Dodô

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Dodó)
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaRaphus cucullatus
Dodó / Dodô / Dronte
Ocorrência: Holoceno (Recente)
Esqueleto e modelo de Dodó baseado em pesquisas modernas, Museu de História Natural da Universidade de Oxford

Esqueleto e modelo de Dodó baseado em pesquisas modernas, Museu de História Natural da Universidade de Oxford
Estado de conservação
Status iucn3.1 EX pt.svg
Extinta  (1662) (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Columbiformes
Família: Columbidae
Subfamília: Raphinae
Género: Raphus
Brisson, 1760
Espécie: R. cucullatus
Nome binomial
Raphus cucullatus
Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica
Mauritius island location.svg
Sinónimos
Struthio cucullatus Linnaeus, 1758
Didus ineptus Linnaeus, 1766

O dodô (português brasileiro) ou dodó (português europeu), também chamado de dronte (nome científico: Raphus cucullatus), foi uma ave não-voadora extinta endêmica das ilha Maurício, uma das ilhas Mascarenhas na costa leste da África, perto de Madagascar. A ave mais próxima geneticamente foi a também extinta solitário-de-rodrigues, também da subfamília Raphidae da família dos pombos; sendo que a mais semelhante ainda viva é o pombo-de-nicobar. Durante algum tempo, pensou-se erroneamente que o dodô branco existisse na ilha de Reunião.

O dodô tinha cerca de um metro de altura e podia pesar entre 10 e 18 quilogramas na natureza. A aparência externa é evidenciada apenas por pinturas e textos escritos no século XVII, e, por causa dessa considerável variabilidade, levando-se em conta que poucas descrições são conhecidas, a aparência exata é um mistério. Semelhantemente, pouco se sabe com exatidão sobre o habitat e o comportamento.[2] Tem sido descrito com plumagem cinza acastanhado, pata amarela, um tufo de penas na cauda, cabeça cinza sem penas, e o bico preto, amarelo e verde. A moela ajudava a ave a digerir os alimentos, incluindo frutas, e acredita-se que o principal habitat tenha sido as florestas costeiras nas áreas mais secas da ilha. Presume-se que o dodô tenha deixado de voar devido à facilidade de se obter alimento e a relativa inexistência de predadores em Maurício.

A primeira menção ao dodô da qual se conhece foi através de marinheiros holandeses em 1598. Nos anos seguintes, o pássaro foi predado por marinheiros famintos, seus animais domésticos e espécies invasoras foram introduzidas durante esse tempo. A última ocasião aceita em que o dodó foi visto data de 1662. A extinção não foi imediatamente noticiada e alguns a consideraram uma criatura mítica. No século XIX, pesquisas conduziram a uma pequena quantidade vestígios, quatro espécimes trazidos para a Europa no século XVII. Desde então, uma grande quantidade de material subfóssil foram coletados em Maurício, a maioria do pântano Mare aux Songes. A extinção do dodó em apenas cerca de um século após seu descobrimento chamou a atenção para o problema previamente desconhecido da humanidade envolvendo o desaparecimento por completo de diversas espécies.

Por fim, o dodó ficou amplamente conhecido por fazer parte de Alice no País das Maravilhas, sendo parte da cultura popular, frequentemente como um símbolo da extinção e obsolescência. É frequente o uso como mascote das Ilhas Maurícias.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Desenho da cabeça de dodô de Oxford antes da dissecação.
Litografia do crânio de Oxford após a dissecação, quando os ossos foram separados da pele. A análise deste material ajudou a estabelecer o parentesco do dodô com os pombos.

As primeiras descrições de cientistas retratavam o dodô de diversas maneiras: um pequeno avestruz, um frango-d'água, um tipo de albatroz e até mesmo uma espécie de abutre.[3] Em 1842, o zoólogo dinamarquês Johannes Reinhardt propôs que os dodôs fossem pombos terrestres, baseado no estudo de um crânio de dodô descoberto por ele mesmo na coleção real dinamarquesa em Copenhague.[4] Esta ideia foi considerada ridícula a princípio, mas posteriormente recebeu apoio de Hugh Strickland e Alexander Melville na monografia deles publicada em 1848 — The Dodo and Its Kindred — na qual tentaram separar o que era mito e o que era realidade sobre a ave.[5] Após dissecar e embalsamar a cabeça e o pé do espécime do Museu da Universidade de Oxford e comparar com vestígios do também extinto solitário-de-rodrigues (Pezophaps solitaria), descobriram grandes semelhanças entre essas espécies. Strickland constatou que não eram idênticas, mas compartilhavam muitas características peculiares nos ossos das pernas, então conhecidas apenas em pombos.[6]

A anatomia do dodô era parecida com a dos pombos em muitos aspectos. Strickland observou que apenas uma pequena parte, a da extremidade, do longo bico da ave é queratinizada, sendo a porção basal maior, delgada e pouco protegida. Pombos têm pele sem penas na região ao redor dos olhos e próxima ao bico, assim como os dodôs. A fronte era alta em relação ao bico, e a narina tinha uma localização baixa no meio do bico, sendo circundada por pele, uma combinação de características compartilhada somente com pombos. As pernas do dodô eram geralmente mais parecidas com as dos pombos terrestres do que com as de outros pássaros, tanto em relação às escamas como ao esqueleto. Representações de grandes papos sugerem parentesco com pombos, nos quais esses órgãos são mais desenvolvidos do que em outras aves. A maioria dos pombos possuem ninhadas muito pequenas, e acredita-se que as fêmeas de dodô punham um único ovo por vez. Assim como os pombos, o dodô não tinha o osso vômer nem o septo das narinas, e compartilhava detalhes na mandíbula, no osso zigomático, no palato e no hálux. O dodô diferia de pombos principalmente pelo pequeno tamanho da asa e o grande bico em proporção ao resto do crânio.[6]

Ao longo do século XIX, várias espécies foram classificadas como congêneres do dodô, incluindo o solitário-de-rodrigues e o íbis-terrestre-de-reunião, batizados respectivamente como Didus solitarius e Raphus solitarius (Didus e Raphus foram nomes de gêneros propostos para o dodô e eram usados por diferentes autores da época). Uma atípica descrição do século XVII sobre um dodô e um esqueleto encontrado na ilha Rodrigues, que atualmente se sabe que pertence a um solitário-de-rodrigues, levou Abraham Dee Bartlett a nomear uma nova espécie, Didus nazarenus, em 1852.[7] Como foi baseado em vestígios de solitários, o termo é atualmente um sinônimo para esta espécie.[8] Desenhos simples do Aphanapteryx bonasia da ilha Maurício também foram mal interpretados como espécies de dodôs, Didus broeckii e Didus herberti.[9]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Roelant Savery - Landscape with Birds - WGA20885.jpg

Um dos primeiros nomes que o dodô recebeu foi Walghvogel, em holandês, usado pela primeira vez no diário de bordo do vice-almirante Wybrand van Warwijck, que visitou Maurício durante a Segunda Expedição Holandesa à Indonésia em 1598.[2] Walghe quer dizer "sem gosto", "insípido" ou "desagradável", e vogel significa "pássaro". O nome foi traduzido para o alemão como Walchstök ou Walchvögel, por Jakob Friedlib.[10] O relatório holandês original, intitulado Waarachtige Beschryving, foi perdido, mas a tradução em inglês sobreviveu:[11]

"À esquerda deles havia uma pequena ilha a qual deram o nome de ilha Hemskerk, e a uma baía nela chamaram baía Warwick (...). Ali permaneceram por 12 dias para descansar, encontrando neste lugar grande quantidade de aves grandes como cisnes, que eles chamaram de Walghstocks ou Wallowbirdes, sendo muito boa sua carne. Mas ao encontrar uma abundância de pombos e papagaios, desdenharam de comer mais dessas grandes aves, chamando-as (como dito antes) Wallowbirds, que significa pássaro enjoativo ou repugnante.

Dos referidos pombos e papagaios, os encontraram em abundância, tendo a carne muito gordurosa e saborosa; esses pássaros podem ser facilmente capturados e mortos com pequenas varas: eles são tão mansos assim porque a ilha não é habitada, também porque nenhuma criatura que vive ali é acostumada a avistar homens."[12] [13] [14] [nota 1]

Outro relato daquela viagem, talvez o primeiro a mencionar o dodô, afirma que os portugueses se referiam àquelas aves como pinguins. Mas o termo pode não ter se originado de pinguim (pois o idioma português da época tratava tal ave como "sotilicário")[nota 2] , e sim de pinion, uma alusão às pequenas asas.[2] A tripulação do navio holandês Gelderland chamou a ave de "dronte" (que significa "inchado") em 1602, palavra até hoje usada em algumas línguas.[15] Esta tripulação também se referia aos dodôs como "griff-eendt" e "kermisgans", em referência às aves engordadas para uma quermesse em Amsterdã, as quais foram guardadas no dia seguinte ao ancoramento deles na ilha Maurício.[16]

A origem da palavra dodô não é clara. Alguns a atribuem a dodoor, que em holandês quer dizer "preguiçoso", porém é mais provável que venha de Dodaars, que pode significar "traseiro gordo" ou "nó no traseiro", referindo-se ao "nó" de penas na parte de trás do animal.[17] O primeiro registro da palavra Dodaars está na revista do capitão Willem Van de West-Zanen em 1602.[18] O historiador inglês Thomas Herbert foi o primeiro a usar a palavra dodô na imprensa em 1634 no seu livro de viagens, alegando que foi referido como tal pelos portugueses, que tinham visitado Maurício em 1507.[16] Outro inglês, Emmanuel Altham, usou a palavra numa carta de 1628, na qual ele também alegou a origem na língua portuguesa. O nome dodar foi introduzido em inglês, ao mesmo tempo que dodô, mas só foi utilizado até o século XVIII.[19] Pelo que se sabe atualmente, os portugueses nunca mencionaram o pássaro. No entanto, algumas fontes ainda afirmam que a palavra dodô deriva da palavra "doudo" em português antigo (atualmente "doido"). Também tem sido sugerido que "dodô" é uma aproximação onomatopoeica do canto da ave, um som de duas notas parecido com o de um pombo e que se assemelhava a "doo-doo".[20]

O nome em latim cucullatus ("bordado") foi utilizado pela primeira vez por Juan Eusebio Nieremberg em 1635 como Cygnus cucullatus, em referência a uma representação de dodô feita por Carolus Clusius em 1605. Em sua obra clássica do século XVIII "Systema Naturae", Carlos Lineu usou o nome específico cucullatus, mas combinou com o nome do gênero Struthio (avestruz).[6] Mathurin Jacques Brisson cunhou o nome do gênero Raphus (referindo-se às abetardas) em 1760, resultando no nome atual: Raphus cucullatus. Em 1766, Linnaeus criou um novo nome binominal Didus ineptus (que significa "dodô inepto"). Mas depois este tornou-se um sinônimo do nome anterior em razão da prioridade nomenclatural.[21]

Evolução[editar | editar código-fonte]

Litografia de 1848 do pé do espécime de Oxford, usado como fonte para o estudo genético.

Durante muitos anos o dodô e o solitário-de-rodrigues foram catalogados numa família só deles, a Raphidae (antes denominada Dididae), já que o parentesco com outros pombos não estava suficientemente esclarecido. Depois cada um foi classificado em sua própria família monotípica (Raphidae e Pezophapidae, respectivamente), pois se pensava que haviam desenvolvido suas características similares de forma independente.[22] Informações osteológicas e moleculares levaram à dissolução da família Raphidae, e tanto o dodô como o solitário-de-rodrigues estão hoje alocados numa única subfamília, Raphinae, dentro da família Columbidae, que engloba todos os pombos modernos.[23]

A comparação do citocromo b mitocondrial e das sequências 12S de RNAr, isolados de um tarso de dodô e de um fêmur de solitário-de-rodrigues, confirmou o parentesco próximo entre essas duas aves, bem como sua classificação dentro da família Columbidae.[24] A interpretação dessas evidências genéticas mostrou que o "primo" vivo mais próximo do dodô é o pombo-de-nicobar, que habita o sudeste asiático, seguido pelas gouras da Nova Guiné e pelo Didunculus strigirostris de Samoa.[25] O nome do gênero deste último, Didunculus, significa "pequeno dodô" em latim; o pássaro foi chamado pelo famoso naturalista Richard Owen de "dodlet".[26] O cladograma a seguir, formulado por Shapiro e colaboradores em 2002, mostra as relações do dodô com outros pombos dentro da família Columbidae.[24]




Goura victoria






Caloenas nicobarica (pombo-de-nicobar)




Pezophaps solitaria (solitário-de-rodrigues)



Raphus cucullatus (dodô)








Didunculus strigirostris



O pombo-de-nicobar é o "primo" vivo mais próximo do dodô

Um cladograma similar, publicado em 2007, invertia os lugares da goura e do "Didunculus", além de incluir o Otidiphaps nobilis e o Trugon terrestris na base do clado.[27] Estudando as evidências comportamentais e morfológicas, Jolyon C. Parish propôs que o dodô e o solitário-de-rodrigues devem ser alocados na subfamília Gourinae junto com as pombas gouras e outras espécies, em acordo com os dados genéticos.[28] Em 2014, a análise do DNA do único exemplar que restou do Caloenas maculata mostrou que ele é um parente próximo do pombo-de-nicobar, e, sendo assim, também é "primo" do dodô e do solitário-de-rodrigues.[29]

Um estudo de 2002 indicou que os ancestrais do dodô e do solitário divergiram em torno do limite Paleogeno-Neogeno. As ilhas Mascarenhas (Maurício, Reunião e Rodrigues) são de origem vulcânica e têm menos de 10 milhões de anos de idade. Portanto, os antepassados de ambos os pássaros provavelmente permaneceram capazes de voar por um tempo considerável após a separação de suas linhagens.[30] Os ancestrais dos raphines podem ter se espalhado a partir do sudeste asiático por passeios pelas ilhas.[29] A falta de mamíferos herbívoros competindo pelos recursos dessas ilhas permitiu que o solitário e o dodô atingissem tamanhos muito grandes, fenômeno chamado gigantismo insular.[31] O DNA obtido a partir da amostra de Oxford está degradado, e nenhum DNA utilizável foi extraído do subfóssil encontrado, portanto, estes resultados ainda precisam ser verificados de forma independente.[32] O dodô perdeu a capacidade de voar devido à falta de predadores mamíferos em Maurício.[33] Outro pombo grande e incapaz de voar, o Natunaornis gigoura, foi descrito em 2001 a partir de material subfóssil de Fiji. Ele era apenas um pouco menor do que o dodô e o solitário, e também acredita-se que pode ter parentesco com os pombos coroados.[34]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Como não restou nenhum exemplar completo de dodô, é difícil determinar com exatidão como era sua aparência externa, incluindo sua cor e plumagem.[2] Ilustrações e relatos escritos de encontros com dodôs no período entre sua descoberta e extinção (1598 a 1662) são as evidências mais confiáveis sobre a aparência da ave.[35] De acordo com a maioria das representações, o dodô tinha uma plumagem acinzentada ou acastanhada, com penas primárias mais claras e um tufo de penas leves encaracoladas na extremidade do traseiro. A cabeça era cinza e nua, o bico verde, preto e amarelo, e as pernas eram robustas e amareladas, com garras pretas.[36] A ave apresentava dimorfismo sexual: machos eram maiores e possuíam bicos proporcionalmente mais longos. O bico media até 23 centímetros de comprimento e tinha uma parte em forma de gancho.[37]

Subfósseis achados em Maurício e restos dos dôdos levados para a Europa no século XVII mostram que eram animais muito grandes, tinham um metro de altura e, possivelmente, pesavam até 23 kg. Os maiores pesos foram atribuídos às aves em cativeiro; estima-se que na natureza pesavam na faixa 10,6 a 21,1 kg.[38] Uma estimativa posterior apontou um peso médio mais baixo, de apenas 10,2 kg.[39] Este dado tem sido questionado e ainda há controvérsias.[40] [41] Especialistas acreditam ainda que o peso do dodô variava conforme a estação do ano: eles seriam gordos durante as estações frias, mas nem tanto durante as quentes.[42] Um estudo dos poucas penas remanescentes na cabeça do exemplar de Oxford mostrou que eles eram penáceos em vez de plumáceos, e mais semelhantes às de outros pombos.[43]

Muitas das características do esqueleto que distinguem o dodô e o solitário-de-rodrigues, seu parente mais próximo, de outros pombos têm sido atribuídas a sua incapacidade de voar. Os elementos pélvicos eram mais densos do que os dos pombos voadores; assim, o dodô e solitário podiam suportar um peso corporal maior. Além disso, a região peitoral e as pequenas asas eram pedomórficas, ou seja, durante a evolução, foram retidas na idade adulta algumas características típicas do período juvenil. O crânio, tronco e membros pélvicos eram peramórficos, o que significa que eles mudavam consideravelmente com a idade. O dodô compartilhava vários outros traços com o solitário-de-rodrigues, como características do crânio, pelve e esterno, bem como um porte grande. É diferente em outros aspectos, sendo mais robusto e mais curto do que o solitário, tendo crânio e bico maiores, a porção superior do crânio arredondada e órbitas menores. O pescoço e as pernas do dodô eram proporcionalmente mais curtos, e a ave de Maurício não dispunha de um equivalente ao calombo presente nos punhos do solitário.[37]

Descrições contemporâneas[editar | editar código-fonte]

A maioria das descrições contemporâneas do dodô são encontradas em diários de bordo e documentos dos navios da Companhia Holandesa das Índias Orientais que atracaram em Maurício no século XVII, quando o Império Holandês governava a ilha. Esses registros foram utilizados como guias para viagens posteriores.[32] Poucos relatos sobre o dodô são confiáveis, pois a maioria parece basear-se em descrições prévias, e nenhum deles foi escrito por cientistas.[2]

Um dos primeiros registros sobre a fauna de Maurício, do jornal de van Warwijck de 1598, descreve o dodô da seguinte maneira:

Papagaios azuis são muito numerosos lá, bem como outras aves; entre as quais estão uma espécie, conspícua pelo seu tamanho, maior do que os nossos cisnes, com enormes cabeças cobertas apenas a metade com a pele, como se vestida com um capuz. Estas aves não possuem asas, no lugar das quais 3 ou 4 penas enegrecidas se sobressaem. A cauda consiste de algumas penas moles e encurvadas, que são de cor cinza. Costumávamos chama-las de 'Walghvogel', pela razão de que o mais longo e mais freqüentemente eles foram preparados, a comer menos macio e mais insípida eles se tornaram. Não obstante a sua barriga e peito eram de um sabor agradável e facilmente mastigável.[44] [nota 3]

Uma das descrições mais detalhadas foi feita pelo historiador inglês Thomas Herbert na obra A Relation of Some Yeares Travaille into Afrique and the Greater Asia, datada de 1634:

Primeiro aqui apenas e em Dygarrois [Rodrigues, provavelmente referindo-se ao solitário] é gerado o dodô, que por forma e raridade pode antagonizar o Phoenix of Arabia: seu corpo é redondo e gordo, poucos pesam menos de 50 libras. Ele tem a fama mais para admirar do que para alimentos, stomackes greasie pode seeke atrás deles, mas para o delicado que são ofensivas e de nenhum alimento. Seus dardos visage diante melancolia, como sensata de injurie da natureza em que quadro tão grande de um corpo para ser guiado com asas complementall, tão pequenos e impotentes, que apenas servem para provar seu pássaro. A metade de sua cabeça é aparente nua couered com multa Vaile, seu bico é torto para baixo, no meio é o trinado [narina], a partir do qual parte para o fim tis um verde claro, misturado com tintura amarelo pálido; seus olhos são pequenos e parecido com diamantes, redondos e Rowling; suas penas roupas felpudas, seus comboios três pequenas plumas, curto e inproportionable, suas pernas adequando seu corpo, sua pounces Sharpe, seu apetite forte e ganancioso. Pedras e ferro são digeridos, o que permitirá uma melhor descrição ser concebida em sua representação.[45] [nota 4]

Representações contemporâneas[editar | editar código-fonte]

O diário de bordo do navio holandês Gelderland (1601-1603), redescoberto na década de 1860, contém os únicos esboços conhecidos de dodôs, vivos ou recém mortos, desenhados em Maurício. A autoria foi atribuída ao artista profissional Joris Joostensz Laerle, que também desenhou outras aves já extintas da ilha, e a um segundo artista, menos refinado.[46] Além destes desenhos, não se sabe quantas ilustrações de dôdos foram feitas usando como modelo animais vivos ou empalhados, o que afeta a sua fiabilidade.[2]

Todas as representações feitas após o ano de 1638 parecem ser baseadas em imagens anteriores, na medida em que menções ao dodô em relatos de viagem tornavam-se cada vez mais raras. As diferenças nas ilustrações levaram autores como Anthonie Cornelis Oudemans e Masauji Hachisuka a especular sobre dimorfismo sexual, traços ontogênicos, variação sazonal, e até mesmo a existência de espécies diferentes de dodô, mas essas hipóteses não são aceitas atualmente. Certos detalhes como as marcas do bico, a forma das penas da cauda e a cor do animal variam de relato para relato, o que torna impossível determinar a morfologia exata dessas características, se elas sinalizam idade ou sexo, ou mesmo se refletem a realidade.[47] O especialista em dodôs Julian Hume acredita que as narinas do dodô vivo teriam sido fendas, como visto nas imagens do Gelderland, de Cornelis Saftleven, da Galeria de Arte Crocker e do indiano Ustad Mansur. De acordo com esse raciocínio, as narinas abertas, frequentemente vistas em pinturas, indicam que espécimes empalhados foram utilizados como modelos.[2]

Pintura de uma cabeça de dodô de Cornelis Saftleven de 1638, a última representação original

A imagem tradicional do dodô é de um pássaro muito gordo e desajeitado, mas esta visão pode ser exagerada. A opinião geral dos cientistas hoje é que muitas representações europeias antigas foram baseadas em aves superalimentadas em cativeiro, ou em espécimes empalhados cruamente.[48] Também foi sugerido que as imagens podem mostrar dodôs com penas bufantes, como parte do comportamento de exibição.[39] O pintor holandês Roelant Savery foi o ilustrador mais influente e prolífico do dodô. Ele fez pelo menos dez representações, muitas vezes mostrando a ave no canto inferior das telas. Uma famosa pintura sua, datada de 1626, agora chamada Edward's Dodo por ter pertencido ao ornitólogo George Edwards, tornou-se a imagem padrão do animal. Ela está alojada no Museu de História Natural de Londres. A pintura mostra uma ave particularmente gorda e serviu como inspiração para muitas outras ilustrações de dodôs.[49]

Uma pintura mogol redescoberta em São Petersburgo na década de 1950 mostra um dodô junto a aves indianas.[50] A gravura retrata uma ave acastanhada e mais esbelta que a dos desenhos europeus. Seu descobridor A. Iwanow e o especialista em dodôs Julian Hume a consideram como uma das representações mais precisas de um dodô vivo; os pássaros ao redor são claramente identificáveis e representados com uma coloração adequada.[51] Acredita-se ser do século XVII e a autoria foi atribuída ao artista Ustad Mansur. O pássaro retratado provavelmente viveu no zoológico do imperador mogol Jahangir, localizado em Surat, onde o viajante inglês Peter Mundy também afirmou ter visto dodôs.[2] Em 2014, uma outra ilustração indiana de um dodô foi relatada, mas mostrou-se derivada de uma ilustração alemã de 1836.[52]

Comportamento e ecologia[editar | editar código-fonte]

Reconstituição do Dodó que reflete sua aparência física no Museu de História Natural, Londres, Inglaterra

Pouco se sabe sobre o comportamento do dodô, pois a maioria das descrições da época são muito breves.[38] Com base em estimativas de peso, foi sugerido que o macho pudesse chegar a 21 anos de idade, e as fêmeas 17.[37] Estudos de cantilever da força de seus ossos da perna indicam que ele poderia correr muito rápido.[38] Ao contrário do solitário-de-rodrigues, não há nenhuma evidência de que o dodô usasse suas asas em combate com outros dodôs. Embora alguns ossos tenham sido encontrados com fraturas curadas, ele tinha músculos peitorais fracos e asas mais reduzidas em comparação com o solitário. O dodô pode sim ter usado seu grande bico encurvado em disputas territoriais. Uma vez que Maurício recebe mais chuva e tem menor variação sazonal do que Rodrigues, o que afeta a disponibilidade de recursos nesta ilha, os dodôs teriam menos motivos para evoluir para um comportamento territorial agressivo. O solitário-de-rodrigues foi, portanto, provavelmente o mais agressivo dos dois.[53]

O habitat preferido do dodô é desconhecido, mas as descrições antigas sugerem que habitavam as florestas sobre as áreas costeiras mais secas do sul e oeste de Maurício. Esta opinião é corroborada pelo fato de que o pântano Mare aux Songes é perto do mar no sudeste da ilha Maurício.[54] Tal distribuição limitada em toda a ilha poderia muito bem ter contribuído para a sua extinção.[55] O mapa de 1601 da revista Gelderland mostra uma pequena ilha ao longo da costa da ilha Maurício, onde dodôs foram capturados. Julian Hume sugeriu esta ilha era a baía Tamarin, na costa oeste da ilha Maurício.[56] Ossos subfósseis também foram encontrados dentro de cavernas nas terras altas, indicando que o animal poderia habitar as montanhas. O trabalho no pântano Mare aux Songes mostrou que seu habitat era dominada por tambalacoques, árvores Pandanus e palmeiras endêmicas.[42]

Muitas espécies endêmicas de Maurício tornaram-se extintas após a chegada dos seres humanos, de modo que o ecossistema da ilha é muito danificado e difícil de reconstruir. Antes da chegada dos humanos, Maurício era inteiramente coberta por florestas, mas muito pouco resta hoje devido ao desmatamento.[57] A fauna endêmica sobrevivente ainda está seriamente ameaçada.[58] O dodô viveu ao lado de outras aves da ilha Maurício recentemente extintas, como a galinhola-vermelha-de-maurício, papagaio-de-bico-largo, papagaio-cinzento-de-maurício, pombo-azul-de-maurício, coruja-de-maurício, Fulica newtonii (uma carqueja), Alopochen mauritiana (um ganso), Anas theodori (um pato), e Nycticorax mauritianus (um socó). Répteis extintos de Maurício incluem as duas espécies de tartarugas-gigantes endêmicas (Cylindraspis inepta e C. triserrata), o lagarto Leiolopisma mauritiana, e a jiboia-da-ilha-round. A Pteropus subniger e o caracol Tropidophora carinata viveram na ilha Maurício e ilha da Reunião, mas desapareceram de ambas as ilhas. Algumas plantas, como a Casearia tinifolia e a Angraecum palmiforme, também se tornaram extintas.[59]

Dieta[editar | editar código-fonte]

Um documento holandês de 1631, redescoberto em 1887 mas agora perdido, é o único relato sobre a dieta do dodô e também menciona que ele usava seu bico para se defender:

Esses maiores são soberbos e orgulhosos. Mostram-se para nós com caras duras e severas, e bocas escancaradas. De marcha desenvolta e audaz, eles dificilmente movem um pé diante de nós. Sua arma de guerra era a sua boca, com a qual podem bicar ferozmente; sua alimentação era de frutos; eles não eram muito bem emplumados, mas abundantemente cobertos com gordura. Muitos deles foram trazidos a bordo, para o deleite de todos nós.[60] [nota 5]

Além de frutos caídos, o dodô provavelmente subsistiu com nozes, sementes, bulbos e raízes.[61] Também foi sugerido que o dodô poderia ter comido caranguejos e mariscos, como seus parentes pombos coroados. Seus hábitos alimentares devem ter sido versáteis, uma vez que provavelmente foram dadas a espécimes cativos uma grande variedade de comida nas longas viagens pelo mar.[62] Anthonie Oudemans sugeriu que como Maurício tem estações seca e chuvosa bem definidas, o dodô provavelmente engordava comendo frutos maduros no fim da estação chuvosa para sobreviver à estação seca, quando a comida era escassa; relatos contemporâneos descrevem o apetite "ganancioso" da ave. France Staub sugeriu que eles eram alimentados principalmente com frutos de palmeiras, e ele tentou correlacionar o ciclo de engorda do dodô com o regime de frutificação desses vegetais.[18]

Várias fontes da época afirmam que o dodô usava pedras na moela para auxiliar na digestão. O escritor Inglês Sir Hamon L'Estrange testemunhou um exemplar ao vivo em Londres e descreveu-o da seguinte maneira:

Em 1638, enquanto eu caminhava pelas ruas de Londres, vi uma imagem de um pássaro de aparência estranha pendurada numa cobertura e eu, em companhia de mais um ou dois, entrei para vê-lo. Era mantido numa câmara, e era uma ave grande, um pouco maior que um peru macho, com pernas e pés parecidos, porém mais grossos e robustos e de forma mais ereta, colorido na parte da frente como o peito de um faisão macho jovem, e na traseira com uma tonalidade amarelo-acinzentada. O tratador o chamava de dodô, e na câmara havia um recipiente com pedras de seixos, as quais deu várias à ave na nossa frente, algumas tão grande como uma noz, e o tratador nos contou que a ave as comia (para ajudar na digestão), e embora eu não lembre se o tratador foi questionado sobre mais detalhes, estou seguro de que depois ela botava tudo pra fora novamente.[63] [nota 6]

Não se sabe como os filhotes eram alimentados, mas os pombos, "primos" dos dodôs, fornecem leite de papo a suas crias. Representações da época mostram a ave com um grande papo, que provavelmente era usado tanto para armazenar o alimento ingerido como para a produção do leite de papo. Especialistas acreditam que o tamanho máximo que os dodôs e solitários-de-rodrigues atingiam era limitado pela quantidade de leite de papo que pudessem produzir para os filhotes durante seu crescimento inicial.[64]

Em 1973, cientistas propuseram que o tambalacoque, também conhecido como árvore-dodô, estava desaparecendo de Maurício, ilha na qual é endêmico. Havia supostamente apenas 13 exemplares restantes, todos com idade estimada em cerca de 300 anos. Stanley Temple formulou a hipótese de que a árvore dependia do dodô para sua propagação, e que suas sementes somente germinavam depois de passar pelo aparelho digestivo da ave. Ele alegou que o tambalacoque estava praticamente co-extinto por causa do desaparecimento do dodô.[65] Porém, Temple não viu relatos da década de 1940 que diziam que sementes da árvore germinaram, embora muito raramente, sem serem submetidas à digestão.[66] Outros contestaram sua hipótese e sugeriram que o declínio da árvore foi exagerado, ou que as sementes também eram disseminadas por outros animais extintos, como as tartarugas Cylindraspis, morcegos-da-fruta ou o papagaio-de-bico-largo.[67] De acordo com Wendy Strahm e Anthony Cheke, dois especialistas na ecologia das ilhas Mascarenhas, a árvore, apesar de rara, germinou desde o desaparecimento do dodô em números de várias centenas, e não 13, como reivindicado por Temple, portanto, desacreditam da visão dele quando afirma que o dodô era um único responsável pela sobrevivência da árvore.[68]

Foi sugerido que o papagaio-de-bico-largo possa ter dependido de dodôs e de tartarugas Cylindraspis para comer frutos de palmeiras e excretar as suas sementes, que se tornavam o alimento para os papagaios. Araras Anodorhynchus dependiam da agora extinta megafauna sul-americana, da mesma forma, mas agora dependem de gado domesticado para este serviço.[69]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Como era uma ave terrestre, incapaz de voar e não havia mamíferos predadores, nem outros tipos de inimigos naturais em Maurício, o dodô provavelmente construía seus ninhos sobre o solo.[70] O relato de François Cauche, em 1651, é a única descrição do ovo e do som emitido pelo animal:

Tenho visto em Maurício aves maiores que um cisne, sem penas no corpo, o qual é coberto por uma penugem preta; a parte posterior é redonda, o traseiro adornado com penas encaracoladas em quantidade proporcional à idade do pássaro. No lugar das asas eles têm penas como estas últimas, pretas e curvas, sem tramas. Eles não têm línguas, o bico é grande, curvando-se um pouco para baixo; suas pernas são longas, escamosas, com apenas três dedos em cada pé. Tem um grito parecido com o de um ganso, e em hipótese alguma são tão saborosos para comer como os flamingos e patos dos quais falamos há pouco. Eles só colocam um ovo que é branco, do tamanho de um rolo halfpenny, ao lado do que eles colocam uma pedra branca do tamanho de um ovo de galinha. Eles colocada na grama que eles coletam, e fazem seus ninhos nas florestas; se uma mata o jovem, uma pedra cinzenta encontra-se na moela. Chamamos-lhes Oiseaux de Nazaret. A gordura é excelente para dar facilidade para os músculos e nervos.[6] [nota 7]

O relato de Cauche é problemático, uma vez que também menciona que a ave que ele descrevia tinha três dedos no pé e não tinha língua, ao contrário do dodô. Isso levou alguns cientistas a acreditar que Cauche estava descrevendo uma nova espécie de dodô (Didus nazarenus). A descrição foi provavelmente misturada com a de um casuar, e as narrações de Cauche tem outras inconsistências.[71] Uma menção de um "jovem avestruz" levado a bordo de um navio em 1617 é a única outra referência a um possível dodô jovem.[60] Um ovo, que se alega ser de dodô, está armazenado no museu de East London, na África do Sul. Foi doado por Marjorie Courtenay-Latimer, cuja tia-avó tinha recebido de um capitão que alegou tê-lo encontrado em um pântano em Maurício. Em 2010, o curador do museu propôs o uso de estudos genéticos para determinar a sua autenticidade.[72] O material pode, no entanto, tratar-se de um ovo aberrante de avestruz.[20]

Devido à provável ninhada de ovo único e ao grande tamanho da ave, foi proposto que o dodô era do tipo K-selecionado, ou seja, ele produzia um baixo número de descendentes altriciais, o que exigia cuidados dos pais até que os filhotes se desenvolvessem. Algumas evidências, incluindo o tamanho grande e o fato de que aves tropicais e frugívoras têm taxas de crescimento mais lentas, indicam que a ave pode ter tido um período de desenvolvimento prolongado.[37] O fato de nenhum dodô jovem ter sido encontrado no pântano Mare aux Songes, onde a maioria dos restos de dodô foram escavados, pode indicar que a ave produzia pouca prole, que amadurecia rapidamente, que as áreas de reprodução eram longe do pântano, ou que o risco de atolamento era sazonal.[73]

Relação com humanos[editar | editar código-fonte]

Maurício já havia sido visitado por embarcações árabes na Idade Média e navios portugueses entre 1507 e 1513, mas não foi colonizado por nenhum dos dois. Não há registros conhecidos de dodôs por estes visitantes, embora o nome português para Maurício, ilha do Cerné (cisne), pode ter sido uma referência aos dodôs.[74] [nota 8] O Império Holandês adquiriu Maurício em 1598, renomeando-o em homenagem a Maurício de Nassau, e daí em diante a ilha foi utilizada para o abastecimento de navios mercantes da Companhia Holandesa das Índias Orientais.[75] Os relatos mais antigos conhecidos do dodô foram fornecidos por viajantes holandeses durante a Segunda Expedição Holandesa à Indonésia, liderada pelo almirante Jacob van Neck em 1598. O animal aparece em documentos divulgados em 1601, que também contêm a mais antiga ilustração publicada da ave.[76] Uma vez que os primeiros marinheiros a visitar Maurício estavam no mar por um longo tempo, o seu interesse por estas aves de grande porte foi principalmente culinário. O diário de bordo escrito por Willem Van West-Zanen do navio Bruin-Vis, publicado em 1602, menciona que 24 a 25 dodôs foram caçados para servir de alimento, os quais eram tão grandes que dois dificilmente poderiam ser consumidos na hora de uma das refeições, sendo seus restos preservados por salga.[77] Foi feita uma ilustração para a versão publicada em 1648 desta diário. A imagem mostra a morte de dodôs, um dugongo, e, possivelmente, um papagaio-cinzento-de-maurício; a legenda era um poema em holandês que mencionava que os marinheiros caçavam e comiam dodôs.[78] [79]

Alguns dos primeiros viajantes acharam o sabor da carne do dodô desagradável, e preferiram comer papagaios e pombos, já outros a descreveram como dura, mas boa. Alguns dodôs foram caçados apenas pela sua moela, considerada a parte mais deliciosa da ave. Eles eram fáceis de pegar, mas os caçadores tinham que ter cuidado para não serem mordidos por seus bicos poderosos.[80]

A semelhança do dodô com a galinhola-vermelha-das-maurícias (também já extinta) levou Peter Mundy a especular, 230 anos antes da teoria da evolução de Charles Darwin:

Duas dessas espécies de aves que mencionei, pelo que sabemos, não podem ser encontradas fora dessa ilha, a qual se encontra a 100 léguas de St. Lawrence.[nota 9] Uma questão pode ser levantada, porque elas estão justamente aqui e não em outro lugar, estando tão longe de outra terra e sem saber voar ou nadar; até que ponto uma mistura de espécies produz formas estranhas e monstruosas, ou a natureza do clima, antiguidade e o mundo alterando as primeiras formas durante um longo tempo, ou como.[2] [nota 10]

Dodôs exportados[editar | editar código-fonte]

O dodô foi considerado interessante o suficiente para que exemplares vivos fossem levados para a Europa e para o Oriente. O número exato de dodôs transportados nos navios e que atingiram seus destinos vivos é incerto. Também não se sabe como suas representações da época estão relacionadas com os poucos restos não-fósseis que ainda existem em museus europeus. Baseando-se na combinação de antigos relatos, pinturas e espécimes, Julian Hume estimou que pelo menos onze dodôs transportados chegaram vivos a seus destinos.[81]

A descrição de Hamon L'Estrange de um dodô que ele viu em Londres, em 1638, é o único relato que menciona especificamente um espécime vivo na Europa. Em 1626, Adriaen van de Venne desenhou um dodô que ele alegou ter visto em Amsterdã, mas não mencionou se estava vivo, e sua representação é uma reminiscência do dodô de Edwards de Savery. Dois espécimes vivos foram vistos por Peter Mundy em Surat, Índia, entre 1628 e 1634, um dos quais pode ter sido o indivíduo pintado por Ustad Mansur em torno de 1625.[2] Em 1628, Emmanuel Altham visitou a ilha Maurício e enviou uma carta ao seu irmão na Inglaterra:

Amado irmão, recebemos ordens para ir para uma ilha chamada Maurício, que encontra-se a 20 graus de latitude sul, onde chegamos em 28 de maio; esta ilha tem muitas cabras, porcos e vacas, e aves muito estranhas, chamadas de dodôs, que são muito raras, em todo o mundo só são encontradas aqui, eu enviei uma através do senhor Perce, que chegou com o navio William nesta ilha em 10 de junho. [Na margem da carta] Do senhor Perce você deve receber gengibre para a minha irmã, algumas pérolas para meus primos e suas filhas, e um pássaro chamado dodô, se tiver vivo.[82] [nota 11]

Não se sabe se esse dodô sobreviveu à longa viagem, e a carta foi destruída pelo fogo no século XIX.[83] A imagem mais antiga conhecida de um espécime de dodô na Europa data de cerca de 1610 numa coleção de pinturas que retratavam os animais do zoológico real do imperador Rodolfo II, em Praga. Esta coleção inclui também pinturas de outros animais de Maurício, incluindo a galinhola-vermelha-de-maurício. O dodô, que pode ter sido um filhote, parece ter sido seco ou embalsamado, e provavelmente viveu no jardim zoológico do imperador por um tempo junto com os outros animais. Os dodôs inteiros empalhados que existiam na Europa naquela época indicam que eles tinham sido trazidos vivos e morreram em solo europeu; é improvável que taxidermistas estavam a bordo dos navios que visitaram Maurício, e o formol ainda não era usado para preservar espécimes biológicos. A maioria dos exemplares tropicais foram preservados como cabeças e pés secos.[81]

Um dodô teria sido enviado à cidade de Nagasaki, no Japão, em 1647, mas por muito tempo não se soube se ele realmente chegou a seu destino.[69] Documentos da época publicados em 2014 confirmam a história e mostram que o animal chegou com vida. Foi levado como um presente, e, apesar de sua raridade, foi considerado de valor igual a um veado branco e uma pedra bezoar. É o último registro de um dodô vivo em cativeiro.[84]

Extinção[editar | editar código-fonte]

"O Paraíso" de Savery (1626) mostra um dodô no canto inferior direito

Como muitos animais que evoluíram isolados e sem predadores significativos, o dodô não tinha medo de seres humanos. Este destemor e sua incapacidade de voar tornava-o presa fácil para os marinheiros.[85] Embora alguns relatos dispersos descrevessem matanças em massa de dodôs para provisões de bordo, as investigações arqueológicas fornecem escassas evidências de predação humana. Ossos de pelo menos dois dodôs foram encontrados em cavernas de Baie du Cap, local que servia de refúgio para condenados e escravos fugitivos no século XVII e que não teria sido facilmente acessível para os dodôs por causa do terreno alto e acidentado.[23] A população humana em Maurício (que tem uma área de 1 860 km2) nunca excedeu 50 pessoas no século XVII, mas esses primeiros colonos introduziram outros animais, incluindo cães, porcos, gatos, ratos e macacos-do-mato, que saqueavam ninhos de dodô e competiram pelas limitadas fontes de alimento.[42] Ao mesmo tempo, os humanos destruíram florestas que eram o habitat da ave. O impacto destes animais introduzidos, especialmente os porcos e macacos, sobre a população de dodôs é atualmente considerado mais grave do que a caça.[86] Os ratos não foram, talvez, uma ameaça muito grande aos ninhos, uma vez que os dodôs estavam acostumados a lidar com os caranguejos terrestres locais.[87]

Foi sugerido que o dodô já era raro ou ocupava uma área bastante restrita antes da chegada dos seres humanos em Maurício, uma vez que teria sido improvável que tivesse se extinguido tão rapidamente se ocupasse todas as partes remotas da ilha.[55] Uma expedição em 2005 encontrou restos subfósseis de dodôs e outros animais mortos por uma enchente. Tais mortes em massa teria prejudicado ainda mais uma espécie já em perigo de extinção.[88]

Há algumas controvérsias envolvendo a data da extinção. O último registro amplamente aceito de um avistamento de dodô é o relato feito em 1662 pelo marinheiro náufrago Volkert Evertsz do navio holandês Arnhem, que descreveu aves capturadas em uma pequena ilhota de Maurício (atualmente acredita-se que seja a ilha Âmbar):

Estes animais, quando nos aproximamos deles, fixaram-nos o olhar e permaneceram imóveis no local, sem saber se tinham asas para voar ou pernas para fugir, e permitindo-nos aproximar tão perto quanto quiséssemos. Entre essas aves estavam aquelas que na Índia são chamadas de Dod-aersen (sendo uma espécie de ganso grande); estas aves são incapazes de voar, e em vez de asas, elas têm apenas alguns pequenos "pinos", mas podem correr muito rapidamente. Conseguimos agrupa-las num só lugar, de tal maneira que foi possível pegá-las com as mãos, e quando agarramos uma pela perna, ela fez um grande barulho, e as outras todas de repente vieram correndo o mais rápido que podiam para tentar socorre-la, e por causa disso foram capturadas e feitas prisioneiras também.[89] [nota 12]

Desenho da Pieter van den Broecke de um dodô, uma ovelha de um chifre, e uma galinhola-vermelha (1617).

Os dodôs nesta ilhota não foram, necessariamente, os últimos membros da espécie.[90] O último avistamento reivindicado de um dodô foi relatado nos registros de caça de Isaac Johannes Lamotius em 1688. A análise estatística desses registros feita por Roberts e Solow dá uma nova data de extinção estimada de 1693, com um intervalo de confiança de 95% de 1688 a 1715. Os autores também assinalaram que, devido a última observação antes de 1662 ter sido a de 1638, o dodô provavelmente já era bastante raro na década de 1660, e, portanto, um relato disputado datado de 1674 feito por um escravo fugido não pode ser posto de lado.[91]

Anthony Cheke apontou que algumas descrições pós 1662 usam os nomes "Dodo" e "Dodaers" quando se referem à galinhola-vermelha, indicando que os termos haviam sido transferidos para essa outra ave após o desaparecimento do próprio dodô.[92] Cheke, portanto, aponta para a descrição de 1662 como a última observação credível. Um relato de 1668 feito pelo viajante inglês John Marshall, que usou os nomes "Dodo" e "galinha vermelha" alternadamente para a galinhola vermelha, mencionou que a carne era "dura", o que ecoa a descrição da carne no relato de 1681.[93] Até mesmo a menção de 1662 tem sido questionada por Errol Fuller, como a reação de angústia chora coincide com o que foi descrito para a galinhola-vermelha.[94] Até que essa explicação foi proposto, a descrição de "dodos" a partir de 1681 foi pensado para ser o último relato, e essa data ainda tem defensores.[95] Manuscritos holandeses recentemente acessíveis indicam que nenhum dodô foi visto por colonos entre 1664 e 1674.[96] É improvável que este problema seja resolvido algum dia, a menos que os relatórios atrasados que citam o nome ao lado de um descrição física sejam redescobertos.[87] A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais aceita a justificativa de Cheke para escolher a data de 1662, acreditando que todos os avistamentos subsequentes se referem a galinholas-vermelhas. Em qualquer caso, o dodô foi provavelmente extinto em 1700, cerca de um século depois de sua descoberta em 1598.[1] [93] Os holandeses deixaram Maurício em 1710, mas até então o dodô e a maioria dos grandes vertebrados terrestres da ilha já haviam se tornado extintos.[42]

Mesmo que a raridade do dodô já tivesse sido relatada no século XVII, sua extinção não foi reconhecida até o século XIX. Isto foi em parte porque, por motivos religiosos, a extinção não se acreditava possível até mais tarde ser provada por Georges Cuvier, e em parte porque muitos cientistas duvidavam de que o dodô realmente tivesse existido algum dia. Parecia uma criatura estranha por demais, e muitos acreditavam que era um mito. O pássaro foi usado pela primeira vez como um exemplo de extinção induzida pelo homem na Penny Magazine em 1833.[97]

Restos físicos[editar | editar código-fonte]

Espécimes do século XVII[editar | editar código-fonte]

Fragmentos de perna e crânio no Museu Nacional de Praga

Os únicos vestígios existentes de dodôs levados para a Europa no século XVII são: uma cabeça e um pé, ambos secos, do Museu de História Natural da Universidade de Oxford; um pé que estava guardado no Museu Britânico, mas que foi perdido; um crânio do Museu Zoológico da Universidade de Copenhague; e um maxilar superior e ossos da perna no Museu Nacional de Praga. Os dois últimos foram redescobertos e identificados como restos de dodô em meados do século XIX.[98] Vários dodôs empalhados foram também mencionados em antigos inventários de museus, mas não se sabe de nenhum que tenha resistido até os dias atuais.[99] Além desses restos, um pé seco, que pertenceu ao professor holandês Pieter Pauw, foi mencionado por Carolus Clusius em 1605. Sua origem é desconhecida, e agora está perdido, mas pode ter sido coletado durante a viagem de van Neck.[2]

Moldes de gesso da cabeça aos pés e Oxford Londres feita quando eles ainda estavam intactos, Booth Museu de História Natural

As únicas amostras de tecido mole que persistiram ao tempo, a cabeça (espécime OUM 11605) e o pé de Oxford, pertenceram ao último dodô empalhado que se tem notícia. Esse exemplar foi mencionado pela primeira vez como parte da coleção de Tradescant em 1656, sendo transferido três anos mais tarde, em 1659, para o Ashmolean Museum. Acredita-se que podem ser os restos da ave que Hamon L'Estrange viu em Londres.[2] Muitas fontes afirmam que o museu queimou o dodô empalhado por volta de 1755 por causa da grave deterioração da peça, salvando apenas a cabeça e uma perna. O estatuto 8 do museu diz "que como qualquer coisa envelhece e perece, o mantenedor pode removê-lo em um dos armários ou outro repositório. E alguns outros para ser substituído".[100] Hoje acredita-se que a simples destruição deliberada da amostra é um mito; ela foi, na verdade, removida do local de exposição para preservar o que lhe restou. Este tecido mole de dodô foi ainda mais degradado depois; a cabeça teve a pele separada do crânio em duas metades na dissecação feita por Strickland e Melville. O pé está em estado esquelético, com apenas pedaços de pele e tendões. Muito poucas penas permanecem na cabeça. Provavelmente era uma fêmea, já que o pé é 11% menor e mais delicado que o do espécime de Londres, e parece ser um indivíduo já totalmente crescido.[101]

O pé seco de Londres, mencionado pela primeira vez em 1665, e transferido para o Museu Britânico no século XVIII, foi exibido ao lado da pintura de dodô feita Edwards de Savery até a década de 1840. Também foi dissecado por Strickland e Melville. Não foi colocado numa postura ereta, o que sugere que foi separado de uma amostra fresca, e não de uma montada. Em 1896, foi mencionado como estando sem seus integumentos, e acredita-se que só os ossos permanecem até hoje, apesar de seu paradeiro atual ser desconhecido.[2]

Crânio do Museu Zoológico de Copenhagen

O crânio de Copenhagen (espécime ZMUC 90-806) é conhecido por ter sido parte da coleção de Bernardus Paludanus em Enkhuizen até 1651, quando foi transferido para o museu no castelo de Gottorf, em Schleswig.[102] Depois que o castelo foi ocupado por tropas dinamarquesas em 1702, o acervo do museu foi assimilado na coleção real dinamarquesa. O crânio foi redescoberto por J. T. Reinhardt em 1840. Com base nessa história, pode ser o resquício mais antigo já conhecido da sobrevivência de um dodô trazido para a Europa no século XVII.[2] É 13 milímetros mais curto que o crânio de Oxford, e pode ter pertencido a uma fêmea.[37] Ele foi mumificado, mas a pele pereceu.[42]

A parte da frente de um crânio (espécime NMP P6V-004389) e alguns ossos da perna no Museu Nacional de Praga foram encontrados em 1850, entre os restos do Museu Böhmisches.[2] Pode ser o que restou de um dos dodôs empalhados que viviam no zoológico do imperador Rodolfo II, possivelmente, o espécime pintado lá por Hoefnagel ou Savery.[103]

Espécimes subfósseis[editar | editar código-fonte]

Esqueleto Richard Owen montado a partir de ossos encontrados no Mare aux Songes, Museu de História Natural de Londres

Até 1860, os únicos restos de dodô conhecidos eram os quatro exemplares incompletos do século XVII. Até que o botânico inglês Philip Burnard Ayres encontrou os primeiros ossos subfósseis, os quais foram enviados para Richard Owen no Museu Britânico, que não publicou os achados. Três anos depois, em 1863, Owen pediu ao bispo Vincent Ryan, de Maurício, para divulgar na ilha que ele deveria ser informado caso algum osso de dodô fosse descoberto.[3] Em 1865, George Clark, um professor da pequena cidade de Mahébourg, finalmente encontrou ossos subfósseis de dodô em grande quantidade. O material estava no pântano Mare aux Songes, no sul da ilha Maurício, e o achado foi fruto de uma pesquisa de 30 anos inspirada na monografia de Strickland e Melville.[2] No ano seguinte, Clark expôs sua descoberta no Ibis, uma revista científica de ornitologia: ele orientou seus ajudantes a caminhar no meio do pântano, para sentir os ossos com os pés. No início encontraram poucos ossos, até que cortaram a forragem que cobria a parte mais profunda do pântano, e então encontraram muitos subfósseis.[104] Do local foram retirados restos de mais de 300 dodôs, mas muito poucos crânios e ossos das asas, possivelmente porque as partes de cima das aves foram "varridas" pela água, enquanto que as partes inferiores do corpo estavam presas. Um cenário semelhante a muitos achados de restos de moa em pântanos da Nova Zelândia.[105] A maioria dos restos de dodô retirados do Mare aux Songes tem uma coloração marrom médio a escuro.[73]

Os relatos de Clark sobre as descobertas reacenderam o interesse pela ave. Tanto Richard Owen como Alfred Newton queriam ser o primeiro a descrever a anatomia pós-cranial do dodô, e Owen comprou um carregamento de ossos originalmente destinada a Newton, o que gerou rivalidade entre os dois. Owen descreveu os ossos na obra Memoir on the Dodo, em outubro de 1866, mas errou ao basear sua reconstrução na pintura Edwards' Dodo feita por Savery, fazendo com que a ave parecesse muito atarracada e obesa. Em 1869 ele recebeu mais ossos e corrigiu sua representação, deixando-a mais ereta. Newton, por sua vez, direcionou seu foco para o solitário-de-reunião. Os ossos restantes, que não foram vendidos nem para Owen nem para Newton, foram leiloados ou doados a museus.[3] Em 1889, Theodor Sauzier foi contratado para explorar as "lembranças históricas" da ilha Maurício e encontrar mais restos de dodô no Mare aux Songes. Não só alcançou esses objetivos como também encontrou resquícios de outras espécies extintas.[106]

Esqueleto formado por subfósseis encontrados em 2006, Naturalis

Louis Etienne Thirioux, um naturalista amador de Port Louis, também encontrou muitos ossos de dodô em vários locais da ilha, por volta do ano 1900. Suas descobertas incluem o primeiro espécime articulado, que é também o único dodô subfóssil encontrado fora da região do Mare aux Songes; e o único resto de um espécime juvenil, um tarsometatarso, posteriormente perdido.[2] [42] O primeiro espécime foi encontrado em 1904 em um caverna perto da montanha Le Pouce, e é o único esqueleto completo de um único exemplar de dodô, e inclui os únicos kneecaps preservadas da ave. Thirioux doou ao Museu Desjardins (hoje Museu de História Natural do Instituto Maurício), onde ainda está em exibição.[107] [108] Em 2014, este espécime foi a base para a primeira reconstrução 3D de um esqueleto completo de dodô, que utilizou tecnologia de varredura a laser em três dimensões. A reconstrução foi exibida em Berlim, na 74ª Reunião Anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados.[109] [110] [111]

Ossos subfósseis redescobertos no Grant Museum em 2011

Em outubro de 2005, depois de cem anos de negligência, uma parte do pântano Mare aux Songes foi escavada por uma equipe internacional de pesquisadores. Para prevenir a malária, os britânicos haviam coberto o pântano com núcleo duro durante o seu domínio sobre Maurício, que teve de ser removido. Muitos restos mortais foram encontrados, incluindo ossos de pelo menos 17 dodôs em vários estágios de maturidade (embora não juvenis), e vários ossos, obviamente, a partir do esqueleto de uma ave individual, que foram preservados na sua posição natural.[112] Esses achados foram tornados públicos em dezembro de 2005 no museu Naturalis em Leiden. 63% dos fósseis encontrados no pântano pertencia a tartarugas do gênero Cylindraspis, já extinto, e 7,1% pertenciam a dodôs, que haviam sido depositados dentro de vários séculos, há 4 000 anos.[113] Escavações posteriores sugeriram que dodôs e outros animais ficaram atolados no Mare aux Songes ao tentar chegar a água durante um longo período de seca severa cerca de 4 200 anos atrás.[112] Além disso, as cianobactérias prosperaram nas condições criadas pelos excrementos de animais se reuniram em torno do pântano, que morreram de intoxicação, desidratação, atropelamento, e afundando.[114] Apesar de muitos pequenos elementos do esqueleto foram encontrados durante as recentes escavações do pântano, poucos foram encontrados durante o século 19, provavelmente devido ao emprego de métodos de coleta menos refinados.[73] Em junho de 2007, os aventureiros que exploravam uma caverna na ilha Maurício descobriram o esqueleto de dodô mais completo e mais bem preservado já encontrado. O espécime foi apelidado de "Fred", após o achado.[115]

Em todo o mundo, 26 museus possuem quantidades significativas de material de dodô, quase todos encontrados no Mare aux Songes. O Museu de História Natural de Londres, Museu Americano de História Natural, Museu de Zoologia da Universidade de Cambridge, Museu Senckenberg, dentre outros, têm esqueletos quase completos, montados a partir de restos subfósseis de vários indivíduos.[116] Em 2011, uma caixa de madeira contendo ossos de dodô da era eduardiana foi redescoberta no Grant Museum da University College London, durante os preparativos para uma mudança. Eles haviam sido armazenadas junto com ossos de crocodilo.[117]

O dodô branco[editar | editar código-fonte]

O dodô esbranquiçado desta pintura de Savery (1611) inspirou outros artistas a retratarem a ave com a cor branca.

O suposto "dodô branco" (ou "solitário") da ilha Reunião é hoje considerado uma conjectura errada baseada em relatos de avistamentos do íbis-de-reunião e pinturas do século XVII de aves brancas parecidas com o dodô feitas por Pieter Withoos e Pieter Holsteyn, e que vieram à tona no século XIX. A confusão começou quando Willem Bontekoe, após visitar Reunião por volta de 1619, mencionou aves gordas e incapazes de voar, às quais se referiu como "Dod-eersen" em seu diário de bordo, embora sem mencionar de que cor eram. Quando o diário foi publicado em 1646, o relato foi acompanhado por uma gravura de um dodô da "Crocker Art Gallery sketch" de Savery.[118] Um pássaro branco, encorpado e que não voava foi mencionado pela primeira vez como parte da fauna de Reunião pelo oficial-chefe J . Tatton em 1625. Menções esporádicas foram posteriormente feitas por Sieur Dubois e outros escritores da época.[119]

O barão Edmond de Sélys Longchamps cunhou o nome Raphus solitarius para estes pássaros em 1848, pois acreditava que os relatos se referiam a uma espécie de dodô. Quando pinturas do século XVII de dodôs brancos foram redescobertas por naturalistas do século XIX, acreditou-se que elas retratavam essas aves. Anthonie Cornelis Oudemans sugeriu que a discrepância entre as pinturas e as antigas descrições aconteceu porque os desenhos mostravam as fêmeas, e que a espécie tinha, portanto, dimorfismo sexual.[120] Alguns autores também acreditavam que os pássaros descritos eram de uma espécie semelhante ao solitário-de-rodrigues, sendo por isso também chamados de "solitários", ou mesmo que havia espécies brancas tanto de dodô como de solitários na ilha.[121]

O dodô branco pintado por Holsteyn, baseado na obra de Savery, confundiu ainda mais os naturalistas.

A pintura de Pieter Withoos, descoberta primeiro, parece ter sido baseada numa pintura anterior de Pieter Holsteyn, e sabe-se que existiram três versões dela. De acordo com Hume, Cheke e Valledor de Lozoya, parece que todas as representações de dodôs brancos foram baseadas na pintura Landscape with Orpheus and the animals de 1611, feita por Roelant Savery, ou em cópias da mesma. A pintura mostra um espécime esbranquiçado e aparentemente foi feita com base em um exemplar empalhado em Praga; um walghvogel descrito como tendo um "coloração esbranquiçada suja" foi mencionado em um inventário de espécimes na coleção de Praga do Sacro Imperador Romano Rodolfo II, que contratou Savery na época (1607-1611). Várias imagens posteriores de Savery mostram sempre aves acinzentadas, possivelmente porque ele viu outro exemplar. Cheke e Hume acredita que o espécime pintado era branco devido ao albinismo.[103] Valledor de Lozoya, por sua vez, sugeriu que a plumagem clara pode ser um traço juvenil, resultado do branqueamento de exemplares taxidermizados antigos, ou simplesmente licença artística.[122]

Em 1987, cientistas descreveram fósseis de uma espécie recentemente extinta de íbis originário da ilha Reunião com um bico relativamente curto, Borbonibis latipes, antes de uma conexão com os relatos do solitário ter sido feita.[123] Cheke sugeriu a um dos autores, Francois Moutou, que os fósseis podem ter sido do íbis-de-reunião, e esta sugestão foi publicada em 1995. O íbis foi transferido para o gênero Threskiornis, agora combinado com o epíteto específico "solitarius" do binomial R. solitarius.[124] As aves deste gênero são também brancas e pretas com bicos finos, se enquadrando assim com as antigas descrições do íbis-de-reunião. Nenhum fóssil de animais parecidos com o dodô jamais foi encontrado na ilha.[103]

Relevância cultural[editar | editar código-fonte]

Alice e o dodô. Ilustração de John Tenniel.

A importância do dodô como um dos mais famosos animais extintos e sua aparência singular levou à sua utilização na literatura e na cultura popular como um símbolo de um conceito ou objeto desatualizado. Na língua inglesa, a expressão "dead as a dodo" ("morto como um dodô") quer dizer uma coisa inquestionavelmente morta ou obsoleta.[125] [126] Da mesma forma, a frase "to go the way of the dodo" ("seguindo o caminho do dodô") significa tornar-se extinto ou obsoleto, cair fora do uso ou da prática comum, ou virar uma coisa do passado.[125] Embora sejam expressões de uso frequente, uma pesquisa da ONG internacional WWF publicada em 2015 mostrou que um em cada quatro britânicos acredita que os dodôs ainda existem.[127] Em 2009, uma ilustração holandesa inédita de um dodô, datada do século XVII, foi colocada à venda na Christie's e esperava-se que fosse vendida por 6 000 libras.[128] Não se sabe se a ilustração foi baseada em um espécime ou em uma imagem anterior. Foi arrematada por 44 450 libras.[129]

Mesmo antes de sua extinção, o dodô era frequentemente destacado na literatura europeia, além de ser usado como símbolo para terras exóticas e para a gula, devido a sua aparência obesa.[130] Em 1865, mesmo ano em que George Clark começou a publicar relatórios sobre fósseis escavados de dodô, o pássaro recém vindicado foi caracterizado como um personagem de Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas. Acredita-se que ele incluiu o dodô porque se identificou com a ave e adotou o nome como apelido para si mesmo por causa de sua gagueira, o que o fez acidentalmente apresentar-se como "Do-do-dodgson", seu sobrenome legal.[97] A popularidade do livro fez do dodô um ícone conhecido de extinção.[131] O poeta Hilaire Belloc incluiu um poema sobre o dodô na sua obra The Bad Child's Book of Beasts de 1896.[132]

Imagem do século XVII leiloada na Christie's

Atualmente, o dodô aparece em obras de ficção popular, como animações, séries de TV e filmes. É usado como mascote para muitos tipos de produtos, especialmente em Maurício.[133] O dodô aparece como um defensor no brasão de armas de Maurício.[86] É também usado como uma marca d'água em notas da moeda local, a rupia maurícia.[134] Um dodô sorridente é o símbolo da Brasseries de Bourbon, uma popular marca de cerveja da ilha Reunião, cujo emblema mostra a espécie branca que se pensava ter vivido lá.[135] A ave também é usada para promover a proteção de espécies ameaçadas de extinção por muitas organizações ambientais, como a Durrell Wildlife Conservation Trust, o Durrell Wildlife Park,[136] e o Center for Biological Diversity, que oferece anualmente o irônico prêmio Rubber Dodo, uma "honraria" dada àqueles que mais contribuíram para extinguir espécies ameaçadas.[137]

Em 2011, a aranha da família Nephilidae Nephilengys dodo, que habita as mesmas florestas que os dodôs habitavam, foi nomeada em homenagem à ave com o intuito de aumentar a conscientização sobre a necessidade urgente de proteção da biota de Maurício.[138] O nome dodô também foi imortalizado por cientistas de nomeação de elementos genéticos, lembrando a incapacidade de voar do dodô. Um gene de mosca da fruta dentro de uma região de um cromossomo necessária para a capacidade de voar foi nomeado "dodo".[139] Além disso, uma família elemento transponível defeituoso de Phytophthora infestans foi nomeado DodoPi uma vez que continha mutações que eliminaram a capacidade do elemento para saltar para novos locais num cromossomo.[140]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Tradução livre de: "On their left hand was a little island which they named Heemskirk Island, and the bay it selve they called Warwick Bay ... Here they taried 12. daies to refresh themselues, finding in this place great quantity of foules twice as bigge as swans, which they call Walghstocks or Wallowbirdes being very good meat. But finding an abundance of pigeons & popinnayes [parrots], they disdained any more to eat those great foules calling them Wallowbirds, that is to say lothsome or fulsome birdes. Of the said Pidgeons and Popiniayes they found great plenty being very fat and good meate, which they could easily take and kil euen with little stickes: so tame they are by reason ý the Isle is not inhabited, neither be the liuing creatures therein accustomed to the sight of men.".
  2. As referências anglófonas sobre a história natural do dodô mencionam o termo "fotilicaios", porém este é provavelmente um erro de copistas, na verdade os portugueses da época chamavam o pinguim-africano de "sotilicário".
  3. Tradução livre de: "Blue parrots are very numerous there, as well as other birds; among which are a kind, conspicuous for their size, larger than our swans, with huge heads only half covered with skin as if clothed with a hood. These birds lack wings, in the place of which 3 or 4 blackish feathers protrude. The tail consists of a few soft incurved feathers, which are ash coloured. These we used to call 'Walghvogel', for the reason that the longer and oftener they were cooked, the less soft and more insipid eating they became. Nevertheless their belly and breast were of a pleasant flavour and easily masticated.".
  4. Tradução livre de: "First here only and in Dygarrois [Rodrigues, likely referring to the solitaire] is generated the Dodo, which for shape and rareness may antagonize the Phoenix of Arabia: her body is round and fat, few weigh less than fifty pound. It is reputed more for wonder than for food, greasie stomackes may seeke after them, but to the delicate they are offensive and of no nourishment. Her visage darts forth melancholy, as sensible of Nature's injurie in framing so great a body to be guided with complementall wings, so small and impotent, that they serve only to prove her bird. The halfe of her head is naked seeming couered with a fine vaile, her bill is crooked downwards, in midst is the trill [nostril], from which part to the end tis a light green, mixed with pale yellow tincture; her eyes are small and like to Diamonds, round and rowling; her clothing downy feathers, her train three small plumes, short and inproportionable, her legs suiting her body, her pounces sharpe, her appetite strong and greedy. Stones and iron are digested, which description will better be conceived in her representation.".
  5. Tradução livre de: "These mayors are superb and proud. They displayed themselves to us with stiff and stern faces, and wide-open mouths. Jaunty and audacious of gait, they would scarcely move a foot before us. Their war weapon was their mouth, with which they could bite fiercely; their food was fruit; they were not well feathered but abundantly covered with fat. Many of them were brought onboard to the delight of us all.".
  6. Tradução livre de: "About 1638, as I walked London streets, I saw the picture of a strange looking fowle hung out upon a clothe and myselfe with one or two more in company went in to see it. It was kept in a chamber, and was a great fowle somewhat bigger than the largest Turkey cock, and so legged and footed, but stouter and thicker and of more erect shape, coloured before like the breast of a young cock fesan, and on the back of a dunn or dearc colour. The keeper called it a Dodo, and in the ende of a chymney in the chamber there lay a heape of large pebble stones, whereof hee gave it many in our sight, some as big as nutmegs, and the keeper told us that she eats them (conducing to digestion), and though I remember not how far the keeper was questioned therein, yet I am confident that afterwards she cast them all again".
  7. Tradução livre de: "I have seen in Mauritius birds bigger than a Swan, without feathers on the body, which is covered with a black down; the hinder part is round, the rump adorned with curled feathers as many in number as the bird is years old. In place of wings they have feathers like these last, black and curved, without webs. They have no tongues, the beak is large, curving a little downwards; their legs are long, scaly, with only three toes on each foot. It has a cry like a gosling, and is by no means so savoury to eat as the Flamingos and Ducks of which we have just spoken. They only lay one egg which is white, the size of a halfpenny roll, by the side of which they place a white stone the size of a hen's egg. They lay on grass which they collect, and make their nests in the forests; if one kills the young one, a grey stone is found in the gizzard. We call them Oiseaux de Nazaret. The fat is excellent to give ease to the muscles and nerves".
  8. Quando, em 1507, os portugueses descobriram a ilha hoje conhecida como Maurício, ela foi batizada de Ilha do Cerné, pois pensaram que se tratava da mítica ilha de mesmo nome mencionada por Plínio. Contudo, muitos autores consideram que Cerné é uma corruptela da palavra cisne.
  9. St. Lawrence era uma ilha mítica que se pensava que existia ao norte de Maurício.
  10. Tradução livre de: "Of these 2 sorts off fowl afforementionede, For oughtt wee yett know, Not any to bee Found out of this Iland, which lyeth aboutt 100 leagues From St. Lawrence. A question may bee demaunded how they should bee here and Not elcewhere, beeing soe Farer From other land and can Neither fly or swymme; whither by Mixture off kindes producing straunge and Monstrous formes, or the Nature of the Climate, ayer and earth in alltring the First shapes in long tyme, or how".
  11. Tradução livre de: "Right wo and lovinge brother, we were ordered by ye said councell to go to an island called Mauritius, lying in 20d. of south latt., where we arrived ye 28th of May; this island having many goates, hogs and cowes upon it, and very strange fowles, called by ye portingalls Dodo, which for the rareness of the same, the like being not in ye world but here, I have sent you one by Mr. Perce, who did arrive with the ship William at this island ye 10th of June. [In the margin of the letter] Of Mr. Perce you shall receive a jarr of ginger for my sister, some beades for my cousins your daughters, and a bird called a Dodo, if it live".
  12. Tradução livre de: "These animals on our coming up to them stared at us and remained quiet where they stand, not knowing whether they had wings to fly away or legs to run off, and suffering us to approach them as close as we pleased. Amongst these birds were those which in India they call Dod-aersen (being a kind of very big goose); these birds are unable to fly, and instead of wings, they merely have a few small pins, yet they can run very swiftly. We drove them together into one place in such a manner that we could catch them with our hands, and when we held one of them by its leg, and that upon this it made a great noise, the others all on a sudden came running as fast as they could to its assistance, and by which they were caught and made prisoners also".

Referências

  1. a b BirdLife International (2012). Raphus cucullatus (em Inglês). IUCN 2014. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2014 Versão 3. Página visitada em 22/06/2015.
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q Hume, Julian P. (2006). "The History of the Dodo Raphus cucullatus and the Penguin of Mauritius" (em inglês). Historical Biology 18 (2): 69-93. DOI:10.1080/08912960600639400.
  3. a b c Hume, Julian P; Cheke AS, McOran-Campbell A (2009). "How Owen 'stole' the Dodo: Academic rivalry and disputed rights to a newly-discovered subfossil deposit in nineteenth century Mauritius" (em inglês). Historical Biology 21 (1-2): 33-49. DOI:10.1080/08912960903101868.
  4. Reinhardt, Johannes T (1842–3). "Nøjere oplysning om det i Kjøbenhavn fundne Drontehoved". Nat. Tidssk. Krøyer. IV: 71–72. 2..
  5. Baker, RA; Bayliss RA. (2002). "Alexander Gordon Melville (1819–1901): The Dodo, Raphus cucullatus (L., 1758) and the genesis of a book" (em inglês). Archives of Natural History 29: 109–118. DOI:10.3366/anh.2002.29.1.109.
  6. a b c d Strickland 1848, pp. 4-112
  7. Newton, A. (1865). "2. On Some Recently Discovered Bones of the Largest Known Species of Dodo (Didus Nazarenus, Bartlett)" (em inglês). Proceedings of the Zoological Society of London 33 (1) p. 199-201. DOI:10.1111/j.1469-7998.1865.tb02320.x.
  8. Lydekker, R. (1891). "Catalogue of the Fossil Birds in the British Museum (Natural History)" (em inglês). Taylor & Francis p. 128. DOI:10.5962/bhl.title.8301.
  9. Milne-Edwards, Researches into the zoological affinities of the bird recently described by Herr von Frauenfeld under the name of Aphanapteryx imperialis. (1869). "Ibis" (em inglês) 11 (3): 256-75. DOI:10.1111/j.1474-919X.1869.tb06880.x.
  10. Parish 2013, p. 5, 137
  11. Parish 2013, p. 3-4
  12. Hakluyt, Richard. A Selection of Curious, Rare and Early Voyages and Histories of Interesting Discoveries. Londres: R.H. Evans and R. Priestley, 1812. p. 253.
  13. Fuller 2002, p. 51
  14. Garnett, Richard. The Principal Navigations, Voyages, Traffiques and Discoveries of the English Nation - Volume 10. [S.l.: s.n.].
  15. Fuller 2001, pp. 194-203
  16. a b Cheke 2008, pp. 22-23
  17. Fuller 2002, pp. 17-18
  18. a b Staub, France. (1996). "Dodo and solitaires, myths and reality" (em inglês). Proceedings of the Royal Society of Arts & Sciences of Mauritius 6: 89-122.
  19. Cheke 2008, p. 276
  20. a b Fuller 2002, p. 43
  21. Fuller 2002, pp. 147-149
  22. Storer, RW. (1970). "Independent Evolution of the Dodo and the Solitaire" (em inglês). The Auk 87 (2): 369–70. DOI:10.2307/4083934.
  23. a b Janoo, A. (2005). "Discovery of Isolated Dodo Bones [Raphus cucullatus (L.), Aves, Columbiformes] from Mauritius Cave Shelters Highlights Human Predation, with a Comment on the Status of the Family Raphidae Wetmore, 1930" (em inglês). Annales de Paléontologie 91 (2): 167-80. DOI:10.1016/j.annpal.2004.12.002.
  24. a b Shapiro, B; Sibthorpe D, Rambaut A, et al. (2002). "Flight of the Dodo" (em inglês). Science 295 (5560): 1683. DOI:10.1126/science.295.5560.1683.
  25. BBC (28/02/2002). DNA yields dodo family secrets (em inglês) BBC News. Visitado em 01/06/2015.
  26. Owen, R. (1867). "On the Osteology of the Dodo (Didus ineptus, Linn.)" (em inglês). The Transactions of the Zoological Society of London 6 (2): 49-85. DOI:10.1111/j.1096-3642.1867.tb00571.x.
  27. Pereira, SL; Johnson KP, Clayton DH, et al. (2007). "Mitochondrial and nuclear DNA sequences support a Cretaceous origin of Columbiformes and a dispersal-driven radiation in the Paleogene" (em inglês). Systematic Biology 56 (4): 656-72. DOI:10.1080/10635150701549672.
  28. Naish, D. (2014). "A Review of The Dodo and the Solitaire: A Natural History" (em inglês). Journal of Vertebrate Paleontology 34 (2): 489. DOI:10.1080/02724634.2013.803977.
  29. a b Heupink, Tim H; van Grouw H, Lambert DM. (2014). "The mysterious Spotted Green Pigeon and its relation to the Dodo and its kindred" (em inglês). BMC Evolutionary Biology 14 (1): 136. DOI:10.1186/1471-2148-14-136.
  30. Cheke 2008, pp. 70-71
  31. McNab, BK. (1999). "On the Comparative Ecological and Evolutionary Significance of Total and Mass-Specific Rates of Metabolism" (em inglês). Physiological and Biochemical Zoology 72 (5) p. 642-4. DOI:10.1086/316701.
  32. a b Hume, Julian P. (2012). "The Dodo: From extinction to the fossil record" (em inglês). Geology Today 28 (4): 147-51. DOI:10.1111/j.1365-2451.2012.00843.x.
  33. Fuller 2001, pp. 37-39
  34. Worthy, TH. (2001). "A giant flightless pigeon gen. et sp. nov. and a new species of Ducula (Aves: Columbidae), from Quaternary deposits in Fiji" (em inglês). Journal of the Royal Society of New Zealand 31 (4): 763-94. DOI:10.1080/03014223.2001.9517673.
  35. Fuller 2003, pp. 48
  36. Fuller 2002, p. 45
  37. a b c d e Livezey, BC. (1993). "An Ecomorphological Review of the Dodo (Raphus cucullatus) and Solitaire (Pezophaps solitaria), Flightless Columbiformes of the Mascarene Islands" (em inglês). Journal of Zoology 230 (2): 247-92. DOI:10.1111/j.1469-7998.1993.tb02686.x.
  38. a b c Kitchener, AC. (Agosto de 1993). "Justice at last for the dodo" (em inglês). New Scientist (1888): 24.
  39. a b Angst, D; Buffetaut E, Abourachid A. (Março de 2011). "The end of the fat dodo? A new mass estimate for Raphus cucullatus" (em inglês). Naturwissenschaften 98 (3): 233–6. DOI:10.1007/s00114-010-0759-7.
  40. Louchart, Antoine; Mourer-Chauviré CCC. (2011). "The dodo was not so slim: Leg dimensions and scaling to body mass" (em inglês). Naturwissenschaften 98 (4): 357-8; discussão 358-60. DOI:10.1007/s00114-011-0771-6.
  41. Angst, D; Buffetaut E, Abourachid A. (Abril de 2011). "In defence of the slim dodo: A reply to Louchart and Mourer-Chauviré" (em inglês). Naturwissenschaften 98 (4): 359. DOI:10.1007/s00114-011-0772-5.
  42. a b c d e f Hume 2012, pp. 134-136
  43. Brom, TG; Prins TG. (1989). "Microscopic investigation of feather remains from the head of the Oxford dodo, Raphus cucullatus" (em inglês). Journal of Zoology 218 (2): 233-46. DOI:10.1111/j.1469-7998.1989.tb02535.x.
  44. Rothschild 1907, p. 172
  45. Fuller 2002, p. 62
  46. Hume, JP. (2004). "The journal of the flagship Gelderland – dodo and other birds on Mauritius 1601" (em inglês). Archives of Natural History 30 (1): 13-27. DOI:10.3366/anh.2003.30.1.13.
  47. Fuller 2002, pp. 76-77
  48. Kitchener, AC. (Junho de 1993). "On the external appearance of the dodo, Raphus cucullatus (L, 1758)" (em inglês). Archives of Natural History 20 (2): 279-301. DOI:10.3366/anh.1993.20.2.279.
  49. Mason, AS. George Edwards: The Bedell and His Birds. Londres: Royal College of Physicians of London, 1992. 46-49 p. ISBN 9781873240489
  50. Iwanow, A. (1958). "An Indian picture of the Dodo" (em inglês). Journal of Ornithology 99 (4): 438–40. DOI:10.1007/BF01671614.
  51. Dissanayake, Rajith. (2004). "What did the dodo look like?" (em inglês). The Biologist (Society of Biology) 51 (3): 165–68.
  52. Richon, Emmanuel; Winters, Ria. (2014). "The intercultural dodo: a drawing from the School of Bundi, Rājasthān" (em inglês). Historical Biology. DOI:10.1080/08912963.2014.961450.
  53. Hume, JP; Steel, L. (2013). "Fight club: A unique weapon in the wing of the solitaire, Pezophaps solitaria (Aves: Columbidae), an extinct flightless bird from Rodrigues, Mascarene Islands" (em inglês). Biological Journal of the Linnean Society. DOI:10.1111/bij.12087.
  54. Fuller 2002, p. 23
  55. a b Fuller 2002, p. 41
  56. Fuller 2002, p. 54
  57. Cheke, Anthony S. (1987). "The legacy of the dodo—conservation in Mauritius" (em inglês). Oryx 21 (1): 29–36. DOI:10.1017/S0030605300020457.
  58. Temple, Stanley A. (1974). "Wildlife in Mauritius today" (em inglês). Oryx 12 (5): 584–90. DOI:10.1017/S0030605300012643.
  59. Cheke 2008, pp. 49-52
  60. a b Cheke 2008, p. 162
  61. Fuller 2002, p. 42
  62. Cheke 2008, pp. 37-38
  63. Fuller 2002, p. 69
  64. Storer, RW. (1970). "A possible connection between crop milk and the maximum size attainable by flightless pigeons" (em inglês). The Auk 122 (3): 1003-4. DOI:[1003:APCBCM2.0.CO;2 10.1642/0004-8038(2005)122[1003:APCBCM]2.0.CO;2].
  65. Temple, Stanley A. (1977). "Plant-Animal Mutualism: Coevolution with Dodo Leads to Near Extinction of Plant" (em inglês). Science 197 (4306): 885–6. DOI:10.1126/science.197.4306.885.
  66. Hill, AW. (1941). "The genus Calvaria, with an account of the stony endocarp and germination of the seed, and description of the new species" (em inglês). Annals of Botany 5 (20): 587–606.
  67. Herhey, DR (2004). The Widespread Misconception that the Tambalacoque or Calvaria Tree Absolutely Required the Dodo Bird for its Seeds to Germinate (em inglês) The Botanical Society of America Plant Science Bulletin, Volume 50, Issue 4. Visitado em 20/06/2015.
  68. Witmer, Mark C; Cheke AS. (1991). "The Dodo and the Tambalacoque Tree: An Obligate Mutualism Reconsidered" (em inglês). Oikos 61 (1): 133–7. DOI:10.2307/3545415.
  69. a b Cheke 2008, p. 38
  70. Fuller 2002, pp. 43-44
  71. Cheke 2008, p. 27
  72. Laing, Aislinn (27/10/2010). Last surviving Dodo egg could be tested for authenticity (em inglês) The Telegraph. Visitado em 27/12/2014.
  73. a b c Meijer, HJM; Gill A, de Louw PGB, et al. (2012). "Dodo remains from an in situ context from Mare aux Songes, Mauritius" (em inglês). Naturwissenschaften 99 (3): 177-84. DOI:10.1007/s00114-012-0882-8.
  74. Fuller 2002, p. 17
  75. Schaper, Michael; Goupille M. (2003). "Fostering enterprise development in the Indian Ocean: The case of Mauritius" (em inglês). Small Enterprise Research 11 (2): 93-8. DOI:10.5172/ser.11.2.93.
  76. Hume, JP; Martill DM, Dewdney C. (Junho de 2004). "Palaeobiology: Dutch diaries and the demise of the dodo" (em inglês). Nature 429 (6992) p. 1 p following 621. DOI:10.1038/nature02688.
  77. Fuller 2002, p. 56
  78. Hume, JP. (2007). "Reappraisal of the parrots (Aves: Psittacidae) from the Mascarene Islands, with comments on their ecology, morphology, and affinities" (pdf) (em inglês). Zootaxa 1513: 4–21.
  79. Strickland 1848, p. 15
  80. Cheke 2008, pp. 77-78
  81. a b Cheke 2008, pp. 81-83
  82. Macmillan 2000, p. 83
  83. Fuller 2002, p. 60
  84. Winters, R; Hume JP. (2015 - online em 2014). "The dodo, the deer and a 1647 voyage to Japan" (em inglês). Historical Biology 27 (2): 258-64. DOI:10.1080/08912963.2014.884566.
  85. Scientists pinpoint dodo's demise (em inglês) BBC News (20/11/2003). Visitado em 22/06/2015.
  86. a b Fryer, Jonathan (14/09/2002). Bringing the dodo back to life (em inglês) BBC News. Visitado em 22/06/2015.
  87. a b Cheke 2008, p. 79
  88. Cocks, Tim (04/07/2006). Natural disaster may have killed dodos (em inglês) ABC. Visitado em 22/06/2015.
  89. Cheke, Anthony S (2004). The Dodo's last island (pdf) (em inglês) Royal Society of Arts and Sciences of Mauritius. Visitado em 29/12/2014.
  90. Roberts, DL. (2013). "Refuge-effect hypothesis and the demise of the Dodo" (em inglês). Conservation Biology 27 (6): 1478–80. DOI:10.1111/cobi.12134.
  91. Roberts, DL; Solow AR. (2003). "Flightless birds: When did the dodo become extinct?" (em inglês). Nature 426 (6964): 245. DOI:10.1038/426245a.
  92. Cheke, AS. Studies of Mascarene Island birds. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. Capítulo: An ecological history of the Mascarene Islands, with particular reference to extinctions and introductions of land vertebrates. , 5–89 p. ISBN 9780521258081 doi:10.1017/CBO9780511735769.003
  93. a b Cheke, Anthony S. (2006). "Establishing extinction dates – the curious case of the Dodo Raphus cucullatus and the Red Hen Aphanapteryx bonasia" (em inglês). Ibis 148: 155-8. DOI:10.1111/j.1474-919X.2006.00478.x.
  94. Fuller 2002, pp. 70-73
  95. Jackson, A. (2014 - online em 2013). "Added credence for a late Dodo extinction date" (em inglês). Historical Biology 26 (6): 699-701. DOI:10.1080/08912963.2013.838231.
  96. Cheke, AS. (2015 - online em 2014). "Speculation, statistics, facts and the Dodo's extinction date" (em inglês). Historical Biology 27 (5): 624-33. DOI:10.1080/08912963.2014.904301.
  97. a b Turvey, ST; Cheke AS. (2008). "Dead as a dodo: The fortuitous rise to fame of an extinction icon" (em inglês). Historical Biology 20 (2): 149-63. DOI:10.1080/08912960802376199.
  98. Fuller 2002, pp. 116-129
  99. Ovenell, RF. (1992). "The Tradescant Dodo" (em inglês). Archives of Natural History 19 (2): 145–52. DOI:10.3366/anh.1992.19.2.145.
  100. MacGregor, A. (2001). "The Ashmolean as a museum of natural history, 1683 1860" (em inglês). Journal of the History of Collections 13 (2): 125-44. DOI:10.1093/jhc/13.2.125.
  101. Hume, JP; Datta, Anna; Martill, David M. (2006). "Unpublished drawings of the Dodo Raphus cucullatus and notes on Dodo skin relics" (pdf) (em inglês). Bull. B. O. C. 126A: 49-54.
  102. Fuller 2002, p. 123
  103. a b c Hume, JP; Cheke AS. (2004). "The white dodo of Réunion Island: Unravelling a scientific and historical myth" (pdf) (em inglês). Archives of Natural History 31 (1): 57-79. DOI:10.3366/anh.2004.31.1.57.
  104. Clark, G. (1866). "Account of the late Discovery of Dodos' Remains in the Island of Mauritius" (em inglês). Ibis 8 (2): 141-6. DOI:10.1111/j.1474-919X.1866.tb06082.x.
  105. Hume, Julian P. (2005). "Contrasting taphofacies in ocean island settings: the fossil record of Mascarene vertebrates" (em inglês). Proceedings of the International Symposium "Insular Vertebrate Evolution: the Palaeontological Approach". Monografies de la Societat d'Història Natural de les Balears 12: 129-44.
  106. Newton, E; Gadow H. (1893). "IX. On additional bones of the Dodo and other extinct birds of Mauritius obtained by Mr. Theodore Sauzier" (em inglês). The Transactions of the Zoological Society of London 13 (7): 281-302. DOI:10.1111/j.1469-7998.1893.tb00001.x.
  107. Gillespie, Rosemary G; Clague DA. Encyclopedia of Islands. Berkeley: University of California Press, 2009. p. 231. ISBN 978-0-520-25649-1
  108. Richards 2012, p. 15
  109. Press Release - New Insights into an Old Bird The Society of Vertebrate Paleontology (Novembro de 2014). Visitado em 21/06/2015.
  110. Bryner, Jenna (06/11/2014). In Photos: The Famous Flightless Dodo Bird Live Science. Visitado em 21/06/2015.
  111. Choi, Charles Q (06/11/2014). Dodo Bird Skeleton Reveals Long-Lost Secrets in 3D Scan Live Science. Visitado em 21/06/2015.
  112. a b Rijsdijk, KF; Zinke J, de Louw PGB, Hume JP, et al. (2011). "Mid-Holocene (4200 kyr BP) mass mortalities in Mauritius (Mascarenes): Insular vertebrates resilient to climatic extremes but vulnerable to human impact" (em inglês). The Holocene 21 (8): 1179–1194. DOI:10.1177/0959683611405236.
  113. Rijsdijk, KF; Hume JP, Bunnik F, et al. (2009). "Mid-Holocene vertebrate bone Concentration-Lagerstätte on oceanic island Mauritius provides a window into the ecosystem of the dodo (Raphus cucullatus)" (em inglês). Quaternary Science Reviews 28 (1-2): 14–24. DOI:10.1016/j.quascirev.2008.09.018.
  114. De Boer, EJ; Velez MI, Rijsdijk KF, et al. (2015). "A deadly cocktail: How a drought around 4200 cal. Yr BP caused mass mortality events at the infamous 'dodo swamp' in Mauritius" (em inglês). The Holocene 25 (5): 758-71. DOI:10.1177/0959683614567886.
  115. Ravilious, Kate (03/07/2007). Dodo Skeleton Found on Island, May Yield Extinct Bird's DNA National Geographic. Visitado em 21/06/2015.
  116. Fuller 2002, pp. 123-129
  117. Kennedy M (21/02/2011). Half a Dodo found in museum drawer (em inglês) Guardian News. Visitado em 31/05/2015.
  118. Cheke 2008, p. 30
  119. Rothschild 1907, pp. 172–173
  120. Rothschild, Walter. (1919). "On one of the four original pictures from life of the Réunion or white Dodo" (pdf) (em inglês). The Ibis 36 (2): 78-9. DOI:10.2307/4073093.
  121. Cheke 2008, pp. 30-31
  122. de Lozoya, Arturo V. (2003). "An unnoticed painting of a white Dodo" (em inglês). Journal of the History of Collections 15 (2): 201–10. DOI:10.1093/jhc/15.2.201.
  123. Mourer-Chauviré, C; Moutou F. (1987). "Découverte d'une forme récemment éteinte d'ibis endémique insulaire de l'île de la Réunion Borbonibis latipes n. gen. n. sp" (em francês). Comptes rendus de l'Académie des sciences 305 (5): 419-23.
  124. Mourer-Chauviré, C; Bour R, Ribes S. (1995). "Was the solitaire of Réunion an ibis?" (em inglês). Nature 373 (6515): 568. DOI:10.1038/373568a0.
  125. a b Fuller 2002, p. 13
  126. Today's Phrase: Dead as a dodo (em inglês) BBC Learning (07/02/2013). Visitado em 19/07/2015.
  127. Dodos still exist, say one in four Brits (em inglês) The Telegraph (12/05/2015). Visitado em 08/07/2015.
  128. Jamieson A (22/06/2009). Uncovered: 350-year-old picture of Dodo before it was extinct (em inglês) The Daily Telegraph. Visitado em 31/05/2015.
  129. Christie's (2009). Dutch School, 17th Century - A dodo (em inglês) Christie's.com. Visitado em 31/05/2015.
  130. Lawrence, Natalie. (2015). "Assembling the dodo in early modern natural history" (em inglês). The British Journal for the History of Science 1: 1-22. DOI:10.1017/S0007087415000011.
  131. Mayell H (28/02/2002). Extinct Dodo Related to Pigeons, DNA Shows National Geographic News. Visitado em 30/05/2015.
  132. Belloc, H. The Bad Child's Book of Beasts. Londres: Duckworth, 1896.
  133. Fuller 2002, pp. 140-153
  134. Mauritius new 25- and 50-rupee polymer notes confirmed (em inglês) Banknotes News (21/09/2013). Visitado em 24/06/2015.
  135. Cheke 2008, p. 31
  136. Bhookhun, Deepa (2006). Mauritius: Footprints From the Past Expresser's AllAfrica.
  137. Hance, Jeremy (19/10/2011). rubber dodo Chamber of Commerce awarded Rubber Dodo for being 'one of the most environmentally destructive forces in America' (em inglês) mongabay.com. Visitado em 19/07/2015.
  138. Kuntner, M; Agnarsson I. (2011). "Biogeography and diversification of hermit spiders on Indian Ocean islands (Nephilidae: Nephilengys)" (em inglês). Molecular Phylogenetics and Evolution 59 (2): 477-88. DOI:10.1016/j.ympev.2011.02.002.
  139. Maleszka, R; Hanes SD, Hackett RL, et al. (1996). "The Drosophila melanogaster dodo (dod) gene, conserved in humans, is functionally interchangeable with the ESS1 cell division gene of Saccharomyces cerevisiae" (pdf) (em inglês). Proceedings of the National Academy of Sciences 93 (1): 447-51. DOI:10.1073/pnas.93.1.447.
  140. Ah Fong, AM; Judelson HS. (2004). "The hAT -like DNA transposon DodoPi resides in a cluster of retro- and DNA transposons in the stramenopile Phytophthora infestans" (em inglês). Molecular Genetics and Genomics 271 (5): 577–85. DOI:10.1007/s00438-004-1004-x.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Imagens e media no Commons
Wikispecies Diretório no Wikispecies