Nísia Floresta (escritora)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Dionísia Gonçalves Pinto)
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para o município potiguar que leva seu pseudônimo, veja Nísia Floresta.
Dionísia Gonçalves Pinto
(Nísia Floresta)
Nísia Floresta (Fonte: Biblioteca Nacional)
Nome completo Nísia Floresta Brasileira Augusta
Nascimento 12 de outubro de 1810
Papari, Capitania da Paraíba
(atual Rio Grande do Norte)
Morte 24 de abril de 1885 (74 anos)
Ruão, França
Nacionalidade brasileira
Ocupação Educadora, escritora e poetisa
Magnum opus Direitos das mulheres e injustiça dos homens

Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, (Papari, atual Nísia Floresta, 12 de outubro de 1810Rouen, França, 24 de abril de 1885) foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira. É considerada uma pioneira do feminismo no Brasil e foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços públicos e privados publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava. Nísia também dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.

Em seu livro Patronos e Acadêmicos - referente às personalidades da Academia Norte-Riograndense de Letras -, Veríssimo de Melo começa o capítulo sobre Nísia da seguinte maneira: “Nísia Floresta Brasileira Augusta foi a mais notável mulher que a História do Rio Grande do Norte registra
 
Veríssimo de Melo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nísia Floresta Brasileira Augusta[1], escolheu seu pseudônimo porque Floresta foi o nome do sítio (fazenda) onde nasceu. Brasileira por causa do seu orgulho pelo país, uma necessidade quem vivera quase três décadas na Europa. Augusta é uma recordação de seu segundo companheiro e grande amor, com quem teve dois filhos, Lívia e Augusto.

Nísia foi pioneira pelas causas feminista no Brasil e na América Latina, foi escritora, lutou pela educação das mulheres, pelos indígenas, pela abolição da escravidão e pela liberdade religiosa.

Em 1831 publica em um jornal pernambucano (Espelho das brasileiras) uma série de artigos sobre a condição feminina[1]. Do Recife, já viúva, com a pequena Lívia e sua mãe, Nísia vai para o Rio Grande do Sul onde se instala e dirige um colégio para meninas.[1] O início da Guerra dos Farrapos interrompe seus planos e Nísia resolve fixar-se no Rio de Janeiro, onde funda e dirige os colégios Brasil e Augusto, conhecidos pelo alto nível de ensino.[1]

Em 1849, por recomendação médica leva sua filha que havia se acidentado gravemente, para a Europa.[1] Ali permaneceu por um longo tempo, morando a maior parte do período em Paris.[1] Em 1853, publicou Opúsculo Humanitário, uma coleção de artigos sobre emancipação feminina[1], que foi merecedor de uma apreciação favorável de Auguste Comte, pai do positivismo.

Esteve no Brasil entre 1872 e 1875, em plena campanha abolicionista liderada por Joaquim Nabuco, mas quase nada se sabe sobre sua vida nesse período.[1] Retorna para a Europa em 1875 e em 1878 publica seu último trabalho Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques.[1]

Filha do português Dionísio Gonçalves Pinto com uma brasileira, Antônia Clara Freire, Nísia morreu de pneumonia e foi enterrada no cemitério de Bonsecours. Em agosto de 1954, quase setenta anos depois, os despojos foram levados para sua cidade natal. Primeiramente foram depositados na igreja matriz, mas depois foram levados para um túmulo no sítio Floresta, onde ela nasceu[1] . A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos marcou a data com o lançamento de um selo postal.

Em 2012 foi inaugurado o Museu Nísia Floresta, localizado em um casarão do século XIX no centro do município de mesmo nome. O museu tem como objetivo preservar, coletar e expor objetos, documentação e pesquisas vinculados à história e à memória histórica de Nísia Floresta Brasileira Augusta, além de promover atividades permanentes de arte, cultura, educação e de incentivo ao turismo.

Túmulo de Nísia Floresta localizado em Nísia Floresta, Rio Grande do Norte.

Livros[editar | editar código-fonte]

Direitos das mulheres e injustiça dos homens, primeiro livro escrito por ela, e o primeiro no Brasil a tratar dos direitos das mulheres à instrução e ao trabalho, inspirado no livro da feminista inglesa Mary Wollstonecraft: Vindications of the Rights of Woman. Nísia não fez uma simples tradução, ela se utiliza do texto da inglesa e introduz suas próprias reflexões sobre a realidade brasileira.

Não é, portanto, o texto inglês que se conhece ao ler estes Direitos das mulheres e injustiça dos homens. Nesta tradução livre, temos talvez o texto fundante do feminismo brasileiro, se o vemos como uma nova escritura, ainda que inspirado na leitura de outro.

Foi esse livro que deu à autora o título de precursora do feminismo no Brasil e até mesmo da América Latina, pois não existem registros de textos anteriores realizados com estas intenções, mas ela não parou por ai, em outros livros ela continuará destacando a importância da educação feminina para a mulher e a sociedade. São eles: Conselhos a minha filha, de 1842; Opúsculo humanitário, de 1853 e A Mulher, de 1859.

Em seu livro Patronos e Acadêmicos - referente às personalidades da Academia Norte-Riograndense de Letras, Veríssimo de Melo começa o capítulo sobre Nísia da seguinte maneira: “Nísia Floresta Brasileira Augusta foi a mais notável mulher que a História do Rio Grande do Norte registra”.

Referências

  1. a b c d e f g «Nísia Floresta - Uma pequena biografia». Memória Viva. Consultado em 21 jan 2013. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Duarte, Constância Lima. Nísia Floresta - Vida e Obra. Editora Universitária. UFRN, 1995, 365 p.
  • Veríssimo de Melo. Patronos e Acadêmicos, v. 1. Academia Norte-Riograndense de Letras. Editora Pongetti, 1972, 249 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Dionísia Gonçalves Pinto