Dispensacionalismo

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O dispensacionalismo é um sistema interpretativo da Bíblia que divide a sua história em dispensações (também denominadas épocas, eras ou períodos), que representam distintas interações entre Deus e a humanidade, a partir de pactos que foram celebrados. De acordo com o dispensacionalismo, cada era do plano de Deus é assim administrada de uma certa maneira, e a humanidade é responsabilizada como mordomo durante esse tempo. As pressuposições dos dispensacionalistas começam com o raciocínio indutivo de que a história bíblica tem uma descontinuidade particular na maneira como Deus reage à humanidade no desdobramento de seus, às vezes supostos, vontades livres.[1]

A palavra "dispensação" deriva de um termo latino que significa "administração" ou "gerência", e se refere ao método divino de lidar com a humanidade e de administrar a verdade em diferentes períodos de tempo.

O dispensacionalismo é uma doutrina teológica com repercussões na escatológica cristã, pois afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento pré-tribulacionista e um período de sete anos de tribulação, após o qual ocorrerá a batalha do Armagedon e o estabelecimento do Reino Milenar de Jesus Cristo na Terra.

Doutrina[editar | editar código-fonte]

O Dispensacionalismo é um sistema teológico que apresenta duas distinções básicas: (1) Uma interpretação consistentemente literal das Escrituras, em particular da profecia bíblica. (2) A distinção entre Israel e a Igreja no programa de Deus.[2]

(1) Os Dispensacionalistas afirmam que seu princípio hermenêutico é o da interpretação literal. “Interpretação Literal” significa dar a cada palavra o significado que corriqueiramente teria no uso cotidiano. Símbolos e figuras de linguagem, neste método, são todos interpretados de forma simples e óbvia, e de forma alguma se opõem à interpretação literal. Mesmo os simbolismos e falas figurativas possuem em sua base significados literais.[3]

Há pelo menos três razões para ser esta a melhor maneira de ver as Escrituras. Primeiro, filosoficamente, o propósito da linguagem parece exigir que nós a interpretemos literalmente. A linguagem foi dada por Deus para o propósito da capacidade de comunicação com o homem. A segunda razão é bíblica. Toda a profecia sobre Jesus Cristo no Velho Testamento foi literalmente cumprida. O nascimento, ministério, morte e ressurreição de Jesus ocorreram todos exatamente e literalmente como preditos pelo Velho Testamento. Não há nenhum cumprimento não-literal destas profecias no Novo Testamento. Isto fortemente aponta para o método literal. Se a interpretação literal não for usada no estudo das Escrituras, não haverá um padrão objetivo pelo qual se possa compreender a Bíblia. Cada pessoa seria capaz de interpretar a Bíblia do jeito que quisesse. A interpretação bíblica se degeneraria em “o que essa passagem me diz...” ao invés de “a Bíblia diz...” Infelizmente, este já é um caso comum em muito do que chamam de interpretação bíblica nos dias de hoje.[4]

(2) A Teologia Dispensacionalista acredita que há dois povos distintos de Deus: Israel e a Igreja. Os Dispensacionalistas acreditam que a salvação foi sempre pela fé (Em Deus no Velho Testamento; especificamente em Deus o Filho no Novo Testamento). Os Dispensacionalistas afirmam que a Igreja não substituiu Israel no programa de Deus e que as promessas do Velho Testamento a Israel não foram transferidas para a Igreja. Eles crêem que as promessas que Deus fez a Israel (por terra, muitos descendentes e bênçãos) no Velho Testamento serão cumpridas no período de 1000 anos de que fala Apocalipse 20. Eles crêem que da mesma forma que Deus concentra sua atenção na igreja nesta era, Ele novamente, no futuro, concentrará Sua atenção em Israel (Romanos 9-11).[5]

Usando como base este sistema, os Dispensacionalistas entendem que a Bíblia seja organizada em sete dispensações: Inocência (Gênesis 1:1- 3-7), Consciência (Gênesis 3:8- 8:22), Governo Humano (Gênesis 9:1 – 11:32), Promessa (Gênesis 12:1 – Êxodo 19:25), Lei (Êxodo 20:1 – Atos 2:4), Graça (Atos 2:4 – Apocalipse 20:3) e o Reino Milenar (Apocalipse 20:4 – 20:6). Mais uma vez, estas dispensações não são caminhos para a salvação, mas maneiras pelas quais Deus interage com o homem. O Dispensacionalismo, como um sistema, resulta em uma interpretação pré-milenar da Segunda Vinda de Cristo, e geralmente uma interpretação pré-tribulacional do Arrebatamento.[6]

Dispensações[editar | editar código-fonte]

Os dispensacionalistas acreditam que há uma série de dispensações cronologicamente sucessivas, mas variam nas ordens desses eventos.

Ordem dos capítulos
Esquemas Gênesis 1-3 Gênesis 3-8 Gênesis 9-11 Gênesis 12
a Êxodo 19
Êxodo 20 a
Atos 1
Atos 2 a
Apocalipse 20
Apocalipse 20:4-6 Apocalipse 20-22
7 ou 8 esquema de
dispensação
Inocência
ou Edênico
Consciência
ou Antediluviano
Governo Humano Patriarcal
ou Promessa
Mosaico
ou Lei
Graça
ou Igreja
Reino Milenal Estado Eterno
ou Final
4 esquema de
dispensação
Patriarcal Mosaico Eclesial Sionista
3 esquema de
dispensação
(minimalista)
Lei Graça Reino

Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência, governo humano, patriarcal e lei, e estaríamos vivendo a dispensação da graça que dará lugar a milenial. Dois grandes eventos marcarão o fim desta dispensação: o arrebatamento da igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar o milênio.

A teologia do concerto (ou teologia pactual) é uma alternativa calvinista às interpretações dispensacinalistas.

O mormonismo crê em um modelo diferente de Dispensações. Dispensação, segundo o mormonismo é o espaço de tempo no qual há pelo menos um servo de Deus autorizado, que possui o Santo Sacerdócio e a missão de levar o evangelho ao habitantes da Terra. Existiram 8 dispensações ao longo da história, cada uma encabeçada por um profeta - Adão, o primeiro homem; Enoque, que liderou a cidade de Sião; Noé, que preservou a humanidade no Dilúvio; Abraão, que preservou o monoteísmo na Antiguidade; Moisés, que instituiu a Lei (lei Mosaica); Jesus Cristo (Dispensação do Meridiano dos Tempos); e mais duas dispensações na América, uma entre o povo nefita e outra entre os Jareditas. Depois de Cristo, veio a Grande Apostasia (ou Apostasia Universal), encerrada no século XIX, com Joseph Smith Sr., inicando a Dispensação da Plenitude dos Tempos, ou os Últimos Dias, que precedem a Segunda Vinda e o Milênio.

Dispensacionalismo na Ficção[editar | editar código-fonte]

O dispensacionalismo é o fundamento teológico da série de ficção Left Behind, que vendeu mais de cinquenta milhões de exemplares de livros e foi transposta para várias línguas e outras mídias, inclusive três filmes.

Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência, consciência, governo humano, patriarcal e lei, e estamos vivendo a dispensação da graça que dará lugar a milenial. O que é necessário percebermos é que Deus tendo dividido a história da humanidade em dispensações deu para cada uma delas um propósito ou missão e todas elas deveriam ter um inicio e um fim, portanto esta era atual, ou este período de tempo chamado graça em que vivemos terá um fim, o que marcará este fim? Dois grandes eventos marcarão o fim, o arrebatamento da igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar o milênio.

Referências

  1. Gentry, Kenneth (1993). Dispensationalism in Transition. [S.l.: s.n.] 
  2. «O que é o Dispensacionalismo? O Dispensacionalismo é Bíblico? | GotQuestions.org/Portugues». GotQuestions.org português. Consultado em 15 de outubro de 2019 
  3. «O que é o Dispensacionalismo? O Dispensacionalismo é Bíblico? | GotQuestions.org/Portugues». GotQuestions.org português. Consultado em 15 de outubro de 2019 
  4. «O que é o Dispensacionalismo? O Dispensacionalismo é Bíblico? | GotQuestions.org/Portugues». GotQuestions.org português. Consultado em 15 de outubro de 2019 
  5. «O que é o Dispensacionalismo? O Dispensacionalismo é Bíblico? | GotQuestions.org/Portugues». GotQuestions.org português. Consultado em 15 de outubro de 2019 
  6. «O que é o Dispensacionalismo? O Dispensacionalismo é Bíblico? | GotQuestions.org/Portugues». GotQuestions.org português. Consultado em 15 de outubro de 2019 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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