Doolittle (álbum)

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Doolittle
Álbum de estúdio de Pixies
Lançamento Reino Unido 17 de Abril de 1989
Estados Unidos Canadá 18 de Abril de 1989
Gravação 31 de Outubro23 de Novembro de 1988 no Downtown Recorders em Boston, Massachusetts
Gênero(s) Rock alternativo
Duração 38:38
Gravadora(s) Reino Unido 4AD
Estados Unidos Elektra Records
Canadá PolyGram
Produção Gil Norton
Cronologia de Pixies
Surfer Rosa
(1988)
Bossanova
(1990)

Doolittle é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana de rock alternativo Pixies, lançado em Abril de 1989 pela 4AD. Os temas negros e pouco comuns explorados no álbum, que inclui o surrealismo, violência Bíblica, tortura e morte, contrastam com o som limpo conseguido pelo produtor então recém-contratado Gil Norton. Doolittle foi o primeiro trabalho dos Pixies a ter lançamento mundial, com a Elektra Records a ser a distribuidora do álbum nos Estados Unidos.

Os Pixies lançaram dois singles do Doolittle, "Here Comes Your Man" e "Monkey Gone to Heaven," tendo ambos sucesso no top US Modern Rock Tracks. O álbum em si chegou a 8º nos tops de vendas do Reino Unido, o que constitui um sucesso inesperado para a banda. Em retrospectiva, faixas do álbum como "Debaser," "Wave of Mutilation" e "Hey" são bastante aclamadas pelos críticos, enquanto que álbum, juntamente com Surfer Rosa, é visto como o melhor trabalho da banda.

Doolittle tem vendido consistentemente bem desde o seu lançamento, e em 1995 foi certificado com Ouro pela Recording Industry Association of America pela venda de mais de 500 mil cópias. O álbum tem sido citado como uma fonte de inspiração por muitos artistas de música alternativa, enquanto que numerosas publicações de música consideram-no um dos discos mais influentes de sempre. Numa votação de 2003 promovida pela NME, os leitores consideraram o Doolittle como o segundo melhor álbum de sempre.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Depois do aclamado pela crítica, mas fracassado comercialmente, Surfer Rosa[1] a banda embarcou em uma turnê pela Europa com a banda de Boston, Throwing Muses, antes de iniciar uma turnê pelos Estados Unidos. Neste momento, Black Francis (o vocalista e principal compositor do grupo) começou a escrever novo material para seu próximo álbum, com canções como: Dead, Hey, Tame e There Goes My Gun.

Algumas versões mais antigas dessas canções foram gravadas para umas de John Peel em 1988, enquanto uma versão ao vivo de "Hey" apareceu em um EP gratuito entregue pela revista Sounds.[2]

Durante o verão daquele ano, os Pixies começaram a gravar uma demo em sessões durante o descanso da turnê. Para fazer isso, a banda foi para o estúdio de gravação Eden Sound, que na época consistia em uma pequena sala no porão de uma barbearia. Eles gravaram no estúdio uma semana em circunstâncias semelhantes às sessões de gravação das The Purple Tapes no ano passado. Depois de completarem a demo, o empresário da banda Ken Goes sugeriu dois produtores para o álbum: o norte-americano Gil Norton e o britânico Ed Stasium. A banda já havia trabalhado com Norton durante a gravação do single "Gigantic" em maio de 1988. Francis não tinha preferências, embora Ivo Watts-Russell, dono da 4AD, preferia Norton para gravar o álbum.

Norton chegou a Boston em outubro, indo primeiro para a casa de Francis para ouvir o álbum de demonstração. Os dois conversaram sobre os arranjos, passaram dois dias analisando intensamente as canções do álbum. Norton aprendeu a calibrar as reações de Francis para mudar arranjos e depois ressaltou que o músico "não gosta de fazer a mesma coisa duas vezes". Norton passou duas semanas em pré-produção para familiarizar-se com o som dos Pixies.[3]

Gravação e produção[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
allmusic 5 de 5 estrelas. [4]
Rolling Stone 5 de 5 estrelas. [5]
Robert Christgau (B+) [6]
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As sessões de gravação para o álbum começou em 31 de outubro de 1988 nos estúdios Downtown Records em Boston, Massachusetts. A 4AD proporcionou 40 mil dólares para a gravação, excluindo a paga pelo produtor. Esta quantia era modesta para um álbum na década de 1980, mas que quadruplicou a quantidade gasta em Surfer Rosa. As sessões duraram três semanas, dando a encerrar o processo de gravação em 23 de novembro,[7] gravando "quase uma canção por dia".[8]

A produção e a mixagem do álbum começou em 28 de novembro. A banda mudou-se para Carriage House Studios em Stanford, Connecticut, para supervisionar a produção e gravar mais material.[9] Norton contratou Steve Haigler como engenheiro de mixagem, que já havia trabalhado na Apache Studios Fort. Durante a produção, Haigler e Norton acrescentaram camadas de guitarra e voz para as músicas, incluindo guitarras com a técnica de overdub em Debaser e vozes em Wave of Mutilation. Durante as gravações, Norton aconselhou Francis para alterar várias músicas, por exemplo: "There Goes My Gun", que foi originalmente concebida como uma faixa muito mais rápida no estilo do Hüsker Dü, foi retardada por Francis aconselhado por Norton.[10]

As sugestões de Norton não foram sempre bem recebidas e várias instâncias para adicionar versos e estender a duração de algumas das faixas contribuíram para frustrar Francis. Em um certo momento, Francis levou Norton para uma loja de discos, onde deu uma cópia do álbum de grandes sucessos de Buddy Holly, onde a maioria das canções são menos de dois minutos[11] e ele disse a Norton: "Se é bom para Buddy Holly..."[12] A produção continuou em 12 de dezembro de 1988 com Norton e Haigler adicionando efeitos e reverb. Finalmente nos final do mês foram enviadas as fitas master para a pós-produção.[13]

Estilo musical[editar | editar código-fonte]

Doolittle apresenta uma mistura eclética de estilos musicais. Enquanto faixas como "Tame" e "Crackity Jones" são rápidas e agressivas, e incorporam as mudanças dinâmicas de volume, típica da banda;[14] outras canções como "Silver", "I Bleed" e "Here Comes Your Man" revelam um temperamento calmo, lento e melódico.[15] Em Doolittle, a banda começou a incorporar mais instrumentos em sua música. "Monkey Gone to Heaven" tem dois violinos e dois violoncelos; enquanto outras canções de Doolittle são construídas em torno de simples progressões harmônicas.

"Tame" está baseada em uma progressão de três acordes que se tocam continuamente. além de um "acorde de hendrix" tocado por Joey Santiago na progressão principal do baixo.[16] "I Bleed" é melodicamente simples e é formada em torno de uma repetição rítmica. Algumas canções são influenciadas por outros gêneros musicais; como "Crackity Jones" que tem influência da música espanhola, e incorpora acordes de sol♯ e ♯em um pedal.

Temas explorados[editar | editar código-fonte]

Os temas explorados em Doolittle variam do surrealismo de Debaser, a evocação de um desastre ecológico em Monkey Gone to Heaven. As mulheres e as prostitutas em Mr. Grieves, Tame e Hey se misturam com as sangrentas histórias bíblicas de Dead e Gouge Away afastado. Black Francis disse muitas vezes as letras de Doolittle eram apenas "palavras que se encaixam bem em conjunto" e que "o objetivo [do álbum] é experimentar, desfrutar, se divertir, deixar se entreter por ele". Francis escreveu todo o material do álbum, exceto para "Silver", co-escrito com Kim Deal.[17]

A primeira canção do álbum, Debaser refere-se ao surrealismo, um tema recorrente do álbum como um todo. "Debaser" refere-se ao filme de Luis Buñuel e Salvador Dalí de 1929, Um Cão Andaluz e o trecho slicing up eyeballs refere-se a uma das cenas da mesma.[18] o Surrealismo, que é a arte em que a libertação do eu e da sociedade são alcançados através do exercício de "inconsciente", influenciou fortemente Francis em seus dias de faculdade e ao longo de sua carreira com o Pixies. Em 1989, Francis expressou seu interesse em surrealismo e sua influência sobre suas composições no periódico New York Times dizendo.

Arte da capa e embalagem[editar | editar código-fonte]

Doolittle foi o primeiro álbum onde Simon Larbalestier, fotógrafo de capa do Pixies, e Vaughan Oliver, o desenhista de produção da capa, teve acesso aos encartes. Segundo Larbalestier, esta foi "uma disputa fundamental.[20] O acesso às letras permitiu o design e a fotografia estarem mais perto do conteúdo do disco. Ela mostra um macaco embalsamado com um halo e os números cinco, seis e sete acima.

Imagens abstratas e surreais dentro do encarte do álbum estão diretamente relacionados ao conteúdo. "Gouge Away" é representado com uma imagem de uma colher cheia de cabelo, colocado sobre o tronco de uma mulher; uma representação pictórica de heroína, com a colher e representando a crina de cavalo. Walking with the Crustaceans é uma representação visual das letras de "Wave of Mutilation". Larbalestier mais tarde iria comentar sobre o seu interesse precoce em "surrealismo" neste momento.[21]

Título do album[editar | editar código-fonte]

Durante as sessões de gravação, Whore foi descartado como título do álbum, depois que Oliver mudara a ideia do desenho artístico da capa para o macaco e o halo. Francis explicou mais tarde essa mudança:

Francis iria mudar o nome do álbum para Doolittle, um nome tirado de um trecho da letra de Mr. Grieves: "Pray for a man in the middle/One that talks like Doolittle".[22] Isto tinha sido feito em álbuns anteriores dos Pixies. Tanto Come on Pilgrim quanto Surfer Rosa usavam parte de letras de música para dar título a os álbuns.

Faixas[editar | editar código-fonte]

N.º Título Duração
1. "Debaser"   2:52
2. "Tame"   1:55
3. "Wave of Mutilation"   2:04
4. "I Bleed"   2:34
5. "Here Comes Your Man"   3:21
6. "Dead"   2:21
7. "Monkey Gone to Heaven"   2:56
8. "Mr. Grieves"   2:05
9. "Crackity Jones"   1:24
10. "La La Love You"   2:43
11. "No. 13 Baby"   3:51
12. "There Goes My Gun"   1:49
13. "Hey"   3:31
14. "Silver"   2:25
15. "Gouge Away"   2:45
Duração total:
38:38

Doolittle 25: discos bônus[editar | editar código-fonte]

Disco 2: B-Sides e Peel Sessions

N.º Título Duração
1. "Dead"   3:18
2. "Tame"   1:58
3. "There Goes My Gun"   2:18
4. "Manta Ray"   1:49
5. "Into The White"   4:11
6. "Wave of Mutilation"   2:31
7. "Down To The Well"   2:14
8. "Manta Ray"   2:04
9. "Weird At My School"   1:58
10. "Dancing The Manta Ray"   2:14
11. "Wave of Mutilation"   3:02
12. "Into The White"   4:43
13. "Bailey's Walk"   2:24

Créditos[editar | editar código-fonte]

Pixies[editar | editar código-fonte]

Músicos adicionais[editar | editar código-fonte]

  • Arthur Fiacco – violoncelo em "Monkey Gone to Heaven"
  • Karen Karlsrud – violino em "Monkey Gone to Heaven"
  • Corine Metter – violino em "Monkey Gone to Heaven"
  • Ann Rorich – violoncelo em "Monkey Gone to Heaven"

Produção[editar | editar código-fonte]

  • Steve Haigler – engenheiro de mixagem
  • Matt Lane – engenheiro de som
  • Simon Larbalestier – imagem da capa, ilustrações no encarte do álbum
  • Gil Norton – produção
  • Vaughan Oliver – ilustrações no encarte do álbum
  • Dave Snider – assistente de engenheiro
  • Burt Price - segundo assistente
  • Rob Sylvain - segundo assistente

Referências

  1. Josh Frank y Caryn Ganz, 2005, p. 87
  2. 4AD - Pixies profile
  3. Josh Frank y Caryn Ganz, 2005, p. 112
  4. Avaliação no allmusic
  5. Avaliação na Rolling Stone
  6. Avaliação de Robert Christgau
  7. Ben Sisario, 2006, p. 147
  8.  Ganz, Caryn. "Pixies - Doolittle". Spin.
  9. Josh Frank y Caryn Ganz, 2005, p. 116
  10.  Ben Sisario, 2006, p. 45
  11. Josh Frank y Caryn Ganz, 2005, p. 114
  12. Ben Sisario, 2006, p. 46
  13. Ben Sisario, 2006
  14. Pop:Loud quiet loud
  15. albumvote reviews - Doolittle by Pixies
  16. Ben Sisario, 2006, pp. 80-82
  17. Doolittle CD cover booklet.
  18. Roger Ebert (16 de abril de 2000). «Un Chien Andalou». RogerEbert.com.
  19. Ben Sisario, 2006, p. 26
  20. Caryn, Ganz, 2005, p. 117
  21. Josh Frank y Caryn Ganz, 2005, p. 117
  22. Francis, Black. Lyrics. "Mr. Grieves."Doolittle. LP. 4AD 1989
  • Frank, Josh; Ganz, Caryn. "Fool the World: The Oral History of a Band Called Pixies." Virgin Books, 2005. ISBN 0-312-34007-9.
  • Sisario, Ben. Doolittle 33⅓. Continuum, 2006. ISBN 0-8264-1774-4.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]