Do Cativeiro Babilônico da Igreja

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Frontispício de uma edição em latim.
Disambig grey.svg Nota: Não confundir com o evento bíblico conhecido como Cativeiro Babilônico.

Do Cativeiro Babilônico da Igreja (português brasileiro) ou Do Cativeiro Babilónico da Igreja (português europeu) (em latim: De Captivitate Babilonica Ecclesiae), de outubro de 1520, foi o segundo dos três grandes tratados publicados por Martinho Lutero em 1520, logo após "À Nobreza Cristã da Nação Alemã" (agosto) e antes de "Sobre a Liberdade do Cristão" (novembro). Trata-se de um tratado teológico e, como tal, foi publicado em latim e depois traduzido para o alemão.

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

O tom da obra é irado e é um ataque direto ao papado. Embora Lutero tenha esbarrado no tema em "À Nobreza Cristã...", esta foi a primeira vez que ele acusou diretamente o papa de ser Anticristo. Sua publicação marcou uma radicalização do discurso de Lutero, que apenas um ano antes havia defendido a validade dos sacramentos e agora passou a atacá-los. No decorrer do texto ele examina os sete sacramentos da Igreja Católica à luz de sua interpretação da Bíblia.

Sobre a eucaristia, Lutero defende a restauração a restauração do consumo do vinho pelos leigos, descarta a doutrina católica da transubstanciação, afirma a presença real do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia e rejeita a doutrina de que a missa é um sacrifício oferecido a Deus ou uma boa ação. Estas três diferenças em relação à prática católica correspondem ao "cativeiro" citado no título[1]. Com relação ao batismo, Lutero afirma que ele só leva à justificação se vier juntamente com a fé salvadora do recebedor; porém, ele reafirma o batismo como a fundação da salvação mesmo para aqueles que possam depois se desviar da fé ("cair")[2] antes de serem resgatados. Sobre a confissão, sua essência consiste nas palavras da promessa (absolvição) recebida pela fé.

Apenas estes três podem ser considerados como sacramentos por causa de sua instituição divina e das promessas divinas de salvação relacionadas a eles. Mas, de forma mais estrita, apenas o batismo e a eucaristia são sacramentos, uma vez que apenas eles tem "sinais visíveis divinamente instituídos": a água no batismo e o pão e o vinho na eucaristia[2].

Sobre os demais, a crisma, o matrimônio, a ordem e a unção dos enfermos, Lutero afirmou não se tratarem de sacramentos.

Influência[editar | editar código-fonte]

Embora tenha sido publicada em latim, uma tradução foi rapidamente disponibilizada em alemão por um adversário de Lutero, o franciscano de Estrasburgo Thomas Murner. Ele acreditava que ao tornar pública a natureza radical das crenças de Lutero, o povo iria perceber o quão tolo era segui-lo. Na realidade, o que aconteceu foi o inverso e a tradução de Murner ajudou a espalhar a visão de Lutero por toda a Alemanha. A virulência da linguagem de Lutero, porém, desagradou alguns: depois da publicação desta obra, com sua dura condenação do papado, o renomado humanista Erasmo, que havia antes apoiado cautelosamente suas atividades, se convenceu de que não poderia mais apoiar o clamor por mudanças de Lutero.

Referências

  1. Spitz, 338.
  2. a b Schaff-Herzog, "Luther, Martin," 71.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Pelikan, Jaroslav; Lehmann, Helmut T (1955–76). Luther’s Works (em inglês). 36. Saint Louis, Philadelphia: [s.n.]  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda); Verifique data em: |ano= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]