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Dorina Nowill

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Dorina Nowill
Nascimento28 de maio de 1919
São Paulo
 São Paulo
Morte29 de agosto de 2010 (91 anos)
São Paulo
NacionalidadeBrasileira
CidadaniaBrasil
CônjugeEdward Hubert Alexander Nowill (1950–2010)
OcupaçãoEducadora e filantropa
Distinções
  • Livro dos Heróis e Heroinas da Pátria
Religiãocatólica

Dorina de Gouvêa Nowill (São Paulo, 28 de maio de 1919 — São Paulo, 29 de agosto de 2010) foi uma educadora, filantropa e administradora brasileira. Educadora de formação, Dorina trabalhou intensamente para a criação e implantação de instituições, leis e campanhas em prol dos deficientes visuais e pelo seu trabalho foi diversas vezes reconhecida e premiada.[1]

Primeiros anos

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Dorina Nowill ficou cega aos 17 anos em virtude de uma infecção ocular, que ocasionou uma hemorragia. A cegueira, contudo, não a impediu que seguisse carreira na área da educação.

Em 1943, com a ajuda de Carolina Ribeiro, diretora da Escola Caetano de Campos, e sua intervenção para com o ministro da educação Gustavo Capanema por meio de uma carta entregue escrita pela própria Dorina Nowill, conseguiu o documento comprobatório da conclusão dos estudos ginasiais, o que possibilitou seu ingresso na Escola Normal.[2]

Em 1945, conseguiu convencer a Escola Caetano de Campos, onde cursava o magistério e viria a se formar como professora, a implantar o primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos.[3] Nessa época, livros em Braille eram raríssimos e ela teve que cursar a escola como estudante normal. Após diplomar-­se, viajou para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos paga pelo governo americano para frequentar um curso de especialização na área de deficiência visual, na Universidade de Columbia.[3]

A “Dama da Inclusão”

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De volta ao Brasil, concentrou esforços na fundação da primeira imprensa Braille de grande porte do país. A editora é uma das principais fontes de renda da fundação que criou e produz mais de 80% dos livros do Ministério da Educação para deficientes visuais, além de receber encomendas especiais de cardápios para restaurantes, instruções de segurança de companhias aéreas, bestsellers, etc.

A educadora também se voltou à regulamentação da educação para cegos. Na Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, ela foi a responsável pela criação do Departamento de Educação Especial para Cegos e em 1961, graças a seu empenho, o direito à educação ao cego virou lei. Nessa mesma época, entre 1961 a 1973, ela dirigiu a Campanha Nacional de Educação dos Cegos,[4] o primeiro órgão nacional de educação de cegos no Brasil, criado pelo Ministério da Educação. Também realizou programas e projetos que implantaram serviços para cegos em diversos estados da nação, além de eventos e campanhas para a prevenção da cegueira. Seis anos depois, em 1979, a professora foi eleita presidente do Conselho Mundial dos Cegos. Mais tarde, seria a idealizadora e criadora da Fundação Dorina Nowill, para deficientes visuais.

Em 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, ela foi convidada e falou na Assembleia Geral das Nações Unidas como representante brasileira. Já em 1989, o Congresso Nacional ratificou a “Convenção 1599”, da Organização Internacional do Trabalho, que trata da reabilitação, treinamento e profissionalização de deficientes visuais. Esse foi mais um desdobramento do trabalho que a educadora havia começado quase duas décadas antes, com o primeiro centro de reabilitação para cegos criado por sua fundação.

Dorina foi considerada pela Revista Época uma dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.[5]

Vida pessoal e morte

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A filantropa casou-se com o advogado carioca Edward Hubert Alexander Nowill (19232013), filho de um pastor protestante inglês, a quem conheceu nos Estados Unidos, quando estudava na Universidade Columbia, como bolsista de uma fundação voltada para educação e reabilitação de cegos.[6]

Dorina Nowill faleceu aos 91 anos, vitimada por uma parada cardíaca.[3] Ela estava internada havia cerca de 15 dias no Hospital Santa Isabel, na zona oeste de São Paulo, para tratar uma infecção.[3] O velório foi realizado na sede da fundação que leva seu nome.[3] Nowill deixou cinco filhos - Alexandre, Cristiano, Denise, Dorininha e Márcio Manuel[7] - e doze netos.[6]

Ver também

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Referências

  1. «Pioneira da inclusão do deficiente visual morre aos 91 anos». Jornal Estadão. 20 de agosto de 2010. Consultado em 6 de outubro de 2015 
  2. GOLOMBEK, Patrícia (2016). Caetano de Campos: a escola que mudou o Brasil. São Paulo: EDUSP. p. 532. ISBN 9788531415265 
  3. a b c d e Da redação (20 de agosto de 2010). «Pioneira da inclusão do deficiente visual morre aos 91 anos». Consultado em 6 de outubro de 2015 
  4. Cardoso, Fernanda Luísa; Martínez, Silvia (2019). «A Campanha Nacional de Educação dos Cegos: uma leitura a partir da imprensa jornalística dos anos 1960 e 1970» [The National Campaign for the Education of the Blind: a reading from the journalistic press of the 1960s and 1970s]. Sociedade Brasileira de História da Educação. Revista Brasileira de História da Educação: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-00942019000100202&lng=pt&nrm=iso. ISSN 2238-0094. doi:http://dx.doi.org/10.4025/rbhe.v19.2019.e051 Verifique |doi= (ajuda) 
  5. «Época - NOTÍCIAS - Os 100 brasileiros mais influentes de 2009». revistaepoca.globo.com. Consultado em 20 de Dezembro de 2009 
  6. a b Estêvão Bertoni (4 de maio de 2013). «O homem que apoiou por 60 anos Dorina Nowill». Folha de S.Paulo – Cotidiano. Consultado em 6 de outubro de 2015 
  7. «Morre aos 91 anos a pedagoga Dorina Nowill». VEJA. Consultado em 18 de dezembro de 2022 

Ligações externas

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Fundação Norina Dowill para cegos

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