Diverticulite

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Diverticulite
Múltiplos divertículos no colón sigmoide
Classificação e recursos externos
CID-10 K57
CID-9 562
DiseasesDB 3876
MedlinePlus 000257
eMedicine med/578

Diverticulite é uma inflamação dos divertículos (bolsas) presentes no intestino grosso. Cerca de 95% dos divertículos encontram-se no cólon sigmoide(parte do intestino grosso). É mais frequente em obesos, sedentários, tabagistas e maiores de 50 anos. É 35 vezes mais comum em países ocidentais com dietas gordurosas com pobres em fibras, do que em regiões rurais com dieta rica em fibras e pobre em gordura animal.[1]

Causas[editar | editar código-fonte]

Camadas dos divertículo.

Os divertículos são saculações ("sacos" formados na parede) do intestino grosso no decorrer da vida, devido principalmente a pressão exercida pelo conteúdo intestinal contra esta parede. Quando há a obstrução de algum divertículo por fezes ou alimentos não digeridos, inicia-se um processo inflamatório no divertículo, que em seguida evolui para um processo infeccioso denominado diverticulite.[2]

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Vários fatores podem aumentar o risco de desenvolver diverticulite[3]:

  • Envelhecimento: A incidência de diverticulite aumenta com a idade.
  • Obesidade: Ser sério excesso de peso aumenta suas chances de desenvolver diverticulite. A obesidade mórbida pode aumentar o risco de necessitar de tratamentos mais invasivos para a diverticulite.
  • Fumar: As pessoas que fumam cigarros são mais propensos que os não fumantes a experimentar diverticulite.
  • Falta de exercício: O exercício vigoroso parece reduzir o risco de diverticulite.
  • Dieta rica em gordura animal e pobre em fibras.
  • Certos medicamentos: Vários fármacos estão associados com um risco aumentado de diverticulite, incluindo esteroides, opiáceos e anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) como .

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

O quadro clínico se caracteriza por dor abdominal principalmente a nível de fossa ilíaca esquerda, alteração do hábito intestinal e febre. Nos quadros mais severos pode ocorrer a obstrução intestinal ou até mesmo a perfuração do divertículo.[2]

Complicações[editar | editar código-fonte]

Cerca de 25 por cento das pessoas com diverticulite aguda desenvolvem complicações como[4]:

  • Abscessos, quando pus se acumula nos divertículos;
  • Obstrução do cólon ou intestino delgado causada por cicatrizes (fibroses).
  • Perfuração dos divertículos conectando seções do intestino ou cólon ou bexiga (fístulas).
  • Peritonite, quando ocorre ruptura das "bolsas" infectadas ou inflamadas, derramando o conteúdo intestinal em sua cavidade abdominal. A peritonite é uma emergência médica e requer cuidados imediatos.

Uma complicação bastante frequente é a hemorragia intestinal provocada por um divertículo sangrante. A maioria resolve sem causar problemas (autolimitados), alguns requerem tratamento com vasopressores esplâncnicos e os mais severos podem ir à cirurgia. Recomenda-se localizar o ponto exato do sangramento antes de submeter o paciente ao procedimento cirúrgico. Isso pode ser feito por meio de arteriografia seletiva dos vasos mesentéricos ou por cintilografia com hemácias marcadas (mais sensível).[2]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Pacientes com sintomas podem ser diagnosticados com uma tomografia computadorizada (98% de sensibilidade) ou com colonoscopia, ultrassom ou raio X abdominal. A TC também é útil para verificar complicações.[5]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Os casos mais brandos podem ser tratados de forma clínica[6]:

  • Repouso com bolsa de água fria no local dolorido para diminuir a inflamação;
  • Tomar apenas líquidos por um ou dois dias, para dar tempo do intestino regenerar;
  • Antibióticos, quando há infecção bacteriana;
  • Analgésicos, como paracetamol;
  • Depois de melhorar, aumentar a quantidade de fibras e reduzir carnes gordas na dieta para evitar novos divertículos.

Nos casos mais severos, o tratamento cirúrgico pode ser a melhor opção.[2]

História[editar | editar código-fonte]

A doença ficou famosa no Brasil depois da versão oficial de que foi a causadora da internação hospitalar do presidente Tancredo Neves, em 1985[7] que viria a falecer na véspera da posse.

Referências

  1. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. Churchill Livingstone. 2014. p. 986. ISBN 9781455748013.
  2. a b c d Diverticulite Aguda - Dr. Fernando Valério
  3. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/diverticulitis/basics/risk-factors/con-20033495
  4. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/diverticulitis/basics/complications/con-20033495
  5. Lee, Kyoung Ho; Lee, Hye Seung; Park, Seong Ho; Bajpai, Vasundhara; Choi, Yoo Shin; Kang, Sung-Bum; Kim, Kil Joong; Kim, Young Hoon (2007). "Appendiceal Diverticulitis". Journal of Computer Assisted Tomography. 31 (5): 763–9.
  6. https://medlineplus.gov/ency/article/000257.htm
  7. PUFF, Jefferson (15 de março de 2015). «'Tancredo fez política com o próprio corpo', diz ex-porta-voz». BBC Brasil. Consultado em 27 de novembro de 2015. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

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