Dorothy Stang

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Irmã Dorothy
A Irmã Dorothy
Nome completo Dorothy Mae Stang
Conhecido(a) por Ativismo na Amazônia
Nascimento 7 de junho de 1931
Dayton, Ohio, EUA
Morte 12 de fevereiro de 2005 (73 anos)
Anapu, Pará, Brasil
Nacionalidade norte-americana
Cidadania brasileira
Religião Catolicismo
Causa da morte Assassinato

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy (Dayton, 7 de junho de 1931Anapu, 12 de fevereiro de 2005)[1], foi uma religiosa estadunidense naturalizada brasileira, membro da Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur. Ela foi assassinada em Anapu, no estado do Pará, Brasil, na Bacia Amazônica do Brasil. Stang foi sincera em seus esforços em favor dos pobres e do meio ambiente e já havia recebido ameaças de morte de madeireiros e proprietários de terras. Sua causa de canonização como mártir e modelo de santidade está em andamento na Congregação para as Causas dos Santos.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida em 7 de junho de 1931 em Dayton, Ohio, mas naturalizada brasileira,[3] entrou na comunidade das Irmãs de Notre Dame de Namur em 1948 e professou os votos perpétuos em 1956. De 1951 a 1966, ela deu aulas de ensino fundamental na St. Victor School em Calumet City, Illinois, na St. Alexander School em Villa Park, Illinois e na Most Holy Trinity School em Phoenix, Arizona.[4]

Iniciou seu ministério no Brasil em 1966, em Coroatá, Maranhão . Stang dedicou sua vida a defender a floresta tropical brasileira do esgotamento da agricultura . Ela trabalhou como defensora dos pobres rurais a partir do início dos anos 1970, ajudando os camponeses a ganhar a vida cultivando pequenos lotes e extraindo produtos florestais sem desmatamento . Ela também procurou proteger os camponeses de gangues criminosas que trabalhavam em nome de fazendeiros que estavam atrás de seus lotes. Dot, como era chamada por sua família, amigos e a maioria dos moradores do Brasil, é frequentemente retratada vestindo uma camiseta com o slogan "A Morte da floresta é o fim da nossa vida".[5][4]

Não quero fugir, nem quero abandonar a batalha desses fazendeiros que vivem sem proteção na floresta. Eles têm o direito sacrossanto de aspirar a uma vida melhor na terra onde possam viver e trabalhar com dignidade, respeitando o meio ambiente.[6]

Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.[4]

A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.[4]

Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazônia Revelada.[4]

Assassinato[editar | editar código-fonte]

Túmulo de Dorothy Stang

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.[7]

Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou «eis a minha arma!» e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns versículos das bem aventuranças para aquele que logo em seguida lhe balearia.[8][9]

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados. Sua morte foi antecedida por duas outras na região com as mesmas características (religiosos com trabalho entre a população menos favorecida), sendo a de Padre Josimo[10] e a de Irmã Adelaide.[11]

O corpo da missionária está enterrado em Anapu, Pará, Brasil, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heroicas da matrona cristã.[7]

Investigações e condenações[editar | editar código-fonte]

Protesto pela reforma agrária em Belém do Pará com a imagem de Dorothy Stang

O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, havia sido condenado em um primeiro julgamento a 30 anos de prisão. Num segundo julgamento, contudo, foi absolvido.[12] Após um terceiro julgamento, foi novamente condenado pelo júri popular a 30 anos de prisão.[13][14]

No dia 16 de abril de 2019, a Polícia Civil do Estado do Pará prendeu, em Altamira, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, que teve a prisão decretada pela Justiça após condenação como mandante do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang. Galvão foi condenado a 30 anos de reclusão no dia 30 de abril de 2010, como mandante do assassinato de Dorothy Stang. A condenação foi mantida em segunda instância, e a pena chegou a ser reduzida para 25 anos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a prisão em 2017.[15]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

Parque Socioambiental Irma Dorothy Stang em Hortolândia, São Paulo

A Irmã Dorothy faz parte do calendário de santos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil como "Mártir da Caridade na Amazônia". Sua memória é lembrada com uma festa litúrgica em 12 de fevereiro.[16]

No município de Hortolândia, no estado de São Paulo, no Brasil, foi inaugurado em 2005 o Parque Socioambiental Irma Dorothy Stang como uma homenagem à missionária.[17]

Em 2008, o cineasta estadunidemse Daniel Junge lançou um documentário intitulado They Killed Sister Dorothy. O filme é narrado por Martin Sheen na versão em inglês e por Wagner Moura na versão em português. O filme recebeu o Prêmio do Público e o Prêmio da Competição no South by Southwest Festival de 2008, onde teve sua estreia mundial.[18]

Em 2009, Evan Mack compôs uma ópera baseada na vida de Dorothy Stang intitulada "Anjo da Amazônia", que retrata o trabalho de sua vida, sua dedicação à missão com os camponeses brasileiros e os eventos que a levaram a um caminho de martírio.[19]

Uma breve visão geral das circunstâncias e do assassinato da irmã Dorothy Stang também é discutida no filme Cowspiracy (2014).[20]

O artista Cláudio Pastro incluiu Irmã Dorothy no painel de azulejos As Mulheres Santas, na decoração da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, Brasil.[21]

Em 2021, uma espécie de coruja descoberta na floresta amazônica foi nomeada Megascops stangiae em homenagem à irmã Stang.[22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Brazil: Bolsonaro supporter works to imprison Dorothy Stang's successor». Mongabay Environmental News (em inglês). 28 de dezembro de 2018. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  2. Martyrs of Creation Hagiography Circle
  3. Rocha, Jan (21 de fevereiro de 2005). «Sister Dorothy Stang». The Guardian. Brazil. Consultado em 31 de janeiro de 2018 
  4. a b c d e Secretariado Geral do Sínodo dos Bispos/Portal da Amazônia (ed.). «Irmâ Dorothy». Consultado em 16 de junho de 2022 
  5. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, ed. (2014). «Desafio Missionário - Documentos da Igreja na Amazônia» (PDF). Consultado em 16 de junho de 2022 
  6. Allen, John L. (2016). The Global War on Christians: Dispatches from the Front Lines of Anti-Christian Persecution. [S.l.]: Image. p. 93. ISBN 978-0-7704-3737-4 
  7. a b Folha de S.Paulo, ed. (fevereiro de 2020). «Há 15 anos, missionária Dorothy Stang, 73, foi assassinada em assentamento no Pará». Consultado em 16 de junho de 2022 
  8. Vida e obra da Irmã Dorothy Stang é celebrada na Califórnia, acesso em 09 de julho de 2015.
  9. O sangue ainda corre na floresta. Dez anos do assassinato de Dorothy Stang, acesso em 09 de julho de 2015.
  10. Entenda o caso do assassinato do padre Josimo - Folha de S. Paulo
  11. Souza, Edimilson Rodrigues de.. Crônicas da morte revivida na luta: uma etnografia da Romaria dos Mártires da Caminhada em Ribeirão Cascalheira (MT), Brasil. Etnográfica. vol. 20 (2). 2016. p. 339-362.
  12. «Fazendeiro acusado pela morte de Dorothy Stang é absolvido». Portal Globo.com. 6 de maio de 2008. Consultado em 13 de abril de 2010 
  13. «Bida é condenado a 30 anos por morte de Dorothy Stang». Estadão.com.br. 13 de abril de 2010. Consultado em 13 de abril de 2010 
  14. «Acusado de ser mandante da morte de Dorothy Stang, Bida é condenado a 30 anos de prisão». O Globo. 13 de abril de 2010. Consultado em 13 de abril de 2010 
  15. Estadão Conteúdo (17 de abril de 2019). «Polícia prende 'Taradão', mandante da morte da missionária Dorothy Stang». Isto É. Consultado em 25 de abril de 2019 
  16. "Normas para o Ano Cristão". Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 27 de novembro 2014. Disponível em: [1]. Página visitada em 20 de julho de 2015.
  17. Prefeitura de Hortolândia (ed.). «Parque Socioambiental Irmã Dorothy Stang». Consultado em 16 de junho de 2022 
  18. «Documentary about Dorothy Stang case». O Dia (Brazil). 30 de setembro de 2008. Arquivado do original em 22 de maio de 2011 
  19. Opera News, ed. (setembro de 2012). «MACK: Angel of the Amazon». Consultado em 16 de junho de 2022 
  20. cowspiracy.com (ed.). «The Facts». Consultado em 16 de junho de 2022 
  21. Ana Luiza Mahlmeister (1 de maio de 2012). Revista Passos, ed. «Às portas da Jerusalém Celeste». Consultado em 16 de junho de 2022 
  22. Dantas, S.M.; Weckstein, J.D.; Bates, J.; Oliveira, J.N.; Catanach, T.A.; Aleixo, A. (2021). «Multi-character taxonomic review, systematics, and biogeography of the Black-capped/Tawny-bellied Screech Owl (Megascops atricapilla-M. watsonii) complex (Aves: Strigidae)». Zootaxa. 4949 (3): 401-444. doi:10.11646/zootaxa.4949.3.1Acessível livremente 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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