Demétrio Pavlovich da Rússia

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Demétrio Pavlovich
Grão-Duque da Rússia
Dmitri pavlovich2.jpg
Dmitri Pavlovich
Consorte Audrey Emery
 
Casa Romanov
Dinastia Romanov
Nascimento 18 de setembro de 1891
Ilinskoe, Moscovo Flag of Russia.svg, Império Russo
Morte 5 de março de 1941 (49 anos)
Davos, Flag of Switzerland.svg, Suíça
Sepultamento Igreja da Ilha Mainau, Alemanha
Filho(s) Paulo Romanovsky-Llyinsky
Pai Paulo Alexandrovich
Mãe Alexandra da Grécia

Demétrio Pavlovich da Rússia (em russo:Дмитрий Павлович Романов, Moscovo, 18 de setembro de 1891Suíça, 5 de março de 1941) era neto do czar Alexandre II da Rússia pelo seu filho mais novo, o grão-duque Paulo Alexandrovich.

Teve uma ligação com o príncipe Félix Yussupov e acabou por se juntar a ele e a um grupo de nobres para assassinar o monge siberiano, Gregório Rasputine.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e família[editar | editar código-fonte]

O grão-duque Demétrio Pavlovich Romanov nasceu em Ilinskoe, perto de Moscovo, o segundo filho do grão-duque Paulo Alexandrovich depois da sua irmã Maria Pavlovna. Era primo do czar Nicolau II da Rússia, uma vez que eram ambos netos do czar Alexandre II da Rússia.

Demétrio Pavlovich durante a infância

A mãe de Demétrio, a princesa Alexandra Georgievna da Grécia, era filha do rei Jorge I da Grécia e da sua esposa, a rainha Olga Constantinovna, nascida na Rússia. Quando estava grávida de sete meses de Demétrio, contra os conselhos dos médicos, decidiu saltar para um barco em movimento, acabando por cair antes de o alcançar. No dia seguinte, ela desmaiou a meio de um baile devido às fortes dores do parto que tinha sido estimulado pelas actividades do dia anterior. O bebé nasceu poucas horas depois. Alexandra entrou em coma imediatamente a seguir e nunca mais acordou, acabando por morrer oficialmente seis dias depois. O seu marido Paulo ficou muito afectado com a morte dela e, no dia do funeral, foi necessário agarrá-lo para ele não saltar para a sepultura da esposa.

Não estando em condições para cuidar dos seus dois filhos, Maria de 17 meses e Demétrio, um frágil recém-nascido que os médicos não acreditavam sobreviver por muito tempo, foram entregues ao irmão de Paulo, Sérgio e à sua esposa Isabel Feodorovna. Foi o grão-duque Sérgio que tratou do bebé, dando-lhe os banhos receitados pelos médicos, embrulhando-o numa manta de algodão e mantendo-o num berço cheio de sacos de àgua quente que ajudavam a regular a temperatura. Estou a gostar de criar Demétrio, escreveu Sérgio no seu diário.[1]

Demétrio cresceu feliz, mas desde cedo que a sua saúde se mostrou fraca e ele sofria de tubercolose crónica.

Em 1905, Sérgio, então governador de Moscovo, foi assassinado por anarquistas em consequência da Revolução Russa de 1905. O assassino tinha desistido de um ataque anterior, poucos dias antes quando viu que o Grão-Duque estava acompanhado da sua esposa Isabel e dos seus sobrinhos de 15 e 14 anos.[2] O segundo ataque, no entanto, correu como planejado e a bomba colocada na carruagem de Sergei detonou, matando a ele e ao cocheiro. Demétrio correu até ao local ao lado da tia e da irmã e viu o corpo mutilado do tio deitado na neve. A partir daí a vida de Demétrio alterou-se por completo.

Adolescência e juventude[editar | editar código-fonte]

Demétrio em uniforme

Apenas um ano depois do incidente, a irmã mais velha de Demétrio, Maria ficou noiva do príncipe Guilherme da Suécia e os dois casaram-se pouco depois. No ano seguinte, a sua tia, Isabel, juntou-se a um convento de Moscovo e ele passou a viver com o czar Nicolau II e a sua família. A certa altura chegou mesmo a haver especulação de que poderia ser ele a herdar o trono russo em vez do hemofílico Alexei casando-se com a filha mais velha do czar, Olga Nikolaevna.

Como era costume na altura, Demétrio Pavlovich alistou-se num regimento de hussardos. Era um bom cavaleiro e chegou mesmo a competir nos Jogos Olímpicos de Estocolmo em 1912 onde ficou em sétimo lugar. Antes do inicio da Primeira Guerra Mundial, ele defendeu a criação de uma competição desportiva russa semelhante aos Jogos Olímpicos, o que, durante os tempos soviéticos, se tornou na Spartakiada.

Casos amorosos e assassínio de Rasputine[editar | editar código-fonte]

Demétrio com as primas Maria e Anastásia. Alguns acreditam que a filha mais nova do czar teve uma breve paixoneta pelo primo.

Durante toda a sua vida, Demétrio Pavlovich ganhou a reputação de ser um Don Juan. Entre as suas amantes encontrava-se Pauline Fairfax Potter, uma estilista americana. Durante algum tempo perseguiu a Duquesa de Marlborough (nascida Consuelo Vanderbilt), que estava separada do Duque de Marlborough. O facto de ser 16 anos mais novo e ter pouco dinheiro seu acabaram por não jogar a seu favor.

A sua amante mais escandalosa foi Natasha Sheremetyev, esposa do seu primo Miguel Alexandrovich, irmão mais novo do czar. A mais famosa foi, durante os anos 20, Coco Chanel.

No entanto seria o seu romance com outro homem que mudaria o curso da sua vida e lhe daria um lugar na História. No inverno de 1912-1913 foi reportado que o jovem grão-duque teve uma relação com o príncipe Félix Yussupov, o que causou grande escândalo na sociedade russa da época. Foi devido a esta relação que a czarina Alexandra Feodorovna se opôs ao casamento de Demétrio com a sua filha mais velha, Olga e afectou a sua ligação com a família imperial.

O acontecimento mais documentado da vida de Demétrio aconteceu em meados de dezembro de 1916. Fontes mais antigas (incluindo o próprio livro de memórias de Félix Yussupov) mencionaram sempre que a ideia de assassinar Rasputine fora de Yussupov e o Grão-Duque foi envolvido no plano apenas por ter um carro que se podia movimentar livremente pelas ruas rigorosamente controladas de São Petersburgo devido ao seu estatuto imperial. No entanto no livro “The Rasputin Files” de Edvard Radsinsky, é defendida a hipótese de que a ideia terá vindo de Demétrio e que foi ele o responsável pelo disparo final que terá impedido o monge de escapar. A história terá sido contada de forma diferente para proteger os direitos de sucessão ao trono.

Como resultado directo do seu envolvimento com o assassinato, Demétrio Pavlovich foi enviado para a frente de combate na Pérsia, o que, em última instância, lhe salvou a vida. Alguns dos seus parentes entregaram uma petição ao Czar para que ele não enviasse Demétrio , de fraca saúde, para a guerra, mas ele recusou.

Durante a onda de assassinatos de membros da família Romanov, muitos dos seus parentes directos foram mortos, incluindo a sua tia Isabel Feodorovna, (a única mãe que ele alguma vez tinha conhecido) o seu pai e o seu meio-irmão Vladimir Paley, fruto do segundo casamento do Grão-Duque Paulo.

Ele conseguiu escapar com a ajuda da Inglaterra pelo Teerão até Bombaim e depois para Londres.

Vida fora da Rússia[editar | editar código-fonte]

Demétrio Pavlovich com a sua esposa Audrey Emery

Em 1919, Demétrio voltou a encontrar Félix Yussupov, mas não demorou muito até os dois se zangarem. Oficialmente a razão para a zanga foi o facto de Yussupov ter descrito abertamente à imprensa os pormenores do assassinato de Rasputine, o que afastaria qualquer hipótese de Demétrio subir ao trono, o que, na altura, ainda se acreditava ser possível. No entanto, de acordo com as memórias de Félix Yussupov, tudo se deveu ao facto de Demétrio não acreditar na restauração da monarquia, o que o príncipe considerou um insulto para si e para a sua esposa Irina Alexandrovna, sobrinha do falecido czar.

A irmã de Demétrio, Maria Pavlovna, divorciada anos antes, fez o mesmo que muitos aristocratas russos da altura e abriu o seu próprio negócio de lantejoulas para vestuário, acabando por fazer muitos trabalhos para a Chanel. Demétrio ganhou a vida em Paris como vendedor de Champanhe. Foi devido à ligação da irmã com a Chanel que ele conheceu Coco Chanel, onze anos mais velha, com quem teve um breve romance em 1921. Através dos contactos de Demétrio e Maria na indústria, Chanel conheceu vários perfumeiros em Grasse, no Sul de França o que, posteriormente levou à criação do famoso perfume Chanel Nº 5. O seu envolvimento na criação do perfume levou à segunda contribuição na história.

Demétrio casou-se com a herdeira americana Audrey Emery em 1927 de quem teve um filho, Paulo Romanovsky-Llyinsky (1928-2004), que mais tarde se tornaria presidente da câmara de Palm Beach, Flórida. O casamento, no entanto, não durou muito e ambos se divorciaram em 1938.

Durante os anos 30, Demétrio esteve também envolvido num movimento fascista russo liderado por Alexandre Kazembek. Também existem rumores de que ele terá discutido com Adolf Hitler uma possível ajuda na invasão da Rússia, onde recuperaria o trono. No entanto, nessa altura, o grão-duque já não estava em condições de lutar, além disso, disse ser incapaz de lutar contra os seus compatriotas russos.

Morte[editar | editar código-fonte]

Apesar do seu interesse em actividades fisicas, a saúde de Demétrio nunca foi das melhores e, nos anos 30, a sua tuberculose crónica agravou-se, sendo necessário passar longos períodos nas termas de Davos, na Suíça onde ele acabaria por morrer em 1941 de uremia à qual se seguiram complicações depois de se ter anunciado que estava curado. Espalharam-se muitos rumores de que tinham sido os bolcheviques ou Adolf Hitler (pouco satisfeito com a recusa por parte de Demétrio da sua proposta) que finalmente o tinham apanhado.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o corpo de Demétrio foi levado da Suíça e enterrado na capela da ilha de Mainau no lago de Constança, no sul da Alemanha, uma vez que o seu sobrinho possuía aí uma propriedade.

Antepassados[editar | editar código-fonte]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nicolau I da Rússia
 
 
 
 
 
 
 
Alexandre II da Rússia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia)
 
 
 
 
 
 
 
Paulo Alexandrovich da Rússia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Luís II, Grão-duque de Hesse
 
 
 
 
 
 
 
Maria Alexandrovna
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guilhermina de Baden
 
 
 
 
 
 
 
Demétrio Pavlovich da Rússia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cristiano IX da Dinamarca
 
 
 
 
 
 
 
Jorge I da Grécia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Luísa de Hesse-Cassel
 
 
 
 
 
 
 
Alexandra Georgievna da Grécia e Dinamarca
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Constantino Nikolaevich da Rússia
 
 
 
 
 
 
 
Olga Constantinovna da Rússia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alexandra Iosifovna de Altenburgo
 
 
 
 
 
 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Perry, John Curtis, and Pleshakov, Constantine, The Flight of the Romanovs: A Family Saga, Basic Books, 1999, p. 43
  2. Maylunas, Andrei, and Mironenko, Sergei, A Lifelong Passion: Nicholas and Alexandra: Their Own Story, Doubleday, 1997, p. 258