Dispersão de sementes

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Cabeça de semente Hirsutum epilobium dispersando semente.

As plantas produtoras de sementes apareceram, provavelmente, na era Paleozoica, há cerca de 350 milhões de anos. As sementes teriam surgido como uma extensão da heterosporia ( a produção de diversos tipos de esporos assexuais), em resposta a pressões ambientais. O grande êxito da semente como órgão de perpetuação e de disseminação das espécies vegetais deve-se, provavelmente a capacidade de distribuir a germinação no tempo (pelos mecanismos de dormência) e no espaço (pelos mecanismos de dispersão). A semente tem como papel biológico a conservação e a propagação da espécie, devendo germinar quando as condições são adequadas para a manutenção do crescimento da plântula e subseqüente desenvolvimento da planta.[1]

A dispersão de sementes é o movimento ou transporte de sementes para longe da planta-mãe. O mecanismo de dispersão de sementes poderiam ser definidos como os meios pelos quais a espécie vegetal (semente) tenta "conquistar" novas áreas. Essa capacidade de distribuição aleatória da germinação no espaço, conferida pelos mecanismos de dispersão, seria o fator fundamental da heterogeneidade das populações vegetais. essa heterogeneidade, por sua vez, teria sido o fator mais importante na manutenção e na expansão dos vegetais sobre a Terra.[2]

Evolução da dispersão de sementes[editar | editar código-fonte]

Sendo as plantas organismos não dispersentes, elas estão sujeitas às variações ambientais e a períodos desfavoráveis, já que não possuem a capacidade de migração de muitos animais que evitam situações desfavoráveis, migrando para outros locais. Assim, as plantas são organismos mais plásticos e possuem maior tolerância às variações ambientais. No entanto, caso não houvesse migração em nenhum dos estágios das plantas, a competição entre indivíduos de uma população e de populações adjacentes seria extremamente forte, e possivelmente poderia levar espécies à extinção via exclusão competitiva. Logo, a polinização e a dispersão de sementes garantem o movimento das plantas no espaço, e a migração de genes entre populações.[3]

Existem 3 hipóteses principais que explicam a evolução da dispersão de sementes, demonstrando vantagens do evento para as plantas. As hipóteses se baseiam em vantagens como: (a) evitar a mortalidade desproporcional das sementes e plântulas próximas à planta-mãe, (b) aumentar as chances da prole encontrar um ambiente livre de competição, (c) assegurar que a prole encontre um local favorável para se estabelecer.

Na natureza[editar | editar código-fonte]

As diferentes maneiras como os diásporos são dispersos e a frequência com que atingem ambientes favoráveis para o estabelecimento da planta é que determinam a riqueza e a distribuição espacial das populações de plântulas. Os padrões de distribuição no espaço dependem de interações diretas e indiretas com as forças seletivas bióticas e abióticas da comunidade. Assim, um dos processos que determinam a riqueza e distribuição das plantas é, sem dúvida, a síndrome de dispersão de frutos e sementes.[4]

A dispersão é caracterizada como o transporte dinâmico, resultando em estado passivo de distribuição dos diásporos desde a planta-mãe até um ambiente que ofereça condições favoráveis para o estabelecimento das espécies; assim, a dispersão torna-se realidade biológica que assegura a expansão das espécies.[4]

O conjunto de processos pelos quais sementes e frutos são dispersos ou transportados, à maior ou menor distância da planta-mãe, é definido como síndrome de dispersão. Existem quatro principais grupos de síndromes: 1)Zoocoria- dispersão realizada por diferentes grupos de animais; 2) Anemocoria - síndrome cujo principal agente dispersor é o vento; 3)Autocoria– as sementes são dispersas pelas próprias plantas, em que os frutos se abrem por deiscência explosiva e lançam as sementes; e 4) Barocoria – dispersão realizada apenas pelo peso do diásporo e por ação da força gravitacional.[4]

Zoocoria[editar | editar código-fonte]

A zoocoria recebe várias denominações de acordo com o animal que dispersa:[5]

Referências

  1. Deminicis, B.B; et al. "Dispersão natural de sementes: importância,classificação e sua dinâmica nas pastagens tropicais". Arch. Zootec. 58 (R): 35-58, 2009
  2. João, Nakagawa; Carvalho, N. M. " Sementes: Ciência, Tecnologia e Produção". 4. ed. Jaboticabal, SP,2000
  3. Leiner, N. O. "Consequências ecológicas da dispersão de sementes por vertebrados na estrutura de populações de plantas neotropicais", 2002
  4. a b c STEFANELLO, D. et al. "Síndromes de dispersão de sementes em três trechos de vegetação ciliar (nascente, meio e foz) ao longo do rio Pindaíba, MT". R. Árvore, Viçosa-MG, v.33, n.6, p.1051-1061, 2009.
  5. «Dispersão de frutos e sementes». Consultado em 11 de janeiro de 2018 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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