Duarte Lima

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Duarte Lima
Nascimento 20 de novembro de 1955 (63 anos)
Cidadania Portugal
Alma mater Universidade Católica Portuguesa
Ocupação advogado, político

Domingos Duarte Lima (Peso da Régua, Poiares, 20 de novembro de 1955 (63 anos)) é um advogado e político português.

Político nascido no seio de uma família de nove irmãos e irmãs residente em Miranda do Douro desde 1956, contou com o apoio de uma influente família local para em 1974 rumar à capital, onde concluiu o liceu e se licenciou em Direito na Universidade Católica Portuguesa (UCP). Estudou igualmente história da arte na Accademia Europea de Florença e Música no Instituto Gregoriano de Lisboa.[1]

Na sua carreira profissional, dividiu a advocacia com o exercício de funções políticas.

Desde 26 de abril de 2019, está detido para cumprir uma parte da pena de seis anos de cadeia a que foi condenado pelos crimes de burla qualificada e branqueamento de capitais.[2]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Em 1981, Ângelo Correia, ministro da Administração Interna, nomeou Duarte Lima como seu assessor político e de comunicação.[3]

Foi deputado à Assembleia da República por Bragança de 1983 a 1995 (III, IV, V e VI legislaturas), depois por Lisboa, de 1999 a 2002 (VIII legislatura) e, novamente por Bragança, de 2005 a 2009 (X legislatura). Foi vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD entre 1989 e 1991, e presidiu ao respectivo grupo parlamentar de 1991 a 1994, durante a segunda maioria absoluta de Aníbal Cavaco Silva.

Em 9 de dezembro de 1994 foi manchete do defundo jornal O Independente sob o título “Casa Cheia”. No artigo era descrito o seu vasto e luxuoso património imobiliário. Um andar de 600 m2 num condomínio de luxo no centro de Lisboa que tinha sido comprado a um empreiteiro amigo por 230 mil contos (cerca de 1,1 milhões de euros) e declarado por apenas 45 mil contos (cerca de 224,4 mil euros ao câmbio atual). Uma herdade de três hectares, avaliada em 140 mil contos (cerca de 700 mil euros), em Sintra. A cereja no topo do bolo era o facto de a quinta estar em nome de uma sobrinha com posses modestas, Alda Lima de Deus. O social-democrata tinha escolhido a sobrinha para ocultar o seu património numa altura em que o PSD se opunha à divulgação dos rendimentos dos políticos.

A notícia do Independente levou à sua saída da liderança da direção da bancada parlamentar laranja, tendo sido sucedido por José Pacheco Pereira.

Em 1998 venceu Pedro Passos Coelho e Pacheco Pereira nas eleições para a Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD, que liderou até 2000, sucedendo-lhe Manuela Ferreira Leite.

Entre 1999 e 2002 auferiu oficialmente 394 mil euros. Na sua declaração de património e rendimento de titulares de cargo político, não há referência a 5,2 milhões de euros que, em 2001, foram transferidos para as suas contas pela cliente Rosalina Ribeiro.[4]

Recebe do estado uma subvenção vitalícia de 2289,10 euros por mês desde 22 de janeiro de 2010.[5]

Após ser condenado e iniciar o cumprimento da pena em Abril de 2019, o Partido Social Democrata avançou com um processo de expulsão de Duarte Lima, conforme prevêem os estatutos para militantes condenados em casos de corrupção[6].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Casou a 18 de novembro de 1982 com Alexina Bastos Nunes, no Santuário de Fátima, em Fátima, em cerimónia realizada pelo Bispo de Bragança e Miranda, D. António José Rafael.[7] Tiveram o único filho de Duarte Lima, Pedro Miguel. Divorciaram-se em 1995.

Depois de, em 1999, ter sobrevivido a uma leucemia, detetada em novembro de 1998, foi um dos fundadores da APCL - Associação Portuguesa Contra a Leucemia, de cujo conselho de administração foi vogal até ser acusado do homicídio de Rosalina Ribeiro.[8] A partir desta data passou a exibir o crânio integralmente rapado.

Casou em 2000 com Paula Gonçalves.[9]

Foi vogal da Comissão de Ética do Instituto Português de Oncologia de Lisboa entre 2002 e 2005.[10]

Desde que Duarte Lima alegadamente se envolveu com Marlete Oliveira - uma brasileira dada como sua secretária, que em 2011 regressou ao Brasil -, o casal apenas partilhava o mesmo apartamento. Em novembro de 2011 Paula Gonçalves pediu o divórcio.[9]

Cultiva o gosto pela música, tendo sido aluno do Instituto Gregoriano de Lisboa, organista da Igreja de São João de Deus, em Lisboa, e fundador e maestro do Coro da Universidade Católica Portuguesa.[carece de fontes?]

Em abril de 2015, vendeu o quadro de Pieter Brueghel, o Jovem, datado de 1627, "The Wedding Procession", à Galeria De Jonckheere, em Genebra, depois de ter sido apreendido em Londres pelo Ministério Público, por dois milhões de euros, para abater uma dívida à Parvalorem, ligada ao antigo BPN.[11]

Polémicas[editar | editar código-fonte]

Homicídio de Rosalina Ribeiro[editar | editar código-fonte]

Duarte Lima foi o advogado de Rosalina Ribeiro, ex-companheira de Lúcio Tomé Feteira que mantinha um litígio com a filha do falecido multimilionário Feteira. Rosalina desviou milhões de euros da herança de Feteira, que foram depositados em contas de Duarte Lima na Suíça. Mais tarde foi proposto a Duarte Lima um acordo para a devolução de uma parte dos milhões de euros desviados. O convite à negociação foi efectuado por José Miguel Júdice, advogado de Olímpia Feteira. Nessa altura Duarte Lima negou ser advogado de Rosalina Ribeiro.[12]

Em outubro de 2011, a imprensa anunciou que o Ministério Público do Brasil acusou Duarte Lima de ter assassinado Rosalina Ribeiro[13], companheira do falecido milionário português Lúcio Tomé Feteira, a 7 de Dezembro de 2009, num descampado no município de Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Em 1 de novembro de 2011 foi decretada pelo juiz de Saquarema a prisão preventiva do advogado e ex-parlamentar português,[14] que se encontrava então em local incerto, presumivelmente em Portugal, país cuja constituição não permite a extradição de cidadãos nacionais.

Duarte Lima classificou de “hedionda” a acusação de homicídio de Rosalina Ribeiro, afirmando a sua inocência e garantindo que a vai demonstrar no processo, junto das instâncias judiciais competentes.[15]

Em julho de 2012 afirmou que a acusação de que é alvo no Brasil pela morte de Rosalina Ribeiro é “destituída de qualquer prova factual” e uma “investigação dirigida por encomenda” a pedido de Olímpia Feteira, filha do falecido milionário, e do afilhado da sua cliente.[16]

Em abril de 2015, Duarte Lima fez uma petição oficial para ir a julgamento no seu processo judicial no Brasil.[17]

Em julho de 2015, as autoridades brasileiras enviaram uma carta rogatória à Procuradoria Geral da República em Portugal para que Duarte Lima fosse notificado para o julgamento do homicídio de Rosalina Ribeiro.[18]

Em novembro de 2016, foi noticiado que Duarte Lima vai ser julgado em Portugal pelo homicídio de Rosalina. O advogado tentou travar transferência do processo para Portugal, dizendo que um julgamento no Brasil lhe dava mais garantias. O ministério Público lembra que isto só acontece porque Lima fugiu e criou obstáculos a um julgamento naquele país.[19]

Em janeiro de 2019, o Tribunal Criminal de Lisboa absolveu Duarte Lima do crime de abuso de confiança de que era acusado no processo Rosalina Ribeiro. O advogado foi absolvido depois de o Ministério Público o ter acusado de se ter apropriado indevidamente de cinco milhões de euros pertencentes a uma cliente, Rosalina Ribeiro, assassinada no Brasil a 7 de dezembro de 2009. De acordo com a investigação da polícia brasileira, estes cinco milhões teriam sido o móbil para o ex-líder parlamentar do PSD matar a tiro Rosalina Ribeiro. Durante o julgamento, o MP acabou por pedir a absolvição de Duarte Lima, na sequência do depoimento de Armando Carvalho, afilhado de Rosalina, que, depois de ter dito, na fase de investigação, que a madrinha se queixara do advogado, acabou por afirmar que a mulher nunca se queixou de nada[20].

Em junho de 2019, o Tribunal de Relação de Lisboa anulou acórdão de absolvição de Duarte Lima no caso de burla à herança de Tomé Feteira[21].

Caso BPN[editar | editar código-fonte]

Em 17 de novembro de 2011, Duarte Lima e o seu filho foram detidos pela Polícia Judiciária, no âmbito de uma investigação relacionada com o caso Banco Português de Negócios, ficando em prisão preventiva. Burlou em cinquenta milhões de euros os proprietários de terrenos onde estava prevista a construção da nova sede do IPO.

Duarte Lima já tinha sido constituído arguido neste inquérito, está indiciado por diversos crimes de fraude fiscal, falsificação de documentos, burla e tráfico de influências.[22][23] É suspeito de ter usufruído directamente ou através de testas de ferro de vários créditos no valor de mais 40 milhões de euros, obtidos com garantias bancárias de baixo valor.[24]

Em 7 de fevereiro de 2012, o Tribunal da Relação de Lisboa confirma a prisão preventiva de Duarte Lima e o pagamento de uma caução de 500 mil euros para que o filho Pedro Lima se mantenha em liberdade até ao julgamento.[25]

Em 18 de maio de 2012 continuou em prisão preventiva mas em sua casa com pulseira eletrónica.[26]

Em 16 de abril de 2014, foi libertado da prisão domiciliária e o juiz mandou retirar a pulseira eletrónica por considerar que o perigo de fuga está diminuído.[27]

Em 28 de novembro de 2014, Duarte Lima foi condenado a 10 anos de prisão, em cúmulo jurídico, no caso Homeland, relacionado com crédito obtido no Banco Português de Negócios, para compra de terrenos em Oeiras. Duarte Lima foi condenado a 6 anos de prisão por burla qualificada e 7 anos por branqueamento de capitais, tendo de cumprir uma pena única de 10 anos, em cúmulo jurídico.[28]

Em 1 de abril de 2016, o Tribunal da Relação de Lisboa baixou a condenação de Duarte Lima, de dez anos para seis anos de prisão, em cúmulo jurídico.[29]

Em 18 de dezembro de 2018 o Tribunal Constitucional chumbou o último requerimento apresentado por Duarte Lima, esgotando as alternativas ao cumprimento da pena de 6 anos a que foi condenado[30].

Em 26 de abril de 2019, entregou-se no estabelecimento prisional de Caxias para cumprir três anos e meio de prisão, tendo sido posteriormente transferido para o estabelecimento prisional da Carregueira, onde se encontra a cumprir o tempo que falta dos seis anos a que foi condenado pelos crimes de burla qualificada e branqueamento de capitais, que terá ainda de ser contabilizado pelo Ministério Público e depois validado pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa.[2][31] Já cumpriu uma parte da pena do processo, dois anos e meio entre prisão preventiva e prisão domiciliária[32].

Acusação de abuso de confiança[editar | editar código-fonte]

O Ministério Público acusou Duarte Lima de abuso de confiança, por apropriação indevida de mais de cinco milhões de euros de Rosalina Ribeiro, de cuja morte é acusado no Brasil.

Em causa estava, segundo o Ministério Público, a apropriação indevida por Duarte Lima de 5.240.868,05 euros que Rosalina Ribeiro lhe transferiu, a título provisório, em 2001, para uma conta na Suíça para que este guardasse a verba enquanto decorressem as ações judiciais interpostas pelos herdeiros do empresário português Lúcio Feteira contra Rosalina Ribeiro.[33]

No 2019 foi absolvido no julgamento em primeira instância do alegado desvio de 5 milhões de euros da herança Feteira.

Condecorações[34][editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Perfil de Duarte Lima no site "A Linha do Horizonte"». Duartelima.com. Arquivado do original em 11 de junho de 2012 
  2. a b «Duarte Lima entregou-se em Caxias mas foi transferido para a Carregueira». DN. 26 de abril de 2019. Consultado em 26 de abril de 2019 
  3. Bruno Contreiras Mateus, José Carlos Marques e Manuela Teixeira (29 de Agosto de 2010). «As três vidas do advogado». Correio da Manhã. Consultado em 17 de abril de 2014. Arquivado do original em 12 de novembro de 2010 
  4. António Soares e Nuno Miguel Maia (com Susana Otão) (14 de agosto de 2010). «Duarte Lima não declarou conta na Suíça». Jornal de Notícias. Consultado em 17 de abril de 2014 
  5. «Estes gestores recebem pensões vitalícias». Agenciafinanceira.iol.pt. Arquivado do original em 29 de dezembro de 2011  |urlmorta= e |datali= redundantes (ajuda)
  6. «Duarte Lima vai ser expulso do PSD. Sociais-democratas avançam com processo» 
  7. «A riqueza súbita e os jantares com poderosos». Revista Sábado. Arquivado do original em 19 de novembro de 2011  |urlmorta= e |datali= redundantes (ajuda)
  8. Agência Lusa (3 de novembro de 2011). «Duarte Lima demite-se da direção da Associação contra a Leucemia». Semanário Expresso. Consultado em 17 de abril de 2014. Arquivado do original em 4 de janeiro de 2012 
  9. a b Sol (25 de Novembro de 2011). «Mulher de Duarte Lima quer divórcio». SAPO. Semanário Sol. Consultado em 17 de abril de 2014 
  10. Agência Lusa (17 de Novembro de 2011). «Conheça o caso que levou à detenção de Duarte Lima». Diário de Notícias. Consultado em 1 de outubro de 2018 
  11. «Duarte Lima paga dívida com quadro de dois milhões» 
  12. Nuno Miguel Maia (11 de fevereiro de 2012). «Duarte Lima mentiu para não devolver milhões de herança». Jornal de Notícias. Consultado em 17 de abril de 2014 
  13. «Duarte Lima acusado da morte de Rosalina Ribeiro». Jornal Público. Arquivado do original em 28 de outubro de 2011 
  14. «Justiça manda prender português suspeito de matar herdeira de fortuna». iG. Ultimosegundo.ig.com.br 
  15. «Duarte Lima reage à acusação de homicídio». SAPO. Semanário Sol 
  16. «Duarte Lima diz-se vítima de "investigação por encomenda" no caso Rosalina». Jornal Público. Arquivado do original em 17 de julho de 2012 
  17. «Duarte Lima quer ser julgado no Brasil» 
  18. «Brasil enviou carta rogatória para que Duarte Lima seja julgado por homicídio». Público. 31 de julho de 2015. Consultado em 6 de agosto de 2015 
  19. «Duarte Lima vai ser julgado em Portugal pelo homicídio de Rosalina» 
  20. «Duarte Lima absolvido no caso da burla a Rosalina Ribeiro» 
  21. «Relação de Lisboa anula acórdão de absolvição de Duarte Lima no caso de burla à herança de Tomé Feteira» 
  22. «Duarte Lima detido por causa do caso BPN». Jornal Público. Arquivado do original em 19 de novembro de 2011 
  23. «Duarte Lima e o filho detidos». SAPO. Semanário Sol 
  24. «Venda da casa no Algarve entre razões da detenção de Duarte Lima». Jornal Público 
  25. «Duarte Lima continua preso preventivamente». Semanário Expresso [ligação inativa]
  26. «Duarte Lima já está em casa com pulseira eletrónica». Diário de Notícias . Arquivado do original em 14 de maio de 2013 
  27. «Duarte Lima libertado». Jornal de Notícias. 16 de abril de 2014. Consultado em 17 de abril de 2014 
  28. «Duarte Lima condenado a 10 anos de prisão» 
  29. «Relação confirma condenação de Duarte Lima» 
  30. António Cotrim, Lusa (26 de dezembro de 2018). «Duarte Lima perde último recurso no Tribunal Constitucional». Consultado em 29 de dezembro de 2018 
  31. «Duarte Lima entrega-se na prisão após mandados de detenção». Lusa. 26 de abril de 2019. Consultado em 26 de abril de 2019 
  32. «Duarte Lima entregou-se no estabelecimento prisional de Caxias» 
  33. «Duarte Lima acusado de apropriação indevida de cinco milhões» 
  34. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Estrangeiras». Resultado da busca de "Domingos Duarte Lima". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 11 de fevereiro de 2015