Dogue canário

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Dogue Canário
Presacanariobody.jpg
Dogo Canário adulto, de cor tigrada
Nome original Dogo canário
Perro de presa canário
Outros nomes Dogue canário

Presa canário

País de origem Flag of Spain.svg Espanha
Características
Peso Macho 50-65 kg

Fêmea 40-55 kg

Altura Macho 60-66 cm na cernelha

Fêmea 56-62 cm na cernelha

Pelagem curto
Cor variações de tigrado e de fulvo
Tamanho da ninhada 7-9 filhotes
Expectativa de vida 9-11 anos
Classificação e padrões
Federação Cinológica Internacional
Grupo 2 - Cães de tipo Pinscher e Schnauzer, Molossóides e Cães de Montanha, e Boieiros Suiços
Seção 2 - Molossóides
Estalão #346 - 04 de junho de 2011

Cão de presa canário[a] (de acordo com o padrão UKC[1]) ou dogue canário[a] (segundo o padrão FCI[2])(em castelhano: Perro de Presa Canário, Dogo Canário), é uma raça de cães oriunda das ilhas Canárias na Espanha.[3][4] É uma raça molossóide de tipo mastim, atualmente reconhecida com dois padrões, por duas organizações distintas, que atribuem características morfológicas e temperamentais diferentes.[2]

O antigo perro de presa canário, provavelmente extinto, foi concebido como uma land-race (“Perro de la tierra”) fundamentalmente para o trabalho até meados do século XX, preparado para suportar as condições mais adversas. Era utilizado essencialmente como guarda de gado e guarda residencial. Mais tarde veio a tornar-se protagonista notório do desporto sangrento de lutas de cães nas Canárias.[4] O presa canário moderno surgiu nas décadas finais do século XX através de cruzamentos não organizados entre diversas raças de cães fortes, similar ao conceito bandog antigo.[4]

Hoje a raça é utilizada principalmente para função de cão de guarda territorial, mas, também como cão de presa em caça grossa, e cão de exposição.[4][2]

Há controvérsias entre o criadores sobre as nomenclaturas diferentes, padrões diferentes e vertentes diferentes, sendo que alguns consideram o presa canário e o dogue canário como a mesma raça, e outros como Manuel Curtó Gracia, pioneiro do presa, consideram-nas como raças diferentes.[5]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Dogo em espanhol, ou "dogue" em português e francês, é uma palavra que tem seu equivalente grafado em inglês e alemão como "dogge", uma palavra que pode derivar do próprio inglês antigo "docga", que significa "cão poderoso, musculoso"; ou do Proto-germânico "dukkǭ" que significa "poder, força". A denominação "dogue" ou "dogge" foi e é comumente utilizada para nomear um tipo de cães de constituição física molossóide utilizados principalmente como cães de fila ou presa para caça grossa.[6]

História[editar | editar código-fonte]

Origem geográfica[editar | editar código-fonte]

Originalmente oriundo do arquipélago das Canárias, principalmente da ilha Grã-Canária e Tenerife, na Espanha, a história do antigo perro de presa canário pode remontar aos século XV e XVIII, durante o período de colonização espanhola no arquipélago.

Genética[editar | editar código-fonte]

Detalhe do quadro "Patio de la cuadra de caballos de la plaza de toros de Madrid, antes de una corrida", 1853, de Manuel Castellano. Cães mastins da Espanha usados no evento sangrento com touros.

Estudiosos e criadores, acreditam que o desenvolvimento do antigo Perro de Presa Canário tenha resultado dos cruzamentos entre o cão nativo Bardino Majorero da ilha Fuerteventura e outros cães molossos de presa.

Durante os séculos XVI, XVII e XVIII os colonos espanhóis levaram de Inglaterra para o Arquipélago das Canárias cães dos tipos:

Apesar de não haver certezas, crê-se que raças como Dogo espanhol, Mastim Inglês ou Bulmastife.[2][3]

Com esta migração a quantidade de cães poderosos nas ilhas aumentou e foi assim que a longo prazo, praticamente em isolamento geográfico desenvolveu-se e surgiu o Antigo Presa Canário, uma nova linhagem de ADN de cães mestiços combinando as melhores características de cada raça envolvida no processo. Eram cães de porte médio grande, tigrados ou fulvos com manchas brancas, com uma morfologia Molósside, robusta, mas ágil e poderosa, com temperamento forte e um caráter ativo e leal.[7]

O Antigo Presa Canário ganhou então grande popularidade local, valendo-lhe inúmeras referências em documentos históricos da pré-conquista Espanhola das Canárias, que descrevem as tarefas destes cães que eram essencialmente como cão de guarda territorial e de proteção de gado. Estes cães foram utilizados na proteção e controlo de gado bovino bravo, e guarda de propriedades. Até meados do século XX, foram usados para a popular Pechada, isto é, lutas de cães organizadas naquela região, sendo visto como um desporto de entretenimento para os criadores e espectadores, sendo que o criador vencido normalmente convidaria e ofereceria o vencedor para tomar uma bela refeição juntos ou fazia-lhe outro tipo de oferta frequentemente o prémio era uma cabeça de gado. Ao contrário do que acontecia noutros lugares do mundo em que o foco era o lucro, prémios, apostas e agiotagem nesses combates sangrentos que só terminavam quando um dos cães fosse morto na arena.[2][3][7][8]

Dogue Canário, fulvo

Dogue Canário moderno[editar | editar código-fonte]

Com as melhorias no setor da pecuária, a proibição do desporto de combate e a Segunda Guerra Mundial, o Antigo de Presa Canário acabou por ser praticamente extinto. Depois da quase extinção, amantes da raça tentaram recuperá-la através de cruzamentos entre várias raças.

Os criadores se organizaram em clubes, e alcançaram o reconhecimento da raça com o nome de dogue canário em 2001. Em 1982, foi fundado em Espanha o Club Español del Dogo Canário (em português, Clube Espanhol do Dogo Canário), cujo grande objetivo era salvar a raça que estava em vias de extinção. Porém, o clube tinha também a árdua tarefa de convencer o mundo de que o Perro de Presa Canário tinha legitimidade para ser reconhecido oficialmente como uma raça canina com pedigree. Em 1983, o clube foi reconhecido pela Real Sociedade Canina de Espanha e posteriormente, nesse mesmo ano, foi fundado o Club del Perro de Presa Canário de Las Palmas de Gran Canária (em português, Clube do Cão de Fila Canário).

Manuel Curtó Gracia, pioneiro criador do padrão tradicional do Presa Canário desde a década de 1970, foi fiel ao modelo do Antigo Presa Canário, cão de trabalho funcional, dinâmico e ágil.

Acredita-se que após a quase extinção da Antigo Perro de Presa Canário, em meados do século XX, a criação foi retomada a partir dos anos 1970, onde foi desenvolvido naturalmente um novo ADN/pool genético, composto por várias raças poderosas. Através das suas pesquisa realizadas, o pioneiro da raça moderna, Manuel Curtó Gracia afirma que:

Essencialmente as raças mais utilizadas na década de 1970 para o processo de renovação da raça foram.[5][9][2][3]:

Presa Canário - Padrão tradicional
Dogue Canário Padrão moderno

Contando ainda com raças que tiveram um envolvimento reduzido nesse processo, tais como:

No que resultou no novo padrão de cães mastins Canários, com diferente temperamento e uma morfologia menos ágil e mais rasteira, denominado de Dogue Canário, cujo padrão é reconhecido pela FCI.

Características[editar | editar código-fonte]

Temperamento[editar | editar código-fonte]

Em termos de trabalho, são considerados ótimos cães de guarda residencial, corajosos, atentos, equilibrados e seguros de si. Sempre foram bons guardas de gado. Em família, têm um comportamento dócil e nobre, e bastante devoto ao dono. Contudo, no que toca a estranhos podem ser desconfiados.[2] Esta raça é indicada para donos bastante experientes, por se tratar de cães naturalmente dominantes, de temperamento forte e instinto de caça.[11][12][13] Consequentemente, o adestramento profissional e socialização são recomendados desde muito cedo.[11] Ao contrário de outras raças que elegem uma só pessoa como seu dono, a, o Dogue Canário elege por inteiro o grupo familiar, sentindo-se responsável pela guarda de todos os membros da família, capaz de arriscar a sua própria a vida para o fazer.

Aparência geral[editar | editar código-fonte]

Dogue Canário é um molosso de grande porte, com expressão atenta

  • Focinho: retangular e liso
  • Cabeça: forte, de cabeça pesada e mandíbula poderosa.
  • Corpo: retangular, robusto e musculado
  • Cauda: longa e robusta

Tamanho e Peso[editar | editar código-fonte]

De acordo com o padrão da raça pela FCI/CBKC, os exemplares machos medem entre 60 e 66 cm até à cernelha, e as fêmeas entre 56 e 62 cm; No que concerne ao peso, os machos pesam entre 50 e 65 kg, enquanto que as fêmeas entre 40 e 55 kg.[2]

Pêlo[editar | editar código-fonte]

Relativamente ao pêlo são aceites todas as variações de fulvo-tigrado, do tom mais claro até ao tigrado inverso que se assemelha ao preto; e todas as variações de fulvo; marcas brancas são aceites; conservando o focinho com máscara preta.[14][2]

Corte das orelhas[editar | editar código-fonte]

Devido às funções para as quais esta raça foi concebida, em Espanha, é costume realizar-se o corte de orelhas (conchectomia), para mitigar as áreas de atrito do cão, reduzindo assim a sua (suposta) vulnerabilidade aos ataques de matilhas de animais predadores de gado ou de indivíduos invasores da propriedade. No entanto, também se efetua este processo para fins menos nobres, como as lutas de cães. Falando num cenário prático: ao ocorrer um ataque vindo do exterior na propriedade em que o cão exerce funções de guarda, as orelhas são uma das partes que mais propensas a sangramentos e infeções.

Hoje em dia esta prática é maioritariamente exercida apenas por questões estéticas ou de beleza. Entretanto, passou a ser proibida em Portugal e no Brasil.[15]

Padrões da raça: Dogue Canário vs. Presa Canário[editar | editar código-fonte]

Após estar perto da extinção e dos criadores tentarem salvar a raça, houve a criação de um novo padrão que se afastou do original Antigo Perro de Presa Canário. Pelo que, existem oficialmente dois padrões de raça para o cão Canário.[14][16][10]

Padrão de Dogue Canário (FCI, 2001)[editar | editar código-fonte]

A raça é reconhecida finalmente em 2001, pela FCI - Federação Cinológica Internacional (representada pela CBKC no Brasil)[2], tendo adquirido um novo padrão sofreu uma alteração no nome, nascendo assim a designação Dogue Canário.[2]

Padrão de Presa Canário (UKC, 2003)[editar | editar código-fonte]

Posteriormente, em 2003, foi a raça foi novamente reconhecida mas pelo UKC - United Kennel Club)[1] sob o nome original Perro de Presa Canário e com um padrão mais assemelhado ao do Antigo Presa Canário.[16] Ao contrário do Padrão FCI, o Padrão UKC aceita a pêlo negro, e possui outras diferenças anatómicas, que atraem criadores mais tradicionais e aficionados pela vertente de cães mais funcionais.[1]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Geraram-se controvérsias sobre a nomenclatura (Presa vs. Dogue), uma vez que existem os criadores mais tradicionalistas que criam seus cães de trabalho seguindo padrão do Antigo Perro de Presa Canário, e que afirmam que as nomenclaturas diferentes hoje nomeiam duas raças separadas, com diferenças morfológicas, fenotípicas, funcionais e psicológicas.[5][17][16][10]

Diferenças entre Presa Canário e Dogue Canário[editar | editar código-fonte]

Esta tese é defendida pelo reconhecido canicultor Manuel Curtó Gracia, que foi pioneiro na criação do tradicional Perro de Presa Canário é considerado o pai da raça, [5] . Este criador sénior apresenta com grande clareza, no seu Canal de YouTube "Irema Curto", no vídeo intitulado "Artículo #8 | PRESA CANARIO y DOGO CANARIO no son lo mismo | Manuel Curtó Gracia" as diferenças óbvias entre o novo padrão alterado e reconhecido pela FCI e o padrão tradicional reconhecido pela UKC. O Manuel Curtó Gracia classifica:

Dogue Canário[editar | editar código-fonte]

Presa Canário[editar | editar código-fonte]

  • Presa Canário tradicional (com Padrão UKC, de 2003) é classificado como um cão de linhagem tradicional e acima de tudo funcional,[5] um cão de trabalho de temperamento mais intenso, que visa:
    • Comportamento e aptidão física
      • Robusto, atlético e dinâmico
      • Maior resistência física e fôlego
      • Mais ativo
      • Mais ágil na movimentação
      • Mais apto para caça
      • Mais apto para defesa e guarda
      • Morfologia mais leve
    • Morfologia
      • Crânio plano ou ligeiramente convexo, numa proporção de 6:4
      • Olhos de tamanho médio e de olhar atento e inteligente
      • Mandíbula em tesoura
      • Beiços (lábios) recolhidos e fixos, nunca pendurados ou descaídos
      • Focinho com cano nasal reto, nunca erguido
      • Pernas mais compridas e paralelas entre si
      • Corpo mais comprido, nunca cilíndrico tipo barril
      • A cor preta é permitida de acordo com o Padrão UKC

Comparação da força da mandíbula ou mordida[editar | editar código-fonte]

O Presa Canário possui uma das mandíbulas mais poderosas entre os canídeos.[carece de fontes?]

Tabela de comparação da força da mandíbula canina [carece de fontes?][editar | editar código-fonte]

Legenda da tabela:

psi - Pound per Square Inch ou Libra por Polegada Quadrada

kgf/cm- kilogram force per square centimeter ou quilograma-força por centímetro quadrado

País de Origem Raça Força da mordida
Turquia Kangal 743 psi 52,2 kgf/cm
Itália Cane Corso 700 psi 49,2 kgf/cm
França Dogue de Bordeaux 556 psi 39,1 kgf/cm
Japão Tosa Inu 556 psi 39,1 kgf/cm
Inglaterra Mastim Ingês 552 psi 38,8 kgf/cm
Espanha Presa Canário 540 psi 38,0 kgf/cm
Argentina Dogo Argentino 500 psi 35,2 kgf/cm
Alemanha Leonberger 399 psi 28,0 kgf/cm
Alemanha Rottweiler 328 psi 23,1 kgf/cm
Estados Unidos Buldogue Americano 305 psi 21,4 kgf/cm
Alemanha Pastor Alemão 238 psi 16,7 kgf/cm
Estados Unidos American Pit Bull Terrier 235 psi 16,5 kgf/cm
Alemanha Boxer 230 psi 16,1 kgf/cm
Alemanha Dobermann 228 psi 16,0 kgf/cm
Espanha Alano Espanhol 227 psi 16,0 kgf/cm
Alemanha Pastor Holandês 224 psi 15,7 kgf/cm
China Chow-Chow 220 psi 15,5 kgf/cm
Inglaterra Buldogue Inglês 210 psi 14,8 kgf/cm
Bélgica Pastor Belga (Malinois) 195 psi 13,7 kgf/cm

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Dogue canário

Notas[editar | editar código-fonte]

Referências bibliográficas

  1. a b c d «Breed Standards : Perro de Presa Canario | United Kennel Club (UKC)» [Padrões de raça: Perro de Presa Canário; UKC]. www.ukcdogs.com (em inglês). United Kennel Club. Consultado em 28 de julho de 2018 
  2. a b c d e f g h i j k «Padrão da raça Dogo canário» (PDF). CBKC. 2011 
  3. a b c d «Dogo canário». Dog times. Consultado em 21 de novembro de 2011 
  4. a b c d curiosfera (8 de setembro de 2018). «▷ PRESA CANARIO【 Carácter, Aspecto, Cuidados, Salud, Dieta, Educación】» (em espanhol) 
  5. a b c d e «El Presa Canario y el Dogo Canario son dos razas diferentes.». Irema Curtó Kennels (em espanhol). 14 de fevereiro de 2019. Consultado em 31 de maio de 2019 
  6. «docga - Wiktionary». en.wiktionary.org. Consultado em 31 de maio de 2019 
  7. a b HÖRTER, RIA (2014). «The Annual, 2013-14» (PDF). RIA HÖRTER and courtesy MANUEL CURTÓ GRACIA. Consultado em 2 de junho de 2020 
  8. Gracia, Manuel Curto (20 de novembro de 2012). Perro De Presa Canario: Special Rare-Breed Edition : A Comprehensive Owner's Guide (em inglês). [S.l.]: i5 Publishing 
  9. «DOGO CANARIO (Perro De Presa Canario, Canary Dog)» (PDF). RIA HÖRTER. 2013–14. Consultado em 3 de junho de 2020 
  10. a b c EL PERRO DE PRESA CANARIO ESTÁ MÁS VIVO QUE NUNCA - Irema Curtó kennels (em espanhol)
  11. a b «The Perro de Presa Canario Is the Ideal Guard Dog». The Spruce Pets (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2019 
  12. «Owning a presa canario 4 years old». Pet Forums Community (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2019 
  13. «Is the Presa Canario dog a good choice of pet?». Pets4Homes (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2019 
  14. a b Padrão do Dogue canário - FCI (em inglês)
  15. Veterinária, Conselho Federal de Medicina. «Portal CFMV/CRMV's». portal.cfmv.gov.br. Consultado em 28 de julho de 2018 
  16. a b c «Reconocimiento oficial del Perro de Presa Canario por el UKC». Irema Curtó Kennels (em espanhol). 7 de fevereiro de 2019. Consultado em 31 de maio de 2019 
  17. «Estándar». Irema Curtó Kennels (em espanhol). Consultado em 31 de maio de 2019 
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