiro filme de ficção português, que ajudou a cimentar o mito do “assassino do aqueduto”.[11]
Ver também
[editar | editar código]Bibliografia
[editar | editar código]- Miguel Carvalho Abrantes, Os Segredos de Diogo Alves: Entre o Homem e o Assassino do Aqueduto, edição de autor, 2025.
- Gideon Haigh, Tudo o que não queria saber (tradução e adaptação de Vladimiro Nunes), Tinta da China, 2006.
- Portugal: Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume IV, págs. 599–600.
Referências
[editar | editar código]- ↑ Abrantes, Miguel Carvalho. Os Segredos de Diogo Alves: Entre o Homem e o Assassino do Aqueduto (2025)
- 1 2 MACHADO, A. Vítor (1933). «Do Crime e da Loucura: Estudo sobre os delinquentes, observando-os perante as disposições dos códigos de justiça e medicina legal» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 22 de setembro de 2024
- ↑ Abrantes (2025), pp. 7–76.
- ↑ Abrantes (2025), pp. 21–25.
- ↑ Abrantes (2025), p. 34-36.
- ↑ Abrantes (2025), pp. 7–76.
- ↑ Abrantes (2025), pp. 77–116
- ↑ Abrantes (2025), pp. 101-102.
- ↑ Abrantes (2025), pp. 130-132.
- ↑ Abrantes (2025), pp. 147–149.
- ↑ Abrantes (2025), pp. 97–101.