Dor fetal

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Dor fetal é a alegação de que um feto é capaz de sentir dor no primeiro trimestre de gravidez. Esta alegação não é suportada por evidências científicas. O consenso entre a comunidade médica e científica é a de que o feto não é capaz de sentir dor até ao terceiro trimestre de gravidez.[1][2][3] A investigação atual permite concluir que as estruturas sensoriais que permitem ao feto responder à dor não estão desenvolvidas antes das 24 semanas.[4]

Embora as regiões neurais responsáveis pela experiência da dor sejam ainda alvo de debate, é geralmente aceite que a dor com origem em trauma físico necessita de uma via nervosa intacta desde o sistema nervoso periférico, que passe pela medula espinal e entre no tálamo e nas regiões do córtex cerebral, incluindo o córtex somatossensorial primário, o córtex insular e o cortex cingulado anterior. Só é possível ao feto sentir dor a partir do momento em que todas estas estruturas e vias nervosas se desenvolvam.[4][5] A eletroencefalografia indica que a capacidade de perceção funcional de dor em fetos não existe antes das 29 ou 30 semanas. Os reflexos e as alterações no ritmo cardíaco e níveis hormonais em resposta a procedimentos invasivos não indicam dor fetal.[2]

Referências

  1. Derbyshire, S. W G (2006). «Can fetuses feel pain?». BMJ. 332 (7546): 909–12. PMC 1440624Acessível livremente. PMID 16613970. doi:10.1136/bmj.332.7546.909 
  2. a b Lee, Susan J.; Ralston, Henry J. Peter; Drey, Eleanor A.; Partridge, John Colin; Rosen, Mark A. (2005). «Fetal Pain». JAMA. 294 (8): 947–54. PMID 16118385. doi:10.1001/jama.294.8.947 
  3. AP (24 de agosto de 2005). «Study: Fetus feels no pain until third trimester». MSNBC 
  4. a b «Fetal Awereness: review of research and recommendations for practice». Royal College of Obstetritians and Gynaecologists. 25 de junho de 2010. Consultado em 19 de junho de 2018.. Current research shows that the sensory structures are not developed or specialized enough to respond to pain in a fetus of less than 24 weeks 
  5. Johnson, Martin and Everitt, Barry. Essential reproduction (Blackwell 2000), p. 235. Retrieved 2007-02-21.