Donizetti Martins de Araújo

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Donizetti Martins de Araújo
Nascimento 19 de julho de 1889
Morte 29 de agosto de 1996 (107 anos)
Cidadania Brasil
Ocupação filólogo

Donizetti Martins de Araújo (Cidade de Goiás, 19 de julho de 1889Goiânia, 29 de agosto de 1996) foi professor, magistrado e filólogo brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Donizetti Martins de Araújo nasceu na cidade de Goiás no dia 19 de julho, no ano de 1889, antes da proclamação da República, quando o Brasil ainda era regido pelo Imperador Dom Pedro II. Filho de Antônio Martins de Araújo e Maria da Pureza Gomes de Araújo, foi o primogênito dos 6 filhos, todos homens. Foi batizado com esse nome em homenagem ao maestro italiano Gaetano Donizetti, pois seu pai, Antônio Martins de Araújo, além de funcionário público e ourives, era exímio maestro e compositor. Junto ao pai e seus cinco irmãos, Ovídio, Luiz, Mozart, Antônio e Sebastião, formavam notável orquestra na cidade de Goiás.

Começou a mostrar interesse pela música desde muito cedo. Com aproximadamente 8 anos de idade, assistia a um ensaio da orquestra do famoso maestro Tocantins, da qual fazia parte seu pai. Ao ver o menino prestando atenção ao ensaio, Tocantins disse ao pai de Donizetti que o garoto daria conta de tocar os pratos no exato momento em que tal instrumento fosse utilizado. Deram-lhe o instrumento, recomeçaram a execução da peça e a criança os bateu exatamente como exigia a música. Aprendeu as primeiras letras com sua avó Marcelina de Araújo, estimada professora da antiga capital vilaboense, que educou vultos ilustres da época. Figuras como Félix e José Leopoldo de Bulhões Jardim, este que seria mais tarde um dos líderes políticos do Estado, com o advento da República, duas vezes ministro da Fazenda do Brasil. Donizetti teve como mestres Jesus e Feliciano Ayres de Mendonça. Após alguns anos estudando sob a orientação do professor Ayres, ingressou no então curso de humanidades do tradicional Liceu de Goiás, onde permaneceu até 1912, formando-se bacharel em Ciências e Letras. Várias matérias por ele cursadas, não fazem mais parte do currículo atual nas escolas brasileiras,como o latim, o grego, o francês e o alemão.

Lecionou ginástica no Liceu de Goiás. Depois a língua portuguesa, tanto nele como no Colégio Santana, Escola Normal, Instituto de Propedêutica. Era um dos sócios deste último. Após longos anos lecionando, incentivado por sua esposa Coriolina de Loyola Araújo, filha do desembargador Coriolano Augusto de Loyola, ingressou na Faculdade de Direito, no ano de 1925, formando-se em 1930. Do matrimônio com Coriolina, nasceram 10 filhos. Edinor, Dioran, Ernani, Galeno, Colani, Maria de Lourdes, Duílio, Eleni, Cozetti e Eurico. Em 1934, foi designado juiz substituto da comarca de Bela Vista. Em janeiro de 1935 foi transferido para Bonfim, hoje chamada Silvânia. Grande parte da família mudou-se para lá, onde o juiz titular da comarca era seu grande amigo, o futuro desembargador Eládio de Amorim, que ocupou a governadoria de Goiás com a queda do "Estado Novo". Além de juiz substituto, voltou ao magistério, lecionando português no Ginásio Arquidiocesano Anchieta e Colégio Maria Auxiliadora.

Donizetti Martins de Araújo e sua esposa Coriolina Augusta de Loyola.

Em 1939, após ter sido aprovado em concurso público, realizado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, assumiu como juiz de Direito a distante comarca de Posse. Idealizou e incentivou a construção de um campo de pouso na cidade. Com o brigadeiro Eduardo Gomes em viagem feita ao Rio de Janeiro, conseguiu que os aviões do CAN (Correio Aéreo Nacional), nele pousassem, tirando-a do isolamento. Foi transferido para Buriti Alegre, mais próxima de Goiânia, a então nova capital do Estado de Goiás. Em 1943, assumiu a comarca de Pouso Alto, hoje Piracanjuba. Em 1945, foi promovido à terceira entrância na comarca de Morrinhos, sua última comarca antes de aposentar-se, no início da década de 50. Após mais de 38 anos de serviços ininterruptos prestados ao Estado, aposentou-se e veio para Goiânia em definitivo. Desde dezembro de 1940 sua família radicara-se na nova capital, como ocorrera com boa parte das mais tradicionais linhagens vilaboenses pioneiras em Goiânia.

De 1950 até início da década de 60, lecionou literatura portuguesa e italiano na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Goiás. O professor Donizetti era profundo conhecedor da língua e cultura neo-latinas, em especial a língua italiana. Foi um dos fundadores da associação de cultura franco-brasileira em Goiânia, e seu vice-presidente. Ainda na gestão do então governador Jerônimo Coimbra Bueno, fora autor do mais bem fundamentado parecer sobre a grafia do topônimo Goiás, nomeado que fora para a comissão de filólogos incumbida de assim proceder. Dentre os filólogos estavam José de Sá Nunes, Antenor Nascente e Plínio Airosa. Por decreto, abandonou-se o errôneo Z, adotou-se o S. Recebeu das câmaras municipais de Posse e de Goiânia os títulos de cidadania por relevantes serviços prestados àquelas cidades.

Dotado de verdadeira paixão pela cultura, deixou notável acervo de livros que hoje formam pequeno memorial mantido por seus descendentes. Quando sua visão não mais o possibilitava ler, pedia ao seu genro, o ilustre professor de Direito, Nelci Silvério de Oliveira que para ele lesse, pois inabalável era sua determinação em continuar estudando e aprendendo. Donizetti Martins de Araújo esteve lúcido até o momento de seu falecimento, na data de 29 de agosto de 1996, aos 107 anos de idade.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ARAÚJO, Eurico Martins de/ Prosa e verso do meu universo: Crônicas e Poemas. Editora Kelps.
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