Divine Intervention

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Divine Intervention
Álbum de estúdio de Slayer
Lançamento 27 de Setembro de 1994
Gravação 1994 em Oceanway, Los Angeles, Califórnia e Sound City, Van Nuys, Califórnia, EUA
Gênero(s) Thrash metal
Duração 36:28
Gravadora(s) American Recordings
Produção Slayer, Rick Rubin, Toby Wright
Cronologia de Slayer
Decade of Aggression
(1991)
Undisputed Attitude
(1996)

Divine Intervention é o sexto álbum de estúdio da banda americana de thrash metal Slayer. Lançado 27 de Setembro de 1994, foi o primeiro álbum a contar com Paul Bostaph, substituindo o baterista original Dave Lombardo. Muitas cancões do disco foram inspiradas por programas de televisão. A produção do álbum tornou-se um desafio pra a gravadora, dificultando a sua divulgação devido ao conteúdo controverso das letras. O Slayer usou o álbum ao vivo Decade of Aggression para dá-los tempo de pensar em qual seria o estilo a abordar nesta gravação.[1] Por ter sido lançado cerca de quatro anos após Seasons in the Abyss, o vocalista Tom Araya disse que tiveram mais tempo para produzi-lo do que os álbuns anteriores da banda. A capa foi pintada e desenhada por Wes Benscoter, que criou uma nova versão para o logotipo em forma de pentagrama do Slayer.

Ainda que muito tempo tenha sido gastado na produção, Kerry King afirmou que a mixagem e masterização deveria ter sido melhor desenvolvida. A origem das canções não vem apenas da televisão, mas também foram inspiradas por várias outras coisas, incluindo Rush Limbaugh, o serial killer Jeffrey Dahmer, e a esposa de Araya. Araya concluiu que o álbum "saiu depois de quatro anos odiando a vida."[2] Em 1998 o disco foi banido na Alemanha por causa das letras de "SS-3", "Circle of Beliefs", "Serenity in Murder", "213" e "Mind Control".

Divine Intervention recebeu avaliações mistas da crítica, com o AllMusic dando três de cinco estrelas, e o The Deseret News dando uma nota positiva. O álbum vendeu 93.000 cópias na primeira semana. Chegou à posição oito na Billboard 200 e ao número 15 na UK Albums Chart. Recebeu certificação de Ouro nos Estados Unidos e no Canadá. Um extended play intitulado Serenity in Murder foi lançado pouco após o álbum.[3]

Produção[editar | editar código-fonte]

Tom Araya disse que "quando fizemos Divine Intervention, essa foi a última reunião que tivemos com a gravadora, onde eles sentaram conosco e nos venderam a ideia de como eles queriam que fosse "Divine", e o que eles iriam fazer com a capa... e todas essas ideias diferentes para o álbum. Então um cara olhou para nós e disse, 'Mas nós precisamos de um hit.' E respondemos, 'Mas nós fizemos onze músicas, e se você não puder achar um hit em uma delas então você está ferrado pois isso é o que estamos dando a vocês.' É como se estivéssemos dizendo, 'OK, você escreve a porra do hit de sucesso e então nós a gravamos.' Aquilo deixou-o irritado e, a partir dali, não tivemos esse tipo de encontro!"[4]

Araya descreveu: "Para este disco, eu meio que me inspirei assistindo TV. Aquilo me deu inúmeras ideias. Toda a ideia sobre o cara com o Slayer em seus braços surgiu porque a realidade é mais assustadora do que qualquer coisa que você possa inventar.[5] A produção do álbum posou como um desafio para a gravadora: "como comercializar uma banda cuja música é extrema e violenta para programadores de rádio conservadores?" Foi a primeira tentativa da companhia para "'estourar' uma banda de thrash com uma base de fãs rigorosos com uma estratégia de marketing que os agradasse."[6] Araya relatou: "Decidimos tomar mais tempo para trabalharmos nesse. Na verdade nós fomos para o estúdio com mais material escrito mais do que no passado. Completamos três das sete músicas fora do estúdio. Nós todos sentimos que era importante fazê-lo lentamente. Depois da última tour, nós tínhamos a intenção de dar um tempo."[2]

Composição[editar | editar código-fonte]

The College Music Journal disse que "a banda tratou quase que exclusivamente de realismo" no álbum, e notou que "choca e deflagra mais que uma artéria rompida, pintando imagens vermelhas de assassinos, necrófilos, e o mundo devastado e caótico que eles habitam".[5] Tanto a mixagem quanto a masterização foram criticados, com o guitarrista Kerry King afirmando que a banda deveria ter "dado mais atenção à mixagem",[7] e Araya dizendo que "é o único que ele não pensaria em remasterizar (se houvesse a oportunidade)".[8] O baixista ainda diz que "saiu à venda após passar quatro anos odiando a vida".[2]

Neil Strauss do The New York Times explicou muitas das origens do álbum. "213" foi descrita como uma "canção romântica" de Araya, o que é algo que eles nunca tinham feito antes. O nome da canção é baseada no número do apartamento do serial killer e agressor sexual Jeffrey Dahmer. "Dittohead", um tributo parcial a Rush Limbaugh, começa criticando o sistema legal por "ser muito frouxo com assassinatos". A música "termina não denunciando o sistema mas advogando sua permissividade".[9] "Sex, Murder, Art", segundo o TheState.com, "ruge a cerca de um relacionamento enlouquecedor e o seu 'prazer em infligir dor.'"[10] King disse que o disco possui suas origens em "histórias de guerra" e na "exploração da insanidade".[11]

É o primeiro álbum de estúdio do Slayer com Paul Bostaph, resultando na seguinte afirmação de Alex Henderson do Allmusic: "ele é positivo, energizou o Slayer, o qual soa melhor do que nunca em triunfos obscuros como 'Killing Fields,' 'Serenity in Murder,' e 'Circle of Beliefs.'" Henderson também diz que é "focado na natureza violentamente repressiva dos governantes e até onde eles vão para exercer o poder".[12]

Capa e prensagem[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Allmusic 3 de 5 estrelas. [12]
Rock Hard 8.5/10[13]
The Deseret News favorável[2]
Entertainment Weekly B[14]
Rolling Stone 4 de 5 estrelas. [15]
Metal Forces 7/10[16]

O álbum foi lançado em uma caixa de joias clara que inclui dezesseis páginas que, desdobrando-as, tornam-se um poster, exibindo a capa do disco. Tanto o disco quanto a capa — como descrito por Chris Morris — são uma "imagem refletiva da mania mostrada pelos fãs do grupo, e um exemplo do uso norte-americano de táticas de choque: um jovem gravando o nome da banda em seu braço com um bisturi."[17] Mike Bone da American Recordings disse que "nós capturamos isto não apenas na fotografia, mas também em vídeo — ele realmente fez aquilo."[17] A arte de capa foi pintada e desenhada por Wes Benscoter, um artista americano que futuramente também pintaria as capas de outros lançamentos do Slayer, como Undisputed Attitude e Live Intrusion.[18][19][20] O encarte do álbum apresenta pela segunda vez o acrônimo "Satan Laughs As You Eternally Rot". A frase foi usada pela primeira vez na edição de vinil do álbum Show No Mercy onde foi esculpida na ranhura do registro.[17]

Recepção[editar | editar código-fonte]

O AllMusic disse que "ao invés de fazer algo calculado como emular o som de Nirvana ou Pearl Jam — ou ainda Nine Inch Nails ou Ministry — o Slayer recusou firmemente soar com qualquer outro que não fosse o Slayer. Tom Araya e cia. responderam a nova moda simplesmente esforçando-se para ser a banda de metal mais pesada possível."[12] Desde o lançamento do álbum, o vocalista Tom Araya considerou ser o seu melhor trabalho.[2]

Divine Intervention vendeu 93.000 cópias na primeira semana,[21][22] e em 2002 já havia vendido 400.000 cópias nos EUA.[23][24] Foi reportado que no mesmo ano de seu lançamento, Kevin Kirk da loja Heavy Metal Shop "encomendou 1000 cópias do Divine Intervention do Slayer e vendeu todos os álbuns em questão de semanas".[25] Embora seja menos acessível que o predecessor Seasons in the Abyss, a Rolling Stone considerou ser seu álbum de maior sucesso até 2001.[26]

Faixas[editar | editar código-fonte]

N.º Título Letra Música Duração
1. "Killing Fields"   Tom Araya Kerry King 3:57
2. "Sex. Murder. Art."   Araya King 1:50
3. "Fictional Reality"   King King 3:38
4. "Dittohead"   King King 2:31
5. "Divine Intervention"   Araya, Jeff Hanneman, King, Paul Bostaph Hanneman, King 5:33
6. "Circle of Beliefs"   King King 4:30
7. "SS-3"   Hanneman Hanneman, King 4:07
8. "Serenity in Murder"   Araya Hanneman, King 2:36
9. "213"   Araya Hanneman 4:52
10. "Mind Control"   Araya, King Hanneman, King 3:04
  • A versão em cassette possui as músicas numa ordem alternativa.[27]

Créditos[editar | editar código-fonte]

Créditos baseados em informações do Allmusic.[18]

Desempenho nas paradas[editar | editar código-fonte]

Parada musical Posição
Billboard 200 8[28]
ARIA Charts 27[29]
Ö3 Austria Top 40 22[30]
Media Control Charts 18[31]
MegaCharts 31[32]
RIANZ 20[33]
Sverigetopplistan 10[34]
Swiss Music Charts 15[35]
The Official Charts Company 15[36]

Certificações[editar | editar código-fonte]

País Certificador Certificação
Estados Unidos RIAA Ouro[37]
Canadá Music Canada Ouro[38]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Daniel Bukszpan, Ronnie James Dio. The Encyclopedia of Heavy Metal
  2. a b c d e Iwasaki, Scott (27 de janeiro de 1995). «Vocalist sings the praises for 'Divine Intervention'». The Deseret News 
  3. «Slayer - Discography». Metal Storm. Consultado em 9 de novembro de 2010. 
  4. "SLAYER Frontman: MUSTAINE Talks A Lot Of Sh*t, Apologizes For It, Then Continues Talking Sh*t". Blabbermouth.net. 2009-09-03. Retrieved 2010-07-20.
  5. a b CMJ New Music Monthly. January 1995. pp. 25–27
  6. Billboard. July 23, 1994. p. 14
  7. "SLAYER's KERRY KING Has No Interest In 'Jesus Metal' ". 2009-11-03. Retrieved 2010-07-20.
  8. "SLAYER Frontman Answers Fans' Questions". Blabbermouth.net. 2007-04-30. Retrieved 2010-07-20.
  9. Strauss, Neil (20 de fevereiro de 1995). «Death and Madness Remain the Basics in Slayer's Repertory». NYTimes.com. Consultado em 31 de dezembro de 2008.. Cópia arquivada em 21 de julho de 2010 
  10. "State, The : SLAYER'S ARAYA RELISHES IN MACABRE AND SICK". TheState.com 1995-03-24. Retrieved 2010-08-01.
  11. "SLAYER's KERRY KING: 'We're Not Close To Hanging It Up'". Blabbermouth.net. 2006-01-15. Retrieved 2010-07-20.
  12. a b c Henderson, Alex. "Divine Intervention - Slayer". AllMusic. Retrieved 2010-07-20.
  13. Kühnemund, Götz. «Rock Hard». issue 89 
  14. Sinclair, Tom (30 de setembro de 1994). «Divine Intervention Review». Entertainment Weekly. Consultado em 30 de julho de 2012. 
  15. Palmer, Robert (9 de fevereiro de 1995). «Slayer: Divine Intervention : Music Reviews». Rolling Stone. Consultado em 1 de dezembro de 2012.. Arquivado do original em 1 de outubro de 2007 
  16. Arnold, Neil (27 de setembro de 1994). «Slayer - Divine Intervention (1994)». Metal Forces. Consultado em 1 de junho de 2012. 
  17. a b c Billboard. July 23, 1994. p. 19
  18. a b "allmusic ((( Divine Intervention > Credits )))". Allmusic. Retrieved 2010-07-20.
  19. "allmusic ((( Undisputed Attitude > Credits )))". Allmusic. Retrieved 2010-07-20.
  20. Live Intrusion (Compact Disc). American Recordings. 1994 
  21. "SLAYER: 'World Painted Blood' Debuts At No. 12 On BILLBOARD Chart". 2009-11-11. Retrieved 2010-07-20.
  22. Harris, Chris (2006-08-16) "Rick Ross Sails Past Breaking Benjamin, Takes Port Of Miami To #1".
  23. "Metal/Hard Rock Album Sales In The US As Reported By SoundScan". Blabbermouth.net. 2002-04-30. Retrieved 2010-07-20.
  24. "Metal/Hard Rock Album Sales In The US As Reported By Soundscan". Blabbermouth.net. 2002-03-09. Retrieved 2010-07-20.
  25. "Salt Lake City's Heavy Metal Shop Struggles To Survive In Internet Age". Blabbermouth.net. 2005-11-23. Retrieved 2010-07-20.
  26. 2001 encyclopedia "Slayer". Rolling Stone Music. Retrieved 2010-07-20.
  27. http://www.allmusic.com/album/divine-intervention-mw0000120458/releases The Review at allmusic.com, for the cassette version
  28. Gráfico ilegal entrouall "Divine Intervention - Slayer | Billboard.com". Billboard. Retrieved 2010-11-24.
  29. Hung, Steffen. «Australian charts portal». australian-charts.com. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  30. Steffen Hung. «Austria Top 40 - Hitparade Österreich». austriancharts.at. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  31. musicline.de / PhonoNet GmbH. «Die ganze Musik im Internet: Charts, News, Neuerscheinungen, Tickets, Genres, Genresuche, Genrelexikon, Künstler-Suche, Musik-Suche, Track-Suche, Ticket-Suche». musicline.de. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  32. Steffen Hung. «Dutch charts portal». dutchcharts.nl. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  33. Steffen Hung. «New Zealand charts portal». charts.org.nz. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  34. Steffen Hung. «Swedish Charts Portal». swedishcharts.com. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  35. Steffen Hung. «Die Offizielle Schweizer Hitparade und Music Community». Hitparade.ch. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  36. «UK Top 40 Chart Archive, British Singles & Album Charts». everyHit.com. 16 de março de 2000. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  37. «Gold & Platinum - November 24, 2010». RIAA. Consultado em 24 de novembro de 2010. 
  38. «Canadian Recording Industry Association (CRIA): 2xPlatinum». Cria.ca. Consultado em 24 de novembro de 2010.