Teresa de Leão

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Teresa de Leão
Condessa de Portucale
Teresa de Leão[1] em miniatura medieval de manuscrito gótico do mosteiro de Toxosoutos.
Condessa de Portucale
Reinado c. 1096
a 12 de maio de 1112
Sucessor(a) D. Afonso Henriques (enquanto conde)
Rainha Titular de Portugal
Reinado 12 de maio de 1112
a 24 de junho de 1128
Reconhecimento papal c. 1117
Sucessor D. Afonso Henriques
 
Cônjuge Henrique de Borgonha
Descendência Urraca Henriques
Sancha Henriques
Teresa Henriques
Henrique
Afonso Henriques
Pedro Henriques
Casa Jiménez
Nome completo
Teresa de Leão
Nascimento ca. 1080
Disputado:
Póvoa de Lanhoso, Portugal
ou
Mosteiro de Montederramo, Galiza
Morte 11 de novembro de 1130 (50 anos)
Mosteiro de Montederramo, Galiza
Sepultamento Sé de Braga, Portugal
Pai Afonso VI de Leão e Castela
Mãe Ximena Moniz

Teresa de Leão, condessa de Portugal (em galaico-português: Tarasia ou Tareja de Portugal, mais conhecida em Portugal apenas por Dona Teresa; ca. 1080Póvoa de Lanhoso ou Mosteiro de Montederramo, 11 de novembro de 1130) foi condessa de Portugal de 1112 a 1128.

Era infanta do reino de Leão e condessa do Condado Portucalense, governando como rainha. Esposa de Henrique de Borgonha, conde de Portucale e mãe de D. Afonso Henriques, fundador do reino de Portugal e primeiro rei de Portugal.

Casamento e Condado Portucalense[editar | editar código-fonte]

Teresa era filha ilegítima do rei Afonso VI de Leão e Castela e de Ximena Moniz, uma nobre castelhana filha da condessa Velasquita Moniz e de Munio Moniz de Bierzo, conde de Bierzo. Viveu toda a infância na companhia da sua mãe e do seu avô materno, que a educaram, e da sua irmã Elvira.

Em 1093 Teresa foi dada pelo seu pai em casamento a Henrique de Borgonha, um nobre francês que o tinha ajudado em muitas conquistas aos mouros. Teresa tinha à data treze anos e Henrique 24. Afonso VI doou-lhes então o Condado de Portugal, território entre o Minho e o Vouga que, a partir de 1096, se estenderia entre o Minho e o Tejo. D. Henrique teve vários filhos, mas poucos sobreviveram: o único varão que chegou a adulto foi Afonso Henriques, além das suas filhas Urraca, Sancha e Teresa Henriques.

Depois da morte de Henrique em 1112 Teresa governou o condado como rainha, por direito próprio, sendo reconhecida como tal pelo papa, pela sua irmã, Urraca de Leão e, posteriormente, por seu sobrinho Afonso VII de Leão. A partir de 1117 assina como "Ego regina Taresia de Portugal regis Ildefonssis filia".[2]

Conflito com o filho, Afonso Henriques[editar | editar código-fonte]

Miniatura medieval que representa Teresa de Leão, condessa de Portugal (ao centro),[1] sua filha Urraca Henriques (à direita) e Bermudo Peres de Trava (à esquerda). Manuscrito gótico do mosteiro de Toxosoutos.

Atacadas pelas forças de sua meia-irmã, a rainha D. Urraca, as forças de D. Teresa recuaram desde a margem esquerda do rio Minho, derrotadas e dispersas, até que D. Teresa se encerrou no Castelo de Lanhoso. Aí sofreu o cerco imposto por D. Urraca em 1121. Em posição de inferioridade, D. Teresa conseguiu ainda negociar o Tratado de Lanhoso, pelo qual salvou o seu governo do Condado Portucalense.

Em aliança com D. Teresa na revolta galaico-portuguesa contra Urraca esteve Fernão Peres de Trava, da mais poderosa casa do Reino da Galiza. Os triunfos nas batalhas de Vilasobroso e Lanhoso selaram a aliança entre os Trava e Teresa de Portugal. Fernão Peres de Trava passou assim a governar o Porto e Coimbra e a firmar com Teresa importantes disposições e documentos no condado de Portugal. Com a morte de Urraca, Fernão Peres de Trava tornou-se um grande aliado do rei Afonso VII de Leão e Castela no Reino da Galiza. A aliança e ligação de D. Teresa com o conde galego Fernão Peres de Trava, de quem teve duas filhas, indispôs contra ela os nobres portucalenses e o seu próprio filho Afonso Henriques.

Teresa exercera a regência do Condado Portucalense durante a menoridade de D. Afonso Henriques. Mas em 1122, sob a orientação de Paio Mendes arcebispo de Braga, Afonso pretendeu assegurar o seu domínio no condado e armou-se cavaleiro em Zamora.

Em breve os interesses estratégicos de mãe e filho entraram em conflito. Em 1128, juntando os cavaleiros portugueses à sua causa contra Fernão Peres de Trava e Teresa de Leão, Afonso Henriques derrotou ambos na batalha de São Mamede, quando pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português, e assumiu o governo do condado.

Túmulo de D. Teresa na Sé de Braga

Obrigada desse modo a deixar a governação, alguns autores defendem que foi detida pelo próprio filho no Castelo de Lanhoso ou se exilou num convento na Póvoa de Lanhoso, onde veio a falecer em 1130. Modernamente, depreende-se que após a batalha e já em fuga, ela e o conde Fernão Peres foram aprisionados e expulsos de Portugal. D. Teresa teria falecido na Galiza, possivelmente no mosteiro de Montederramo que refundara em 1124, de acordo com um documento assinado em Allariz.

Os seus restos mortais foram trazidos mais tarde, por ordem expressa do seu filho já rei Afonso I de Portugal, para a Sé de Braga, onde ainda hoje repousam junto ao túmulo de seu marido, o conde D. Henrique.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Do seu casamento com Henrique de Borgonha, conde de Portugal, nasceram cinco filhos:

  1. Urraca Henriques (c. 1095), casou com D. Bermudo Peres de Trava
  2. Sancha Henriques (c.1097-1163), casou com D. Sancho Nunes de Celanova e com D. Fernão Mendes de Bragança II, senhor de Bragança
  3. Teresa Henriques (n. c. 1098).
  4. Henrique (c.Posterior 1098 - c. Anterior 1110).
  5. Afonso Henriques, rei de Portugal como Afonso I (n. 1109 em Guimarães - f. 6 de dezembro de 1185, em Coimbra), casou com Mafalda de Saboia.


De sua relação com Fernão Peres de Trava nasceram duas filhas:

Precedido por
Henrique da Borgonha
PortugueseFlag1095.svg
Condessa de Portucale
(com o título de rainha)

1112 - 1128
Sucedido por
Afonso Henriques

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ A Crónica latina de Castela, atribuiu a divisão do reino pelos filhos do emperador a sua inciativa: "divisit siquidem regmum suum, permitente Deo propter peccata hominum, duobus filiiis suis ad instanciam Fernandi comitis de Gallecia"

Referências

  1. a b Ducay, María del Carmen Lacarra (Coord.); PERRÍN, Ramón Yzquierdo (et al.) (2012). «La miniatura y el grabado de la Baja Edad Media en los archivos españoles» (PDF) (em espanhol). Tales colores también se emplean entre los arcos que cobijan a los personajes, reservándose el azul como fondo del central, Teresa, reina de Portugal […] A su izquierda está sentada Urraca […]. Institución «Fernando el Católico». pp. 119–121. Consultado em 29 de Setembro de 2014. 
  2. Las lenguas románicas estándar:historia de su formación y de su uso, p.138 [1]
  3. Torres Sevilla-Quiñones de León 1999, p. 336
  4. López-Sangil 2002, p. 134-137
  5. López-Sangil 2002, p. 142
  6. Torres Sevilla-Quiñones de León 1999, p. 230
  7. Sánchez de Mora 2003, p. 185, Vol. I

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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