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Domício Alexandre

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Domício Alexandre
Fólis com efígie de Domício Alexandre
Usurpador do Império Romano do Ocidente
Reinado 308/309 a 309/310
Antecessor(a) Magêncio (usurpador)
Maximiano (usurpador)
Constantino I (oficial)
Sucessor(a) Magêncio (usurpador)
Constantino I (oficial)
 
Nascimento século III
  Frígia ou Panônia
Morte 310
  Cirta, Diocese da África
Religião Paganismo

Lúcio Domício Alexandre (em latim: Lucius Domitius Alexander) foi um oficial e usurpador contra o césar Magêncio (r. 306–312) e seu pai Maximiano, eles próprios usurpadores contra Valério Severo (r. 305–307) e Constantino I (r. 306–337). Originalmente um vigário da África, rebela-se em 308/309 ao receber ordens para enviar seu filho de nome incerto como refém para Roma. As tropas elegeram-no Augusto e ele governou com base na África até 309/310, quando foi derrotado e morto por estrangulamento pelo prefeito pretoriano Rúfio Volusiano e pelo general Zenas.

Vida[editar | editar código-fonte]

Fólis de Magêncio (r. 306–312) emitido em Ticino ca. 307-308
Fólis de Alexandre

Alexandre era nativo da Frígia, segundo Zósimo, ou da Panônia, segundo Sexto Aurélio Vítor. A data de seu nascimento é incerta, mas se sabe que era idoso quando aparece nas fontes na década de 300. É citado pela primeira vez em 308, quando ocupava o ofício de vigário da África. Talvez tenha sido o Valério Alexandre que ocupou a mesma posição entre 303 e 306, indicando, caso a associação esteja correta, que Alexandre mudou de nome ao ascender ao trono em 308 e que seu mandato durou de 303 a 308;[1] a inscrição que cita Valério Alexandre também indica que foi homem perfeitíssimo.[2]

Em 308/309, segundo Zósimo, o césar Magêncio (r. 306–312) enviou seu retrato à África para obter reconhecimento como imperador, mas as tropas resistiram por sua lealdade a Galério (r. 293–311). Magêncio ordenou que Alexandre enviasse seu filho de nome incerto para Roma como refém para garantir sua lealdade, mas ele recusou-se e foi nomeado Augusto pelo seu exército.[3] Segundo François Paschoud, o incidente foi provocado pelo conflito entre Magêncio e seu pai Maximiano, no começo de 308, e Zósimo confundiu Galério com Maximiano em seu relato.[4] André Chastagnol[5] e os autores da PIRT concordam com essa datação, mas Pierre Salama sugeriu que a usurpação de Alexandre ocorreu em 309.[6]

Em 11 de novembro, Galério reuniu a Conferência de Carnunto na qual participaram Diocleciano, Maximiano, Licínio, Maximino Daia e Constantino. Na conferência, reafirmaram-se as posições de Galério, Maximino e Constantino (o primeiro como augusto e os outros dois como césares, do Oriente e Ocidente respectivamente), enquanto Licínio foi elevado como Augusto do Ocidente, Maximiano foi removido do quadro imperial e Magêncio e Alexandre foram tidos como usurpadores.[7] Apesar da situação desfavorável, Alexandre parece ter solicitado apoio de Constantino, que parece ter cautelosamente oferecido, na esperança de pressionar Magêncio;[8] ele reconheceu Constantino em suas inscrições (CIL 8:22183 = ILS 8936), mas Constantino não o reconheceu.[9] Salama sugeriu que o pacto teria sido firmado no outono de 310.[10]

Poucas tropas regulares estavam estacionadas na África, e Alexandre recrutou getulos e mauros, mas estava vulnerável a um ataque rápido.[11] Além das províncias da África, detinha a Sardenha, governada por Lúcio Pápio Pacaciano,[12] e o mar entre Itália e África; [7] essas províncias eram encarregadas de abastecer Roma com cereais. Devido a tal situação, houve escassez de rações, levando Magêncio a aumentar os impostos, sobretudo os pagos por senadores.[13] Além disso, enviou seu prefeito pretoriano Rúfio Volusiano e Zenas para sufocar a rebelião. Aparentemente suas tropas não ofereceram muita luta devido ao despreparo em frente aos exércitos bem treinados de Volusiano e várias cidades, incluindo Cartago, foram atacadas. Alexandre fugiu a Cirta, que foi atacada e saqueada, e ele foi capturado e estrangulado. Os subordinados de Magêncio então conduziram o expurgo dos apoiantes conhecidos e suspeitos de Alexandre, com muitos sendo mortos, e aqueles que fugiram tiveram suas propriedades confiscadas.[11]

Numismática[editar | editar código-fonte]

Alexandre emitiu áureos e fólis na casa da moeda de Cartago, que Maximiano estabeleceu em 296/297. O reverso de suas moedas em sua maioria celebrava a cidade de Cartago e a província da África Proconsular, bem como aludia seu desejo de reconhecimento pelas autoridades legítimas do Império Romano. Sua cunhagem foi rara e há falsificações conhecidas.[14]

Referências

  1. Martindale 1971, p. 43-44.
  2. Martindale 1971, p. 44.
  3. Smith 1867, p. 126.
  4. Paschoud 2000, p. 213.
  5. Chastagnol 1962, p. 55-56.
  6. Salama 1954.
  7. a b Odahl 2004, p. 77.
  8. Lenski 2006, p. 65.
  9. Lenski 2006, p. 84, nota 32.
  10. Salama 1973, p. 365.
  11. a b Barnes 1981, p. 33.
  12. Martindale 1971, p. 656.
  13. Van Dam 2011, p. 230.
  14. Vagi 2000.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barnes, Timothy D. (1981). Constantine and Eusebius. Cambridge, MA: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-16531-1 
  • Chastagnol, André (1962). Les Fastes: de la préfecture de Rome au Bas-Empire. Paris: Nouvelles Éditions Latines 
  • Lenski, Noel Emmanuel (2006). «The Reign of Constantine». In: Lenski, Noel Emmanuel. The Cambridge companion to the Age of Constantine. Cambrígia: Cambridge University Press. ISBN 0-521-52157-2 
  • Martindale, J. R.; A. H. M. Jones (1971). «L. Domitius Alexander 17». The Prosopography of the Later Roman Empire, Vol. I AD 260-395. Cambrígia e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Odahl, Charles Matson (2004). Constantine and the Christian Empire. Nova Iorque: Routledge. ISBN 0-415-38655-1 
  • Paschoud, François (2000). Zosime: Histoire Nouvelle. Paris: Les Belles Lettres 
  • Salama, Pierre (1973). Recherches numismatiques sur l'usurpateur africain L. Domitius Alexander. Glásgua: Proceedings of the International Numismatic Congress 
  • Salama, Pierre (1954). «A propos de l'usurpateur africain L. Dimitius Alexander». Bulletin van de Vereeniging tot Bevordering der Kennis van der Antieke. XXIX: 67-74 
  • Smith, William (1867). Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. Boston: Little, Brown, and Company 
  • Van Dam, Raymond (2011). Remembering Constantine at the Milvian Bridge. Cambrígia: Cambridge University Press 
  • Vagi, David L. (2000). «Lucius Domitius Alexander (Valerius Alexander)». Coinage and History of the Roman Empire, c. 82 B.C.– A.D. 480. Chicago: Fitzroy Dearborn. ISBN 9781579583163