Doença inflamatória pélvica

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Doença inflamatória pélvica
Locais de infeção mais comuns na doença inflamatória pélvica
Especialidade Ginecologia
Sintomas Dor no baixo ventre, corrimento vaginal, febre, ardor ao urinar, dor na relação sexual, menstruação irregular[1]
Complicações Infertilidade, gravidez ectópica, dor pélvica crónica, cancro[2][3][4]
Causas Bactérias que se propagam a partir da vagina e colo do útero[5]
Fatores de risco Gonorreia, clamídia[2]
Método de diagnóstico Com base nos sintomas, ecografia, laparoscopia[2]
Prevenção Abstinência sexual, número reduzido de parceiros sexuais, preservativo[6]
Tratamento Antibióticos[7]
Frequência 1,5% das mulheres jovens por ano[8]
Classificação e recursos externos
CID-10 N70-N77, N73.9
CID-9 614.9, 614-616.99, 614.8
DiseasesDB 9748
MedlinePlus 000888
eMedicine 256448
MeSH D000292, D000292
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Doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infeção da parte superior do aparelho reprodutor feminino, nomeadamente do útero, trompas de falópio, ovários, e do interior da bacia.[9][2] Em muitos casos a doença é assintomática.[1] Quando estão presentes, os sinais e sintomas mais comuns são dor no baixo ventre, corrimento vaginal, febre, ardor ao urinar, dor na relação sexual e menstruação irregular.[1] Quando não é tratada, a longo prazo a doença pode causar complicações como infertilidade, gravidez ectópica, dor pélvica crónica e cancro.[2][3][4]

A doença é causada por bactérias que se propagam a partir da vagina e do colo do útero.[5] Entre 75 e 90% dos casos são causados por infeções por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis.[2] É frequente estarem envolvidas várias bactérias diferentes.[2] Cerca de 10% das pessoas com clamídia não tratada e 40% das pessoas com gonorreia não tratada desenvolvem DIP.[2][10] Os fatores de risco são semelhantes aos da generalidade das infeções sexualmente transmissíveis, como elevado número de parceiros sexuais e consumo de drogas.[2] A lavagem vaginal pode também aumentar o risco.[2] O diagnóstico geralmente tem por base os sinais e sintomas.[2] Está recomendado que se suspeite da doença em todas as mulheres em idade fértil que apresentem dor no baixo ventre.[2] O diagnóstico pode ser definitivamente confirmado quando, durante uma laparoscopia, se observa pus a envolver as trompas de falópio.[2] O diagnóstico pode ainda ser auxiliado por ecografia.[2]

Entre as medidas de prevenção estão a abstinência sexual ou redução do número de parceiros sexuais e a utilização de preservativo durante as relações sexuais.[6] O rastreio e posterior tratamento de mulheres com risco de clamídia também diminui o risco de DIP.[11] Quando se suspeita do diagnóstico, geralmente recomenda-se tratamento.[2] Está também recomendado o tratamento dos parceiros sexuais da mulher.[11] Em pessoas com sintomas ligeiros a moderados, está recomendada uma injeção do antibiótico ceftriaxona, seguida por duas semanas com doxiciclina e possivelmente metronidazol por via oral.[7] Em pessoas que não melhoram após três dias ou que apresentam sintomas graves podem ser administrados antibióticos por via intravenosa.[7]

Em 2008 ocorreram em todo o mundo cerca de 106 milhões de casos de clamídia e em igual número de gonorreia.[10] No entanto, o número de casos de DIP não é claro.[8] Estima-se que em cada ano a doença afete cerca de 1,5% de todas as mulheres jovens.[8] Nos Estados Unidos, a DIP afeta um milhão de pessoas por ano.[12] Na década de 1970, um tipo de dispositivo intrauterino denominado "escudo de Dalkon" levou a um aumento dos casos de DIP.[2] No entanto, os dispositivos intrauterinos atuais não estão associados a este problemas após o primeiro mês.[2]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas de DIP incluem[13]:

  • Febre,
  • Dor pélvica,
  • Dor ao tocar o cérvix,
  • Corrimento vaginal novo ou diferente,
  • Intercurso sexual doloroso (dispareunia),
  • Sensibilidade uterina e anexial,
  • Menstruação irregular (como metrorragia)

Complicações[editar | editar código-fonte]

A infecção pode se espalhar causando apendicite, peritonite, hepatite ou abscessos. Após um longo período de inflamação as cicatrizes no aparelho reprodutor feminino podem resultar em infertilidade, gravidez ectópica e Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis (peritonite com fibrose hepática).[14]

Causas[editar | editar código-fonte]

A grande maioria dos casos é causada pelas bactérias Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae, e frequentemente é causado por múltiplas bactérias, mas também pode ser causado pela Prevotella, alguma espécie de Streptococcus ou por outras bactérias menos frequentes.[15]

A principal via de transmissão é por relação sexual sem camisinha. A infecção ascende da vagina para os outros órgãos pélvicos.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

A suspeita surge sintomas de infecção associados a dor no exame pélvico, além de sensibilidade ao toque cervical, desconforto uterino ou anexial. O DIP pode ser confirmado com um hemograma completo, taxa de sedimentação de eritrócitos (ESR), Proteína c-reativa, cultivo da flora cervical e exame de imagens. Também é comum investigar se há Clamídia ou Gonorreia com um NAAT (Nucleic acid amplification tests). [16]

Referências

  1. a b c «Pelvic Inflammatory Disease (PID) Clinical Manifestations and Sequelae». cdc.gov. Outubro de 2014. Consultado em 21 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2015 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q Mitchell, C; Prabhu, M (dezembro de 2013). «Pelvic inflammatory disease: current concepts in pathogenesis, diagnosis and treatment.». Infectious disease clinics of North America. 27 (4): 793–809. PMC 3843151Acessível livremente. PMID 24275271. doi:10.1016/j.idc.2013.08.004 
  3. a b Chang, A. H.; Parsonnet, J. (2010). «Role of Bacteria in Oncogenesis». Clinical Microbiology Reviews. 23 (4): 837–857. ISSN 0893-8512. PMC 2952975Acessível livremente. PMID 20930075. doi:10.1128/CMR.00012-10 
  4. a b Chan, Philip J.; Seraj, Ibrahim M.; Kalugdan, Theresa H.; King, Alan (1996). «Prevalence of Mycoplasma Conserved DNA in Malignant Ovarian Cancer Detected Using Sensitive PCR–ELISA». Gynecologic Oncology. 63 (2): 258–260. ISSN 0090-8258. PMID 8910637. doi:10.1006/gyno.1996.0316 
  5. a b Brunham RC, Gottlieb SL, Paavonen J (2015). «Pelvic inflammatory disease». The New England Journal of Medicine. 372 (21): 2039–48. PMC 1657365Acessível livremente. PMID 25992748. doi:10.1056/NEJMra1411426 
  6. a b «Pelvic Inflammatory Disease (PID) Patient Counseling and Education». Centers for Disease Control. Outubro de 2014. Consultado em 21 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2015 
  7. a b c «2010 STD Treatment Guidelines Pelvic Inflammatory Disease». Centers for Disease Control. 15 de agosto de 2014. Consultado em 22 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2015 
  8. a b c Eschenbach, D (2008). «Acute Pelvic Inflammatory Disease». Glob. libr. women's med. ISSN 1756-2228. doi:10.3843/GLOWM.10029 
  9. Campion, Edward W.; Brunham, Robert C.; Gottlieb, Sami L.; Paavonen, Jorma (21 de maio de 2015). «Pelvic Inflammatory Disease». New England Journal of Medicine. 372 (21): 2039–2048. PMC 1657365Acessível livremente. PMID 25992748. doi:10.1056/NEJMra1411426 
  10. a b World Health Organization (2012). «Global incidence and prevalence of selected curable sexually transmitted infections - 2008» (PDF). who.int. pp. 2, 19. Consultado em 22 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 19 de março de 2015 
  11. a b «Pelvic Inflammatory Disease (PID) Partner Management and Public Health Measures». Centers for Disease Control. Outubro de 2014. Consultado em 21 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2015 
  12. «Self-Study STD Modules for Clinicians — Pelvic Inflammatory Disease (PID) Next Centers for Disease Control and Prevention Your Online Source for Credible Health Information CDC Home Footer Separator Rectangle Epidemiology». Centers for Disease Control. Outubro de 2014. Consultado em 21 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2015 
  13. Kumar, Ritu; Bronze, Michael Stuart (2015). "Pelvic Inflammatory Disease Empiric Therapy". Medscape. Archived from the original on April 3, 2015. Retrieved March 30, 2015.
  14. "Pelvic Inflammatory Disease - CDC Fact Sheet". www.cdc.gov. 2017-10-04.
  15. Ljubin-Sternak, Suncanica; Mestrovic, Tomislav (2014). "Review: Clamydia trachonmatis and Genital Mycoplasmias: Pathogens with an Impact on Human Reproductive Health". Journal of Pathogens. 2014 (183167): 183167. doi:10.1155/2014/183167. PMC 4295611. PMID 25614838.
  16. Brunham RC, Gottlieb SL, Paavonen J (2015). "Pelvic inflammatory disease". The New England Journal of Medicine. 372 (21): 2039–48. doi:10.1056/NEJMra1411426. PMID 25992748.